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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após reunião com autoridades locais e Defesa Civil, seguida por sobrevoo a áreas alagadas

por Portal Planalto publicado 26/12/2015 15h30, última modificação 26/12/2015 15h56

 Uruguaiana-RS, 26 de dezembro de 2015

 

Bom gente, muito bom dia! Feliz Natal para vocês, boas festas, já que nós podemos não nos ver depois daqui. Eu quero fazer uma fala rápida porque eu ainda tenho de voltar para Porto Alegre e, possivelmente, ainda volto para Brasília hoje.

Nós estivemos aqui porque nós sabemos que o Brasil hoje está sendo bastante afetado pelo fenômeno El Niño. O fenômeno El Niño provoca chuvas fortes na região Sul do País, chegando até um pouco acima de São Paulo, metade de Minas Gerais e provoca uma seca terrível no Nordeste do País. Só um pouquinho. O que é que foi?

Então, como eu estava falando, o fenômeno El Niño provoca uma seca muito forte no Nordeste do País e essa é uma questão que causa desastres naturais. Aqui no Sul do País, nós estamos extremamente preocupados porque as chuvas provocaram uma forte cheia no Rio Uruguai e em alguns afluentes do Rio Uruguai, como o Bicuí e o Jaguari. E isto provocou também enchentes nas cidades, aqui em Uruguaiana e aqui nas cidades todas da Fronteira Oeste. Nós viemos aqui mais uma vez e estamos fazendo três ações em conjunto com o governo do estado. Nós estamos aqui com o vice-governador em exercício e com as prefeituras, as  diferentes prefeituras. Estavam aqui aliás, vou falar para vocês quais prefeituras. Estavam aqui o prefeito aqui de Uruguaiana, o Luiz Augusto Schneider, que nos recebeu de forma bastante gentil; o prefeito de São Borja, o Carlos Almeida; o prefeito de Barra do Quaraí, Iad Sholi; o prefeito de Jaguari, João Mário Cristofari; o prefeito de Itacurubi, José Rubem Loureiro; o prefeito de Manoel Viana, aliás, a prefeita, Silvana Ben Salbego; a prefeita de Rosário do Sul, Zilase Rossignollo; o prefeito Luiz Carlos, presidente da Famurs; e a vice-prefeita de Alegrete, Maria de Fátima  Mulazzani.

Nós todos fizemos uma reunião produtiva e como eu estava dizendo, vamos atuar em três eixos básicos. Primeiro esse que é o resgate das pessoas. Em segundo é o processo de restauração da cidade e das vias, principalmente das estradas e sinais. E em terceiro, projetos que tenham  sentido no que se refere à retirada das pessoas da área de risco, fundamentalmente isso. No resgate, o papel das Forças Armadas, da Secretaria Estadual de Defesa Civil e da Secretaria Nacional de Defesa Civil, com o general Adriano, é muito importante. E quando a gente olha a questão, principalmente de retirada das pessoas da área de risco, a gente tem de ver uma situação que seja permanente. Daí a importância do programa Minha Casa Minha Vida. Agora, o Programa Minha Casa Minha Vida, ele tem dois critérios. Primeiro, quando se tira pessoas da área de risco, elas não podem voltar para a área de risco, ou outras pessoas não podem voltar para a área de risco, então é uma exigência do Programa Minha Casa Minha Vida que a área de risco seja impedida de ser usada para construção de outras moradias porque senão nós, sistematicamente, voltamos a ter o mesmo problema anterior, que é as pessoas serem atingidas pelas enchentes. Então as áreas que tem enchente, elas estão vedadas a serem utilizadas como moradia ou qualquer outra situação em que leve a perda ou de patrimônio ou até de vida humana. Nós queremos dizer que temos todo interesse em fazer essa recuperação da melhor forma possível. Daí porque nos comprometemos com os prefeitos, ao que o ministro Gilberto Occhi, que é o ministro da Integração [Nacional], ele volte aqui a semana que vem e faça uma discussão para que todos saibam aquilo que é possível que a gente tenha uma ação naquilo que é possível, que a gente tenha uma ação concreta para as pessoas e para os municípios aqui da região. Por exemplo, a liberação de Fundo de Garantia, então nós vamos ver aqui que não só o ministro da Integração, mas também junto com a Caixa Federal Nacional e com a Superintendência da Caixa aqui de Santa Maria. E é muito importante também para, vamos dizer assim, para rapidez da ação, que haja essa integração entre o estado, o município e o governo federal para que as coisas sejam facilitadas, para que sejam mais rápidas, que as pessoas sejam atendidas e que possam retornar à sua tranquilidade. É de fato uma situação muito difícil, principalmente nesse momento, que é um momento de festa, que todas as famílias ou estão celebrando o natal ou estão se preparando para um fim de ano, para a passagem do ano. Então é muito importante que haja esse gesto de compreensão de todos nós, autoridades federais, estaduais e municipais, com as pessoas que estão sofrendo nesse momento uma situação bastante, em alguns casos até perigosa, e em outros bastante desagradável, que é ter de abandonar suas casas, ter de ir para casa de parentes ou até em estar em abrigos públicos. Então é isso que eu queria dizer aqui para vocês, acho que nesse momento é um gesto que todos nós temos de fazer, até porque como eu disse, o Natal é um momento de alegria, mas aqui nós estamos tendo um momento também em que as pessoas precisam, estão tristes, estão sofrendo, então ter de ser atendidas com rapidez.

Jornalista: Presidente, o que deu para ver lá no sobrevoo? Foi rápido?

Presidenta: Olha, a gente vê claramente, o que eu fui ver no sobrevoo? Eu fui ver a área atingida, porque o governo federal estão com uma preocupação muito grande. A gente tem estado presente em vários momentos de desastre, não só desastre natural, como de desastre como foi o caso de Mariana. Mas no desastre natural, nós queremos, você não pode achar que você combate o desastre, você convive com o desastre natural, porque você vai conviver com a cheia do Rio Uruguai, você vai conviver com a cheia do Rio Jaguarí. Então, o que que nós queremos? Nós queremos ver aquelas áreas, e eu fui fazer uma viagem de impressão, porque isso tem de ser levantado direito. Nós não queremos que as pessoas voltem para o lugar em que estavam antes e que foram objeto do alagamento. Então é uma condição do Minha Casa Minha Vida, hoje, que essas áreas sejam interditadas para moradia. Porque senão nós vamos ficar, usando uma expressão popular: “enxugando o gelo”. Então eu fui olhar isso e fui olhar também o grau de comprometimento. Eu estava pensando até em ir ver a ponte, ali no Rio Bicuí, que está interrompida, mas aí eu preferi voltar e conversar com os prefeitos para entender com eles quais são os problemas. Muitos dos prefeitos daqui têm dois outros problemas sérios que eu detectei. Um deles é que são áreas agrícolas, áreas em que há plantio de arroz e que tem um comprometimento da safra. Nós vamos ver, eu vou inclusive conversar com a ministra da Agricultura para ver o que é possível fazer, e a outra questão é essa questão da gente recompôr dentro das nossas  possibilidades as estradas vicinais. Nós não temos como recompor todas as estradas vicinais, mas fazer aquele primeiro socorro que vai ajudar a ter trânsito, tráfego nessas estradas. Gente vou pedir licença para vocês, mas eu tenho de voltar…

Jornalista: (Incompreensível)

Presidenta: Meu maior comprometimento com Uruguaiana foi a Faculdade de Medicina, e essa Faculdade de Medicina vai estar aberta em março e ela vai surgir, e vai garantir que aqui na região nós tenhamos uma coisa, nós tenhamos médicos formados aqui. Médicos formados aqui podem ficar aqui. Eu estou falando isso por causa do Programa Mais Médicos. Quando nós fizemos o Programa Mais Médicos, o nosso maior problema no Programa Mais Médicos era ter médico, principalmente nos lugares mais distantes, mais afastados do litoral. Um desses lugares era a Fronteira Oeste, eu tenho muito orgulho de que tenha aqui uma Faculdade de Medicina, porque aí o médico forma aqui, casa aqui, pode ficar aqui e a gente vai tendo aquela pessoa, aquele profissional também que ama o local.

 Muito obrigada a vocês.


Ouça a íntegra (10min43s) da entrevista da presidenta.