Você está aqui: Página Inicial > Mandatos de Dilma Rousseff (2011-2015 e 2015-2016) > Entrevistas > Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após encontro com o papa Francisco

Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após encontro com o papa Francisco

por Portal do Planalto publicado 20/03/2013 11h25, última modificação 04/07/2014 12h44

Roma-Itália, 20 de março de 2013

 

Jornalista: Presidenta, como é que foi a conversa?

Presidenta: Olha, a conversa foi uma conversa muito interessante. A primeira coisa é que eu era a primeira a ser recebida, depois da entronização. Inclusive o papa falou “você pode falar, porque é a primeira vez que eu estou recebendo alguém aqui”. Ele é uma pessoa extremamente carismática e, ao mesmo tempo, com um grande compromisso com os pobres, o que torna a relação com o Brasil uma relação muito importante para nós porque o governo brasileiro vem nos últimos 10 anos, a partir do Lula, focando a questão da superação da pobreza. E é uma política de Estado, eu inclusive, expliquei para ele como é que nós estamos, e ele conhecia bastante bem, não houve nenhuma surpresa da parte dele, ele sabia o que nós estávamos fazendo.

 

Jornalista: Sobre a Jornada, vocês conversaram?

Presidenta: Ele também falou bastante sobre a importância de proteção às populações mais fragilizadas. Uma coisa que para mim foi muito interessante, ele falou que teve um papeleiro, vestido de papeleiro. Papeleiro é o nosso catador de papel. Ele trabalhava com o papeleiro e teve um papeleiro aqui no dia da entronização representando os papeleiros argentinos e eu falei para ele que nós geralmente fazemos – como vocês sabem – o nosso Natal, nós fazemos uma missa sempre na época do Natal com os papeleiros. E essa questão das populações mais fragilizadas ele também falou bastante sobre isso. No que se refere à nossa Jornada Mundial da Juventude, a importância da juventude na construção do futuro da humanidade, e a Igreja como uma instituição secular tem no jovem um foco muito grande e ele estava me dizendo que ele espera uma presença grande dos jovens na medida em que ele é o primeiro papa, ele é várias coisas primeiro: ele é o primeiro Francisco, o primeiro jesuíta, o primeiro latino-americano, o primeiro argentino, e ele espera a presença massiva de jovens.

Nós conversamos …  muito entusiasmado … nós conversamos sobre a questão dos jovens, sobre essa questão das drogas, do crack, do reforço de valores, de princípios e de símbolos para a juventude. E ele também – e isso é muito interessante – ele me disse que ele vai comparecer a Aparecida, ele vai, logo depois da grande participação dele ir em Aparecida e até me lembrou que em 2007 ele esteve em Aparecida e me deu, inclusive, um livro que é a síntese do que eles fizeram em Aparecida em 2007, que foi uma conferência de bispos latino-americanos. E me disse assim: “Você não lê tudo, porque você pode se aborrecer. Então você pegue o índice e olhe os assuntos que te interessar e vai lendo aos poucos”. Depois também me deu um conselho. Me disse o seguinte: “Eu fiquei muito comovido com a questão que ocorreu em Santa Maria e acho que a gente tem na vida de demonstrar força e ternura. Em Santa Maria, o Brasil demonstrou força e ternura”. Eu fiquei muito agradecida também e acho que ele será um papa muito importante para o momento em que todos nós vivemos.

 

Jornalista: Ele comentou sobre a missão dele na Igreja, presidente?

Presidenta: Ele disse que tinha que evitar o orgulho, o papa é muito, eu diria assim, muito modesto. Ele comentou que não se pode ter orgulho, nem pretensões, você tem que lutar para fazer as coisas direito, e lembrar sempre que tem um peso nas costas.

 

Jornalista: Ele fez algum pedido ao Brasil? Ele fez algum pedido para a senhora?

Presidenta: Olha, eu tenho a impressão que ele, em vez de fazer um pedido, ele mais disse que estava com o Brasil, que estava com a América Latina, a forma dele falar é mais nesse sentido.

 

Jornalista: Ele se dirigiu a senhora como você ou como senhora?

Presidenta: Olha, não dá nem para lembrar direito, ele é um papa muito normal, viu?

 

Jornalista: Ele [o papa] fala português bem?

Presidenta: Ele fala em portunhol igual à gente. E ele entende português bem. E ele não tem tradução.

 

Jornalista: Presidenta, para Argentina. Somos o país do papa. O que dizer aos argentinos do encontro com o papa Francisco?

Presidenta: Olha, vocês têm muita sorte. É um grande papa. A Argentina está de parabéns. Agora a gente sempre diz “o papa é argentino, mas Deus é brasileiro”.

Ouça a íntegra da entrevista (05min44s) da Presidenta Dilma.

 

 

 

registrado em: ,
Assunto(s): Governo federal