Você está aqui: Página Inicial > Mandatos de Dilma Rousseff (2011-2015 e 2015-2016) > Entrevistas > Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após encerramento do Encontro Empresarial sobre Oportunidades de Investimento em Infraestrutura no Brasil - Nova Iorque/EUA

Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após encerramento do Encontro Empresarial sobre Oportunidades de Investimento em Infraestrutura no Brasil - Nova Iorque/EUA

por Portal Planalto publicado 29/06/2015 16h51, última modificação 29/06/2015 16h52

Nova Iorque-EUA, 29 de junho de 2015

 

 

Presidenta: Nós tivemos dois encontros. Um encontro foi com a… Ah, eu tive três. Eu fui visitar, a convite do… Fui visitar o Wall Street Journal, a convite deles, pela manhã, bem cedo. Tivemos uma conversa curta, mas muito interessante. A segunda coisa que eu fiz hoje foi: nós fizemos uma reunião com investidores financeiros, fundos... E, obviamente, qual era o objetivo e o que que nós queríamos transmitir? Nós queríamos discutir as condições macroeconômicas de investimento no Brasil, mostrar que eles eram muito bem-vindos. Uma grande parte deles já estão investindo no Brasil, a outra parte tem investimentos menores, mas também a grande maioria, eu não lembro aqui nenhum que não estava já investindo no Brasil.

            Viemos, também, dizer a eles que é importante que eles percebam que nós estamos fazendo um grande esforço, no sentido de um ajuste fiscal, um ajuste fiscal que tem parte que é ajuste conjuntural e tem parte que é um ajuste estrutural. Por exemplo, todas as alterações no seguro desemprego são estruturais. Toda a questão relativa às demais medidas que nós enviamos, em relação à pensão por morte são estruturais. E mostramos que não é um fim em si, e que junto com esse esforço, nós temos tido vários esforços: realinhamos os preços relativos, estamos fazendo um grande esforço para ampliar a participação do crédito privado no crédito global do país, ampliar a presença do mercado de capital, dos mercados de capitais no financiamento de longo prazo da infraestrutura.

            E falando em infraestrutura, falamos da importância desse nosso plano, que tem por objetivo, em momentos de dificuldades fiscais, valorizar o investimento privado em infraestrutura, através do Plano [Programa] de Investimento em Logística. E queremos a participação de investidores estrangeiros. Onde é que a participação é menor, dos Estados Unidos? É menor nesta área de infraestrutura. Porque, se você for ver, o maior estoque de capital no Brasil é americano, são US$ 116 bilhões. Mas, se você olhar na infraestrutura, a presença maior é de investidores europeus e asiáticos, e é menor a presença de investidores de origem nos Estados Unidos.

            Nós também mostramos que mais dois outros projetos vão ocorrer: um, nós vamos lançar até o dia 7 de julho, a 13ª rodada de concessão na área de petróleo e gás. Ela já foi anunciada na OTC, no início desse ano, mas ela vai ser integralmente apresentada agora,  dia 7 de julho. E, também, até agosto, nós iremos apresentar o nosso modelo… O nosso modelo, não, desculpa, o nosso… Todo o nosso plano de investimento na área de energia elétrica. Até porque hoje começa, a partir da tarde, começa a visita ao governo. Nessa visita ao governo, um dos pontos fundamentais vai ser a questão do clima. Por quê? Este ano você tem a COP 21, dentro da COP 21 nós pretendemos fazer anúncios conjuntos, o Brasil e o governo americano.

            Além disso, eu fiz também reuniões com… uma outra reunião com investidores privados aqui dos Estados Unidos, no que se refere… são investidores em empresas e serviços. Os primeiros foram financeiros, os segundos são investidores com empresas e serviços. São listas bastante significativas. Eu posso dar alguns exemplos para vocês, depois eu vou pedir para distribuírem essas duas listas, para eles saberem com quem nós tivemos um encontro, certo? Vocês podiam providenciar já. É o encontro dos investidores do setor financeiro e esse. Mas, por exemplo, nos financeiros estavam presentes: o Blackrock, o Blackstone Group, o Blenheim Capital Management, Cerberus Global Investiments, Citigroup, Diamond Offshore Drilling, Loews Corporations, JP Morgan, Starwood Capital Bondmann, TGP Partners, Valor Capital Group e Warburg Price Pincus. Aí, no outro é muito grande, vocês me desculpem, mas eu tinha que ficar aqui, eu falei, aqui, a menor. O outro tem uma lista muito significativa, em várias áreas: energia, automobilística, na área de educação, na área de saúde, na área de… enfim, que eu estou me lembrando aqui, de petróleo e gás, em todas as áreas há uma presença bastante grande e bastante espalhada.

            E, depois, eu tive uma entrevista interessantíssima, com uma pessoa fantástica, que é o nosso ex-chairman, não é? Não é bem chairman, mas o secretário de Estado Henry Kissinger, que é uma pessoa que tem uma visão da ordem internacional. E nessa conversa, foi uma conversa extremamente produtiva, muito interessante, instigante, inspiradora. Nós conversamos sobre o papel do Brasil no cenário internacional, os desafios de uma nova ordem internacional, essa questão que ele sempre levanta, do poder e da legitimidade, que é a base do livro World Order, Ordem Internacional, que eu considero muito importante de ser lido, porque acho que apresenta uma visão estratégica do mundo, com todas as suas grandes questões. Então, foi uma conversa muito importante.

            E, agora, acabei de fazer a minha apresentação no Encontro de Infraestrutura. Foi uma coisa, também, extremamente forte, por quê? Porque estavam reunidos aqui para serem apresentados para todo o programa de investimento em logística, com seus detalhes, onde, o quê, em que trechos, em todos os dados, um conjunto de investidores. Vão continuar à tarde, se tiverem interesse, para ter alguns esclarecimentos, mas, em princípio, eu encerro essa parte de apresentação aqui, agora.

            Eu vou para os Estados Unidos… Washington. Isso é o cansaço.

 

Jornalista: Presidente…

 

Presidenta: Eu vou para Washington porque lá em Washington eu vou ter, então, um jantar na Casa Branca. A minha parte está encerrada, eu falo uma… respondo mais três perguntas.

 

Jornalista: (inaudível)

 

Presidenta: A Petrobras, no pré-sal, tem uma participação bem… não é muito grande a participação da Petrobras, é 35% de… aliás, desculpa, é 30%... Por exemplo, em Libra, eu vou te dar a de Libra, tá? É 30% de 30%. Ela não tem uma grande participação. Ela é uma boa parceira. Por quê? Porque quando os preços do petróleo estão mais baixos, o que acontece? Acontece que todo investidor, ou toda empresa que investe, procura reduzir o risco. Como é que ela reduz o risco? Ela reduz o risco selecionando os melhores projetos, e selecionando parceiros que têm conhecimento do que fazem. Vamos lembrar que a Petrobras ganhou, este ano, o prêmio do “oscar” do petróleo, que é o prêmio da OTC em Inovação por extrair petróleo em águas profundas. Foi premiada porque duas empresas, geralmente, eu não vou falar de quais são, eu posso falar da Petrobras, mas uma outra grande empresa europeia é a outra que ganha os prêmios de exploração de petróleo em águas profundas, divide conosco essa liderança.

            E acredito que a Petrobras, em exploração, em lâminas d’água de sete mil metros ou de sete quilômetros, ela é uma empresa bastante atraente como parceira. E também porque conhece a bacia sedimentar brasileira, e conhece o pré-sal, porque descobriu o pré-sal. Então, é importante, quando você tem preços baixos do petróleo investir onde você sabe que tem petróleo, onde você sabe que tem petróleo de qualidade, o que diminui seu risco, mas também onde você sabe que tem regras claras, que se respeitam contratos, que não tem risco, eu diria, geopolítico.

 

Jornalista: Presidente, eu preciso perguntar para a senhora sobre a delação do dono da UTC. Quais são os seus pensamentos sobre isso, o que senhora teria a dizer sobre (inaudível).

 

Presidenta: Olha, eu quero dizer algumas coisas sobre isso. Primeira coisa: a minha campanha recebeu dinheiro legal, registrado, de R$ 7 milhões, R$ 7,5 milhões. Na mesma época que eu recebi os recursos, pelo menos uma das vezes, o candidato que concorreu comigo recebeu também, com uma diferença muito pequena de valores.

 

Jornalista: A senhora está falando do Aécio Neves?

 

Presidenta: Eu estou falando do Aécio Neves, só tinha um candidato que concorreu comigo, não tinham dois.

 

Jornalista: No segundo turno, não é?

 

Presidenta: Não, não, mas eu estou falando do segundo turno, tá? Eu estou falando, isso ocorreu no segundo turno. Além disso, eu nunca recebi esse senhor, eu nunca o recebi, em toda a minha passagem pelo meu primeiro mandato. Terceiro, eu não tenho esse tipo de prática. Quarto, eu não aceito, e jamais aceitarei, que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade, primeiro porque não houve, segundo, porque se insinuam, alguns têm interesses políticos e, terceiro, entre… eu sou mineira, sou mineira, então eu tenho uma coisa que me acompanhou, ao longo da vida: em Minas, na escola, quando você aprende como é que é a bandeira, você desenha a bandeira, que é o triângulo, e escreve “Libertas Quae Sera Tamen”, e aprende sobre a inconfidência mineira. E tem um personagem que a gente não gosta, por quê? As professoras nos ensinam a não gostar dele, e ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator. Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em uma delatora; a ditadura fazia isso com as pessoas presas. E eu garanto para vocês que eu resisti bravamente, até em alguns momentos fui mal interpretada, quando eu disse que para… em tortura, a gente tem de resistir, porque senão você entrega seus presos. Então, não respeito nenhum… nenhuma fala. Agora, acho que a Justiça, para ser bem precisa, a Justiça tem de pegar tudo o que ele disse e investigar. Tudo, sem exceção. A Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal.

 

Jornalista: A senhora pretende tomar algum tipo de providência, a senhora vai esperar?

 

Presidenta: Se ele falar sobre mim, eu tomo.

 

Jornalista: Que tipo de providência?

 

Presidenta: Aí, nós vamos avaliar com cada ministro porque é foro deles. Muito obrigada, jovens. Três, última.

 

Jornalista: (inaudível)

 

Presidenta: Olha, eu não posso fazer uma coisa dessas. Eu vou fazer uma conversa com o presidente Obama, depois da conversa a gente anuncia, em conjunto, o acordo entre nós. Até porque o acordo é composto pelo Brasil, de um lado - então, eu - e. do outro lado, ele. Então, eu não tenho como antecipar isso.

 

Jornalista: (inaudível)

 

Presidenta: Essa é a ideia.

 

 Ouça a íntegra (15min902s) da entrevista da Presidenta Dilma

registrado em: , ,