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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após cerimônia de lançamento do Crescer - Programa Nacional de Microcrédito

por Portal do Planalto publicado 24/08/2011 17h55, última modificação 04/07/2014 11h38
Presidenta Dilma responde a questionamentos dos jornalistas e diz que o centro de seu governo "é fazer o país crescer e fazer uma faxina contra a pobreza"

Palácio do Planalto-DF, 24 de agosto de 2011

 

Jornalista: É verdade mesmo que a senhora teria dito que não haverá mais demissões, Presidenta?

 

Presidenta: Só um pouquinho. Primeira coisa:

 

Jornalista: É verdade mesmo?

 

Presidenta: Só um pouquinho. Veja bem, essa pauta de demissões que fazem ranking não é adequada para um governo. Essa pauta, eu não vou jamais assumir. Não se demite nem se faz escala de demissão, nem se quer demissão todos os dias. Isso não é, de fato, Roma antiga.

 

Jornalista: Mas a senhora teria estancado isso mesmo?

 

Presidenta: Eu, qualquer, qualquer atividade inadequada, malfeito que for constatado no governo, mantida a presunção de inocência, eu tomarei providências. O que... Eu não sei de onde sai a informação de vocês, mas, tanto a forma como colocam a política do meu governo contra malfeitos, chamando-a de faxina, eu não concordo com isso, acho que isso é extremamente inadequado – e já disse isso para vocês uma vez... Eu acho o seguinte: que se combate o malfeito, não se faz disso meta do governo. Faxina, no meu governo, é faxina contra a pobreza. É isso que é a faxina do meu governo. Os restos, eu disse para vocês, são ossos do ofício da Presidência, e ossos do ofício da Presidência não se interrompem. Se houver algum malfeito, eu tomarei providências. O que eu não vou aceitar, em hipótese alguma, é que qualquer pessoa do meu governo, seja sem respeitar os princípios fundamentais que fundam a Justiça moderna – que são: respeito aos direitos individuais e às liberdades... A Lei é igual para todos. Não tem aqueles que estão acima da Lei, a Lei é igual para todo mundo. Terceiro: é importantíssimo você respeitar a dignidade das pessoas, não submetê-las a condições ultrajantes, e eu sei disso, porque eu já passei por isso. Quarto: a presunção da inocência.

Assim sendo, baseada nesses princípios, eu tomarei todas as providências para conter. Não existe essa condição. Só quem pensa que alguém faz do seu governo um processo, de um país como o nosso, nas condições do mundo, que transforme uma política como o centro do governo, não é o centro do meu governo, o centro do meu governo é fazer este país crescer, é fazer uma faxina contra a pobreza. O resto, ou seja, tomar providência com o malfeito é obrigação na minha condição de Presidência...

 

Jornalista:... mas, Presidenta...

 

Presidenta:... são ossos do ofício da Presidência da República.

 

Jornalista: O PR não foi injustiçado então, Presidente, não foram dois pesos, duas medidas?

 

Jornalista: A crise ainda preocupa (incompreensível)...a crise internacional ainda preocupa?

 

Presidenta: A crise internacional deve nos preocupar sempre, mas a gente tem sempre de ter consciência de uma coisa. Sabe qual é? Nós, hoje, estamos em muito, mas em muito melhores condições para enfrentar. Ela é uma crise de outra característica, é a mesma crise, começou lá atrás. Na verdade, começou no final de 2007, inicio de 2008. Ela é uma crise financeira profunda do sistema financeiro dos países envolvidos. É uma crise de confiança porque não se recupera o consumo, nem o investimento. O dinheiro está empossado, ela pode durar mais tempo do que se espera. Agora, o Brasil nessas condições deu vários passos. Hoje, nós demos mais um passo. Qual é o passo? É contar com a imensa força dos 190 milhões para investir, para consumir, para trabalhar e para empreender. Além disso, nós temos 350 bilhões de reserva, da última vez que eu vi, e temos quase 420 bilhões de depósitos compulsórios.Tínhamos a metade disso.

 

Jornalista: Mas nas últimas semanas melhorou um pouco ou não?

 

Presidenta: Eu acho que é uma crise que não é daquela forma. Não esperem... aliás, pode até acontecer, mas você não espera catástrofes do porte daquela do Lehman Brothers, a não ser que infelizmente algum banco quebre, o que eu não acredito que deixarão isso ocorrer...

 

Jornalista: A senhora tem necessidade de (incompreensível) compulsório, Presidente?

 

Presidenta: ...eu acho que a crise vai ser isso que nós estamos vendo – um dia está pior, outro dia está melhor, um dia está pior. Os países estão mais andando de lado do que outra coisa...

 

Jornalista: A senhora acha que os países (incompreensível)?

 

Presidenta: ...agora, eu não tenho nenhuma bola de cristal...

 

Jornalista: (incompreensível) juros? E os juros, Presidente?

 

Presidenta: para te dizer como é que a...

 

Jornalista: (incompreensível)

 

Presidenta: Eu agradeço a atenção de vocês. Cuidado, tem alguém puxando ela aqui indevidamente... indevidamente...

 

Ouça a íntegra da entrevista (05min33s) da presidenta Dilma.