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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após cerimônia de anúncio de Medidas de Proteção ao Consumidor

por Portal do Planalto publicado 15/03/2013 15h21, última modificação 04/07/2014 12h39

 

Palácio do Planalto, 15 de março de 2013

 

Jornalista: Presidente, a cesta básica continua aumentando...

Presidenta: Minha querida, nós, em nosso país tem que ter uma relação entre o governo e a sociedade, de respeito. O governo desonerou a cesta. O governo acha que é fundamental reduzir o tributo. Agora nós precisamos que essa consciência seja também dos empresários, dos senhores donos dos supermercados, dos produtores, para que, de fato, a desoneração seja algo que todo mundo ganhe. Nós temos feito reuniões e reuniões esclarecendo isso. Continuaremos fazendo porque acreditamos que é fundamental para o país reduzir consumo... Faremos toda... Minha querida, a relação do “prende e arrebenta” acabou. O governo não faz isso. O governo dialoga, o governo persuade, e é uma questão também que eu acho que beneficia o empresário, porque se ele tiver a desoneração, ele vai ter mais renda. Então é muito mais pelo lado da persuasão, e não da ameaça ou da coação.

Jornalista: A indústria reclama que a embalagem não foi desonerada, então eles têm o custo...

Presidenta: Meu querido, o conteúdo foi, então retirem o custo do conteúdo, mantenham o da embalagem. O que não é possível é aumentar os dois. Eu tenho certeza que tem vários produtores, vários empresários, vários donos de supermercado, de redes, que já desoneraram. Alguns não fizeram. Eu acho que é esse um processo, é um processo de educação, um processo de conscientização. A próxima...

Jornalista: A senhora falou em fortalecimento das agências reguladoras, mas não saem medidas específicas em relação a isso...

Presidenta: Olha, eu retirei o projeto de lei que estava no Congresso sobre agências reguladoras. Eu tenho hoje no governo um, eu diria para vocês uma ideia central. Eu acredito que o governo tem que cumprir prazos. Governo, para ser eficiente, tem que cumprir prazos. Eu sou da época em que falar em prazo não era, diríamos assim, a prática usual dentro do serviço público. Muitas áreas cumprem prazos. Outras áreas não cumprem prazos. Nós queremos que haja um respeito a prazos. A agência, o órgão do governo, qualquer área pode negar, tem todo o direito de negar porque é o discernimento, mas vai negar sem levar uma quantidade imensa de tempo, vai negar, justificar, dar razões. Isso para todos. Quanto às agências, elas serão necessariamente objeto de um fortalecimento. Nós precisamos das agências, porque elas, de uma certa forma, defendem o pólo mais frágil da relação de consumo, que é o consumidor. Elas também têm outras funções além dessas. Essa defesa do pólo mais frágil é fundamental que a agência seja profissionalizada, cada vez mais, que ela tenha menos interferência política... O governo vai exigir um nível de composição bastante técnica das agências.

Jornalista: Vai ter um novo plano de apoio?

Presidenta: Não, não, não estou falando... Dá para fazer muita coisa com o que existe. A gente tem que achar, tem que saber que às vezes você faz com o que já existe muito mais.

Jornalista: (inaudível)

Presidenta: Eu, de fato, não vou discutir ministério aqui com vocês. Não, não vou discutir. O papa eu irei lá em Roma, eu comparecerei lá em Roma, na medida em que me convidaram, e o Brasil é um país que tem uma população católica muito expressiva e eu acredito que será importante eu, enquanto presidente – e eu não estou falando aí  enquanto pessoa, porque enquanto pessoa eu fui criada na Igreja Católica –, mas eu estou representando aí  enquanto presidente, toda essa população católica do nosso país.

Jornalista: O Gerdau criticou a...

Presidenta: Todas as pessoas, Tânia Maria, têm direito de criticar este governo. Aliás, nós – você sabe, é uma coisa engraçada... Outro dia eu estava lá no MAR, no Rio, eu estava em uma cerimônia e tinha três reivindicações ocorrendo. Era um barulho bastante elevado, porque o MAR é aquele museu maravilhoso, que fizeram lá no Rio de Janeiro. E, ao lado do MAR – a vida é engraçada -, eu olhei para o prédio e não vi nada, mas lá de cima eu olhei para baixo e falei “conheço esse pátio”. Conheço esse pátio. O pátio era o pátio da Polícia Federal onde eu estive presa. Então eu pensei assim, que esse Brasil é ótimo. Eu, presidente da República, estive presa ali ao lado. Agora eu, presidente da República, conseguia conviver perfeitamente com o barulho das manifestações e achar que era absolutamente natural. Que mostra que ao longo da minha vida pessoal, o que é difícil ao longo da vida de uma pessoa humana, eu assisti à ditadura. E a maior democracia na América Latina eu vi nascer nessa terra.

 

Ouça a íntegra da entrevista (06min09s) da Presidenta Dilma

 

 

 

 

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Assunto(s): Governo federal