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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após cerimônia de abertura do Festival Internacional de Artes Europalia Brasil 2011 - Bruxelas/Bélgica

por Portal do Planalto publicado 04/10/2011 16h52, última modificação 04/07/2014 11h40
Presidenta Dilma Rousseff diz que a reunião do G-20 será uma oportunidade para os países discutirem medidas de cooperação macroeconômica e de ampliação da regulação das movimentações financeiras

Bruxelas-Bélgica, 04 de outubro de 2011

 

Presidenta: Dois minutos, gente. Não pode deixar lá o...

Jornalista: O Rei está esperando, gente.

Presidenta: ...Sua Majestade esperando. Dois minutos, duas perguntas.

Jornalista: A senhora falou que o Brasil está disposto a ajudar a União Europeia, nesse esforço para sair da crise. De que forma isso pode ser feito? De que forma o Brasil pode contribuir?

Presidenta: Olha, no G-20, eu acredito que vai ser muito importante todas as medidas de coordenação macroeconômica e de ampliação da regulação sobre as movimentações financeiras, porque as crises internacionais, elas têm tido uma raiz muito grande nos fluxos de capital, que estão fora de controle, e isso tem sido uma fonte inesgotável de problemas. Nós sabemos disso, até porque nós já tivemos, durante um período, uma situação similar. Não se trata – aqui, como eu disse na ONU –, não se trata de uma questão de falta de recursos financeiros. Nós estamos falando de países desenvolvidos. Mas trata-se de, eu acho, construção de um consenso político em torno da recuperação.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Não acho que seja isso que resolve, viu, (incompreensível). Eu acho que o controle dos fluxos vai ter uma supervisão muito clara, porque tem fluxos de capital que ninguém tem controle, principalmente o que se dá nos derivativos over-the-counter.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Não, eu acho que cada país tem... cada país ou cada região toma as suas medidas, assim como nós aumentamos o IOF sobre derivativos over-the-counter. Nós não somos juízes das ações de outros países ou de uma região, como é o caso da União Europeia.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Nós vamos analisar. Não é... cada país vai ter uma reação diante disso. Nós consideramos que as nossas medidas estão no sentido correto.

Jornalista: (incompreensível) para a Bulgária?

Presidenta: Uma última pergunta. Olha, eu tenho muita...

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: Olha, Clóvis, eu acho que a única coisa que não se pode ter nas relações internacionais é uma certa soberba, que, aliás, nós conhecemos porque tiveram com a gente. Então não se trata, eu acho, de convencer ninguém. Se trata de conversar, de uma forma muito objetiva, sobre a experiência de cada um. Nós temos uma experiência muito complexa nessa área da crise. Nós sabemos o que significa crise bancária, nós sabemos o que significa crise da dívida e sabemos o que significa políticas de espiral descendente, em que o ajuste fiscal contribui, por uma razão matemática, para você reduzir o PIB e, no caso do Brasil, você reduzia o PIB e aumentava a dívida, então, não fecha nunca.

Jornalista: Obrigada, Presidenta.

Presidenta: Eu agradeço a vocês.

Jornalista: Na Bulgária...

Presidenta: Na Bulgária, a minha expectativa é uma viagem muito... de duas formas: uma viagem externa, da Presidente do Brasil, mas também é a viagem da pessoa cujo pai é búlgaro, e uma parte da minha raiz está na Bulgária. Este país, que é o Brasil, ele tem essa capacidade imensa de absorver, de abraçar e de dar apoio e transformar em nacional todas, vamos dizer, as etnias. Nós somos europeus, nós somos africanos, nós somos índios, nós somos asiáticos. Eu achei muito importante, inclusive, que tivesse um rapaz japonês – se eu não me engano, japonês – na apresentação, que nossa diversidade, do nosso país, a real diversidade.

Um beijo para vocês. Sinto muito.

Jornalista: Obrigada, Presidenta.

Ouça a íntegra da entrevista (04min25s ) da Presidenta Dilma