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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após a cerimônia de anúncio de investimentos para a implantação da linha Leste do Metrô de Fortaleza - Fortaleza/CE

por Portal do Planalto publicado 27/02/2012 14h44, última modificação 04/07/2014 12h37

Fortaleza-CE, 27 de fevereiro de 2012

 

Presidenta: A viagem da semana que vem para a Alemanha. Não vou responder sobre isso, Tânia, vou falar sobre o Ceará. Eu quero falar duas coisas para vocês, é importantíssimo que eu fale. Olha, eu acredito que aqui no Ceará nós temos uma empresa que produz trens. No nosso país, muitas vezes se importava trem e ainda se importa trem.

Por que é que eu estou dando importância a essa empresa? Primeiro, porque é um produto de boa qualidade – eu entrei no trem –, é um produto que pode servir não só para que a gente hoje seja capaz de fazer VLT, mas que amanhã nós façamos partes eletrificadas do metrô. E aí eu quero destacar esta empresa, que é aqui no Ceará, ali em Barbalha, e que se chama Bom Sinal. Por que é que eu quero divulgar isso? Porque, muitas vezes, nos processos de compra, as pessoas dão prioridade para os trens importados, e se o preço, a qualidade e as características do trem são competitivas... Eu gostaria de destacar, então, este trem.

A segunda razão também que eu quero destacar para vocês hoje é o fato de que nós voltamos a fazer metrô no Brasil. Com esse trecho aqui do Ceará, que é a linha Leste e que vai se ligar à linha Sul, que o governador mostrou que vai ser concluída ainda este ano, nós estamos fazendo metrô numa cidade do porte... tem 2 milhões e meio Fortaleza. Três [milhões] e duzentos a região metropolitana. Nós começamos a fazer metrô em cidades antes que dê os problemas que nas grandes cidades brasileiras já concentradas, nós temos hoje e que se torna difícil de fazer estruturas de metrô.

O Brasil tem de avançar em direção à logística urbana de metrô porque, caso contrário, nós vamos ter situações insustentáveis nas grandes cidades brasileiras. E vocês lembrem bem, na década de 80 a avaliação é de que o Brasil não podia fazer metrô porque o metrô era uma coisa de rico, o que é um escândalo, um absurdo. Por que? Porque o metrô não é uma coisa de rico. O metrô é uma coisa de grandes cidades, é uma forma de solucionar transporte de massa. Veja esses dois conjuntos de trens que eu visitei hoje e que foram produzidos aqui em Barbalha. Eles têm uma capacidade de transportar 900 passageiros, 900. Você imagina um ônibus que tem, em torno de quê? 180?

_________: Cem.

Presidenta: Cem? Por aí?

__________: Cem já abarrotado.

Presidenta: Abarrotado. Então, o transporte de massa pode ser feito com qualidade, com maior segurança, com problemas muito menores no trânsito e, portanto, com maior segurança não só para os passageiros, mas para os transeuntes. Isso tudo eu acho que é uma coisa importante eu estar aqui no Nordeste fazendo isso, no Nordeste.

Presidenta - Mais uma, mais uma.

Jornalista: Agora para (incompreensível), então.

Presidenta: Mais uma. A Tânia está querendo perguntar da Angela Merkel, mas...

Jornalista: Sobre a refinaria (incompreensível) no ano passado e vem se atrasando. Existe a possibilidade de a senhora pedir a intervenção da Petrobras para garantir que ela cumpra os prazos?

Presidenta: Olha, nós estamos num grande movimento dentro do governo para acompanhar obras que são... nós consideramos que são as obras estruturantes, prioritárias para o país. Além, por exemplo, dessa obra que eu estou dizendo, que é a questão dos metrôs, nós... eu já estive aqui no Ceará na semana, antes do Carnaval, vendo duas obras junto, entre Ceará e Pernambuco, tanto a interligação das bacias do São Francisco, como a Transnordestina. Agora eu voltarei outra vez aqui na região para olhar a questão da Refinaria Abreu e Lima. Não é uma questão só do Ceará. A Refinaria Abreu e Lima é uma exigência também do Brasil. Por que? Por conta do seguinte. O Brasil parou de investir durante muitos anos em refino. Durante muito tempo foi dito o seguinte: refino tem uma taxa de retorno muito baixa. Isso, no mundo inteiro. A taxa de retorno de uma refinaria, ela é muito baixa. Quem tem uma taxa alta de retorno são as produções de petróleo e gás bruto. Só que tem, que quando você produz petróleo e gás bruto, se você é uma empresa verticalizada, você perde dinheiro porque na hora em que o vento muda, como mudou agora, você tem um preço exorbitante para os derivados de petróleo que a refinaria produz. Daí porque você importa derivados de petróleo e, mesmo você sendo um produtor como o Brasil é hoje, de óleo bruto, ele não é um produtor autossuficiente de derivados. Então nós queremos que a Refinaria seja acompanhada e que os prazos sejam cumpridos. Esse é um compromisso, inclusive, da presidenta Maria das Graças Foster.

Jornalista: (incompreensível)

Presidenta: A daqui é a Premium II, mas... eu sei. A da Premium II.

__________: A I é no Maranhão.

Presidenta: Eu sei. Eu estou falando primeiro da Abreu e Lima, que é a mais atrasada. A daqui não tem o mesmo nível de atraso porque ela não tinha sido começada, porque dependia de, nós tivemos aqui – eu não ia entrar nisso –, nós tivemos um problema aqui, que era um problema ligado...

__________: Negociação com comunidades indígenas.

Presidenta: ...comunidades indígenas, que é sempre um problema, no Brasil, complicado, porque o Ministério Público está envolvido.

Jornalista: Mas o aumento do combustível vai implicar em aumento da inflação?

Presidenta: Só... Tânia, Tânia!

Jornalista: Presidente, ela é a única de Brasília (incompreensível).

Presidenta: Eu falei: se ela perguntar o que é que eu vou conversar com a Angela Merkel, não vou responder e vocês vão entender.

 

Ouça a íntegra da entrevista (06min54s) da Presidenta Dilma

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Assunto(s): Governo federal