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Entrevista coletiva concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, antes da partida para Brasília - Luanda/Angola

por Portal do Planalto publicado 20/10/2011 15h38, última modificação 04/07/2014 11h40
Presidenta Dilma Rousseff concede entrevista antes da partida para Brasília

Luanda-Angola, 20 de outubro de 2011

 

Jornalista: Presidente, a senhora já soube sobre a captura, a provável morte de Kadhafi?

Presidenta: Olha, o pessoal da imprensa me avisou que tem retratos, fotografias, mas não tem ainda nada oficial, ou já tem?

Jornalista: Não, sobre a morte, definitivamente, não. A captura, sim.

Presidenta: Está certo.

Jornalista: Como é que senhora avalia, enfim, esse momento na Líbia?

Presidenta: Olha, eu acho que a Líbia, ela está passando por um processo de transformação democrática. Agora, isso não significa que a gente comemore a morte de qualquer líder que seja. O fato de ela estar num processo democrático é algo que todo mundo deve... deve... eu não acho que é “comemorar” a palavra, mas deve apoiar, incentivar e, de fato, o que nós queremos é que os países tenham essa capacidade de, internamente, viverem em paz e democracia.

Jornalista: Qual é o próximo passo agora e de que forma o Brasil pode participar disso na Líbia?

Presidenta: Olha, o Brasil, venho dizendo que a grande questão é, justamente, a reconstrução. O Brasil tem feito todos os esforços para que haja uma reconstrução dentro de um clima de paz. Este país que nós estamos é um país que, como estava me dizendo o Presidente, ficou 40 anos em guerra. O nível de efeito negativo que 40 anos de guerra provoca em um país, não só pode ser medido através da quantidade de minas que foram aqui enterradas, mas na destruição de infraestrutura, na perda de oportunidades de muita gente, e, sobretudo, na perda de vidas humanas, não é, pessoas que eram lideranças e que foram, na verdade, massacradas. Então, nós acreditamos – o Brasil –, e sempre nós acreditamos nisso, que é fundamental que se resolva conflitos pelo método da negociação, porque não é só a guerra em si que causa danos. Causa dano também o pós-guerra, o efeito da destruição sobre as populações e as nações.

Jornalista: Ao chegar no Brasil, como é que a senhora vai... quais são os procedimentos que a senhora vai dotar para enfrentar a crise envolvendo o Ministro do Esporte?

Presidenta: Olha, eu acho que é importantíssimo que nós, que somos um país democrático, aprendamos que não se faz apedrejamento moral de ninguém. Eu li, com muita preocupação, as notícias do Brasil. Primeiro, pelo grau de imprecisão nas observações a respeito do governo. O governo não fez, não fará nenhuma avaliação e julgamento precipitado de quem quer que seja. E eu acho que fontes, vazamentos... é interessante, porque vazam frases com aspas minhas. Eu não falei com ninguém e vazam aspas minhas. Então, eu acho o seguinte: acho que a gente tem de ter um processo sistemático de investigação, de apuração de todos os malfeitos. Agora, tem sempre de supor a presunção da inocência das pessoas. Eu vou olhar tudo com imensa tranquilidade e tomarei as posições necessárias para preservar não só o governo, mas preservar os interesses do país.

Jornalista: Em relação à Copa (incompreensível)

Jornalista: (incompreensível)

________: Muito obrigado, gente. Obrigado, obrigado.

Presidenta: Isso é uma tolice. Dizer que o governo está fazendo julgamento de um partido é uma tolice. O meu governo respeita o Partido Comunista do Brasil, acha que tem quadros absolutamente importantes para o país. Nós não vamos entrar nesse processo, que é um processo absolutamente irracional. Nós temos de apurar os fatos, nós temos de investigar e nós, se apurada a culpa das pessoas, puni-las. Agora, isso não significa demonizar quem quer que seja e, muito menos, partidos que lutaram, no Brasil, pela democracia e tem de ser respeitados.

Jornalista: (incompreensível), Presidente?

________: Muito obrigado, hein? Muito obrigado.

 

Ouça a íntegra da entrevista (05min) da Presidenta Dilma

 

1ª parte da entrevista

 

2ª parte da entrevista