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Coletiva de imprensa concedida pela Presidenta da República, Dilma Rousseff, após reunião com representantes das empresas construtoras do Projeto de Integração do Rio São Francisco

por Portal Planalto publicado 13/05/2014 20h22, última modificação 04/07/2014 12h51

Jati-CE, 13 de maio de 2014

 

 

Jornalista: Presidente, a nossa equipe ficou rodando aqui, os últimos 10 dias, aqui na Transposição, a gente pôde ter uma ideia da importância e da dimensão dessa obra. Mas, assim, talvez o principal problema dela seja o atraso. A obra foi prometida para 2010, depois 2012 e já está em 2015. Eu gostaria de saber da senhora o quê que assegura que essa obra vai ser entregue no fim do ano que vem. E, segundo, a senhora falou de bodes e bois, que não... Mas parece que esse projeto não é um projeto destinado ao homem do campo, é um projeto para a cidade, não é?

 

Presidenta: Para tudo. Para tudo que tiver, cidades e zona rural no caminho desse trecho. Ele abrange um conjunto bastante grande. Só a transposição, se você considerar só a transposição ou a interligação das bacias do São Francisco, só ele é 12 milhões de pessoas. Se você considerar que ele viabiliza o Cinturão das Águas, o Eixão das Águas, o Canal das Vertentes Litorâneas e uma série e... Eu estou falando desses dois porque é dos dois estados que eu estive, não é? Paraíba e Ceará. Ele viabiliza muito mais, eu diria, acesso à água a muito mais pessoas e, portanto, a muito mais setores de produção. Ele permite que você atenda a cidades, ele permite que você também leve água para a zona rural, permite que haja segurança hídrica aqui, aqui no Ceará, e na Paraíba, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte. E cria aqui, nesta região meridional, cria uma situação completamente diferenciada em relação ao passado.

            Para cada R$ 1,00 que nós colocamos na transposição da Bacia do São Francisco, nós colocamos R$ 3,00 nas demais obras que nós chamamos de estruturantes, eu dou o exemplo para vocês: por exemplo, Piauí, Adutora de Piaus e de Bocaina; Ceará, eu já falei, Eixão e Cinturão das Águas; Rio Grande do Norte, Ramal do Apodi e Adutora do Alto Oeste; Paraíba, o Canal das Vertentes Litorâneas; Pernambuco, Ramal do Agreste e Adutora do Agreste; Alagoas, Canal do Sertão Alagoano; Bahia, Adutora do Algodão e do Feijão. Eu estou te dando as principais obras estruturantes. Nós estamos colocando em torno de R$ 33 bilhões, R$ 33 bilhões. Se você somar as principais obras estruturantes que garantirá segurança hídrica aqui na região, mais... está incluído os 8 bilhões aqui, da transposição.

Nós, quando iniciamos a obra aqui, éramos bastante inexperientes, porque o Brasil jamais fez uma obra dessa dimensão e dessa proporção. Aliás, a forma pela qual nós brasileiros sempre encaramos a questão da seca era como se fosse um combate a seca. Ninguém, no passado, não se tinha, nos governos anteriores ao do presidente Lula, não se tinha nenhuma noção de que era importantíssimo era conviver com a seca, garantir segurança hídrica, fazer obra que estruturasse o fornecimento de água e garantisse que a seca não fosse uma surpresa, mas, sim, algo que é previsível, que pode acontecer, tal qual se faz no resto do mundo, no caso, por exemplo, do inverno.

Então, essa obra, quando ela iniciou, ela foi, eu diria assim, ela foi a predecessora de todas as outras obras, ela abre o caminho como uma visão de como que a gente tornará o Nordeste uma região extremamente estável e sustentável no que se refere à água.  Ela é isso, é uma resposta a isso. Vocês lembram bem a resistência que nós tivemos, não é? Nós tivemos um conjunto de resistências visíveis, se você olhar, tanto no que se refere à utilização do São Francisco. Tanto é que a nossa resposta à questão do São Francisco foi um projeto muito importante chamado Projeto de Revitalização do São Francisco, que focava tanto na origem do São Francisco, que é lá em Minas Gerais, no próprio início, e também todo o trecho do São Francisco, fazendo o quê? Esgotamento sanitário em tudo quanto era pequena cidade. Tanto é que de revitalização nós gastamos R$ 2 bilhões e 600, sendo que 2 e 100 é esgoto e tratamento de água ao longo do São Francisco, e 500 é combate à erosão.

            Então tem também um olhar para o São Francisco como sendo o seguinte: olha, o São Francisco é condição para o Nordeste ter uma, principalmente essa região, ter uma situação de segurança hídrica diferenciada. Aí não vamos esquecer que esse projeto da interligação das bacias, ele permite o seguinte: que 1.100 quilômetros de rios aqui, do Nordeste, que não são perenes, se transformem em rios perenes.

            Então, voltando à minha fala inicial: a gente começou isso bastante inexperiente. Os projetos foram melhorando de qualidade, tivemos de refazê-los, tivemos, eu acho, também, uma experiência, por parte de quem estava fazendo a obra, é uma obra complexa. Você me disse que você andou por aqui, você viu. Não é nada, não é nada, são 4 túneis, 27 reservatórios, 4 aquedutos e 9 estações de bombeamento.

            Me disseram que agora, em Cabrobó, eu vou ver uma estação de bombeamento, não é, Francisco? Que tem... de 48 metros de altura, é uma estação de bombeamento. O que é 48 metros de altura? 16 andares. Então, ele não é pura e simplesmente abrir um canal e sair botando água nele, ele implica numa série de processos que ao longo do tempo foram sendo refeitos e realizados.

Por que eu acredito que sai? Porque nós tivemos uma curva de aprendizado e completamos essa curva. Eu acredito que ele saia por quê? Porque os projetos estão bons, todas as negociações que tinham de ser feitas foram feitas, todas as mudanças que tinham de ser feitas foram feitas, acho que as empresas estão plenamente capacitadas, acho que nós todos tivemos um momento agora de grande... um momento anterior, de grande aprendizado, e isso vai servir para todos esses outros que eu falei para vocês, que vai melhorar a nossa execução de projetos, sem sobra de dúvida. Então, eu tenho certeza de que isso ocorrerá.

 

Jornalista: O atraso na entrega, esse atraso que já tem quase cinco anos, então, se deve a esses erros do começo, é isso?

 

Presidenta: Olha, eu acho que não. Eu acho que houve também uma subestimação da obra. Vocês vejam que tem cinco anos. Eu não acredito que uma obra dessa, em outro lugar do mundo, leve dois anos para ser feita, nem tampouco um ano, nem tampouco três. Ela é uma obra bastante sofisticada, ela implica num tempo de maturação.

Eu estou falando o seguinte: eu não estou negando que houve atrasos, houve atrasos porque também eu acho que se superestimou muito a velocidade que ela poderia ter, minimizando a sua complexidade, tem esse lado também. E eu não acredito, de jeito nenhum, que em outras circunstâncias, em outros lugares se faria uma obra dessa proporção em muito menos tempo, entendeu? Ele vai ser, se for cumprido, e eu acho que será, o prazo, eu estive agora conversado com os empresários, os prazos serão cumpridos, eu acho que ela acaba tendo um resultado num tempo não tão longo igual se pensava.

 

Jornalista: Presidente, Ibrano Ponte, do jornal O Povo, tudo bem? Presidente, o ministro Francisco Teixeira fica no cargo até o fim do mandato?

 

Presidenta: Meu querido, eu não estou aqui discutindo ministério. Sinto muito, não respondo a essa questão. O ministro é um ministro do meu governo, isso que eu te respondo. Não vou discutir quem é que fica, do meu governo, até o fim do mandato, não tem a menor proporção isso.

 

Jornalista: Há uma briga de partidos pela vaga?

 

Presidenta: Eu vou repetir...

 

Jornalista: (..) pergunta sobre a obra?

 

Presidenta: Sinto muito, esse tipo de pergunta eu acho que não cabe aqui. E também lá em Brasília eu te diria a mesma coisa: os ministros meus ficam no cargo enquanto tiverem a minha confiança. Não tenho nenhum motivo para não ter confiança no ministro Francisco, no presente momento.

 

Jornalista: Presidente, boa tarde. Andréia, do jornal Valor Econômico. A obra do São Francisco é uma obra polêmica que, inclusive, não por questões estruturais mas também por questões passionais, já dividiu o país. A população que é atingida pelo rio já foi contra a obra, por achar que a obra traria a água para cá e tiraria de lá. O Brasil, hoje, isso já está pacificado, como a senhora... ou a obra ainda divide o país?

 

Presidenta: Olha, Andréia, eu vou te falar uma coisa: eu acho que o tanto de água que se tira daqui, ele é muito pequeno para você considerar que há um conflito distributivo no que se refere à água, acho que não há mais. Houve, naquele momento lá atrás, eu acho até, por isso mesmo que eu estava falando, era uma obra muito diferenciada, e as pessoas não estavam acostumadas com esse tamanho de obra e com o fato da diferenciação, que a gente ia pegar a água do São Francisco e ia abastecer os principais sistemas de água do Nordeste.

Então, houve, num momento determinado. Eu quero crer que ninguém levanta isso mais. Acho até porque é dificílimo de defender que não haverá água para todos os que usam o São Francisco, muito difícil. O uso, a vazão usada aqui, é muito pequena para a quantidade de água existente e para os outros usos. Eu acho que isso faz parte de um momento, eu chamaria assim, inicial da obra, quando as coisas não estavam muito amadurecidas. Mas eu não vejo, eu certamente não vejo nenhum dos que falavam isso antes falando hoje, não. Eu não vi o pessoal de São Paulo falando isso naquela época, não.

 

Jornalista: A campanha vai começar e a senhora não entrou no problema de São Paulo.

 

Presidenta: O problema de São Paulo não é de São Paulo. O problema é de todo o Sudeste brasileiro. Nós tivemos uma das maiores secas no Sudeste, e inclusive a água é uma questão afeta ao setor elétrico. Quem não investiu, quem não preveniu, vai ter problema, em qualquer circunstância, isso. O Nordeste, aqui, tinha séculos de não investimento em segurança hídrica, mas o Nordeste aprendeu. Como essa questão era uma questão muito candente para quem morava aqui, eu acho que o Nordeste adquiriu mais cedo do que o resto do Brasil a consciência da importância estratégica de ter água, e de que você não pode achar que, vamos dizer assim, as conjunturas favoráveis, as conjunturas hidrológicas favoráveis, elas são permanentes. Você sempre tem de lidar com o fato de que pode não chover. Este é um fato que você tem de lidar. O setor elétrico lida com ele. Nós éramos um país eminentemente de matriz hídrica, nossa matriz era hidrelétrica. A partir de 2001 ela foi progressivamente virando uma matriz hidrotérmica, ou seja, as térmicas estão presentes na matriz energética brasileira, não para decorá-la, mas para serem usadas, sempre quando nós tivermos momentos de falta de água, para isso que as térmicas são feitas.

Nós temos hoje um momento de baixa hidrologia mais grave do que foi o de 2001, no entanto, não temos os mesmos problemas de 2001 no setor elétrico. Por quê? Porque investimos em geração e transmissão de energia. Todo mundo pode se prevenir contra hidrologias desfavoráveis, como aqui está sendo feito. Eu acho que uma das coisas importantes feitas aqui também, não sei se vocês sobrevoaram aqui, mas ao sobrevoar naqueles lugares que usam a cisterna de polietileno, vocês vão ver uma porção de cisternas brancas, cisternas para reservação da água da chuva. Em outros lugares talvez elas sejam aquelas de concreto, são mais difíceis de ver, porque elas são cinzentas.

Mas, em qualquer caso, até o final do ano nós temos por objetivo ter feito, somando o nosso período, que o nosso objetivo é fazer 750 mil cisternas, somando com os seis, cinco anos – bom, não interessa – somando com o governo do presidente Lula, nós teremos 1,1 milhão cisternas. Isso é muito importante, por quê? Porque você distribui o controle da água para o morador daquela pequena propriedade, geralmente é pequena propriedade, e ele reserva a água da cisterna que cai para beber, que é a chamada primeira água. A água... uma cisterna maior é uma cisterna de produção. O que ele faz com aquilo? Ele faz a horta dele, ele pega a água para a criação dele, para as outras produções, que é uma cisterna maior. Geralmente ela é cercada por uma horta. Mas, de qualquer jeito, 750 mil cisternas aqui são a outra, vamos dizer a outra variável que suplementa a garantia de água aqui. Aqui nós não brincamos, aqui nós fizemos essa obras estruturantes, fizemos as cisternas e tivemos todo um outro cuidado em furar poços, em criar barreiros, em fazer sistemas simplificados de água. Por quê? Porque, aqui, ou você planeja ou, em algum momento do futuro, você terá problemas graves.

Por que as cisternas? As cisternas é uma vantagem. Além da água da chuva, em um momento de grande precisão você estoca água na cisterna. Nós hoje, temos mais de 6 mil carros-pipa do Exército Brasileiro, para evitar que o carro-pipa, que foi tradicionalmente um instrumento de dominação, que foi usado, muitas vezes, para compra de voto ou qualquer coisa, qualquer malfeito na área política, de uso na necessidade da população em proveito do voto, nós acabamos com isso. Quem faz, hoje, cisterna, aliás, transporte de carro-pipa, operação carro-pipa para o governo brasileiro, quem faz? Só o Exército Brasileiro faz para o governo federal, e isso nós temos seis mil e poucos carros-pipa.

Além disso, nós, para todos os prefeitos do semiárido, para todos os prefeitos que têm também estado de emergência decretado, que são da Sudene, todos, sem exceção, ganharam uma retro, uma moto, uma pá-carregadeira, um caminhão-caçamba, mas, sobretudo, eu quero dizer, um caminhão-pipa para o prefeito, para ele ter também seu instrumento para qualquer eventualidade. Então, trabalhar a seca, trabalhar a falta de água, ela exige de você todas as possibilidades de prevenção que você puder ter. Porque nós concordamos com muita gente que pensa o seguinte: seca não se combate, seca se convive, seca é um dado da realidade. Então, conviver significa superá-la, significa ser capaz de saber que ela veio e você aguenta. É isso que é conviver com a seca.

 

Jornalista: Presidente, Alessandro, TV Globo, boa tarde. Queria saber: apesar de todas essas ações que a senhora elencou, se lhe preocupa a queda sistemática na pesquisa de avaliação do seu governo? Se é em função disso que a senhora tem, inclusive, intensificado a agenda de viagens, hoje são três estados, não é?

 

Presidenta: Posso falar uma coisa para você? Eu não comentei nunca pesquisa quando eu subia, não comento quando cai também, e também quando fica estável. Então, eu não comento pesquisa. Não, eu não comento, é conjuntural a gente vê o que vai... Sabe quando vê o que vai dar? Quando você é testado, é ali que você olha, e testado pela população, aí você sabe se você subiu, se você caiu ou se você ficou na mesma.

 

Jornalista: Presidente, em relação ao andamento das obras aqui no município de Jati, após essa visita e a reunião com os empresários, qual é a avaliação que a senhora pode fazer para a gente?

 

Presidenta: Olha, até aqui eu acho o seguinte: eu acho que a obra, ela está em andamento, e acho que nós, cada vez mais, estamos assegurando uma coisa que para mim é muito importante. Toda obra desse tamanho, ela tem de ter um método para ser feita. Você sempre tem de fazer a obra e tem de dar já o uso dessa obra para as pessoas. O que nós estamos procurando é sempre assegurar, não é o fim da obra, nós queremos assegurar que cada vez mais você construa um trecho, e esse trecho resulte em água já.

Então, hoje, o que acho é que nós chegamos a essa possibilidade. Eu estou vendo aqui que nós podemos, em duas etapas esse ano, ter concluído o seguinte: no eixo norte, ter concluído um trecho até junho, eles estão ainda definindo até onde vai o trecho, ele não vai até Jati. Até Jati vai ser em dezembro, ou, no mais tardar, novembro, aliás, no mais antecipado novembro, mas é dezembro ou novembro, e o total da obra eles afirmam que é para ser em 2015, final de 2015, dezembro de 2015 nós estamos com a obra pronta. Mas nós vamos ter estágios em que a obra vai sendo entregue para ser utilizada pela população, ou seja, água para a população. Então, essa é a primeira coisa.

No eixo leste, porque esse primeiro trecho aqui parece que é a maior, em torno de 50, 40, 50, eles ainda... 45 km. Lá no eixo leste, é um trecho menor, mas também ele vai ter alguns outros estágios intermediários, até que no final de dezembro de 2015 essa obra esteja completada. Mas a ideia toda é ver como nós podemos antecipar a chegada d’água, não é para todo mundo, mas sempre que a obra for ficando pronta, ela tem estágio, você possa entregar mais uma parte para utilização das pessoas nesse percurso todo, de Cabrobó até São José das Piranhas, e lá no Eixo Leste, também no trecho inteiro.

 

Jornalista: Presidente, só para complementar essa informação que a senhora está dando, quer dizer, a inauguração que a gente pensava que ia acontecer só em dezembro de 2015 ela, então, pode ser antecipada nesses trechos parciais, é isso?

 

Presidenta: Não, eu não vou... nós não vamos inaugurar, nós vamos entregar a obra e ela vai indo. Não precisa de inaugurar, lá em 2015, para as pessoas se beneficiarem, é nesse sentido que eu estou falando. Pode nem ser através de inauguração formal, não é? Já vai ficando pronta, já vai colocando para uso da população, o que é o lógico, não é? E estamos fazendo isso nas outras obras também, tá? Naquelas que eu falei para vocês, li aqui, que são as estruturantes. Pois não querido?

 

Jornalista: Presidente, que a senhora fizesse uma avaliação de como a senhora está (...) aí nas vésperas da Copa do Mundo?

 

Presidenta: Gente, eu não vim aqui para avaliar a Copa do Mundo, não é, Leonêncio, querido? Eu faço a avaliação do seguinte: eu acho que a Copa do Mundo, os estádios estão encaminhados, os aeroportos estão encaminhados, e eu acho que a gente, eu já falei isso outras vezes, vou repetir sinteticamente: acho que a Copa do Mundo no Brasil, ela vai, ela tem todas as condições para ser um sucesso. Nós estamos garantindo a segurança, nós vamos garantir a segurança. A conjunção de forças como as federais, as Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, com as polícias militares dos estados... Ah, esqueci a Força Nacional de Segurança, que congrega, que é uma parceria estados-governo federal. Tudo isso vai assegurar que seja feita pacificamente, quem quiser manifestar pode, mas quem quiser manifestar não pode prejudicar a Copa. Será garantido tanto a segurança das delegações, como os chefes de Estado e de Governo. O Brasil é um país democrático, se as pessoas quiserem protestar podem perfeitamente, mas isso, democracia, não significa vandalismo, nem, tampouco, um prejuízo para o conjunto da população.

Então, além disso, eu acredito que será... Acho lamentável que quando se olha um estado do tipo do... um estado, não, um aeroporto do tipo de Guarulhos se fale de um pingo d’água, quando, de fato, a obra é uma obra excepcional. Acho de uma má-vontade com o país fantástica. A mesma coisa acredito que a gente tem de pensar a respeito da Copa. Nós somos o país da Copa. Por que que nós somos? Porque somos, todos nós adoramos futebol. Nós aproveitamos a Copa quando era em outros países. Veja bem, porque uma parte expressiva da população deste país não pode usufruir da copa quando ela é feita no Brasil? Então, a garantia para que essas pessoas que adoram a Copa a vejam, nós iremos dar integral.

Nós sempre fomos bem recebidos nas outras copas, quando brasileiros saem do Brasil e vão lá assistir. Somos bem tratados, bem recebidos. Nós somos um povo muito generoso, nós também vamos receber e tratar bem todos aqueles que vierem aqui comemorar a Copa. Eu acho que tem, antes de qualquer coisa, um problema de atitude e de postura diante daqueles brasileiros e estrangeiros que querem usufruir desta fantástica festa, que é a Copa do Mundo. Acho que é uma postura que é necessária que tenhamos todos. E isso vai ser um critério para ver como que esse país é capaz de receber bem, como ele é capaz de garantir uma festa dessa proporção que não é uma festa para alguns poucos, não é, é uma festa para todos os brasileiros.

Porque nós sabemos o seguinte, todos nós aqui sabemos disso: eu nunca fui a um estádio ver um jogo da Copa porque não tive a oportunidade, até se tivesse tido, no passado, até iria, mas não era a questão fundamental para mim. Agora, sempre foi questão fundamental para mim assistir a Copa com os meus amigos, a minha comunidade, as pessoas que eu gostava. Porque assistir a Copa em conjunto é algo que todos nós fizemos na vida, todos nós. Não acredito que haja um brasileiro que diga o seguinte: “Olha, eu não tive nenhum interesse na Copa”. Porque numa família pode ter até um que não goste de futebol, mas tem uns quantos que gostam, e esse quantos ligam, fazem pipoca, tomam o seu choppinho, tomam a sua cervejinha e assistem contentes a Copa. Então, eu acho que é isso que a gente tem de garantir para quem quiser assistir a Copa: absoluta tranquilidade. E eu asseguro a vocês: ela será uma Copa plena de êxito. Muito obrigada a todos.

 

Ouça a íntegra (27min29s) da entrevista da Presidenta Dilma Rousseff


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