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Discurso de encerramento da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados

por Portal do Planalto publicado 29/06/2012 17h23, última modificação 04/07/2014 20h11
"O Brasil, na qualidade de presidente pro tempore, assume suas responsabilidades com o compromisso de dar seguimento a todas as políticas de integração baseadas em tudo o que conquistamos até agora, e ainda dar sua contribuição para avançarmos mais", disse a presidenta

 

Mendoza-Argentina, 29 de junho de 2012

 

Senhora Presidente,

Senhores Presidentes,

Senhores Chanceleres e senhoras Chanceleres e representantes do Mercosul e dos países convidados,

 

Eu queria dizer que o Brasil assume a Presidência Pro Tempore do Mercosul consciente de que no próximo semestre nós temos desafios e oportunidades. Desafio porque devemos nos integrar, cada vez mais, para enfrentar a crise econômica que atinge os países desenvolvidos, em especial os países da Zona do Euro, e fazê-lo ampliando o que há de melhor no nosso modelo de crescimento, que é a distribuição de renda e a inclusão social, e o crescimento de nossas economias de maneira sustentável.

A convocação que nós fazemos a todos os países para integrar ao Mercosul, este mercado comum que construímos ao longo do esforço de várias décadas, aqui nesta região do mundo, é um elemento desse desafio e dessa oportunidade. Por outro lado, nós temos, na constituição do Mercosul, um compromisso democrático fundamental, que é aquele que prima por respeitar os princípios do direito de defesa, é aquele que prima por rejeitar ritos sumários e zelar para que a manifestação dos legítimos interesses dos povos dos nossos países sejam assegurados. Por isso, temos de fazer, neste semestre, os nossos melhores esforços para que as eleições de abril próximo, no Paraguai, sejam democráticas, livres e justas.

Acredito que esses dois grandes desafios pautarão os próximos meses. Nós temos capacidade, e já demonstramos, de atender as necessidades de nossas economias e de nossas sociedades, tanto em matéria econômica e social quanto em matéria democrática.

Nós estamos aqui para assegurar que o nosso patrimônio de integração regional será cada vez mais reforçado. E aqui eu homenageio dois presidentes responsáveis por essa consciência: o presidente Lula e o presidente Kirchner. E agradeço imensamente, em nome do governo brasileiro e do povo brasileiro, a homenagem feita ao presidente Lula, atribuindo-lhe a cidadania do Mercosul. Agradeço à presidenta Cristina, e considero que nós temos duas lideranças históricas nesse processo, às quais nós sempre iremos honrar.

Nós temos de reconhecer que esse é um momento muito importante para a nossa região. Todas as análises mostram que nós, hoje, ainda somos uma das regiões do mundo menos afetadas pela crise. Nós temos de fazer, da integração de nossas economias, um fator relevante de aprimoramento das condições de vida dos nossos povos. E temos de perceber que a América Latina não é e não será apenas uma fornecedora de alimentos e de minérios e de energia. Isso é importante num mundo em que o papel da segurança alimentar e da segurança energética ganha cada vez maior destaque. Mas nós somos países que querem povos educados, capazes de agregar valor, de gerar valor e de usar o conhecimento, a educação, a pesquisa científica, pacotes tecnológicos, protocolos tecnológicos, gerando inovação para ampliar nossos mercados e assegurar nossos crescimentos.

Eu quero agradecer à Presidência Pro Tempore argentina por ter semeado o debate sobre algumas das questões mais estratégicas para a região. Refiro-me, em particular, à discussão sobre o aperfeiçoamento do fundo... do Focem, com vistas à sua futura ampliação. Porque uma integração precisa de instrumentos, uma integração precisa, tanto de instrumentos que permitam que nós levemos à frente um processo de redução das assimetrias, como nós... como aquele que faz com que nós possamos garantir, às nossas economias, o maior crescimento do emprego e da renda.

O Brasil, na qualidade de presidente pro tempore, assume suas responsabilidades com o compromisso de dar seguimento a todas as políticas de integração baseadas em tudo o que conquistamos até agora, e ainda dar sua contribuição para avançarmos mais.

Devemos incluir, cada vez mais, objetivos estratégicos de garantir integração de nossas cadeias produtivas e assegurar que todos os países tenham capacidade e possam ter ganhos com essa integração, e não perdas.

Por outro lado, queria dizer que a nossa posição em relação ao que aconteceu no Paraguai é uma posição que mostra a sobriedade desta região. Nós somos uma região que, há 140 anos, vive sem guerras. Nós somos uma região pacífica, uma região sem conflitos étnicos e sem perseguições religiosas. Nós somos uma região que fez todos os seus organismos baseados num compromisso fundamental com a democracia. E o Protocolo de Ushuaia evidencia isso.

Eu quero dizer, então, que o Brasil e os países do Mercosul... e convidamos cada vez mais países a integrarem o Mercosul, e esperamos que no dia 31 de julho o processo contínuo e sistemático por que passou a integração da Venezuela no Mercosul seja concluído. Espero, também, que outros países possam agregar a esse esforço. Convido todos os países aqui presentes para que isso ocorra.

Por fim, conto com o empenho de todos e espero que nossa vontade coletiva seja capaz de afirmar-se sobre os desafios individuais de cada um de nós. Respeitando esses desafios e agregando esses esforços, nós seremos capazes de fazer jus ao tamanho dessa nossa América Latina.

Muito obrigada.

Eu declaro, então, encerrada esta reunião, e convido todos a passarem ao salão ao lado. Como disse a presidenta Cristina, vai haver aqui uma mudança para que a gente continue com a reunião da Unasul.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra da intervenção (09min25s) da Presidenta Dilma