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Fala da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na abertura da reunião ampliada com o Presidente do Equador, Rafael Correa - Quito/Equador

por Portal Planalto publicado 26/01/2016 23h55, última modificação 26/01/2016 23h58

Quito-Equador, 26 de janeiro de 2016

 

 

...a inauguração da sede da Unasul, onde eu tive o prazer de comparecer e, mais, de presenciar um grande ato de unidade e integração aqui na América Latina.

            Acredito que o fato de estar aqui, na América Latina, estar instalada a sede da Unasul representa justamente algo muito importante, que é a unidade que, ao longo dessa década, nós conseguimos construir aqui, na América Latina, respeitando as diferenças políticas, as diferenças de orientação. Mas, conseguimos construir uma unidade em torno de alguns valores, como os valores democráticos, os valores da paz, o respeito aos direitos humanos, sobretudo de uma percepção - e acredito que o presidente Rafael Correa tem um grande papel nisso - de que a integração econômica é crucial para os nossos países, para as nossas economias.

            A integração regional nessa parte do mundo, para nós, é estratégica. Principalmente nesse momento que, como o presidente Rafael Correa falou, nós enfrentamos uma situação bastante adversa no cenário internacional, com queda do preço do petróleo, das demais commodities. Assistindo uma desaceleração da segunda maior economia, que transita de uma a economia baseada num investimento industrial e de infraestrutura para uma economia baseada em serviços e consumo.

            Isso provocou uma forte valorização do dólar, que afeta as nossas economias. Nós tivemos uma desvalorização muito significativa. Na metade do meu primeiro governo, o dólar estava um dólar para 1,5 real. Hoje está 1 dólar para 4 reais. Isso é a forma pela qual nós iremos enfrentar, nos acomodar diante dessa conjuntura.

            Mas é claro que isso só pode ser feito se todos os países tiverem condição também de se adaptar. Não haverá uma América Latina forte...E nós temos muita consciência de que o Brasil não retoma a sua capacidade de crescer, que o Brasil não consegue restabelecer as suas condições sustentáveis de crescimento, nesse novo contexto internacional, sem o crescimento dos demais países da América Latina. Sem  que os demais países da América Latina tenham também condições de se recuperar.

            E aí é que a prova sobre a nossa capacidade de nos entender e de entender a situação de cada um. De ter uma ação no sentido de beneficiar aquele país que tem… que precisa de ser de uma forma, outro precisa de ser de outra. É o que representa uma ação de uma iniciativa que eu chamaria de construir essa cooperação que é fundamental, principalmente nesse momento de crise, ela já é fundamental nos momentos em que todos nós crescíamos, agora ela é fundamental justamente porque nós sairemos dessa situação em conjunto. E é muito importante que haja esse encontro entre a parte brasileira e a parte equatoriana, focando em todas as ações que nós temos tido.

            Eu fico muito feliz também de estar aqui na América Latina, pelo (...) na América Latina… interessante eu ter falado isso, não é? Porque o Equador, de fato, tem a metade, a metade do mundo. E por isso tem uma singularidade na América Latina, quando nós escolhemos aqui para ser a sede da Secretaria-Geral da Unasul. Mas esse fato de eu estar aqui, eu acho que nesse momento de amanhã, quando nós nos reunirmos na reunião da Celac, também é um reconhecimento da importância que o Brasil atribui nesse ano a agenda 2020, que o presidente Rafael Correa apresentou para nós.

É um ato importante para o Brasil, essa reunião da Celac nessa conjuntura. Acho que nós temos, de fato, que reconhecer, primeiro a iniciativa no sentido de: nós temos de nos unir, nós temos de ter uma cooperação, nós temos de ter uma integração. Junto com isso, nós temos também um grande reconhecimento pelo fato de que esse conjunto de países, o Mercosul, a Unasul e a Celac, conquistaram também uma inequívoca opção pela democracia. Nós somos países que respeitamos a democracia, respeitamos os direitos humanos e que sabemos que isso é um valor fundamental.

Nós viemos, então, para dizer que as nossas relações bilaterais são estratégicas. As relações bilaterais entre o Brasil e Equador são para nós relações estratégicas. E também para, dentro da Celac, construir essa cooperação que é fundamental, principalmente nesse momento de crise. E já era fundamental nos momentos em que todos nós crescíamos, agora ela é fundamental justamente porque nós sairemos dessa situação em conjunto. E é muito importante que haja esse encontro entre a parte brasileira e a parte equatoriana, focando em todas as ações que nós temos tido.

Eu queria, finalmente, agradecer ao presidente Rafael Correa por uma ação que,para nós, é fundamental e eu acho exemplo bonito. Nós vivemos em um mundo em que a questão dos refugiados, daqueles que procuram uma outra pátria, tem sido objeto da perplexidade geral quando se vê um menino morrendo nas praias da Turquia. Diante disso, a ação levada a efeito aqui, no combate aos coiotes, para nós é uma demonstração da capacidade de agir de forma humanitária e, ao mesmo tempo, assegurar o acesso dos diferentes povos da América Latina, inclusive, da África aos nossos países.

Então, eu agradeço muito ao presidente Rafael Correa que fez aqui, no caso específico, foi de uma ação de desmontagem dos coiotes, que poderia levar a cenas tão graves como essa presenciada, com o menino morrendo nas praias da Turquia. Então, agradeço profundamente por essa ação.