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Discurso do Presidente da República em exercício, Michel Temer, durante cerimônia alusiva à visita à 51ª Exposição Agropecuária e Industrial 2011

por Portal do Planalto publicado 16/04/2011 19h41, última modificação 04/07/2014 20h05
O evento aconteceu no Parque de Exposição Governador Ney Braga

 

Londrina-PR, 16 de abril de 2011

 

Senhor Beto Richa, Governador do Paraná,

Ministro Wagner Rossi, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

Gustavo Andrade Lopes, Presidente da Sociedade Rural do Paraná, por intermédio de quem saúdo todos os produtores rurais aqui presentes.

Senhores deputados André Vargas, Moacir Micheletto, Alex Canziani, Nelson Padovani, Osmar Serraglio, meus colegas de Parlamento, não é? Sabe que eu, embora tenha ido para o Executivo, viu Richa, eu ainda tenho, digamos assim, a minha alma ainda presente no Legislativo, não consegui sair de lá. Assim, como eu cumprimento o Borba, o Santinho, o Secretário da Agricultura, o Secretário da Segurança – o  Secretário Norberto, o Secretário da Agricultura, o Luis Carlos Rauli, meu ex-colega de Parlamento e Secretário da Fazenda do Estado do Paraná , meu prezadíssimo amigo Orlando Pessuti, ex-governador do Paraná, o Rodrigo Rocha Loures Filho, meu colega de Parlamento que me ajuda agora na vice-presidência, e o pai, que é presidente da nossa Federação das Indústrias.

Senhoras e senhores, eu quero começar dizendo o seguinte: vejam vocês como o governo sabe escolher. Eu contei, Wagner, o número de aplausos que você tem. Foram quatorze vezes. Então, quando eu vejo você sendo aplaudido por um dos setores mais importantes da nossa nacionalidade, que é o setor da produção, do agronegócio, da pecuária, eu vejo como o governo acerta. Porque você tem tido uma atuação aplaudida pessoalmente, como foi aqui, mas quando não pessoalmente, aplaudida pelos vários setores na nação.  E todos sabem, o que reiteradamente se diz aqui, não é Micheletto, o quanto é importante a agricultura para o nosso país.

Eu próprio, confesso, eu sou fruto do produtor rural. Eu advogado, eu professor, eu deputado, eu Presidente da Câmara, eu Vice-Presidente da República, eu devo tudo isso a um produtor rural, que foi o meu pai. Meu pai, morávamos numa pequena cidade do interior de São Paulo, em Tietê, e tinha lá o que se chama sitio. Trinta e poucos alqueires, 35 alqueires e ele, eu me recordo menino ainda, ele plantava todos os 30 alqueires. Tudo era plantado – algodão, café, frutas, as mais variada culturas que ele plantava durante o ano. E, naturalmente, ficava torcendo. Ora a chuva era boa para o café, mas era ruim para o algodão, então ele ficava torcendo pelo tempo. E foi exatamente isso, Governador e Presidente da Sociedade Rural, que fez com que ele mandasse seus filhos para São Paulo para poderem estudar.  Todos os haveres dele nasciam precisamente da produção rural.

E é curioso – acho que o Wagner enfatizou muito esse aspecto – meu querido prefeito Barbosa Neto, meu ex-colega de Parlamento que tanto me prestigiou no Parlamento brasileiro, eu quero recordar que naquela época o produtor rural era uma figura enaltecida por todos. Curiosamente, como lembrou o Wagner, num dado momento, começou a haver um aspecto digamos assim um pouco ideológico entre a produção rural e os ambientalistas, como se fossem segmentos apartados, Borba, da nacionalidade, quando são segmentos que devem confluir, devem convergir. E como eu tenho consciência desse fato, precisamente pela minha origem, e daí a razão, Governador, da minha vinda aqui – não só da razão da minha vinda aqui para revelar o apreço do governo federal pelo setor da produção rural, como também comuniquei à Presidenta Dilma que aqui vinha e ela me pediu que transmitisse ao Governador, aos produtores rurais  e a todos os amigos o seu fraternal abraço, até porque ela está na China. E vejam que o que mais se deu relevo na sua visita à China – lá esteve o Wagner também - foi a possibilidade da compra pela China da produção suína, da carne suína, que o Paraná é um extraordinário produtor, como também abriu a possibilidade da compra de aves, frango, carne de boi, etc. Tudo isso fruto da viagem que foi feita à China pela nossa Presidenta. Interessante que, até simbolicamente, é um momento extraordinário em que eu venho aqui, porque de tudo que se debateu lá, o que mais ressaltou a imprensa brasileira foi precisamente o incentivo à produção agropecuária, à produção rural, que se deu em terras da China. Então, quando eu venho aqui, eu venho, digamos, espiritualmente recordando o passado, como acabei de fazer, mas institucionalmente, para revelar, tomo a liberdade da repetição, a preocupação que o governo federal tem com a produção rural, com o agronegócio e com os setores que são os suportes da nossa nação.

E nesse tópico entra o assunto predileto do momento, que é a questão do Código Florestal. E eu confesso que, no dia de quarta-feira, nós reunimos lá o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, o presidente da Comissão do Meio-Ambiente, os setores produtores e os setores ambientalistas, e lá conversamos. E conversamos começando eu por dizer “olha, eu tenho certa autoridade para tratar desse assunto, porque quando havia aquela confusão em função, Alex, de que as comissões não se entendiam, eu criei – eu, Presidente da Câmara – criei uma comissão especial para tratar do Código Florestal. Tantas vezes o Micheletto esteve comigo, Padovani, tantas vezes estiveram os produtores comigo, que eu resolvi criar essa comissão para a elaboração do Código Florestal. Trabalharam intensamente. É claro, sendo um assunto polêmico, eles trabalharam com muita adequação. E, André, quando foi na quarta-feira, eu me sentei e disse: primeiro, tenho autoridade para fazer esta reunião porque criei a comissão do Código Florestal, mas eu quero dizer que eu quero, aqui, chegar a uma hipótese de conciliação. Nós precisamos votar essa matéria. Não podemos esperar que chegue o decreto em junho que apena o produtor rural – eu estou contando quantas vezes sou aplaudido hoje. Vou ver se consigo empatar. Mas vocês percebem que eu não estou fazendo discurso. Estou aqui relatando fatos  que são de interesse da produção rural e, naturalmente, de interesse do governo federal. Então, eu dizia – o Micheletto estava lá, o Serraglio estava lá – eu dizia: eu quero aqui insistir para dizer que a partir deste momento o governo entra oficialmente nesta questão, com vistas a obter a votação.  Nós sabemos que já avançou muito essa discussão, mas eu quero insistir na conciliação. E, interessante, vocês sabem que lá, com a presença do relator, Aldo Rebelo, que fez um belíssimo trabalho, com a presença do Aldo Rebelo e de todos, nós avançamos muito, não é? Interessante. Levantaram-se três pontos lá e, dos três pontos, pelo menos dois deles foram solucionados naquela mesa de negociações na minha sala. E no dia seguinte, nós fizemos uma nova reunião, por mim presidida, já agora com a presença do Ministro da Agricultura, do Ministro do Desenvolvimento Agrário,  da Ministra do Meio-Ambiente, do Ministro-Chefe da Casa Civil, o Luiz Sérgio, o Ministro das Relações Institucionais, e mais uma vez o governo – que tinha algumas divergências internas – mas graças à atuação do Wagner e de todos os ministros,  chegou-se a praticamente um consenso.

Então o governo já saiu declarando que há condições para votar o Código Florestal. É o que nos devemos fazer, se Deus quiser, muito brevemente, fazendo essa adequação entre o meio ambiente, que todos nós queremos preservar, mas, mais do que nós, os produtores rurais querem conservar. Os produtores rurais trabalham com vistas à preservação do meio-ambiente. Então, houve esse consenso e eu creio que muito proximamente, nós voltaremos a essa matéria para votá-la no Congresso Nacional. Não devemos chegar à extinção da vigência daquele decreto – 11 de junho. Portanto, antes disso, nós temos que votar essa matéria e eu tenho absoluto convencimento, o governo tem absoluto convencimento – eu falo mais por mim, talvez, do que pelo governo -  mas neste momento, interinamente, represento o governo federal. Mas vejo que o conjunto governamental quer votar essa matéria, o Congresso quer votar essa matéria. Então, eventuais resistências poderão ser superadas por aquilo que o Congresso costuma fazer, não é Rauli? Quando não há consenso em um ou dois pontos, a soberania do plenário da Câmara dos Deputados e, depois, a soberania do plenário do Senado Federal decidem esses pontos controvertidos. Afinal, democracia é a expressão da maioria. Quando não há consenso, a maioria vota e decide.

Portanto, meus amigos -  eu já vi que foram... o Barbosa contou já 10 vezes e eu não quero chegar às  14.

Então, eu vou  parando por aqui, mas dizendo a vocês, a todos os produtores, que na vice-presidência, viu governador, eu quero dizer que lá, para os produtores rurais como para todos os brasileiros,  a vice-presidência não tem as portas abertas, ela não terá portas, o que é diferente de manter simplesmente as portas abertas. Então, meus amigos e minhas amigas, ao vir aqui nesta manhã iluminada, iluminada pelo sol, mas iluminada pelo desenvolvimento do Paraná, pelo desenvolvimento de todos aqueles que governaram o Paraná, que cuidaram do Paraná, pelo sentido empreendedor do povo do Paraná, e eu tomo a liberdade de dizer que quando eu era garoto – Londrina tem quantos anos, 70 anos? 76 anos – quando eu era garoto, bem garoto naturalmente, eu me lembro que meu pai, muitas e muitas vezes, produtor rural que era, pensava em comprar uma terra aqui no Paraná para que nós nos mudássemos para cá, afim de continuar na produção rural, por que dizia ele, eu ouvia ele dizer – eu sou o caçula de 8 irmãos – mas ele dizia aos meus irmãos, aos meus irmãos mais velhos “acho melhor a gente comprar alguma coisa lá no Paraná. Vamos vender este nosso sitio aqui, vamos para o Paraná, porque lá – ele costumava usar esta expressão – é o local onde se faz a América” Ou seja, é um local onde se desenvolve, se cresce.

E este é o Paraná, esta é Londrina, esta é a feira desta Sociedade Rural, também presidida por Vossa Senhoria, que faz, já pude perceber, sem tê-la visitado ainda, uma grandiosa feira, já é a 51a delas, não é? De modo que é um sucesso extraordinário.  Mas tem sucesso a feira porque ela revela a capacidade da produção rural aqui no Paraná. Por isso que ela é também preciosa e extraordinária.

Portanto, ao cumprimentá-los em meu nome e em nome da Presidenta Dilma Rousseff, que até apreciaria estar aqui, eu quero desejar que nos próximos anos eu possa vir aqui e que cada vez mais esta feira que se instala em um local de quase 17 alqueires – é isso? – 18 alqueires – que ela cresça cada vez mais revelando essa pujança importante para o Brasil, importante para o Paraná.

Muito obrigado.

 

Ouça a íntegra do discurso (13min01s) do Presidente em exercício, Michel Temer .