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Discurso do Presidente da República em exercício, Michel Temer, na abertura oficial da 18ª Exposição-Feira Agropecuária, Industrial e Comercial de Chapecó (Efapi)

por Portal do Planalto publicado 07/10/2011 16h48, última modificação 04/07/2014 20h08
A prefeitura de Chapecó estima que os negócios realizados na Feira cheguem a R$ 125 milhões. A Efapi conta com 600 profissionais trabalhando no evento, 650 expositores e aguarda a visita de cerca de 520 mil pessoas em todos os dias de sua realização

Chapecó-SC, 07 de outubro de 2011


Olhe, eu quero começar dizendo o seguinte. Há tantas autoridades constituídas aqui neste palanque que, em vez de mencionar uma por uma, correndo risco (incompreensível), como disse o Secretário da Agricultura, correndo risco de esquecer uma ou outra, eu quero tomar a liberdade de saudar a todos na figura daqueles que, na verdade, nos colocam aqui como autoridades constituídas, que é o povo de Chapecó e o povo de Santa Catarina.

Em segundo lugar, eu quero dizer que aqui... interessante, eu estou muito sensível, viu, Ideli; viu, Prefeito? Eu sou muito sensível aos instantes que eu estou vivendo, e aqui eu acabei de visitar o museu que recupera a história, praticamente, do crescimento, da origem de Chapecó, uma história grandiosa, uma história reveladora de que os pioneiros conseguiram transmitir, para os seus pósteros, para aqueles que vieram depois, uma garra extraordinária. Portanto, nós acabamos de homenagear o passado, porque o passado é que mobiliza o presente e nos revela o futuro.

De outro lado, ao mesmo tempo em que Chapecó cultua as suas tradições por meio desse museu, ela avança para o futuro, porque esta Feira, esta Exposição, que já é tradicional – estamos na 18ª, não é isso? –, 18ª, é a revelação do futuro de Chapecó e de Santa Catarina.

De modo que, juntando o passado e o futuro, eu posso dizer, viu, governador Eduardo Pinho Moreira, que nós vivemos um presente esplendoroso. E por isso este presente de Santa Catarina merece o aplauso de todos os brasileiros, e é o que eu quero aqui revelar em nome do governo federal.

Vocês sabem que a presidenta Dilma estaria aqui se não fosse o seu compromisso internacional. Eu, como disse o Luciano, estaria de qualquer maneira porque o Prefeito mandou me convidar, o Celso Maldaner, os colegas todos estiveram lá comigo, e eu disse: eu irei de qualquer maneira. Mas tive a felicidade de vir como Presidente da República em exercício, e eu auguro que esta Feira seja visitada por mais de 500 mil pessoas, porque na última – eu verifiquei no histórico – estiveram aqui 480 mil pessoas visitando esta feira, reveladora, portanto, da grande garra, que eu acabei de apontar, do povo de Chapecó e do povo de Santa Catarina.

Ainda, a tempos atrás... eu conversava há pouco com o Valdir Colatto, e nós recordávamos, nessa questão do Código Florestal, que aqui foi mencionado, nós recordávamos que essas questões estavam praticamente paralisadas no Congresso Nacional, quando, procurado pelo Colatto, por outros tantos colegas da área da agricultura e de outras áreas, nós acabamos criando uma Comissão Especial. E essa Comissão Especial levou adiante o Código Florestal, que tem um outro embaraço pela frente, mas vai ser logo resolvido no Senado, e, portanto, vai prestigiar a Agricultura brasileira, sem desmerecer... o Colatto está me lembrando que o Luiz Henrique é o relator lá no Senado Federal... sem desmerecer, naturalmente, o Meio Ambiente, portanto, fazendo um desenvolvimento sustentável acompanhado da proteção da economia verde.

Sabem que, no Brasil, nós somos muito conciliadores, e nós temos consciência no governo – a Ideli sabe disso e a presidenta Dilma tem destacado esse ponto... nós somos capazes de conciliar, muitas vezes, interesses contrários. O espírito do brasileiro é esse, e nós sempre chegamos a uma conciliação fruto dessa ponderação, dessa moderação, desse equilíbrio que pauta as ações do brasileiro e, no particular, do nosso governo.

Então, ao vir a uma região... e eu desde ontem à noite confesso que ouvia muito essa questão do Código Florestal, da questão das terras indígenas, eu disse: “Olhe, pouco a pouco, nós vamos equilibrando essas questões de maneira a permitir o desenvolvimento desta região e de Santa Catarina”.

E, pessoalmente, quero dar mais um depoimento pessoal, eu confesso que ontem, desde o instante que eu sobrevoava aqui Chapecó para aterrissar, eu dizia aos meus colegas, ao Valdir Raupp, a todos, ao Rocha Loures, que estavam comigo, eu disse: “Mas que coisa fantástica isso daqui. Uma terra vermelha, uma terra capaz de produzir”. Mas, ao lado da terra que é capaz de produzir, está o seu povo que é capaz de utilizar a terra para fazer a produção.

E eu digo isso, precisamente pautado pelas palavras da nossa ministra Ideli: “Quando nós enfrentamos aqui a possibilidade de uma crise internacional, eu digo, interessante, nós não temos crise aqui no Brasil”. E as pessoas, às vezes, até, me permitam dizer, usam a palavra crise indiscriminadamente. Porque, de vez em quando, eu vejo mesmo, a imprensa me pergunta: E a crise? Muitas vezes a crise é porque caíram dois ministros, três ministros, etc. Mas, que crise? Essa seria uma espécie de crise administrativa, que não existe. E, quando cai um ministro, imediatamente se coloca outro e o governo continua.

Nesta ascensão da palavra crise, a segunda crise seria a crise econômica, com maior potencial prejudicial. Mas eu digo: há crise econômica no país? Não há. Nós estamos preparados para enfrentá-la. Se não estivéssemos preparados para enfrentá-la, nós não viríamos aqui e não estaríamos vendo aqui a exposição grandiosa do agronegócio, da indústria, do comércio que se dá aqui em Chapecó.

A outra crise é crise política. Existe crise política no país? Nenhuma, porque o governo Dilma tem uma base de sustentação extraordinária no Congresso Nacional. Nós temos inúmeros partidos apoiando o governo e mantendo o seu lado no governo, precisamente pelo sucesso que o governo vem tendo ao longo do tempo.

E a pior das crises – portanto, não existe crise política –, a pior das crises é a crise institucional, das instituições. Esta é a mais grave. Esta nem se pensa nela. Nós estamos numa tranquilidade institucional extraordinária, e muito devido... aqui vai mais um símbolo; nós estamos num parque que se chama Tancredo Neves;m Tancredo Neves é o símbolo da redemocratização do país e da institucionalização definitiva dos nossos poderes. Então, vejam que coincidência! Falei do museu, falei do progresso da Feira, falei do Tancredo, que nos deu essa capacidade de uma harmonia institucional extraordinária, não é?

Então nós temos hoje no país a possibilidade de crescimento extraordinário. Mas o crescimento não se dá apenas pela ação do governo. O crescimento... para dizer uma trivialidade, para dizer uma obviedade, quase uma pieguice, aquelas coisas que se atribuem ao Kennedy, que não sabem se é ele: “Não pergunte o que o governo pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo país”.

Eu saio daqui com a sensação mais absoluta, mais segura, mais inafastável, mais correta, mais adequada de que o governo faz muito pelo país, mas o povo – especialmente aqui na Feira, o povo de Chapecó e o povo de Santa Catarina – faz muito pelo Brasil.

Por isso, ao participar desta reunião, ao abrir esta reunião, saudando, naturalmente, a todos, especialmente o governador Colombo, que se atrasou e está chegando mais tarde aqui, por razões de tempo não pôde chegar a tempo, (incompreensível). Na verdade, saudando a todos, eu espero que eu possa... eu vejo que a Feira se faz a cada dois anos, eu espero que a minha vinda aqui não desestimule os organizadores e que daqui a dois anos eles possam ir lá me convidar novamente para que eu venha mais uma vez aplaudir a Feira, Chapecó e Santa Catarina.

Muito obrigado.

Ouça a íntegra do discurso (08min15s) do Presidente em exercício