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Discurso do Presidente da República em exercício, Michel Temer, durante cerimônia de promoção dos policiais militares que atuaram na tragédia da escola de Realengo

por Portal do Planalto publicado 12/04/2011 18h29, última modificação 04/07/2014 20h05
Presidente em exercício agradeceu pelo ato de heroísmo dos policiais

 

Rio de Janeiro-RJ, 12 de abril de 2011

 

Senhor... Prezado amigo Sérgio Cabral, governador do estado do Rio de Janeiro,

Prezado ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Elito,

Prezado vice-governador do estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão,

Deputado Paulo Melo, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro,

Prezado Eduardo Paes, prefeito da cidade do Rio de Janeiro,

Prezado José Mariano Beltrame, secretário de estado da Segurança,

Prezado Regis Fichtner, secretário de estado da Casa Civil,

Coronel Mário Sérgio, comandante da Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro,

Meus caros Denilson Francisco de Paula, Ednei Feliciano da Silva e Márcio Alexandre Alves,

Senhoras e senhores familiares,

Senhores da imprensa,

 

Eu quero iniciar a minha fala, governador Sérgio Cabral, registrando a todos que o governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e o secretário Beltrame deferiram-me a honra de falar em meu nome e em nome de todos eles.

Quero também registrar que eu trago uma mensagem da presidenta Dilma Rousseff. Quando ela embarcou para a China, na sexta-feira, Governador, ela me pediu que eu viesse a um ato que fosse promovido aqui no Rio de Janeiro, lembrando o tristíssimo episódio da escola municipal do Realengo, e eu estou, precisamente, cumprindo essa tarefa.

Evidentemente, como todos os cariocas, como todos os brasileiros, com dor no coração, que foi um momento que abalou não só a cidade do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes, mas abalou a consciência de todos os brasileiros, numa constatação curiosa. Quando se fala em violência, no nosso país, quando se fala na criminalidade, sempre se imagina o combate à criminalidade, digamos assim, mais rotineira, que é o assalto à mão armada, o latrocínio, o homicídio, não é? Coisas dessa natureza.

Mas esse fato que ocorreu no Realengo revela uma outra espécie de violência. Ele traz à luz uma violência mais ou menos oculta, embora apareça sempre, mas oculta nas nossas mentalidades, que é a violência de pessoas que, de repente, se desajustam e cometem desatinos. E, fora à parte, uma violência que a todo momento a imprensa brasileira noticia – a violência da filha ou do filho que assassina o pai, assassina a mãe, assassina o avô, não é, assassina a avó; de irmãos que litigam e brigam e se desentendem entre si –, uma violência que cresce de uma maneira assustadora.

Eu registro esse fato porque, na verdade, como bem revelou na sua fala o comandante Mário Sérgio... na verdade, como revelou o comandante Mário Sérgio, esse foi um ato tresloucado de alguém que, digamos, teve a sua mente envenenada pelos conceitos, os mais equivocados, e cometeu, repito, o desatino. Porque, no tópico específico da segurança pública, eu só posso cumprimentar o estado do Rio de Janeiro, o governador Sérgio Cabral em conexão com o prefeito Eduardo Paes, com o vice Pezão, com o extraordinário secretário José Mariano Beltrame, que, pelas últimas providências tomadas em relação ao tráfico de drogas, em relação à criminalidade mais, digamos assim, mais conhecida, foi capaz de retirar o Rio de Janeiro do noticiário policial.

Eu reconheço, e quero aqui aplaudir esse fato que, desde o episódio de uma ação muito bem articulada em relação a essa criminalidade que parecia, digamos assim, não banível do sistema de segurança aqui do Rio de Janeiro, Sua Excelência, o governador Sérgio Cabral, conseguiu esse feito extraordinário e o fez, certa e seguramente, porque tem ao seu lado uma Polícia Militar organizadíssima. Uma Polícia Militar que honra os seus 200 anos de existência, ao lado da Polícia Civil, que também exerce um papel preponderante na investigação, na apuração dos delitos, aqui no Rio de Janeiro.

Mas isso é fruto, secretário Beltrame, eu falo isso com relativa autoridade porque tive a honra de ser Secretário da Segurança Pública em São Paulo, em duas ocasiões. Então, eu sei como é essa integração da Polícia Militar e da Polícia Civil, que depende muito do governo. O governo é que tem que ter inauguralmente, preambularmente, essa capacidade extraordinária de reunificar os esforços da Polícia Militar e da Polícia Civil.

Mas, no particular, governador Sérgio Cabral, já que se trata de homenagem ao Denilson, ao Edinei, ao Márcio, como símbolos dessa atuação da Polícia Militar, eu verifico que, de fora a parte a coragem, eles têm o senso da oportunidade. Têm a tranquilidade para agir, como ocorreu nesse lamentável episódio. Foi essa tranquilidade que permitiu uma tragédia muito maior. Portanto, a somatória da tranquilidade com a coragem, que fez com que o governo do estado, imediatamente, reconhecesse essa sua atuação e os condecora neste momento, promove em um gesto justíssimo de quem enaltece a sua administração.

Portanto, ao trazer estas palavras, senhor Governador, senhor Prefeito, senhor Presidente da Assembleia Legislativa, senhor Secretário, senhor Comandante-Geral, senhor general Elito, eu quero dizer que o governo federal está solidário com esses instantes. Não foram poucas as vezes em que o governo, ao lado das UPPs e outras tantas atividades muito bem conduzidas por Vossa Excelência e pelo seu governo, teve o apoio do governo federal. A presidente Dilma Rousseff continua na mesma linha, na mesma trilha, no mesmo traçado.

De modo que nós queremos, em primeiro lugar, lamentar o ocorrido, deixar a nossa tristeza pelo ocorrido. Mas, ao mesmo tempo, nos regozijarmos pelo reconhecimento que se faz a estes três promovidos. Como o comandante Mário Sérgio lembrou o Alcorão, eu quero lembrar, muito rapidamente, uma passagem do Evangelho, e, em palavras, talvez não semelhantes, iguais, mas diz mais ou menos o seguinte: “Está alguém entre voz tristonho, triste, orai. Está alguém entre vós alegre, cantai louvores”.

Eu quero, governador Sérgio Cabral, aproveitar os dois preceitos desse Evangelho: de um lado, orar, porque estamos todos tristes com esse acontecimento. Mas, por outro lado, cantar louvores pelo sucesso que a Polícia Militar e que os três condecorados, os três promovidos, tiveram no dia de hoje.

Meus parabéns ao governo do estado e minha tristeza às famílias enlutadas da escola municipal do Realengo.

 

Ouça a íntegra do discurso (08min33s) do presidente em exércicio, Michel Temer.

 

Assunto(s): Governo federal