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Discurso da Presidente da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de inauguração do Parque Eólico de Geribatu e do Sistema de Transmissão Associado - Santa Vitória do Palmar/RS

por Portal Planalto publicado 27/02/2015 18h00, última modificação 27/02/2015 20h07

Boa tarde aqui a todos e a todas aqui presentes. Para mim é um prazer estar aqui. Queria agradecer ao governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, e dizer que, de fato, juntos pelo bem do Rio Grande do Sul e do Brasil, nós vamos superar todos os desafios que estão diante de nós.

Cumprimentar o ministro, meu companheiro de governo, Eduardo Braga, de Minas Energia, que foi ex-governador do Amazonas, atual senador da República.

Cumprimentar o ministro de relações institucionais, o Pepe Vargas.

Cumprimentar o Eduardo Morroni, prefeito de Santa Vitória do Palmar, que por pouco não faz eu derramar muitas lágrimas, mas algumas, eu engoli.

Cumprimentar o presidente da CEEE, Eurides Mescolotto. Eletrosul desculpa. Eurides Mescolotto.

Cumprimentar o Paulo de Tarso Pinheiro Machado, presidente da nossa querida Companhia Estadual de Energia Elétrica, a CEEE - que o resto do Brasil chama de C3E.

Cumprimentar o deputado Fernando Marroni; o vereador Volmair Barreto, Presidente da Câmara Municipal de Santa Vitória do Palmar.

Queria cumprimentar os prefeitos, os vereadores, os secretários, todas as lideranças aqui presentes dessa região do país que como qualquer região tem orgulho de ser brasileira. Mas aqui o orgulho tem, eu acho um tempero a mais que é o fato de que se alguma vez, de fato, aqui nós estamos nos Campos Neutrais, foi a determinação de vocês que transformou essa região em Campos Neutrais da República Federativa do Brasil.

Queria cumprimentar os deputados estaduais, Adilson Troca, Edgar Preto, José Nunes, a minha querida Miriam Marrone.

Cumprimentar o secretário de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, Lucas Redecker.

Cumprimentar o diretor de geração da Eletrobrás,Valter Cardeal.

E Cumprimentar, de fato, Ronaldo Custódio, diretor de engenharia da Eletrosul. Eu sempre que olho para o Ronaldo Custódio eu digo para ele: Ronaldo Custódio estou preparando uma grande maldade para você. Por que que eu dizia isso? Porque o Ronaldo Custódio, eu e ele participamos do governo Olívio Dutra e eu era da secretária de Energia do Estado do Rio Grande do Sul - Energia, Minas e Comunicações. E o Ronaldo Custódio, naquela época nós soubemos que uma das energias alternativas era a energia eólica, a energia dos ventos, a energia soprada pelos ventos. E o Ronaldo Custódio tinha já um estudo a respeito da energia eólica e o governo do estado Rio Grande do Sul propiciou que ele fosse à Alemanha estudar sobre a energia dos ventos porque lá ela estava mais desenvolvida. Quando ele voltou, a maldade que eu preparei para ele foi uma veículo com escadas que ele tinha de subir, botar um poste e colocar um medidor de vento para saber como era o regime de vento, porque nós estávamos certos que o Rio Grande do Sul seria a pátria dos ventos. Então, o Ronaldo Custódio, a quem eu cumprimentei, de fato, ele tem um papel importante em todo desenvolvimento do Parque Eólico no Rio Grande do Sul, agora, em especial, aqui em Santa Vitória do Palmar, que nós tínhamos certeza, mesmo antes de medir, ali deve ter os melhores ventos. Então, nós tínhamos de medir aqui, porque aqui estaria onde os ventos soprariam mais, na direção do Rio Grande e do Brasil. Então, por isso, eu cumprimento com especial carinho o Ronaldo Custódio.

Queria cumprimentar também os representantes dos movimentos sociais, o Luiz Carlos Folador, presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul.

O nosso querido Frei Sérgio, coordenador na via campesina.

O Janio Stefanello, um amigo de antes, que também participou desse imenso desafio que era ampliar a energia elétrica das cooperativas do Rio Grande do Sul, hoje presidente da Federação das Cooperativas do Rio Grande do Sul.

E o Luiz Weber, coordenador regional da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar.

Queria cumprimentar os senhores jornalistas, os senhores fotógrafos e cinegrafistas.

 Para mim, de fato, é um orgulho estar aqui hoje. É um orgulho, primeiro porque eu volto para minha terra de adoção. Eu não nasci no Rio Grande do Sul, mas adotei o Rio Grande do Sul como a minha terra. Porque eu agradeço ao Rio Grande do Sul por ter me adotado quando eu precisei de adoção. E pra mim é importante participar dos momentos especiais do desenvolvimento aqui da nossa terra.

E o que ocorre hoje aqui é muito importante. É um parque eólico, mas é um parque eólico excepcional, porque é o maior da América Latina. É um parque eólico que... de Geribatu que se agrega com mais dois outros parques eólicos, que é o Parque Eólico de Chuí e de Ermenegildo. Os três somam o Complexo Eólico dos Campos Neutrais, os três. E isso é muito importante porque o que nós estamos vendo aqui são duas coisas: primeiro, é fato que o Brasil precisará sempre de energia para crescer, em todos os sentidos, mas de energia elétrica, em especial. É fato, que ao você criar oportunidade como estão sendo criadas aqui, e aí o entusiasmo do prefeito tem justificativa. De fato, prefeito, esse parque eólico significa muitas coisas. Significa que o senhor tem aqui uma energia garantida, tanto a fornecida pelos aerogeradores, por esses belíssimos cataventos, mas também por outro fato, que esta estrutura está conectada a uma linha de transmissão. E aí, o que acontece? Acontece que o senhor tem energia firme garantida aqui para quem quiser vir aqui investir, trabalhar, progredir, em qualquer área, do turismo, a qualquer outra atividade. Do comércio aqui vocês tem então, uma oportunidade de desenvolvimento aberta para toda essa região, que é a região extrema do Brasil. O Brasil começa a bater seu coração aqui em baixo e vai batendo até lá em cima e depois também de leste a oeste. Por isso, eu estou muito feliz de estar aqui. Essa é uma das prioridades e eu tenho e eu lutei muito por ela ao longo desses anos. Vejam vocês, se não me engano eu estive na direção da secretaria em 2000. Vocês vejam, que o que você planta você tem de ter o tempo de colheita, mas aí o tempo de colheita é muito bom, é muito bom ver que nós plantamos lá atrás e que todo esforço levou, aqui hoje, nós estivéssemos aqui, nesse momento inaugurando esse parque eólico que faz parte do Complexo dos Campos Neutrais. Eu lutei muito no Brasil por segurança energética. E segurança energética exige que a gente produza e forneça energia necessária para o crescimento do país e para o conforto da população. E essa garantia, ela não é de 10 minutos, não é de 2 horas. Ela é 24 horas por dia, 365 dias por ano e aí, tem aquela fala, chova ou faça sol. Acontece que no Brasil nós temos um sistema que é fundamentalmente movido pela água. E quando tem água suficiente é muito bom. Mas o Brasil não pode depender de ter água o suficiente. Daí porque, além das hidrelétricas que são características do país e são fundamentais, nós temos de ter eólicas, termelétricas, nós temos de ter uma diversidade de fontes. É aquela história que o nosso povo fala: “Não se põe todos os ovos numa só cesta”. O Brasil tem a seguinte situação: botou uma parte muito importante dos ovos na cesta da energia hidrelétrica, o que é muito importante e muito bom porque ela é a energia mais barata que tem. Mas botou também os seus ovos em outras cestas e é isso que garante a segurança energética do país. Nós colocamos os nossos ovos nas cestas das termelétricas, da energia eólica e da biomassa. E aí, eu quero dizer para vocês que, além disso, a gente tem de ser favorável, de defender, de lutar pelo consumo racional de energia. Consumo racional de energia é aquele que significa não desperdiçar, desperdício zero. Então, diversificação da matriz mais desperdício zero é a garantia de segurança do país. A nossa parte é garantir a oferta, termoelétrica, eólica, biomassa, hidroelétrica. A parte do cidadão é buscar não desperdiçar energia. Não tem porque a geladeira ficar aberta se você não está usando. Não tem porque você deixar o chuveiro correndo quando você não está usando. Não tem porque a gente jogar fora energia que custa tanto produzir.

Vejam vocês que esse parque eólico custou R$ 1 bilhão e a linha de transmissão, o sistema de transmissão custou outro R$ 1 bilhão, são R$ 2 bilhões. Uma parte é dinheiro arrecadado de impostos, a outra parte é investimentos privados. E a parte que é arrecadado de impostos é a parte que sai do bolso de cada um de vocês e pela qual nós temos de zelar. Então, desperdício zero é um compromisso de não jogar fora pela janela esse dinheiro que é suado, é tirado do povo brasileiro.

Nós hoje estamos diante do desafio, talvez o maior desafio da história hidrológica, da história das águas do nosso país. É a maior seca do Nordeste dos últimos 100 anos, já por quatro anos com três anos e meio consecutivos. E o que é inédito, é a maior seca do Sudeste também. E isso não permitiu no passado, se ocorresse isso, nós estávamos hoje diante do maior racionamento. Não estamos porque temos eólica, porque temos termelétricas e porque o nosso sistema de transmissão é robusto.

Eu não sei se vocês sabem, mas quando houve o racionamento em 2001 tinha energia aqui no Rio Grande do Sul e a gente não conseguia passar essa energia para o resto do país, a que sobrava, porque não tinha rede de transmissão. Hoje essa rede de transmissão faz com que você liga esse botão vermelho aqui e a luz acende pelo resto do Rio Grande. Por quê? A transmissão leva. A energia é importante porque ela tem essa capacidade de se transmitir.

E eu queria dizer para vocês que nós temos trabalhado muito para garantir a segurança energética do Brasil. Para vocês terem uma ideia, nos quatro anos do meu primeiro governo, nós conseguimos ampliar a produção de energia em mais de 21 mil MW, para fazer uma ideia do que isso significa, em oito anos, da época do racionamento, eles não conseguiram produzir os 21.800 MW que nós produzimos em quatro anos. A mesma coisa nós fizemos quilômetros e quilômetros de linhas de transmissão para que o Brasil pudesse transportar energia de um lado para o outro, e com isso, explorar uma coisa que é fundamental, o Brasil é um continente. Então, quando chove aqui no Rio Grande do Sul, não chove em outros lugares do país, no Nordeste não chove. Quando chove no Nordeste e no Sudeste, não chove aqui no Rio Grande do Sul. Então, o que você faz? Você compartilha. Quando chover num lugar, este lugar que tem muita água manda energia para outro e vice-versa. Então, o que nós fizemos? Nós aumentamos as linhas de transmissão, aumentamos as termelétricas e aumentamos as eólicas. Porque a termelétrica, ela não precisa de água para funcionar. Choveu ou não choveu, ela funciona. A eólica precisa de vento, não precisa de água. Então você diversifica e garante a segurança do país. Agora, é importante sinalizar uma coisa: este ano de 2015 nós vamos entregar mais 6.400 MW de energia e mais 7 mil quilômetros de linhas de transmissão. Isso significa que nós estamos sempre, porque este setor é assim, é que nem andar de bicicleta; se parar de investir você cai, é como a bicicleta, parou de pedalar você cai. Então você tem de investir e procurar oportunidade todos os anos para garantir o que nós investimos hoje garante que amanhã não vai ter racionamento, garante que amanhã as empresas vão poder abrir, garante que amanhã os empregos vão ser garantidos. Por isso que eu digo que é muito importante saber que nesse ano nós já temos 6.6400 MW de energia garantida que vão entrar e mais 7 mil quilômetros de linha.

Um parque eólico como esse aqui ele consolida o país, ele dá força para todas as regiões do país. Ele é muito importante para Santa Vitoria do Palmar, ele é muito importante para o Rio Grande do Sul, mas também ele é muito importante para o Brasil. E eu queria dizer para vocês que nós estamos sendo pioneiros também na questão da energia eólica. O prefeito pode se orgulhar porque aqui, sem dúvida nenhuma prefeita, nessa região, a vocação dessa região e a estrutura dessa região vai permitir uma grande exploração de energia eólica - uma grande exploração. Até porque é bom que todo mundo aqui saiba aqui é um grande potencial eólico a ser explorado.

Finalmente eu queria dizer para vocês o seguinte: nós estamos de fato atravessando um período grande de seca e quando a gente está atravessando um período grande de seca, e quando agente está atravessando um período de seca, como a energia da água... Você não paga a água, você usa a água, ninguém paga a água do rio, ninguém paga esse, vamos dizer, insumo que produz energia com base na água, como não paga o vento também. Você paga a turbina, você paga a pá, mas você não paga o vento. Na energia térmica a gente paga o gás, se for a gás. A gente paga urânio se for nuclear, e a gente paga carvão, se for a carvão ou a gente paga biomassa se tiver queimando bagaço de cana ou qualquer outro tipo de biomassa. Então, quando a água falta no Brasil, e todo mundo tem que saber disso, porque é algo que é esclarecedor e transparente dizer, aumenta o preço da energia, sim, porque você passa a pagar, você passa... aquilo que você não pagava, a água o vento você passa a pagar, porque você paga ou gás ou qualquer outras formas de energia térmica. Ela é importante porque ela funciona se tem sol ou se não tem sol. Ela funciona como uma espécie de reserva é como, você só vai usar ela por que ela é mais cara, quando você precisar, quando você não precisar você não vai usar. Nós estamos precisando.

Então, eu quero explicar para vocês que os aumentos nos preços da energia são passageiros. Eles estão em função do fato que o país enfrenta a maior falta de água dos últimos 100 anos. Isso não significa que nós vamos ter qualquer problema sério ou mais sério na área de energia elétrica. Não iremos ter porque temos todo um sistema de segurança. Agora, também não significa que nós vamos sair por aí jogando energia pela janela e não consumindo de forma racional.

Eu quero lembrar também, ao inaugurar esse parque eólico aqui, da importância da gente usar energia renovável. Nós não queremos o nosso país poluído, nós não queremos o nosso país sem energia limpa. Nós queremos o nosso país com energia limpa e sendo campeão nessa área. Por isso, esse parque eólico também representa mais um passo do Brasil em garantir a responsabilidade que nós temos diante da mudança do clima. Nós, com esse parque eólico estamos explorando uma forma de energia que é ambientalmente muito mais sustentável, que é energia eólica. Além de ser muito bonita, além de ser algo que você pode, inclusive, continuar cultivando, você não comprometeu essa região. Eu vim para cá e vi grandes plantações de arroz, de soja e a utilização da terra para qualquer outra finalidade. É compatível com a presença dessas torres. Então eu quero dizer a vocês que hoje é um dia que a gente comemora muita coisa. E eu quando comemoro muita coisa, eu quero saber quem são os responsáveis. Aqui, disseram que nós, eu e o Ronaldo Custódio, tínhamos um papel. É fato, a gente tem. Mas nada teria acontecido sem o empenho da população aqui do município. Por isso, eu termino agradecendo a todos aqui que colaboraram, contribuíram, que deram lá uma mãozinha para a gente ter um projeto dessa envergadura, aqui, no extremo sul do nosso país. É um orgulho e muito obrigada.

 

Ouça a íntegra do discurso da Presidenta Dilma.