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Discurso da Presidente da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de aniversário dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro/RJ

por Portal Planalto publicado 01/03/2015 20h20, última modificação 02/03/2015 15h59

Rio de Janeiro, 01 de março de 2015

 Primeiro eu queria dizer boa noite e feliz aniversário. Feliz aniversário para todas as cariocas e todos os cariocas. Feliz aniversário para todos nós brasileiros que temos orgulho de ter uma cidade como o Rio de Janeiro fazendo 450 anos. Um país novo, uma cidade nova, mas a Cidade Maravilhosa, então meus parabéns a todos vocês.

Queria cumprimentar o nosso querido governador Pezão, Luiz Fernando Pezão, e queria cumprimentar também a Maria Lucia.

O Pezão é uma das pessoas mais límpidas, mais diretas, mais decentes que eu conheço. E eu queria também, aqui de público, dizer que a nossa parceria aqui no estado é uma parceria feita de muito trabalho, de muito esforço. E essa parceria, uma grande parte dela, ocorre aqui no Rio de Janeiro. Por isso, o Pezão também hoje está de parabéns.

 Mas o grande - o grande aniversariante - é de fato o prefeito mais feliz do mundo, que dirige a cidade mais importante do mundo e da galáxia. Por que que é da galáxia? A galáxia é o Rio de Janeiro, a Via Láctea é fichinha perto da galáxia que o nosso querido Eduardo Paes tem a honra de ser prefeito. Eu acredito que essa talvez seja a força mais interessante a mover o Eduardo, essa convicção de que esse trabalho incansável... Por exemplo, na Transcarioca. Quando nós viemos inaugurar aqui, a Transcarioca tem 39 quilômetros. Na noite anterior a inauguração, ele andou a pé, ali pela meia-noite, a Transcarioca inteirinha, ida e volta, para verificar se estava tudo nos conformes. Essa força é a força do compromisso que ele tem com essa cidade. Então, eu parabenizo representando a cidade do Rio de Janeiro, e todos vocês, mas especialmente o Eduardo Paes.

 Queria cumprimentar a Chirstine, queria cumprimentar também os dois filhos, principalmente a filha ali que está escondendo a cara, mas queria cumprimentá-la e cumprimentar os prefeitos, ex-prefeitos, tanto o prefeito Israel Cabrim como meu amigo Saturnino Braga.

Cumprimenta também um outro carioca que é o Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e a senhora Cláudia Cruz.

Cumprimentar o nosso vice-governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles que adotou o Rio com o seu coração mineiro.

Queria cumprimentar o cardeal arcebispo Dom Orani Tempesta, cumprimentá-lo também pela homenagem.

Cumprimentar os ministros de Estado, Joaquim Levy, da Fazenda, Isabella Teixeira, do Meio Ambiente, George Hilton, dos Esportes e Vinícius Lages, do Turismo.

Cumprimentar o presidente do Tribunal de Justiça, Luís Fernando Ribeiro,

Os deputados federais aqui presentes, Benedita da Silva, Hugo Leal, Jandira Ferghali, Júlio Lopes e Sérgio Zveiter.

Eu queria dirigir meu cumprimento, do fundo do coração, mas também do grande respeito e admiração que nós devemos ter por duas mulheres aqui presentes porque elas representam algo fundamental que faz parte da alma do nosso país, que é a arte. Queria cumprimentar a dona Ivone Lara e a nossa grande Fernanda Montenegro, a dama do teatro brasileiro.

Cumprimentar o senhor Jorge Felippe, presidente da câmara municipal,

Cumprimentar banda da guarda municipial, aqui, que nós honrou com o Hino Nacional

Cumprimentar a Wanda Sá e o Roberto Menescal que pelo menos para mim, me levou para o futuro e também para os anos 60 e para algo que é sinônimo do Rio de Janeiro que é a Bossa Nova.

Cumprimentar os jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 Eu acredito que todos nós sabemos que o Rio de Janeiro é uma cidade diferenciada. E é uma cidade, mais do que qualquer outra, tem refletido nela, imprimido nela, a história desse país. Quando a gente… Eu sempre fico imaginando o que deve ter sido, lembrando o Sérgio Buarque de Holanda, que escreveu aquele livro, Visões do Paraíso, ele não fala sobre isso, mas eu sempre lembro quando eu leio aquele livro, o que deve ter pensado um francês da esquadra do Villegaignon quando chegou aqui e olhou esse azul imenso, essas matas, essas montanhas, essas pedras, qual não tenha sido o encantamento dele e a visão do paraíso que ele viu nas nossas... Nesse recorte fantástico que é a Baía de Guanabara. Eu não sei se eles chegaram, logo de início, a entrar ali na Lagoa de Freitas, Rodrigo de Freitas. Eu, sempre que passava do túnel, ao chegar ali, eu sempre pensei nisso também, deve ter sido uma quantidade de araras, uma quantidade de  pássaros, deve ter sido um festival de cor. O Rio de Janeiro, mesmo que não tenha mais tantas araras, ele mantém a imensa da beleza natural que nunca será tirada dessa cidade. Mas não basta ela não ser tirada e ela ser natural. E aí entra toda, também, a nossa história, que é refletida aqui. O cais do Valongo, Benedito, o cais do Valongo, que é um momento terrível da nossa história. O cais do Valongo representa um momento da escravidão nesse país da qual nós nos libertamos, mas temos que continuar nos libertando, lutando contra a discriminação racial no nosso país. Já é um orgulho que no Censo brasileiro, os brasileiros se autodenominaram, se autorreconheceram como 52% de descendência afrobrasileira.

 Mas eu acho que o Rio de Janeiro, então, tem esse pesado conteúdo de história que hoje, lá no túnel Rio 450 Anos, eu me referi que é: aqui foi coroado o imperador Pedro I, no momento da nossa Independência. Aqui, no Rio, foi feita a Proclamação da República. Aqui no Rio, nós vivemos o comício das reformas de base do João Goulart, aqui no rio, na Candelária, nós vivemos também todas as manifestações pelas Diretas já. Então, o centro histórico do Rio, além da beleza arquitetônica, de tudo o que ele tem, porque como dizia a música: “Ele desdobra para dentro do mar” e, portanto, o centro do Rio está na beira do mar, o centro do Rio se conjuga com o mar. Daí porque eu acredito que esse projeto que nós aqui temos uma parceria e que tem a liderança do Eduardo Paes a operação Porto Maravilha, ela representa o resgate de todo um processo aqui no Rio de Janeiro. Primeiro da divisão litoral-morro. Depois, representa também a garantia de acesso a esse centro histórico e às belezas naturais a toda população.

Eu acredito, Pezão, que foi um passo muito importante quando nós juntos construímos o Teleférico do Alemão. Por quê? Porque era levar para o Alemão o maior complexo, um dos maiores, eu não sei se ele é o maior, mas eu acho que é um dos maiores complexo de favelas do Rio de Janeiro, levar um meio de transporte que assegurava não só a chegada das pessoas às suas casa em tempo razoável, mas também permitia que dali se visse a beleza do Rio de Janeiro. Eu acredito que a operação, a operação Porto Maravilha, ela integra a cidade novamente ao seu centro histórico e à sua beleza natural.

 Então, eu me refiro hoje nessa comemoração aos 450 anos a isso. Eu olhei várias vezes o que foi feito nos outros países em relação às transformações, e vejo várias transformações, por exemplo, em Nova Iorque, na região portuária, que geralmente são regiões degradadas. Em várias outras; Rotterdam também tem modificações na região portuária, na própria Buenos Aires. Mas em nenhuma delas esse resgate se liga à história do nosso país. Então, é muito significativo e simbólico o que hoje nós fizemos aqui na parte da tarde, que foi inaugurar o Túnel Rio 450, que faz parte de todo o complexo de mobilidade social. De mobilidade urbana, desculpa. Mas o que eu acredito que é efetivo - muito efetivo - é o fato de ter, de você ter tido a coragem de derrubar a Perimetral e construir ali um corredor cultural. Um corredor cultural que vai garantir o acesso da cidade aos seus pontos mais bonitos e também vai permitir que aquilo que transforma um país, que é a cultura, tenha um espaço privilegiado para ocorrer. Então, Eduardo, junto com toda a nossa parceria, a parceria que nós tivemos aqui em vários outros lugares através do Pezão e do Sérgio Cabral, tanto no governo do presidente Lula como no meu governo, eu acredito que nós temos, de fato, um compromisso com o presente e o futuro dessa cidade. O futuro, porque nós estamos construindo hoje aqui, os próximos 450 anos. Nós estamos aqui construindo as condições para que o Rio de Janeiro seja essa cidade fantástica para se viver, porque tem, de fato, uma alegria contagiante, uma alegria que está nos pés do Carlinhos de Jesus e da Ana Botafogo; que está na representação da Fernanda e da dona Ivete Lara... Ivone Lara, desculpa dona Ivone; que está em cada um dos artistas dessa cidade. Hoje vocês juntaram a Portela e o Império Serrano, que está lá, está em todos os lugares e nos bares, nas cervejas e na Bossa Nova.

 Então, Rio de Janeiro, conte conosco. Nós estaremos presentes para garantir todas as obras, mas mais do que as obras, os projetos de resgate social, cultural e histórico dessa cidade fantástica que vai receber uma das maiores cerimônias do mundo que é as Olimpíadas, que é o momento de celebração da paz. E aí, eu cumprimento o senhor Thomas Bach, presidente do COI, em nome dele cumprimento os demais participantes deste desafio que nós teremos no ano que vem, que é, de fato, mais uma vez, abraçar o mundo recebendo todos os 202 ou 206 países… é dois ou seis? É cinco. Você vê que eu quase acertei. Os 205 países, porque é isso que nós vamos receber, nós vamos fazer: nós vamos receber abraçando todos eles. Um abraço a todos.


Ouça a íntegra do discurso da Presidenta Dilma.