Você está aqui: Página Inicial > Mandatos de Dilma Rousseff (2011-2015 e 2015-2016) > Discursos > Discursos da Presidenta > Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Bulgária

Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Bulgária

por Portal do Planalto publicado 05/10/2011 14h02, última modificação 04/07/2014 20h08
Na ocasião, Presidenta Dilma afirma que "a assinatura do Acordo para Cooperação Econômica lança parceria sólida entre nossos países, baseada na amizade, na aproximação contínua dos nossos povos e na construção de parcerias em áreas de interesse comum"

Sófia-Bulgária, 05 de outubro de 2011

 

Senhor Georgi Parvanov, presidente da República da Bulgária,

Senhor Tsvetan Simeonov, presidente da Câmara de Comércio e Indústria da República da Bulgária,

Senhor Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria,

Senhores ministros,

Senhoras e senhores empresários búlgaros e brasileiros,

Senhoras e senhores jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos,

Senhoras e senhores,

 

Com grande satisfação me dirijo às autoridades governamentais, aos empresários brasileiros e aos empresários búlgaros aqui presentes, e a todos aqueles que trabalham pelo estreitamento das nossas relações.

Ao longo da preparação desta visita, minha orientação sempre foi muito clara: a de aproveitar o caráter inegavelmente emotivo de uma viagem como esta para traduzi-lo em oportunidades concretas de cooperação e em benefício de nossos povos.

A assinatura do Acordo para Cooperação Econômica lança parceria sólida entre nossos países, baseada na amizade, na aproximação contínua dos nossos povos e na construção de parcerias em áreas de interesse comum.

O mundo enfrenta uma crise econômica bastante profunda. Os países desenvolvidos, que não encontraram equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos necessários para retomar o crescimento de maneira equilibrada, encontram-se numa encruzilhada. Muitas vezes, o que gerou a crise é reafirmado e prescrito como terapia.

No Brasil, resistimos à crise porque apostamos no fortalecimento do nosso mercado doméstico, na expansão do emprego, da renda e do consumo de nossa população; na expansão dos investimentos sociais; em infraestrutura, na indústria e na agricultura. Apostamos também em marcos regulatórios para o sistema financeiro e bancário brasileiro bastante robustos, com grandes exigências de capital para os nossos bancos. Também construímos um processo fiscal de consolidação, buscando sempre diminuir a nossa relação de endividamento sobre o PIB.

Nós não estamos imunes ao aprofundamento da crise, mas trabalhamos com esforço e discernimento para manter esses fundamentos macroeconômicos e, ao mesmo tempo, não comprometer as políticas de crescimento e de inclusão social, que são a principal defesa e razão do nosso sucesso.

A crise atual tem, na Grécia, um de seus pontos de maior irradiação e está a exigir a ação articulada e solidária de todos os países. Na reunião, ontem, com a Comissão Europeia, eu afirmei a importância, para o Brasil, da Europa como sendo uma das grandes realizações da democracia e da paz para a Humanidade no pós-guerra e a importância de manter a durabilidade dessa conquista, que foi a União Europeia, da qual todos nós, no mundo inteiro – mesmo que não sejamos da Zona do Euro –, precisamos e necessitamos.

Estejam seguros – eu adiantei diante da Comissão Europeia e quero externar novamente aqui – que o Brasil será sempre um parceiro e fará todo o possível para que esta crise tenha uma solução menos dolorosa e mais rápida. Estejam seguros também de que o Brasil será uma opção segura para produtos e serviços búlgaros, caso sejam afetados pela redução das demandas de parceiros tradicionais.

Sabemos que nosso comércio está muito aquém do seu potencial. Este comércio crescia de maneira notável, ao longo da última década. Como disse o senhor Presidente, de 2005 a 2007 teve um desempenho muito importante. O início da crise internacional diminui esse intercâmbio. Nós podemos, mesmo considerando esses aspectos, e até por causa deles, mostrar que os processos de integração regional de que participamos – a Bulgária, na União Europeia; o Brasil, no Mercosul – nos permitem explorar possibilidades verdadeiramente criativas para a integração produtiva entre nossos países e nossas regiões.

O Brasil é uma porta de entrada da Bulgária no Mercosul e a Bulgária pode ser uma das portas de entrada do Brasil na União Europeia.

Precisamos assumir o compromisso político de reverter a tendência de queda em nosso comércio bilateral.

Trouxemos conosco delegação empresarial expressiva, para dar início a conversas nesse sentido. Estamos dispostos a receber, também, empresários búlgaros em nosso país para dar continuidade a esse esforço.

As oportunidades que temos são muitas e, se nos esforçarmos, logo começaremos a colher os primeiros resultados.

O fato de que jatos da Embraer começam a operar na Bulgária é, para nós, motivo de orgulho. A empresa é uma das nossas maiores exportadoras e um dos símbolos do desenvolvimento tecnológico brasileiro.

A Marcopolo, outra empresa, produtora de ônibus de qualidade internacional, quer participar de licitações para a renovação da frota de transporte. Se ganhar, também ficaremos muito satisfeitos.

São iniciativas como essas que diversificam nosso intercâmbio comercial e lançam as bases de um relacionamento sustentável. Queremos ir além do relacionamento comercial. Devemos explorar oportunidades em agricultura, em energia, e promover a cooperação técnica.

A Bulgária é uma fonte muito importante de fornecimento de fertilizantes, que ajudam a fazer do agronegócio um dos principais setores de nossa economia.

Por isso trouxemos aqui o Diretor-Executivo da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola [Agropecuária] –, empresa pública responsável, como eu disse, pela pesquisa e a inovação de nossa agricultura, que tem hoje presença no cenário internacional. A Embrapa busca construir, também aqui, parcerias que ajudem a garantir a segurança alimentar do Brasil, da região do Mercosul, da Bulgária e da União Europeia.

A Bulgária, justamente por ser importante produtor de fertilizantes, tem condições de tornar-se parceiro privilegiado do Brasil em nossos esforços de elevar, cada vez mais, nossa produtividade agrícola. Faço votos de que esta jornada tenha lançado as bases para construirmos parcerias sólidas nesse sentido, na área de construção e na área de infraestrutura, na cooperação industrial, na cooperação e na pesquisa científica e tecnológica.

Também estou satisfeita por termos tido a ocasião de compartilhar nossa experiência no que se refere à construção de uma matriz energética renovável, tanto no que se refere à hidroeletricidade quanto no que se refere a biocombustíveis.

Estamos seguros também que o Brasil e a Bulgária poderão fazer parcerias na utilização da energia nuclear para fins pacíficos.

Estou segura de que, do mesmo modo, os empresários brasileiros aqui presentes retornam com uma visão muito mais clara das potencialidades do mercado búlgaro, um mercado integrado à Europa, com importantes vantagens comparativas. Aqui faço um parêntese para cumprimentar a Bulgária pelo seu desempenho aqui na Zona do Euro e, principalmente, pelos seus ratings mais elevados. E acalento projetos de conjugar, efetivamente, a visão, o esforço empreendedor dos búlgaros e dos brasileiros.

Senhoras e senhores,

Como disse, ao princípio, este é um dos principais objetivos da minha visita e, se pudermos aproveitar a boa vontade mútua que esta ocasião gerou, para avançar em projetos concretos de integração, para identificar e explorar oportunidades de bons negócios, então partirei daqui duplamente satisfeita. Mas, sobretudo, pelas grandes demonstrações de carinho dos búlgaros a mim e ao Brasil, pelo fato de ser a terra natal do meu pai, e pelas sementes que plantamos hoje em prol da prosperidade de nossos povos.

Muito obrigada. Blagodaria.

 

Ouça a íntegra do discurso (10min46s) da Presidenta Dilma