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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na Cúpula Extraordinária da União das Nações Sul-Americanas (Unasul)

por Portal Planalto publicado 05/12/2014 15h25, última modificação 05/12/2014 17h28

Quito-Equador, 05 de dezembro de 2014

 

 

Queria cumprimentar o presidente Rafael Correa, do Equador.

As excelentíssimas senhoras e excelentíssimos senhores Chefes de Estado e de Governo dos países da Unasul.

Queria cumprimentar o presidente da Bolívia, Evo Morales.

Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia.

Samuel Hinds, primeiro-ministro da Guiana.

Horácio Cartes, presidente do Paraguai.

Desiré Bouterse, presidente do Suriname.

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.

Queria felicitar o senhor ex-presidente Ernesto Samper pela assunção ao cargo de secretário-geral da Unasul, e dizer da nossa alegria pelo fato de uma pessoa de tão alta qualidade ocupar esse cargo.

Queria cumprimentar as senhoras e os senhores ministros de estado e integrantes das delegações aqui presentes.

Cumprimentar as senhoras e senhores que acompanham os presidentes, os ministros e dizer que, para mim, é uma alegria estar aqui hoje no Equador.

 

Eu agradeço ao Presidente Rafael Correa e ao povo equatoriano por nos receberem de maneira tão acolhedora. Cumprimento o presidente Rafael Correa pela magnífica sede construída aqui em Quito, em torno da metade do mundo, o edifício Nestor Kirchner.

Essa sede honra a Unasul e é um símbolo da importância da nossa integração e da nossa cooperação. Hoje, inauguramos essa nova sede da Secretaria-Geral da Unasul, obra que devemos ao empenho do senhor presidente Rafael Correa e a uma demonstração do nosso compromisso em aprofundar a união do continente. Nós queremos uma Unasul renovada, fortalecida e atuante, e sabemos que ela contribuirá para a integração e o convívio harmônico entre nossos povos, consolidando a América do Sul como exemplo de paz, de união, em um mundo cada vez mais conturbado pelas incertezas de ordem política e econômica.

Caros presidentes, caros primeiros-ministros, queridos amigos,

O último ano foi especialmente importante para a Unasul. Mais uma vez nós fomos chamados a preservar a estabilidade e a democracia na região.

Nossa atuação na Venezuela, a pedido do presidente Maduro, comprovou a eficácia da entidade para auxiliar os Estados-membros na busca de soluções democráticas, pacíficas e negociadas em cenários de crise.

As eleições na Colômbia, Chile, Uruguai e Brasil demonstraram o vigor da democracia em nossa região, em escrutínios marcados pela expressiva participação popular e pela mais ampla liberdade de expressão.

Nessas eleições, saiu vitoriosa a agenda da inclusão social, do desenvolvimento com distribuição de renda e, portanto, do combate à desigualdade e da garantia de oportunidades, que caracteriza a nossa região nos últimos anos.

Na Colômbia, o Presidente Santos representa clara opção em prol da paz negociada, que tanto — tenho certeza — será bem-sucedida em colocar fim ao mais longevo conflito de nossa região.

No Chile, a nossa querida Bachelet venceu com um projeto que apresenta como eixo de ação externa também a integração com a América do Sul.

Na Bolívia, Evo Morales consolidou, com sua vitória, os avanços de uma integração plurinacional sem precedentes em todo o mundo.  

No Brasil, logramos, pela quarta vez consecutiva, renovar o apoio da sociedade a um projeto que combina inclusão social, combate à pobreza e busca da competitividade da nossa economia.

No Uruguai, os companheiros Pepe Mujica e Tabaré Vázquez encarnam o sucesso de uma agenda que combina temas de vanguarda social e tecnológica, com forte ênfase na redução da desigualdade.

Em 2014, nós realizamos um importante debate sobre os modelos de exploração de nossos recursos naturais. Não basta considerar esses recursos apenas como grande vantagem comparativa regional. É preciso transformar esses recursos em ferramentas efetivas de diversificação produtiva e desenvolvimento social, sob pena de ficarmos presos ao círculo vicioso da mera exportação de matérias-primas.

Na atual conjuntura de crise internacional, com queda no preço das commodities e, principalmente, no caso do petróleo, o desafio do desenvolvimento é ainda maior. Temos diante de nós compromissos históricos a cumprir, tarefas cuja realização será crucial para o nosso futuro.

O Brasil se dispõe a, nesse período, avançar no combate à desigualdade, assegurando o crescimento com inclusão social. Nós, nessa eleição, mostramos que defendemos diante da crise que nos afetou profundamente, defendemos sobretudo o emprego e, por isso, mantemos uma das menores taxas de desemprego de toda a nossa história. Também nos dispomos a garantir esse emprego de qualidade e melhorar a nossa produtividade, ampliar o investimento em infraestrutura logística, energética, social e urbana. Impulsionar o desenvolvimento tecnológico e a inovação. Dar prioridade à educação de qualidade, garantindo oportunidades para todos.

Tudo isso tem um canal que deságua na cooperação e na integração regional em todas as áreas. Nós temos a maior clareza da importância da integração no nosso continente. E, portanto, consideramos que é fundamental buscarmos formas tanto de integração econômica e de infraestrutura, tanto infraestrutura logística quanto energética.

Nós, países da Unasul, já provamos que somos capazes de enfrentar muitos dos desafios. Nos últimos anos, nossos países aumentaram a renda per capita, diminuíram o desemprego e reduziram os níveis de pobreza de suas populações. E nós precisamos continuar trilhando esse caminho. Todos nós sabemos que a recuperação da crise que começou lá atrás, em 2008, ainda é tênue. Nós temos um quadro difícil na Europa, uma recessão no Japão. Temos uma recuperação nos Estados Unidos, mas ainda uma recuperação que não mostra ainda toda a sua força. Por isso, é importante que os países da nossa região tenham capacidade de se integrar cada vez mais e, sobretudo, de cooperar cada vez mais.

Queridos amigos,

Essa Cúpula também é especial porque nela vamos definir o novo Secretário-Geral da Unasul, Ernesto Samper, que vai suceder ao nosso querido amigo Alí Rodríguez.

Quero deixar registrado meu reconhecimento e o do Brasil, a Alí Rodriguez pelo empenho, pelo esforço e sacrifício pessoal ao longo de seu período como Secretário-Geral.

Quero também estender, mais uma vez, as mais calorosas boas-vindas a Ernesto Samper, nosso novo Secretário-Geral da Unasul.

Em nossa conversa em Brasília, no mês passado, pude comprovar que o presidente Samper reúne as qualidades essenciais para a função: experiência, perspicácia, sensibilidade social e entendimento do sentido estratégico da Unasul.

Senhor Secretário-Geral,

A Cúpula entre os países BRICS e a Unasul, que realizamos em Brasília, em julho último, mostra o crescente peso de nossa região como interlocutor global, por meio do diálogo e da cooperação. Por isso, tenho certeza que ao longo dos próximos anos vamos também diversificar e buscar novas interlocuções.

Esse processo de consolidação de nossa agenda externa será fortalecido com o aprofundamento de nossa agenda intrarregional. Precisamos concentrar-nos na ampliação da infraestrutura regional. Vamos dar total apoio às suas propostas de acelerar a execução da agenda de projetos prioritários do COSIPLAN, bem como de buscar convergências dos processos de integração. Concordo com a proposta de escolher projetos prioritários e sobretudo de realizá-los para que isso mostre nossa capacidade, nosso compromisso. E também sirva de referência das nossas melhores práticas.

O presidente... O Secretário-Geral Samper, contará com todo o nosso apoio para fazer avançar os trabalhos da Secretaria-Geral, em estreita parceria com a Presidência Pro Tempore, assumida agora pelo Uruguai.

Senhoras e Senhores,

A Unasul entra agora em sua fase mais desafiadora, aquela que, como disse o Secretário-Geral, precisa ser “sentida” pelos cidadãos em seu dia a dia.

Somos doze países com doze visões de mundo que representam as experiências e aspirações de cada uma de nossas sociedades. Poucos imaginavam que chegaríamos aqui, na Mitad del Mundo.

Acredito que não podemos esquecer o caminho que nos trouxe até aqui. Mas também temos a partir daqui, da Mitad del Mundo, construir sistematicamente o caminho do consenso que dá vida ao nosso lema, ao nosso lema de convívio democrático fundamental: unidade na diversidade e no respeito às características de cada país.

Queria lembrar que entre as várias consequências da recente Copa do Mundo de Futebol no Brasil está o congraçamento entre nossos povos da América Latina e a importância deles como um fator de potencialização da Copa do Mundo. Os milhares e milhares de torcedores sul-americanos que meu país teve a honra de receber proporcionaram ao mundo um espetáculo de amizade e simpatia.

Recordo aqui as palavras do Secretário-Geral em nosso encontro em Brasília que me disse que, quando vai ao Brasil, sente-se, como dizemos no futebol: “jugando de local”. Nós dizemos “jogando em casa”.

Nós somos, de fato, uma região única no mundo. Nós, sul-americanos, falamos uma mesma língua, ainda que não pareça. Para nós, brasileiros, falamos uma mesma língua porque nós entendemos muito bem o castelhano. Por isso que dissemos que, ainda que não pareça, falamos uma mesma língua. E quando viajamos pelo continente, como é o caso de hoje, sempre “jugamos de local”.

 

Ouça a íntegra (13min52s) do discurso da Presidenta Dilma Rousseff

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