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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia por ocasião da abertura oficial da colheita da safra brasileira de grãos 2013-2014 e início do plantio da 2ª safra - Lucas do Rio Verde/MT

por Portal Planalto publicado 11/02/2014 16h44, última modificação 07/07/2014 10h53

 

Lucas do Rio Verde-MT, 11 de fevereiro de 2014 

 

Eu queria iniciar cumprimentando todos os produtores e as produtoras que aqui, no estado do Mato Grosso, trazem imenso orgulho para o Brasil. Aqui, fica claro a força, o empreendedorismo e a determinação de brasileiros e brasileiras. E por isso eu quebro o protocolo e começo cumprimentando esses produtores e essas produtoras responsáveis pelo sucesso e pela vitória do nosso agronegócio.

Eu queria cumprimentar o governador do Mato Grosso, Silval Barbosa, um grande parceiro, assim como foi o ex-governador Blairo Maggi.

Cumprimentar os ministros que me acompanham aqui: o ministro da Agricultura, Antonio Andrade; o ministro César Borges, do Transporte; o ministro da Comunicação Social, Thomas Traumann.

Cumprimentar o nosso vice-governador aqui do estado, Chico Daltro.

Cumprimentar o presidente da Assembleia Legislativa do estado do Mato Grosso, Romoaldo Junior.

Cumprimentar o prefeito de Lucas do Rio Verde, agradecer pela recepção, agradecer o acolhimento e por meio e intermédio do prefeito Otaviano Pivetta, eu queria cumprimentar todos os prefeitos e prefeitas aqui presentes bem como os vereadores e os funcionários das prefeituras. As prefeitas e os prefeitos.

Cumprimentar o senador Blairo Maggi, a senadora Kátia Abreu, também presidente da CNA; cumprimentar o senador Pedro Taques.

Os deputados federais Carlos Bezerra, Roberto Dorner, Ságuas Moraes, Valtenir Pereira, Wellington Fagundes.

Cumprimentar os deputados e deputadas estaduais: Ademir Brunetto, Alexandre César, Airton Português, Ezequiel Fonseca, José Domingos, Luciane Bezerra, Mauro Savi, Pedro Satélite, Tetê Bezerra.

Cumprimentar o nosso presidente da Embrapa, Maurício Lopes.

Cumprimentar o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, Gilson Pinesso.

Cumprimentar o presidente da Fundação Rio Verde, e também agradecer a recepção, Joci Piccini.

Cumprimentar Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB, da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Cumprimentar Rui Prado, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do estado de Mato Grosso.

Cumprimentar o senhor Claudiomir Boff, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Lucas do Rio Verde,

Queria dirigir um cumprimento aos senhores e às senhoras jornalistas, aos fotógrafos e aos cinegrafistas.

 

Eu quero dizer para vocês, em primeiro lugar, que é uma imensa alegria assistir aquela quantidade de soja jorrando pela colheitadeira, conseguir pegá-la, jogar para cima e provar, também, um grão de soja. É uma imensa alegria porque, no mundo, milhares e milhares de anos nós comemoramos, nós, a humanidade, comemoramos a generosidade e agradecemos as colheitas.

Eu, hoje, percebi de uma forma muito especial, como é grande a emoção que todos os anos vocês sentem quando vocês presenciam o ato da colheita, e ao mesmo tempo aqui, o ato do plantio. Mas o ato da colheita tem grau de plenitude e de realização que é muito forte. Então, eu quero dizer para vocês que presenciar a produção de alimentos e a colheita de alimentos, além disso, num estado e num país que usa a tecnologia, a competência, a capacidade, e o esforço pessoal de cada um dos produtores e das produtoras, é algo que é mais do que um momento de alegria, é também, a certeza no futuro desse nosso país, é a certeza que nós temos competência, capacidade e que aqueles pessimistas de sempre, eles serão derrotados por essa força enorme que emana do nosso povo.

Aqui o Brasil mostra que é possível, que se faz, desde que certas condições estejam dadas. É importante que as condições estejam dadas. E aqui quais são as condições? Aqui nós temos a experiência de homens e mulheres desse país que aqui chegaram trazendo as suas diferentes experiências, mas tiveram de entender, compreender e dialogar com a terra, com a terra daqui, com a realidade daqui, com os rios daqui, com as águas daqui. Mas ao mesmo tempo, essa força, sem a qual ninguém faz nada, que é a força dos homens e das mulheres desse país, se conjugou com uma outra força, que é o fato de que se precisa de tecnologia para produzir, se precisa do conhecimento pra produzir; e se melhora cada vez mais quanto maior é a nossa capacidade de gerar inovação e de aplicá-la aos processos produtivos.

E também, junto com essa tecnologia que pode ser das sementes, das mudanças, da biotecnologia, eu acho que nós, hoje, vemos aqui também o uso de máquinas e equipamentos que são de alta tecnologia e são de ponta. Aí entendo perfeitamente a importância sempre atribuída – e aí eu vou fazer um reconhecimento ao Blairo que sempre me disse: “uma das coisas mais importantes feitas pelo governo Lula e feita pelo governo Dilma é esse financiamento dos equipamentos e das máquinas de última tecnologia, feita e colocada a disposição dos nossos agricultores”.

E eu queria concluir, entre outras coisas é fundamental energia. Ninguém produz sem energia. Aqui era um estado ponta do sistema. Quando o governador Silval falava, eu lembrava das extremas dificuldades de equilibrar aqui nesse estado, o fornecimento de energia que é algo crucial para uma produção de alta tecnologia.

Hoje eu tenho a satisfação de ver que nós caminhamos aqui cada vez mais para transformar o estado do Mato Grosso em exportador e consumidor de energia. Daí a importância da linha de transmissão, porque sem ela não se estabiliza o sistema elétrico do Mato Grosso e o rebaixamento das diferentes linhas. Então, muitas coisas se articularam para nós termos esses recordes sempre sendo superados a cada ano. E eu acho, modestamente, que o governo federal deu, sim, a sua contribuição. E é sobre essa contribuição que eu vou falar aqui com os senhores.

Mas antes eu quero registrar que a Conab fez uma avaliação e  calculou a safra desse ano, obviamente a Conab tem uma responsabilidade de fazer esse cálculo de forma a não errar para baixo - não errar para baixo, o que eu quero dizer é o seguinte: muitas vezes você dá um número. Se aquele número for menor do que ocorreu, é sucesso. Se você, ao contrário, falar que vai dar um número, e dá menos na realidade, é fracasso. Então, a Conab, criteriosamente, cuidadosamente, disse que a maior safra, e já é a maior com esse número, é 193 e poucos milhões de toneladas obtidas aqui no Brasil. Eu acredito que é muito importante que nós tenhamos um número muito claro. Mas os produtores e o próprio ministro da Agricultura estão falando em 196 milhões. É uma ótima notícia se for 196 milhões, ganhamos 3 milhões. E se for mais do que isso, ganhamos mais ainda. Mas é certo que menos de 193 não será, e isso em relação ao que nós obtivemos antes é uma vitória do agronegócio no Brasil.

Essa vitória é o que nós estamos celebrando hoje aqui também. É uma vitória do agronegócio do Brasil e é uma vitória do agronegócio do Mato Grosso. É isso que eu... é por isso que vim aqui, e eu vim aqui com todo o empenho, porque eu sei o quanto isso é importante para o nosso país, no presente e no futuro, o quanto o Brasil pode ganhar com esse processo no presente e futuro. No presente estamos ganhando. Agora, o potencial que nós temos no futuro é ainda maior.

E eu q            uero comemorar o que nós conseguimos fazer juntos. Eu quero comemorar com vocês a fartura da safra em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso e no Brasil. Eu quero comemorar com vocês também a chamada verticalização – produz, transforma, cria um grande polo de agro... agroindustrial para o agronegócio do nosso país.

Nós sabemos que há um diferencial grande na agricultura brasileira que faz com que nós nos orgulhemos. São os ganhos crescentes de produtividade, que nós não podemos abandonar. O Brasil hoje tem, em todos os setores, um grande esforço a fazer: é ganhar em produtividade. Nós só conseguiremos manter a redução da desigualdade, aumentar a nossa classe média, que hoje é de 55% da nossa população, se nós nos dedicarmos com empenho em melhorar a produtividade de todas as atividades do país. E aí o agronegócio é um exemplo para o país, é um exemplo porque dois números são suficientes para mostrar, nas últimas duas décadas, o que significa ganhos de produtividade.  A produção de grãos cresce 221%, e a área plantada cresce apenas 41%. Isso é produtividade na veia, e é isso que nós buscamos para todas as áreas deste país.

Por isso nós estamos tendo algumas iniciativas. Eu vou me referir a uma que aqui me pediram que eu aumentasse, que é o Pronatec. Por que o Pronatec é algo importante? Eu estava conversando ali, quando a gente estava fazendo... quando eu arranjei minha segunda profissão, que além de presidenta agora eu sou operadora de máquina. Mas eu estava conversando... aquilo ali é complexo, não é fácil operar aquelas máquinas, então tem de formar o trabalhador ou a trabalhadora. Eu também gostaria de ver mulheres operando máquinas. Não sei se tem por aí. Tem, Kátia? Ótimo! Mas é fundamental o Pronatec para isso, para garantir que as pessoas tenham condições de estar à altura dos desafios que nós precisamos encarar.

Vejam vocês que um país, ele é feito para as pessoas, é para as pessoas que a gente colhe alimentos, é para as pessoas que a gente usa melhor tecnologia. E este país, vocês podem ter certeza, eles têm... ele tem na educação, este país, o caminho fundamental para nós termos duas iniciativas. A primeira é garantir que todos aqueles que saíram da pobreza, saíram da miséria, tenham essa saída garantida de forma perene, que eles não voltem à miséria outra vez. Só tem uma riqueza que você carrega consigo, essa educação de qualidade, e isso o Brasil tem de ter todo um empenho em buscar de forma sistemática. E a segunda questão é que este país precisa de técnicos, de professores universitários, de profissionais universitários, precisa de pesquisadores e cientistas. Nós queremos e nós temos obrigação... nós, quem? Nós que vivemos essa época, governo, inciativa privada, sociedade. Nós temos obrigação de querer que este país seja um país que tenha, sobretudo, pessoas capacitadas.

Por isso que nós destinamos para a educação 75% dos royalties de petróleo. 75% dos royalties de petróleo e 50% desse... disso que se chama excedente em óleo do pré-sal, ou seja, nós agora somos sócios no petróleo. O petróleo quando sai, continua sendo da União e a gente ganha no preço internacional. Por isso nós vamos ter dinheiro suficiente para investir em educação, e educação o que é? É alfabetização das crianças na idade certa, é, necessariamente, creche e dois períodos escolares para todas as crianças deste país. Nós temos de gastar dinheiro nisso.

Nós vamos ter de formar técnicos, como eu disse, na Alemanha. Para cada um universitário, são dez técnicos, dez técnicos, e o técnico muitas vezes ganha até mais do que o profissional universitário. Nós vamos ter de dar cada vez mais acesso ao ensino superior neste país. Se não passou para as universidades federais, que tenha bolsa nas faculdades particulares. Se não passou... se não conseguiu a bolsa porque não se classificou, que possa tomar crédito do Fies, o financiamento educacional. Se não conseguiu o financiamento educacional, que tenha acesso a todos os cursos de formação técnica de dois anos que o governo está bancando em parceria com o setor privado, com o Sistema S, e aqui nós temos com a Kátia Abreu, por meio da CNA, um dos grandes parceiros na formação de técnicos nessa área, que é a área do agronegócio, a área da agricultura e da pecuária do nosso país. E isso, eu quero dizer para vocês que vai significar uma revolução para nós.

Mas, voltando, nós temos e consideramos fundamental que o país tivesse uma politica agrícola clara. Eu lembro que quando nós chegamos no governo, em 2003, eu lembro que a política agrícola tinha limitações fortes. A limitação, primeiro, da disponibilidade de crédito, e a segunda no nível de juros. Sabe quanto era – a gente esquece as coisas –, mas sabe quanto era o total de recursos de crédito para agricultura na safra de 2002/2003? O que foi realizado, eu vou falar o que foi realizado. Foram 27 bilhões de reais. Vinte e sete bilhões de reais hoje é quase todo o programa de armazenagem. Hoje 27 bilhões de reais mostra que não era compatível com as necessidades da agricultura deste país.

Nesta safra, nesta safra nós nos comprometemos com 136 bilhões de reais. E dissemos o seguinte: se gastar mais, tem mais. Se gastar mais... sempre dissemos isso, desde 2011, gastou mais, tem mais. Por que isso? Porque o governo é generoso? Porque o governo sonhou com isso e fez? Não. É porque isso é crucial para o desenvolvimento do país. Ninguém faz agricultura sem crédito e sem juros adequados.

Por isso eu fico muito feliz de saber que até dezembro nós já tínhamos liberado 91 bilhões de reais, até dezembro. Sei que já deve estar em mais hoje, os números mudam a cada dia, mas esses 136 bilhões que compõem essa safra se transformarão em outro número na safra [20]14 para [20]15. E agora eu acho que nós temos de ter muito orgulho porque esse é um processo de discussão, com os produtores, com as associações, de alguns programas, acho, o Pronamp. O Pronamp é um programa que tenta resolver a seguinte questão: o grande tem todo o Plano Safra do agronegócio; o pequeno tem todo o Plano Safra, que foi de 21 bilhões, do pequeno produtor; e o médio não tinha programa. Então nós criamos, a partir, se eu não me engano, de 2012, nós criamos o Pronamp, e o Pronamp tem uma função. Nós temos que transformar pequenos e médios, médios e grandes. Mas temos também que ter médios altamente produtivos e pequenos altamente produtivos. O Brasil não precisa achar que só o tamanho da propriedade dá produtividade. É fundamental o tamanho da propriedade para várias questões, mas o médio também pode ser extremamente produtivo e o pequeno, nós temos que transformar o pequeno num grande produtor que tira grande renda da sua propriedade. O pequeno pode ser pequeno, mas o negócio vai ter que ser grande.

A outra questão que eu acho importante foi a agricultura de baixo carbono. Começou pequenininha, mas agora já está em [R$] 3 bilhões. Eu tenho certeza que ela vai ser um fator diferencial da nossa competitividade. Depois é o seguro, o prêmio de seguro rural, que agora está em [R$] 700 milhões, e que o Brasil sem dúvida vai precisar avançar.

Além disso, eu acredito que é muito importante o programa de garantia do preço mínimo. E aí eu vou aproveitar e fazer um anúncio, que o pessoal do algodão está aí esperando, que era para ser feito pelo ministro da Agricultura. Mas eu esperei essa hora aqui, do plano da política de garantia do preço mínimo, para anunciar. Nós de fato definimos um preço mínimo de R$ 54 a arroba. Eu acho que disso tudo que eu falei, tem um grande aprendizado. É que não é possível fazer um Plano Safra sentado isoladamente no Ministério. Só é possível fazer através de um diálogo com os produtores. Mesmo porque nós todos aprendemos muito quando conversamos. Quero agradecer, por exemplo, aqui, a participação de todos os produtores, em especial das associações. E queria, agradecendo à Kátia Abreu, fazer uma homenagem a todos os produtores através da CNA, uma homenagem genérica. E agradecer todas as sugestões que nós recebemos ao longo desse processo.

Além disso, eu acredito que nós temos de cada vez mais melhorar os nossos instrumentos. Não há e não pode haver uma paralisia. Nós somos um país que não pode se contentar com o que já fez. O que já fez, está feito. Nós temos que querer fazer mais do que fizemos. Por que é que nós temos que querer fazer mais do que fizemos? Porque só assim nós vamos para frente. Nós só vamos para frente se não nos conformarmos com o que conquistamos. Então é uma coisa terrível mesmo. É... todo dia a gente sobe o Himalaia. Por que se você conquistou, deixou de ter importância. Você passa a querer mais no dia seguinte. E é por isso que eu tenho certeza que o agronegócio é um exemplo para o país. Porque aqui vocês são assim: a cada ano vocês surpreendem o Brasil com um novo recorde de produção. A cada ano aparecem aqui inovações, melhorias e nós nos dispomos a efetivar esse processo.

E aí eu queria falar do plano de armazenamento. Nós conversamos muito com todo mundo para fazer o plano de armazenamento, e o plano de armazenamento tem um objetivo: garantir que depois da produção... depois da plantação, da colheita, da produção e da estocagem dos grãos, nós não ficássemos sem locais para estocar mais, para armazenar mais, e avaliamos que o país tinha um déficit, um grande déficit de armazenagem. Colocamos, então, esse plano de R$ 5 bilhões por ano a partir do ano passado. Aí eu comecei a olhar o Banco do Brasil, e comecei a ver que não estava saindo, que não estava saindo, que estava... que a gente queria que saísse com maior rapidez do que estava saindo, porque também tem hora que a gente fica contaminado por vocês e quer mais. Então, eu queria mais. Como que não está saindo? Está saindo quanto? Não era suficiente.

Então nós fizemos uma campanha, que vocês devem ter visto, uma campanha para que vocês tomassem esse empréstimo para armazenagem, que é um dos empréstimos mais razoáveis deste país, e que faz parte disso que se chama: vamos romper com as limitações e os gargalos da infraestrutura. Armazenagem é um gargalo. Nós temos de tomar essas providências. Nós colocamos mais dinheiro para a iniciativa privada, e colocamos dinheiro também para fazer os nossos armazéns. Mas eu quero dizer que eu acho que nós mudaremos a face do agronegócio, quanto mais nós formos capazes de ter armazenagem eficiente.

E eu queria mencionar uma outra questão que diz respeito diretamente aos produtores, que foi o modelo de portos. Eu também agradeço, aqui, as associações dos produtores, que muito contribuíram para que nós pudéssemos, mais uma vez, depois de 1808, abrir os portos brasileiros às nações amigas. Só que, no caso, as nações amigas não eram a Inglaterra nem a França, mas eram os nossos produtores rurais, os nossos mineradores, os nossos produtores de commodities em geral, os nossos industriais. Enfim, era a abertura dos portos à iniciativa privada e o fim de uma restrição, porque você podia até fazer um porto privado, mas esse porto privado só podia ter uma carga que se chamava carga própria, e não podia ter o que se chama carga geral. Hoje os portos podem ter carga própria e carga geral, e nós esperamos – e isso está se realizando – um grande número de terminais de uso privativo, além de uma melhoria e uma modernização nos chamados portos públicos através dos arrendamentos.

Eu creio que, na logística, o Mato Grosso tem uma característica. Além de vocês serem um dos maiores produtores do mundo de grãos, e do Brasil, necessariamente, vocês têm aqui, talvez, a integração de modais mais efetiva. Aqui nós vamos ter que explorar o modal ferroviário que o Brasil sempre abandonou. O hidroviário, que o Brasil sempre abandonou, e o rodoviário, que nós não abandonamos, mas durante muitos anos deixamos ser sucateado. Aqui nós vamos ter que fazer um grande esforço e conseguir integrar esses três modais, porque eles, juntos com portos adequados, são um dos elementos fundamentais para que a gente cumpra aquilo que é uma característica daqui: nós queremos mais, nós faremos mais e melhor do que fizemos. Modais integrados são muito importantes.

Eu tenho duas fixações – eu queria contar para vocês minhas duas fixações. Uma fixação é ferrovia. Eu, de fato, tenho uma fixação em ferrovia. Amanhã, depois de uma luta grande, é julgada no TCU a ferrovia Uruaçu-Lucas do Rio Verde, que um dia, há muito tempo atrás, estava uma colheita aqui, eu tinha combinado que eu vinha e não vim porque eu não podia vir. E falei, avisei – o governador era o Blairo Maggi –, avisei para o Blairo: ‘Olha, Blairo, não vai dar para eu ir aí’. O Blairo falou: ‘Mas por telefone você fala, né?’. Falei: ‘Falo.’ E aí, ele na hora da cerimônia me botou no telefone e eu prometi fazer uma ferrovia. Essa ferrovia é uma das minhas fixações. A outra fixação são as hidrovias. Esse país foi descoberto, foi colonizado através das estradas de água. Essas estradas de água são a forma mais barata de transporte. Nós teremos que ter claramente na nossa cabeça que infraestrutura logística nesse país tem, necessariamente, que passar pela integração de ferrovia, rodovia e hidrovia.

Eu quero dizer para vocês que aqui, e eu tenho certeza que nós faremos, aqui nós temos, como dizem popularmente no nosso país, a fome com a vontade de comer. A fome: a demanda imensa por logística e transporte; e a vontade de comer, que é o fato que nós temos que transformar esse país em um país moderno, com uma infraestrutura que em nenhum lugar tenha igual. E o que é que tem o Mato Grosso de diferente? O Mato Grosso é um estado novo. Vocês surgiram nos últimos 20, 30 anos e, portanto, aqui as coisas são novas, podem ser feitas da melhor forma possível. Nós temos de dar todo o empenho para que aqui a gente construa o que houver melhor de modal logístico do nosso país.

Finalmente eu quero dizer para vocês que nós, que acreditamos no Brasil, sabemos que a gente só deve olhar o Brasil tendo sempre a perspectiva do longo e do médio prazo, e no curto prazo nós temos de enfrentar todas as volatilidades e dificuldades que vão se apresentar, necessariamente. E também todos os ganhos que muitas vezes ocorrem, mas a gente tem de olhar o país com uma visão de mais longo prazo. Por quê? Porque nós temos muitas oportunidades, porque este é um país imensamente rico, porque este país tem todo um futuro pela frente, e esse futuro, ele é construído hoje passo a passo, mas também nós temos de perceber que onde nós vamos chegar, onde vamos querer ir é algo que só uma visão que dê a noção estratégica e histórica do papel do Brasil pode nos fornecer.

Por isso eu digo a vocês: aqui está um dos eixos de sustentação do nosso país, que é o agronegócio, que é o alimento, que é algo que vai dar o diferencial do posicionamento do nosso país diante do mundo. O outro diferencial sempre será a energia. E nós temos o pré-sal, mas nós somos um país especial. Nós podemos ter uma indústria sofisticada, um setor de serviços moderno e, para isso, também uma coisa é necessária: que nós melhoremos a nossa burocracia. Nós temos uma tradição de burocracia que eu chamo a tradição do selo e do carimbo, que infelizmente é um pouco ibérica, sem falar mal dos nossos colonizadores. Mas, esse negócio do selo e do carimbo é típico da nossa história.

Nós, como nenhum outro país do mundo, só conseguiremos também traçar esse nosso horizonte se nós modernizarmos o Estado brasileiro. Para isso eu conto com a reclamação dos senhores. Os senhores têm de reclamar muito, se queixarem muito que tem papel demais neste país, e nós temos de simplificar os processos, não para diminuir fiscalização, não para deixar malfeito acontecer, não para destruir o meio ambiente, mas, pelo contrário, para acabar com a duplicidade, com mais do que duplicidade, com a multiplicidade das exigências desnecessárias. Por isso eu conto com os senhores.

 

Ouça a íntegra (38min03s) do discurso da Presidenta Dilma