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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de posse do Ministro de Estado das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado

por Portal do Planalto publicado 28/08/2013 12h57, última modificação 04/07/2014 20h17

 

Palácio do Planalto, 28 de agosto de 2013


Senhor vice-presidente da República, Michel Temer.

Senador Renan Calheiros, presidente do Congresso Nacional.

Ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal.

Senhoras e senhores chefes de missão diplomática acreditados junto ao meu governo.

Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, ministro das Relações Exteriores.

Embaixador Antonio Patriota.

Senhoras e senhores ministros de Estado aqui presentes.

Senhores comandantes de Força.

Senhor vice-governador da Paraíba, Rômulo Gouveia.

Senhoras e senhores senadores: Jorge Viana, Vanessa Grazziotin.

Senhores deputados federais: Arlindo Chinaglia, líder do governo na Câmara dos Deputados; Antonio Brito; Fábio Reis; Fernando Ferro; Luci Choinak; Luis Alberto; Marcelo Aguiar.

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Minhas primeiras palavras são para um agradecimento caloroso ao ministro Antonio Patriota pelo importante trabalho de qualificação da política externa brasileira que realizou à frente do Itamaraty. Meu governo não pode e não quer prescindir de sua experiência, de seu conhecimento e do respeito que desfruta como diplomata. Por isso continuará contando com sua colaboração na função de embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas. Os desafios que o ministro Patriota terá pela frente são de grande relevância e urgência para o Brasil.

Dou as boas vindas ao ministro Luiz Alberto Figueiredo igualmente experiente e também merecedor de amplo respeito de seus pares. É reconhecido por sua formação e capacidade como embaixador, como negociador, como homem público. Estou certa que está qualificado para exercer a função de chanceler e que está plenamente afinado com a agenda da política externa brasileira.

Compartilhei com o embaixador Figueiredo boas experiências como membros da delegação brasileira na COP-15, a Conferência do Clima, de Copenhague, em 2009. Naquele que foi um dos mais importantes encontros multilaterais sobre o meio ambiente até então realizados fui testemunha da capacidade da competência do ministro Figueiredo, e sei que o Brasil lá apresentou propostas ousadas e pautou debates de grande relevância. Construímos ali uma profunda e profícua parceria que nos ajudará muito nas tarefas que temos pela frente na condução da nossa política externa.

Senhoras e senhores,

Nos últimos anos, o prestígio internacional do Brasil cresceu muito. Nosso país tornou-se voz ativa, voz a ser ouvida, opinião a ser consultada nas grandes decisões. Assumimos papel de protagonista num mundo em intenso processo de mudança e o mundo exige que nos comportemos a partir desses padrões elevados. Aliás, nossa parceria com os países emergentes, sobretudo com os BRICS é cada vez mais sólida. Nossa relação com os países do Sul se estreitou, em especial com os países africanos, com os quais mantemos laços históricos e culturais e termos forjado fortes compromissos em favor de seu desenvolvimento.      Somos referência e jamais recusaremos apoio aos países mais pobres, que lutam contra o atraso e buscam elevar seus povos a paradigmas básicos de civilização. Trabalhamos permanentemente para construir uma relação profícua e produtiva com as nações desenvolvidas.      O alicerce de nossa política externa é a relação harmônica e respeitosa com nossos irmãos latino-americanos. A eles sempre devemos dar o melhor de nós. A maior de nossas prioridades é a integração regional, principalmente com nossos vizinhos da América do Sul. Somos 12 países irmãos, iguais em direitos, merecedores do mesmo respeito, democráticos. Um continente como o nosso, que já foi uma espécie de área de risco para a democracia, nós nos lembramos bem disso, marcado por ditaduras, cruentas e duradouras, vive hoje um estágio de modernização política que o distingue entre as regiões do mundo afetadas por conflitos étnicos e religiosos e pelas marchas e pelas contra-marchas das lutas por liberdade em todo o espaço do mundo ainda sob grande tensão e conflito.

Temos orgulho, muito orgulho do Mercosul, Unasul e Celac, pois essas entidades são, para nossa política externa, instâncias fundamentais para continuarmos trilhando o caminho do desenvolvimento e do fortalecimento de nossas instituições democráticas. Além de respeito, os 12 países deste continente merecem de nós uma atitude de solidariedade e cooperação.

Senhoras e senhores,

O Brasil acredita no multilateralismo como única forma eficiente e perene de produzir consensos estáveis em âmbito internacional, de construir harmonia onde há só a guerra e os conflitos. Foi assim que viemos conquistando o respeito do mundo. Foi assim que alcançamos grandes vitórias recentes de nossa diplomacia, como o documento de consenso, cuja produção conseguimos capitanear, e o embaixador Figueiredo, nessa oportunidade, teve um papel estratégico e relevante. Pois bem, que conseguimos capitanear na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Foi assim com a eleição de nosso companheiro José Graziano para a FAO, da eleição do ex-ministro Paulo Vanucchi para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, e agora, mais recentemente, com a eleição do Roberto Azevêdo, o embaixador Roberto Azevêdo, para o cargo de Diretor-Geral da Organização Mundial de Comércio.

Essas conquistas, nossas conquistas, são frutos da coerência e da consistência de nossos princípios; não interferimos na vida dos outros países; não colocamos a vida de quem quer que seja, em risco, cidadãos brasileiros ou de qualquer nacionalidade, adotamos rigoroso conceito de não-intervenção e só aprovamos ações excepcionais em defesa da preservação de vidas humanas, se passarem pelo devido escrutínio e se tiverem o amparo da ONU; defendemos soluções negociadas para crises externas e internas; propugnamos pelo respeito e soberania de todos os povos; postulamos a democracia como saída para as crises políticas; perseguimos a prática de relações comerciais justas e éticas; consideramos o desenvolvimento sustentável um compromisso necessário e urgente com as atuais e as futuras gerações; apoiamos a erradicação da miséria e da pobreza e a redução da desigualdade em todos os quadrantes do globo e oferecemos as nossas tecnologias sociais em suporte a todas as iniciativas nessa direção.

É muito sólida e bem sucedida a atuação do Itamaraty como formulador e executor da diplomacia ao longo dos séculos e, justamente, dessa diplomacia ativa, democrática e multilateral. Seus quadros são respeitados por essas qualidades, e no passado muitos deles contribuíram, sem conflitos e sem guerra, para conformar a extensão e a territorialidade do Brasil nos transformando também numa grande nação. Fazem jus a essa tradição Antonio Patriota e Luiz Alberto Figueiredo. São eles dois dos nossos diplomatas mais qualificados. Feliz do governo que pode contar com a colaboração de ambos. Aos dois, desejo boa sorte diante dos novos desafios que estão assumindo.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra (10min05s) do discurso da Presidenta Dilma