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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de instalação da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade

por Portal do Planalto publicado 11/05/2011 16h26, última modificação 25/06/2014 08h53
A ideia é aprimorar a gestão - reduzindo custos, racionalizando processos e otimizando os serviços prestados à sociedade -, para atualizar o Estado brasileiro em relação às exigências que a conjuntura econômica requer do país

 

Palácio do Planalto, 11 de maio de 2011

 

Meu querido vice-presidente, Michel Temer,

Senhora ministra,

Senhores ministros,

Senhoras ministras,

Senhores ministros de Estado que integram o meu Ministério,

Senhora ministra e senhores ministros de Estado integrantes da Câmara [de Políticas] de Gestão, Desempenho e Competitividade: Antonio Palocci, Guido Mantega, Fernando Pimentel e Miriam Belchior – Casa Civil, Fazenda, Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e Planejamento,

Senhores representantes da sociedade civil membros da Câmara: senhor Jorge Gerdau, presidente da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade; senhor Abilio Diniz, presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar; senhor Antonio Maciel Neto, presidente da Suzano Papel e Celulose; e senhor Henri Philippe Reichstul, sócio-diretor da SRL Empreendimentos,

Senhor Tadeu Filippelli, governador em exercício do governo federal [Distrito Federal],

Senhoras e senhores senadores Armando Monteiro, Marconi Perillo... Senhor governador Marconi Perillo,

Senhoras e senhores deputados federais,

Senhoras e senhores empresários e empresárias,

Senhoras e senhores dirigentes de entidades patronais e sindicais,

Senhoras e senhores jornalistas,

Senhoras e senhores,

Para mim, é um momento muito importante e é um privilégio reunir nesta Câmara alguns dos maiores especialistas em planejamento estratégico, em gestão de negócios e em gestão de pessoas. É, como disse a ministra Miriam Belchior, um time de craques, um time de campeões.

Queria, primeiro, me manifestar quanto aos seus integrantes. O meu amigo Abilio Diniz dispensa apresentações. Não poderíamos contar com conselheiro mais oportuno do que o maior empreendedor brasileiro do ramo de varejo, distribuição e logística. Atender bem o consumidor, no tempo certo e da forma adequada é ensinamento de grande utilidade para o governo – para qualquer governo –, cuja obrigação mais importante é, justamente, responder adequadamente, sem demora, às demandas dos cidadãos.

Antonio Maciel Neto, um grande fabricante de papel e celulose, um exemplo mundial de relação respeitosa e produtiva com o meio ambiente. Além disso, demonstrou coragem quando, em meio a crise que inibiu muitos empresários, ampliou em quase 30% o nível de investimentos da companhia que dirige. Teve a ousadia de caminhar na contramão do medo e do pessimismo.

Henri Philippe Reichstul alia ao seu amplo conhecimento do mundo empresarial uma passagem pela maior empresa do país, a Petrobras, o que torna a sua presença neste grupo especialmente proveitosa.

Reuni na Câmara, também, uma parte de minha equipe, mas convocarei todos os ministros e ministras a participarem das iniciativas deste trabalho. Meu compromisso é acompanhar pessoalmente o desempenho dos programas aqui concebidos. A criação deste grupo de trabalho é um dos momentos fundamentais de definição do meu governo.

Queria explicar a vocês que o Jorge Gerdau Johannpeter não apenas inspirou a criação deste grupo, como se tornou, desde logo, o nome certo para dirigi-lo. Mais do que um defensor dos métodos de gestão, o nosso empresário Gerdau é um formulador também de primeira grandeza.

Eu tenho certeza de que a criação deste grupo de trabalho é um momento de definição, por uma razão: nós entramos numa trilha de desenvolvimento com inclusão social; nós entramos numa trilha de crescimento econômico com estabilidade monetária e consolidação fiscal. Essa trilha de governo que nós perseguimos, nós temos também de ter clareza de duas questões. A primeira: nenhum país será de fato um país rico sem [com] miséria. Mas a história demonstra também que não houve desenvolvimento econômico nos países que não enfrentaram o desafio de transformar o seu Estado. Transformar o seu Estado num Estado adequado ao desenvolvimento e ao crescimento. Nós vimos isso quando, no bojo da Revolução Industrial, a Inglaterra construiu um Estado e teve a sorte, também, de ter um grupo de empresários que levaram à frente o seu desenvolvimento.

Nós assistimos isso quando, no período da Segunda Guerra Mundial – que antecede, até, a Segunda Guerra Mundial – os Estados Unidos e a Alemanha surgiram e modificaram as condições de gestão dos seus Estados e também as questões de desempenho e competitividade.

Nós vimos isso quando o Japão emergiu, definindo, de acordo com a sua realidade e a sua experiência histórica, mecanismos novos de gestão, de administração e de relação, também, entre o setor privado e o setor público.

E nós vimos isso agora, recentemente, com a própria China que, ao buscar entrar na OMC, não estava fazendo nenhuma... nenhum processo, que a gente poderia falar, de... que muitos pensam que é fantasia, mas que eu acredito que é a adoção de modelos ocidentais de gestão, tanto de bancos quanto de empresas, para permitir que ela enfrente as condições de competição do mercado internacional. Cada um desses países procurou a sua trilha, cada um com as suas características. Nós não temos modelo e temos de procurar a nossa.

Esta Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, ela significa um momento muito importante, que é a garantia desta pré-condição para que nós possamos dar um salto em direção a crescimento sustentável e desenvolvimento sustentável.

A ministra Miriam tem razão: muito foi feito. Mas esse muito que foi feito simplesmente coloca para nós a necessidade de ir além, mas de ir muito além. O Brasil precisa de um Estado meritocrático e profissional, e precisa também de uma relação produtiva entre o setor público e o setor privado. Uma relação que não pode ser de oposição, uma relação que não pode ser de conflito ou de interesses conflitantes. Mas uma relação em que Estado e empresas privadas, trabalhadores e sociedade tenham clareza do seu objetivo.

Na questão das políticas de gestão, desempenho e competitividade tem aspectos macroeconômicos e tem aspectos microeconômicos. Nos macroeconômicos nós temos de garantir que o país continue crescendo e controle a inflação, nós temos de garantir que o país faça a consolidação fiscal e, ao mesmo tempo, controle a inflação. Mas também nós temos de garantir que para que essa inflação seja, de fato, efetivamente controlada, no médio e no longo prazo o nosso país cresça. Portanto, os aspectos macroeconômicos vão sempre privilegiar – até como disse o nosso conselheiro, o presidente Gerdau – têm de privilegiar o crescimento e a expansão da taxa de investimento.

Ao lado disso, nós temos de garantir que os 190 milhões de brasileiros sejam, de fato, grandes consumidores. Isso significa renda, significa emprego de qualidade, significa agregação de valor e significa, sobretudo, um país sem miséria, neste período que nós estamos. Mas nós temos de conviver com o desafio de combater a miséria e com o desafio de nos transformarmos num país em que a inovação e a educação tenham espaço privilegiado.

Recentemente, com o ministro Fernando Haddad, nós lançamos o Pronatec. O Pronatec faz parte desse esforço, que é paralelo à questão da competitividade. Porque o nosso país não será competitivo se nós não tivermos uma elevação da formação técnica. Nosso país também não será competitivo se nós não avançarmos em direção a parcerias em que a inovação seja privilegiada.

E nós temos aspectos microeconômicos fantásticos, na seguinte condição: justamente porque nós temos um grande caminho a percorrer, isso se transforma num grande ganho de competitividade sistêmica. O Brasil pode, nesse caminho da ampliação, da melhoria da gestão, do desempenho – eu achei muito importante a palavra “desempenho”, viu, conselheiros, nesta Câmara – e da competitividade, o Brasil tem um ganho excepcional, porque nós partimos de uma base, do ponto de vista da comparação internacional, mais pobre, mas ela mesma pode nos permitir uma grande expansão no futuro. Por isso, está no centro da minha política de governo esta Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade.

Melhorar a gestão da saúde, melhorar a gestão da educação, da segurança é, sem sombra de dúvida, um compromisso que eu assumi durante a minha campanha, mas é também um compromisso sistêmico com o país, é um compromisso econômico com o país, Essa visão tem de ser integrada entre nós, setor público e setor privado. A Câmara reflete essa concepção de que a saída está nessa parceria, que a saída é justamente essa parceria entre o setor público e o setor privado.

Queria, finalizando, dizer a todos vocês que nós podemos e nós iremos investir fortemente em competitividade, desempenho e gestão. Que nós iremos, além disso, assegurar que a resposta a uma pergunta que o Gerdau uma vez me disse, que um dos sonhos dele é ter a melhor resposta para uma pergunta: Estou – quando eu sair do governo eu quero responder a essa pergunta –, estou entregando um país melhor ou pior do que eu recebi? E quero ser julgada por isso. Agora convido a todos, porque nós temos de perceber que esse é um esforço coletivo também. Eu vou fazer a minha parte, mas eu convido a todos para que trabalhemos juntos, com o objetivo único para responder com um orgulhoso e realizado “sim” a essa singela pergunta. Cada um de nós. Estou entregando um país melhor do que eu recebi? Cada um na sua área pode, em conjunto conosco, dizer um orgulhoso e realizado “sim”.

Muito obrigada a cada um.

 

Ouça a íntegra do discurso (15min15s) da Presidenta Dilma.