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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de início do desvio do rio Madeira para a Usina Hidrelétrica Santo Antônio

por Portal do Planalto publicado 05/07/2011 07h40, última modificação 04/07/2014 20h06
Com a operação de desvio foi iniciado o processo de enchimento gradual do reservatório e, também, da construção da quarta casa de força

 

Porto Velho-RO, 05 de julho de 2011 

 

 Queria iniciar cumprimentando, aqui, todos... toda a população de Rondônia, esses brasileiros e essas brasileiras muito especiais, porque trabalham aqui para construir Rondônia, mas – eu estava comentando com o Governador – expressam um pouquinho de cada parte do Brasil. Então, a minha sensação de que aqui, de fato, nós falamos para Rondônia e para várias partes do Brasil, simultaneamente.

Queria cumprimentar o governador de Rondônia, Confúcio Moura, pelo seu discurso e também pela parceria que eu tenho certeza que nós vamos construir juntos para o desenvolvimento de Rondônia.

O ministro Edison Lobão, de Minas e Energia; a ministra Helena Chagas, da Comunicação Social,

O senhor Airton Gurgacz, vice-governador de Rondônia,

Os senhores senadores Ivo Cassol e Acir Gurgacz e o senador Valdir Raupp,

Queria cumprimentar o prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho,

O presidente da Santo Antônio Energia, Eduardo de Melo Pinto,

O senhor Marcelo Bahia Odebrecht, presidente da Odebrecht,

O senhor Flávio Machado Filho, vice-presidente da construtora Andrade Gutierrez,

O senhor Henrique Valadares, presidente da Odebrecht Energia,

O senhor Raimundo Soares da Costa, presidente do Sindicato da Construção Civil de Rondônia,

O senhor Flávio Decat, presidente de Furnas,

O senhor José da Costa Carvalho, presidente da Eletrobras,

Queria desejar um cumprimento especial aos dois jovens estudantes que me entregaram, produto do seu trabalho, lindos presentes: Ana Carolina e João Paulo. Ao cumprimentá-los, eu cumprimento todos os alunos do projeto Acreditar Junior.

Agora, sobretudo, eu queria cumprimentar os trabalhadores e as trabalhadoras aqui da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio,

E também os senhores e as senhoras jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas.

 

Mas, eu queria dizer que eu concordo com o Lobão. De fato, eu considero que 10% de mulheres é bom, mas não é o suficiente, Lobão. Espero que nas próximas usinas, crescentemente, as trabalhadoras mulheres também ocupem as posições, que várias eu encontrei aqui ocupando: de soldadoras, passando por engenheiras, operadoras de máquinas de grande porte. Enfim, que as mulheres também estejam presentes ao lado dos homens na construção de uma obra deste tamanho.

Antes de mim, o presidente da Santo Antônio Energia disse que esta obra marcava um momento histórico. É verdade. Ela marca um momento histórico para o Brasil. E, neste momento histórico, eu quero dizer que eu gostaria muito que estivesse aqui presente um dos responsáveis por ele, que foi o presidente Lula. O presidente Lula, de fato, lutou diariamente para ver a volta dos investimentos em energia hidrelétrica no Brasil, para ver o aproveitamento do rio Madeira nas usinas de Santo Antônio e Jirau. Por isso ele merecia, sem sombra de dúvida, estar aqui, é uma ausência que eu tenho certeza de que todos nós guardamos no nosso coração e, nesse sentido, ele está também muito presente aqui.

Este é um momento histórico porque nós estamos vendo – e agora as águas começaram a ser bastante turbilhonadas ali – nós estamos vendo se concretizar um projeto da mais importante relevância para o país - eu chamaria de um projeto estratégico para o Brasil – que é a volta do investimento em usina hidrelétrica. Nós paramos de investir em usinas hidrelétricas de grande porte no Brasil, e recentemente retomamos.

Mas Santo Antônio e Jirau, especialmente Santo Antônio, por ser a primeira, Santo Antônio reflete justamente um momento no Brasil em que nós voltamos a pensar no nosso desenvolvimento e a ver que esse desenvolvimento não é um desenvolvimento qualquer. É um desenvolvimento que vai levar a crescimento econômico, o nosso Produto Interno Bruto vai crescer. Mas é um desenvolvimento que está baseado, também, na visão de que nós temos de gerar empregos no Brasil, que nós temos de ter no Brasil uma economia forte, e que esse processo só será um processo verdadeiramente grande, consistente, se ele incluir a população brasileira nos frutos desse processo.

Nós podemos dizer que no passado o Brasil cresceu, é verdade. Mas o Brasil cresceu de uma forma muito desigual. Muitas pessoas ficaram muito pobres e poucas pessoas ficaram muito ricas.

Nós queremos um desenvolvimento diferente, e foi esse desenvolvimento de que esse projeto, ele também é fruto. É um projeto em que nós temos o desenvolvimento gerando emprego e distribuindo renda.

O nosso país hoje é diferente do passado e é diferente também dos países parecidos com o nosso, como a China, a Índia, a Rússia, os chamados BRICS. Por que ele é diferente? Porque nós somos um dos países em que o crescimento veio acompanhado por uma melhoria significativa na distribuição de renda.

Para a gente ter uma ideia, os últimos dados da Fundação Getúlio Vargas mostram que o Brasil teve 39,5 milhões de pessoas chegando à classe média. Para a gente ter uma ideia, significa que de 2003 até maio de 2011 uma Argentina inteira, no Brasil, chegou à classe média, porque a Argentina tem 41 milhões de habitantes. Então, elevar 39,5 milhões é elevar quase uma Argentina, ou dois Chile e meio, mais ou menos.

Isso é muito importante, e Santo Antônio tem tudo a ver com isso, porque uma obra deste porte é uma obra que vai garantir energia para o nosso país continuar crescendo e incluindo as pessoas. Não é uma obra só feita de cimento – ela é feito de cimento, inclusive uma fábrica de cimento, a Votorantim, fornece cimento especificamente para esta obra –, nem só feita de aço. Ela é uma obra feita com o trabalho de homens e mulheres, o trabalho que... no caso de uma hidrelétrica dessas, é um trabalho que, ao mesmo tempo, exige esforço físico, mas também exige tecnologia. É um trabalho que fez com que 20 mil pessoas, aqui, conseguissem postos de trabalho.

Mas essas pessoas geraram oportunidade de trabalho para o Brasil inteiro, porque a energia que for gerada aqui vai circular em toda esta região e vai se trocar com a energia gerada no resto do Brasil. E assim o Brasil vai crescer e gerar empregos, assim o Brasil vai crescer e gerar oportunidades de cada um de nós termos uma condição especial, que é viver num país do tamanho das suas possibilidades, do tamanho dos seus sonhos, e não em um país que não se reconhecia como um grande país.

Aliás, esse fato desta usina mostra uma outra coisa que o ministro Lobão sublinhou, que é... nós somos um país diferente, nós não somos um país igual aos grandes países do mundo. Nós temos essa imensa capacidade de ter potenciais hidrelétricos como este aqui, de Santo Antônio, e, além disso, de sermos capazes – porque temos consciência – de utilizar esse potencial claramente em prol do meio ambiente também. Por que em prol do meio ambiente? Porque quando você não tem usina hidrelétrica, quando não se tem num país essa fonte de energia que é a hidrelétrica, o que é que se usa no lugar da hidrelétrica? Usa-se energia nuclear e energia térmica de óleo diesel ou de qualquer derivado de petróleo. Isso significa que você está poluindo, de uma forma inimaginável, a natureza ou colocando em risco a própria vida da sua população, quando você confia uma parte tão importante da sua geração – como 80% em alguns países, 60% em outros – a fontes nucleares.

Nós estamos gerando energia hidrelétrica diminuindo, não só nesta específica unidade, o impacto no meio ambiente, mas nós estamos diminuindo o impacto no meio ambiente no Brasil inteiro ao gerar aqui, aqui, energia hidrelétrica, porque nós não estamos usando energia térmica. Nenhum país, nenhum país do mundo, ele consegue fornecer energia sem ser ou de hidrelétricas, num sistema como o nosso, ou de usinas térmicas, a óleo... aliás, térmicas a petróleo ou térmicas de origem físsil, como é caso da nuclear. Porque tanto a energia solar como a energia eólica são ainda energias complementares. Elas não garantem o desenvolvimento do país, a inclusão social e a sustentabilidade, elas não dão sustentação à produção energética, elas são complementares.

O Brasil quer ter uma matriz renovável, Santo Antônio vai se combinar com energias eólicas, vai permitir que entre mais energia eólica na nossa matriz e mais energia solar. Santo Antônio vai evitar que entre energia térmica. Santo Antônio é, de fato, um compromisso inequívoco com o meio ambiente no Brasil, e com o desenvolvimento sustentável. Daí porque nós temos de ter muito orgulho de ainda sermos um país que tem possibilidade de exploração da sua energia hidrelétrica.

A Europa, na sua grande maioria, esgotou a exploração de seus recursos hídricos, mais de 80% estão utilizados. Os Estados Unidos, da mesma forma. Nós ainda temos um grande potencial a explorar.

Por isso que temos de provar que sabemos fazê-lo, que sabemos explorar essa energia e ser responsáveis em relação ao meio ambiente. Por isso que é importante, tanto do ponto de vista do meio ambiente, tanto do ponto de vista social, essa ser uma energia e um empreendimento absolutamente exemplar, no que se refere à responsabilidade ambiental.

Eu queria dizer que, ao mesmo tempo, essa usina faz parte de uma visão de desenvolvimento regional equilibrado. É fato que Rondônia, como disse o Governador, tem esse imenso potencial. Rondônia tem riquezas minerais, Rondônia tem possibilidade de uma produção de grãos, Rondônia tem a pesca, Rondônia tem a madeira. Agora, é fundamental que Rondônia tenha energia firme e de qualidade, como é a Santo Antônio.

Santo Antônio é feita para todo o Brasil, mas, principalmente, é feita para usar aqui em Rondônia, para demonstrar que nós, de fato, podemos ter nesta parte do Brasil, neste grande interior que o Governador chamou, com muita justiça, de “coração do Brasil”, demonstrar que aqui nós podemos ser capazes de ter um desenvolvimento muito próprio desta região. Um desenvolvimento que, ao mesmo tempo que seja pródigo de geração de oportunidades para a sua gente, seja também um desenvolvimento de padrão a orgulhar os rondonienses. Por quê? Porque eu concordo com o Governador: não é só nas atividades primárias, é nas atividades primárias também; não é só na indústria, é na indústria também, e nem só nos serviços. Mas Rondônia tem de se dedicar a pensar, a usar todos os mecanismos que a educação permite, que a pesquisa permite, que o desenvolvimento do conhecimento permite, para explorar o seu potencial.

Por isso, Governador, tenha no governo federal um parceiro, tenha em mim uma parceira e tenha certeza, Governador, que nós também vamos olhar com olhos muito especiais para a questão social aqui em Rondônia. Eu tenho o compromisso de um programa que se chama Brasil sem Miséria. Por que eu tenho esse compromisso, e ele foi um compromisso forte na minha campanha? Porque eu não acredito que este país, com 190 milhões de pessoas, que tem todas essas riquezas que o Governador falou e eu falei, e muito mais, que nós não falamos: tem pré-sal, tem minério, tem Carajás, enfim, tem toda a indústria de São Paulo. Este país, ele só vai ter, de fato, todas essas riquezas reconhecidas por cada um dos brasileiros se os 190 milhões de brasileiros puderem usufruir dessa riqueza. Nós não podemos aceitar que este país continue com 16 milhões de pessoas, de acordo com o último censo do IBGE, vivendo abaixo da linha da pobreza. E quanto mais nós pudermos - e esse é o compromisso do governo federal - tirar essas pessoas da miséria, dando a elas ou Bolsa Família ou a aposentadoria a que têm direito, mas também criando oportunidades de trabalho, dando incentivo à agricultura familiar, permitindo que essas pessoas tenham acesso a uma formação profissional, tanto mais este país vai crescer.

Porque nós não podemos esquecer: sabem por que o Brasil hoje não vive a crise que vivia, cada vez que tinha um problema nas economias desenvolvidas do mundo? Porque nós temos um mercado interno de fazer inveja a muitos países. E esse mercado interno é a capacidade dos brasileiros e das brasileiras de criar trabalho, de criar renda, de criar emprego.

Nós somos um país diferente de outros países menores. Nós somos um país continental e com 190 milhões de riquezas. E são esses 190 milhões para os quais o meu governo destinará o desenvolvimento e para os quais esta usina, construída por trabalhadores e trabalhadoras brasileiras também destinam sua energia.

Muito obrigada a todos e um grande abraço.

 

Ouça na íntegra o discurso (19min37s) da Presidenta Dilma.