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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de inauguração do Museu de Arte do Rio (MAR)

por Portal do Planalto publicado 01/03/2013 21h54, última modificação 04/07/2014 20h16

 

Rio de Janeiro-RJ, 1º de março de 2013

 

Primeiro, eu queria... eu queria, primeiro, cumprimentar aqui a todos os cariocas, a todos os que vieram aqui fazer esta comemoração sobre um momento muito especial, que é este museu que se chama MAR, e eu acredito que todos nós aqui sabemos o que isso significa para esta cidade. É mais um museu. Quando alguém vem de outros estados aqui ou quando alguém vem de fora, aqui no Rio de Janeiro, ele vai ter um lugar para conhecer a nossa história artística, a nossa alma, o que nós sentimos e pensamos ao longo dos séculos.

Por isso, eu queria cumprimentar o Sérgio Cabral e o Eduardo Paes, e dizer para eles que hoje é um dia, de fato, especial. Hoje se comemora os 448 anos do Rio de Janeiro.

Queria também dizer para o João Roberto Marinho e para o Murilo, um das Organizações Globo, e o outro da Vale, sobre a importância dessa parceria que mostra um avanço do Brasil, um avanço do Brasil porque é uma parceria em que se unem os governos e se unem também os empresários.

E queria cumprimentar a nossa ministra Marta Suplicy, que aqui representa a participação do governo federal em todas essas atividades.

O Museu de Arte do Rio - MAR, marca, sem sombra de dúvida, uma cidade. O Rio de Janeiro tem várias marcas. O Rio de Janeiro, ao fazer o Aterro do Flamengo, mudou o cenário desta cidade. Ao fazer os túneis, uniu aquilo que, aparentemente, a natureza tinha separado. O que é mais importante, ainda, porque era a Zona Sul unida com o resto do Rio, o Rio mais rico com o Rio mais pobre. Ao se fazer a Avenida Atlântica, e todos nós sabemos o símbolo, o que bate no nosso coração quando a gente vê esse movimento que está agora impresso lá no teto, que é o movimento das ondas, que está no chão de Copacabana e que é uma marca do nosso país, nós nos emocionamos. Por isso eu queria também cumprimentar o Pezão, meu querido Pezão, que sempre foi um grande parceiro, queria cumprimentar o nosso querido vice-prefeito e os dois ministros, Lobão, e também queria cumprimentar o general Elito.

Eu quero contar para vocês uma coisa. Quero contar, viu, Ana de Holanda, um episódio da minha vida que se une com hoje. Em torno do início de 1971, eu fui transferida da Operação Bandeirantes, eu estava no Tiradentes, fui para a Operação Bandeirantes, e vim transferida aqui para o Rio. E fiquei ali, na Polícia Federal. Ali era a Polícia Federal, tinha celas. A minha cela era muito interessante. Metade dela era cinza e tinha muita barata. É o que eu lembro. A gente lembra de algumas coisas, não lembra de tudo, o que até é muito bom.

Mas eu estou contando isso porque eu acho que esse país mudou. Não só pelo Museu de Arte do Rio, mas mudou porque hoje nós convivemos, um presidente da República convive perfeitamente com o som das ruas, com as manifestações, com o processo democrático, o que na minha época de juventude não era o usual. Agora, esse barulho das ruas tem um grande efeito sobre nós. Ele faz com que nós tenhamos certeza que esse é um país democrático, um país em que todos têm o direito de se manifestar, que nós aqui achamos perfeitamente natural que haja essa convivência. Por isso eu contei esse episódio, porque a vida, a vida é isso, a vida tem essa riqueza, essa diversidade, essas idas e vindas, como dizia o João Guimarães Rosa, esse esquenta-esfria e aperta-afrouxa. Agora, há uma coisa que a gente sabe também. Há só um meio da gente entender a vida, ou, eu diria melhor, pode ter vários meios, mas tem um meio que nós sabemos que é aquele que pode nos encantar, fazer com que nós tenhamos uma comunhão de afetos, de impressões, de avaliações sobre o que que é viver. E esse meio é a arte. E aqui eu estou com um pedaço imenso da arte. Aquele, por exemplo, que mais me motiva. Vir aqui ver os nossos artistas, ver a Tarsila do Amaral, o Volpi... Eu acho que é uma grande contribuição que hoje é dada, mais uma vez, para conformar aquilo que é a alma de um povo, que é esse apreço por sua cultura.

E aí, que queria dizer uma coisa: um dos efeitos mais importantes, ou uma das manifestações mais importantes, quando a gente vê de fato que um país evoluiu, que um país está mudando, que nós estamos nos transformando num país de classe média, num país que valoriza não só a superação da miséria, mas valoriza a ciência, a tecnologia e a cultura, é o fato também de que nós temos aqui um acervo que nós vamos preservar. Mas, também, que temos obrigação de ampliar.

Queria cumprimentar o Eduardo Paes, porque foi lá e comprou uma Tarsilinha, porque foi lá e comprou um banco que tem uma pintura do Guignard, dando a sua contribuição. Agora, quando a gente viaja no resto do mundo, nós assistimos à contribuição dada por grandes empresários, empresários que legam, legam como parte importante da sua contribuição para o seu país, legam, dão, fazem, fazem doações de obras, de pinturas, enfim, daquilo que conseguiram, que conseguiram e aí nós devemos agradecê-los, conseguiram comprar, conseguiram adquirir. E eu acredito que esse museu, pela quantidade de colecionadores privados que eu olhei e vi que existia nos quadros, eu acredito que esse museu é um passo do Brasil nessa direção. Não só as aquisições do Manerj, e eu queria cumprimentar o Sérgio Cabral, não só aqueles acervos que nós temos, mas também os acervos privados.

Eu queria dizer para vocês que eu vejo, com grande encantamento, as filas que se formaram lá em São Paulo quando foi a exposição do Caravaggio, as filas que se formam no nosso país. Porque o nosso país tem, sim, sede de cultura. E a cultura, ela é algo que fala para cada um de nós. Não interessa, é de um profundo elitismo supor que o nosso povo não entenda de cultura. Pelo contrário, um povo com a diversidade, a riqueza e a contribuição que o nosso dá para formar, talvez, uma das mais ricas culturas populares, tem a percepção bem aguçada, capaz de entender, de compreender e de desfrutar deste museu de arte moderna.

Finalizando, eu não vou fazer hoje, aqui, um discurso que saia desse tom, porque eu acho que nós temos de valorizar isso que foi feito aqui. É tão importante o Museu de Arte do Rio como o que nós fizemos hoje. Lá em Itaguaí, nós presenciamos o estabelecimento da capacidade do país para produzir submarino nuclear. Depois, na Ilha do Governador, nós vimos a excelência de um hospital geral, um hospital feito depois de milhares de promessas ao longo de várias décadas, um hospital que foi feito para a comunidade. E agora nós estamos aqui, naquilo que talvez seja a obra, a iniciativa mais geral, que atende a todos os brasileiros, a todos os cariocas e a todos aqueles, homens e mulheres, que vêm de outras partes do mundo para conhecer a nossa alma. E aí eu queria dizer: eu encerro hoje, neste momento, a minha visita aqui e dou mais uma vez os parabéns e acho que nós temos de encerrar esta cerimônia cantando, mais uma vez, parabéns para vocês e para nós... Parabéns para vocês, nesta data querida, muitas felicidades... A voz não ajuda, gente.

 

Ouça a íntegra do discurso (12min22s) da Presidenta Dilma