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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de inauguração do hangar da futura linha de montagem da aeronave KC-390 - Gavião Peixoto/SP

por Portal Planalto publicado 20/05/2014 14h10, última modificação 04/07/2014 20h22

Gavião Peixoto-SP, 20 de maio de 2014

 

 

Eu vou quebrar o protocolo e cumprimentar aqui - eu sei que o governador Geraldo Alckmin vai me permitir -, cumprimentar aqui os trabalhadores e as trabalhadoras da Embraer. E cumprimentando os trabalhadores e trabalhadoras, os funcionários e as funcionárias da Embraer, eu cumprimento uma pessoa que chegou ao posto de presidente tendo começado, como ele disse, como engenheiro 1, que é o Frederico Curado. Acho que isso demonstra a força dessa empresa em ter formado, ao longo de 30 anos, um presidente para ela. Parabéns à Embraer, parabéns ao Frederico Curado.

Queria cumprimentar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin  e agradecer pelas palavras gentis. E queira dizer para vocês que hoje é um momento especial para todos nós aqui, e para mim em especial.

Cumprimento ainda os ministros de estado que me acompanham: o embaixador Celso Amorim, da Defesa; o ministro da Ciência e Tecnologia e Inovação, Clélio Campolina Diniz; o general José Elito Siqueira, do Gabinete de Segurança Institucional; o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Thomas Traumann.

Queria cumprimentar o tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito, comandante da Aeronáutica. E por intermédio do brigadeiro eu cumprimento todos os oficiais e os oficiais-generais e todos os integrantes da Aeronáutica presentes nesse ato.

Cumprimentar o deputado Arlindo Chinaglia, vice-presidente da Câmara dos Deputados.

Cumprimentar o deputado estadual Edinho Silva.

Cumprimentar o prefeito de Gavião Peixoto, Gustavo Piccolo.

Cumprimentar o presidente da Embraer Defesa e Segurança, nosso amigo Jackson Schneider.

Cumprimentar o reitor do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, Carlos Pacheco, e aproveito para dizer que estou esperando um convite para visitar a duplicação do ITA.

Cumprimentar a diretora da Embraer em Gavião Peixoto, Cristina Block, que me acompanhou por toda essa trajetória junto com a direção da Embraer e agradecer pela fraternidade e pelas explicações sempre muito claras.

Cumprimentar o Toquinho, presidente do Sindicato Aeroespacial, do SindiAeroespacial.

Cumprimentar as senhoras jornalistas, os senhores jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas.

 

Quero dizer para vocês uma coisa: se todas as brasileiras e todos os brasileiros pudessem conhecer essa planta industrial, pudessem conhecer esses hangares e acompanhar o processo produtivo que está sendo desenvolvido aqui nesta indústria do conhecimento da Embraer, eu estou certa de uma coisa: estou certa que cada um deles sentiria um imenso orgulho do nosso país, e isso graças ao fato que aqui, homens e mulheres, estão juntos desenvolvendo um produto. Um produto que sempre atiçou a imaginação de todos nós.

E ao desenvolver esse produto vocês demonstram não só que o mais pesado do que o ar voa, mas vocês demonstram que os sonhos de todos os brasileiros têm aquele peso fantástico e são capazes de se materializar e virar um produto dessa dimensão e dessa qualidade. Teriam, sem dúvida nenhuma, uma demonstração clara, inequívoca da competência de nossos pesquisadores, de nossos técnicos, dos trabalhadores, das trabalhadoras, e da capacidade da indústria nacional de produzir bens de alta tecnologia. Veriam aqui um legítimo exemplo do Brasil inovador.

Nesse hangar que nós estamos, eu fui informada que será realizada a montagem final do 1º avião cargueiro brasileiro, o KC-390, que vai substituir o C-130 Hércules da nossa Força Aérea. E aí, eu acho que o nosso presidente da Embraer falou uma coisa importante. Falou que é um casamento que deu certo entre a Embraer e a Força Aérea Brasileira. Pois bem, essa aeronave projetada e desenvolvida no Brasil, o KC-390, vai fazer o seu primeiro vôo até o final do ano. Apenas cinco anos após o início do programa KC-390, em 2009. Quando a gente vê um projeto nascer, vê ele se desenvolver e vê ele se tornar realidade, é algo que emociona. E eu vi o início desse projeto acompanhando as discussões, como ministra-chefe da Casa Civil, durante o governo Lula, quando foi tomada a decisão que de fato era uma questão fundamental a construção, a produção do KC-390.

E essa parceria FAB e Embraer que permitiu desenvolver esse projeto inovador, essa parceria é uma parceria fundamental para o país, fundamental para o Brasil. É verdade o que disse o Alckmin, poucos presidentes da República têm o orgulho de descer com a aeronave construída no seu próprio país, em qualquer aeroporto do mundo e sentir orgulho disso, e mostrar que o Brasil é de fato um país diverso. Nós somos um país de craques no futebol e de craques na tecnologia. Portanto, esse país diverso, ele tem o domínio do conhecimento, ele produz e é capaz de produzir um avião do porte do KC-390.

Esse contrato assinado aqui hoje, pelo qual a FAB vai adquirir as 28 unidades, é estratégico para Embraer. É importante para vocês, na medida que mostra um horizonte no qual essa empresa vai se desenvolver, ter sustentabilidade e gerar os empregos de qualidade que nós achamos fundamentais para o país. Ela mostra também que a partir de agora, nós também temos melhores condições de transformar o KC-390 num produto que será vendido, eu acredito, em todas as partes do mundo. Na nossa América Latina, na África, na Ásia, na Europa, nos Estados Unidos, enfim, nós queremos esse produto em todas as partes do mundo.

Daí que se encontram aqui algumas questões fundamentais. A questão do desenvolvimento tecnológico, a questão da inovação e a questão da sustentabilidade da nossa indústria da defesa. Isso tudo é resultado de escolhas que nós vínhamos fazendo ao longo dos últimos anos em relação à indústria nacional de defesa, segmento estratégico para a soberania do país. Em 2008, ainda no governo Lula, nós adotamos o Plano Estratégico de Defesa Nacional. Nesse plano ficava claro que ele devia ser orientado simultaneamente para modernização tecnológica de nossas forças armadas e para o fortalecimento da indústria nacional de defesa. Em agosto de 2011, nós lançamos o Plano Brasil Maior e decidimos que as compras públicas seriam transformadas em instrumentos de estímulo ao desenvolvimento industrial e tecnológico do Brasil. Ou seja: aquilo que o governo compra, ele dá prioridade para a indústria nacional, ele fortalece a indústria nacional. Decidimos que o fortalecimento da indústria da defesa seria uma das linhas estratégicas para o fortalecimento da indústria nacional. E desde 2012 nós temos uma legislação específica para estimular a capacidade produtiva da indústria de defesa nacional, além de um regime tributário especial para o segmento, nós criamos um arcabouço jurídico inovador para assegurar as compras e as contratações na área de defesa. Esse esquema jurídico garante ao estado a possibilidade de realizar concorrências, exclusivamente, entre empresas estratégicas de defesa brasileira. A Embraer foi uma das primeiras a ser certificada como empresa estratégica de defesa.

Em 2013, para apoiar a realização nas empresas de verdadeiros saltos tecnológicos, tão necessário à melhoria da produtividade, à geração de empregos de qualidades, nós lançamos um programa chamado Inova Empresa, que garante mais recursos e simplifica o processo de seleção de planos de inovação. Uma das linhas desse plano é o Inova Aero Defesa, orientado para apoiar a inovação nas empresas brasileiras das cadeias de produção aeroespacial, defesa, segurança, incentivando cada vez mais seu adensamento ou sua verticalização.

O apoio que nós concedemos à realização dessas atividades inovadoras é um apoio que justifica, pelo fato de que esse país precisa que cada vez mais a inovação, a tecnologia e o conhecimento, resultem em um país onde o uso e emprego de empregos cada vez mais qualificados significará, de fato, que nós entramos no caminho de um outro tipo de desenvolvimento. Por isso, o que nós realizamos aqui tem de ser visto por todo o Brasil. Tem de ser objeto de orgulho, porque orgulho é exemplo. Exemplo é esperança. E esperança é um dos motores para que a gente concretize os sonhos que nós temos.

Eu afirmo, sem medo de errar, que o KC-390 não é uma experiência isolada... não é uma experiência isolada de sucesso. Desse conjunto de experiências fazem parte, por exemplo: o programa de submarinos de propulsão convencional e nuclear, o sistema integrado de monitoramento das fronteiras terrestres brasileiras, a construção do satélite geoestacionário para comunicações estratégicas.

Ninguém em sã consciência pode duvidar que a indústria de defesa é estratégica. Também muitos concordarão que ela tem um potencial extraordinário para o desenvolvimento tecnológico. Essas são razões suficientes para que a gente ficasse orgulhoso do que fizemos aqui. Mas, eu acredito que tem uma outra razão para celebrar esse programa, que a meu ver, é muito importante: é a quantidade de empregos diretos e indiretos previstos na construção do KC-390. Gerar empregos de qualidade no Brasil é a motivação maior das nossas políticas de estímulo à indústria, e aqui no caso, da indústria da defesa. Gerar empregos de maior qualificação é o melhor caminho para o desenvolvimento do nosso país. A inauguração deste hangar, ela representa uma etapa bem sucedida no programa KC-390 que eu tenho orgulho de ter visto nascer. Nós vamos produzir aqui, além de aviões, vamos produzir desenvolvimento, vamos produzir desenvolvimento com mais empregos, melhores empregos, com mais renda e mais oportunidade para todos os brasileiros e as brasileiras que participam dessa área de atividade no Brasil.

Tenho certeza que aqui vocês fazem nascer esse novo Brasil. Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra do discurso (16min59s) da Presidenta Dilma