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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de inauguração da nova fábrica de biotecnologia e de citostáticos e ampliação da farmoquímica do Complexo Industrial Cristália

por Portal do Planalto publicado 13/08/2013 15h44, última modificação 04/07/2014 20h17

 

Itapira-SP, 13 de agosto de 2013


Boa tarde a todos. Eu queria começar saudando os trabalhadores e as trabalhadoras do Cristália e seus diretores e todos os funcionários. Esta é uma festa, uma comemoração que a gente deve a vocês, e uma coisa que é impressionante, como a maioria de vocês... Eu vou dizer, como todos vocês são jovens, é algo que é muito importante quando a gente vê que essa força de vocês, que é a juventude com a água do Cristália, que o Ogari falou, cria, de fato, essa capacidade de realizar sonhos.

Eu queria primeiro, começar saudando o nosso governador, Geraldo Alckmin, o nosso governador de São Paulo,

Cumprimentar o prefeito de Itapira, o José Natalino Paganini e, em nome dele, eu cumprimento todos os prefeitos que estão aqui presentes,

Queria dirigir um cumprimento especial à viúva do cofundador do Cristália, João Stevanato, a senhora Íris Stevanato,

Queria cumprimentar o senhor Ogari de Castro Pacheco, presidente do Complexo Industrial Cristália, e também a sua senhora, a senhora Maria Adelaide Pacheco,

Cumprimentar os ministros de Estado que me acompanham aqui nesta viagem, todos os três ministros envolvidos com esse processo de desenvolvimento produtivo que nós estamos acompanhando aqui, que é o Cristália. Primeiro, o ministro Alexandre Padilha, da Saúde; depois o ministro Fernando Pimentel, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, responsável pelo Plano Brasil Maior; e o nosso ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, que tem sob sua responsabilidade o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação em nosso país.

Cumprimentar os deputados federais: o Nilton Lima e o Paulo Freire.

Cumprimentar o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha.

Cumprimentar o senhor secretário de Estado da Saúde, Giovanni Guido Cerri.

Cumprimentar os deputados estaduais Antônio Mentor e Barros Munhoz.

Cumprimentar o vereador Carlos Sartori, presidente da Câmara Municipal de Itapira.

Cumprimentar os parceiros neste empreendimento: Glauco Arbix, presidente da Finep; Paulo Gadelha, presidente da Fiocruz; Dirceu Barbano, diretor-presidente da Anvisa; Luiz Santini, diretor-geral do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Cumprimentar o senhor Odair Antonio Bortolozzo, presidente do Sindicato dos Químicos.

E cumprimentar as senhoras e os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

As minhas primeiras palavras são para parabenizar a Cristália por essa planta de expansão da farmoquímica e essa planta de biotecnologia, de biofármacos. E com isso constatar que o Brasil possui um complexo industrial deste porte que nós vemos aqui, deste complexo industrial do Cristália, em uma área que é estratégica para o nosso país, que é a área de medicamentos, e que exige, nós sabemos, tanta tecnologia. E isso significa que nós damos um passo em direção à criação, no Brasil, de fato, de um pólo no complexo industrial da saúde.

A Cristália é esse complexo industrial, e eu acho que tem de dizer isso “complexo industrial”, eu aprendi isso ao visitar a planta. De fato, a Cristália é um complexo industrial 100% brasileiro, e isso nos enche de orgulho. Nos enche de orgulho porque ela vai fornecer medicamentos e matérias-primas para o nosso país, e também vai exportar medicamentos e matérias-primas.

Essa nova planta da divisão de biotecnologia, ela demonstra a capacidade do nosso país de atuar na fronteira do conhecimento. E ao mesmo tempo, essa afirmação da expansão da farmoquímica mostra que nós temos todas as condições de nos credenciarmos para ser grandes países produtores.

Eu considero muito importante um fato que eu vou sublinhar, que é que a Cristália investe parte de sua receita em pesquisas em parcerias com universidades e centros de pesquisas. Por que é que eu enfatizo isso? Porque em todo o mundo as empresas que crescem fazem isso, investem uma parte da sua receita em pesquisa e desenvolvimento.

E eu queria lembrar aqui que recentemente os órgãos estatísticos americanos mudaram, mudaram o conceito de investimento do PIB, incorporando inovação como um item tão importante para configurar a formação bruta de capital fixo ou bem, ou melhor, a taxa de investimento, com base em duas coisas: construção civil pesada e não pesada, máquinas e equipamentos; e inovação. Ou seja, atribui-se valor a patentes, atribui-se valor à inovação, porque de fato é esse, é essa, aliás, a fronteira, tanto econômica quanto do conhecimento, do que há de novo nesse século 21.

Eu fiquei extremamente impressionada com o fato de que enquanto nós, como país, dependemos 14% ainda, aliás, só produzimos 14% e o restante dependemos de importação, com o fato de a Cristália produzir 50% dos princípios ativos que usa na cadeia produtiva aqui desse complexo. É exatamente por isso que eu considero que a Cristália é uma das empresas que se demonstra como sendo uma grande parceira dessa nossa política de desenvolvimento produtivo na área da saúde definida no Plano Brasil Maior, lançado no início do governo pelo Ministério da Indústria e Comércio. Nós consideramos que hoje o Brasil tem que dar este passo.

Então, política de desenvolvimento produtivo, significa que nós temos que nos capacitar para produzir no Brasil aquilo que nós somos capazes de produzir. Isso não implica em nenhuma xenofobia ou em uma política de não importação stricto sensu ou uma política ‘simplesmente não importamos mais’. Mas implica na capacidade do Brasil de combinar a suas condições de produção interna, local, com a importação de parte do que nos interessa. Não porque isso nos foi imposto, não porque nos submetemos a ser uma parte subalterna da cadeia produtiva. Mas porque optamos por isso quando nos convier. Eu considero, portanto, essa parceria muito importante. E reconhecer que a Cristália possui 31, vejam bem, 31 parcerias, com o Ministério da Saúde e os laboratórios públicos, também me enchem de orgulho.

A minha presença nesta inauguração tem um objetivo, que é reafirmar que a parceria com a Cristália é estratégica para o Brasil; reafirmar o compromisso do governo com todas as empresas, muitas aqui presentes, da área do complexo da Saúde, empresas que pesquisam, que geram inovação, que investem, que criam emprego e criam renda no Brasil.

Queremos, senhores empresários, ampliar essas parcerias com todas as empresas nacionais e internacionais que aceitem o desafio de produzir aqui no Brasil. Essa é uma escolha política estratégica. Nós estamos usando o poder de compra do Estado brasileiro para estimular a indústria nacional. Vejam bem, nós estamos utilizando o poder de compra do Estado brasileiro, que é um dos maiores compradores de medicamentos, para estimular a indústria nacional, para apoiar a transferência de tecnologia e ampliar a geração de inovações.

A Finep – a Finep, aqui está o nosso presidente da Finep – e o BNDES, também aqui presente, participam também desse esforço, de forma também estratégica. A Finep, de um lado, por meio da subvenção à pesquisa – isso é importante que se diga –, a subvenção à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação, porque a Finep subvenciona a pesquisa, assegura que a pesquisa no Brasil pode se desenvolver, vai se desenvolver e deve se desenvolver, e o Estado é parceiro disso subvencionando, fazendo uma subvenção a essa pesquisa. O BNDES, por sua vez, com as suas linhas de financiamento, ajuda a desenvolver a produção, viabiliza recursos para que se desenvolva a produção.

Já o Ministério da Saúde tem a vantagem de, com isso, ver aumentada a capacidade de distribuir os medicamentos necessários à atenção à saúde da população, sejam aqueles de uso contínuo, como se combate a diabetes, hipertensão e asma, sejam aqueles de alto custo, como os antiretrovirais e os oncológicos.

Eu gostaria, inclusive, aqui, de destacar que o fortalecimento da política de atenção oncológica é um compromisso que temos perseguido desde o início do meu governo. Nós, aliás, lançamos, ainda em 2011, programas para ampliar o enfrentamento ao câncer de mama e do colo do útero, e diminuir o sofrimento que essas doenças trazem a milhares de mulheres brasileiras. A partir do próximo ano nós vamos – como o Padilha disse – vacinar as meninas de 10 e 11 anos contra o vírus do HPV, o principal causador do câncer do colo de útero.

Eu queria, aqui, meus amigos e minhas amigas, dizer que apoiada no compromisso de compra do SUS, de compra pelo SUS, as empresas dessa área – e aqui eu falo, em especial, a Cristália –, elas podem priorizar a fabricação de medicamentos oncológicos necessários ao tratamento da leucemia, dos cânceres de colo de útero e de mama, dos tumores gastrointestinais, para dar alguns exemplos.

E eu acredito que a gente pode afirmar uma coisa. Com essas políticas todos ganham. As empresas ganham, por exemplo, porque passam a ter um horizonte com menor risco para fazer seus investimentos. Nós, povo brasileiro, o Brasil fica menos dependente do mercado externo em relação a medicamentos estratégicos. O SUS pode oferecer medicamentos a mais brasileiros.

Sim, eu ganhei, vocês viram, e eu acho extremamente simbólico, eu ganhei aqui de um escultor, se eu não me engano, alemão, uma representação do que é parceria, e aqui nós temos uma parceria. Temos uma parceria com o governo do estado, temos uma parceria com as empresas, entra a Finep, entra o BNDES e entra o Ministério da Saúde. E essa é o tipo da ação em que todos cooperam, todos ganham e quem sai ganhando mais é o nosso povo, é o nosso país.

E eu queria dizer para vocês: a inovação é algo, aqui nesses prédios, é algo diferente das outras inovações porque aqui nesta área a inovação no setor saúde, ela pode representar a cura de uma doença, pode representar um ganho de vida, um ganho de tempo de vida, uma benesse para milhões de famílias que se preocupam, com seus parentes, seus amigos, e isso significa muito na vida das pessoas. Eu tenho certeza que esse fato sensibiliza a todos nós, quando vemos o padrão de qualidade adotado aqui. Nos dá a certeza que o Brasil está no rumo certo. E, sobretudo, nos dá outra certeza: dá a certeza de que quando você tem a aplicação da tecnologia a favor do conjunto do povo brasileiro, todos nós saímos ganhando.

Eu queria dizer também, porque nós vivemos nesse momento, que saúde de qualidade requer também, requer também a existência não só de medicamentos, de medicamentos de qualidade, de última geração, mas também a importância de termos equipamentos de saúde, hospitais, postos de saúde, UPAs e também médicos para fazer o diagnóstico e dar a prescrição. Sem médicos não há saúde de qualidade. E esse é o desafio que temos de enfrentar com o Programa Mais Médicos.

Eu falo dele porque é muito oportuno que se fale dessa questão quando nós estamos aqui, inaugurando esse Sistema. Nós temos o desafio urgente de eliminar os vazios assistenciais que existem no Brasil. Em 700 municípios, vocês sabem, não há um único médico; em 1.900 há menos de um médico por três mil habitantes. E o governo federal tem consciência que nós precisamos aumentar o número de profissionais nas periferias das grandes cidades, no interior do país e nas regiões do Norte e do Nordeste.

Nós estamos agindo em duas frentes em simultâneo. Primeira frente, aumentar a formação de profissionais em nosso país. Nós já havíamos autorizado a criação de 2.400 novas vagas em cursos de Medicina. E agora nós estamos abrindo, de agora até 2017, mais 11.400 vagas para médicos na graduação, e 12.000 para residências, notadamente naquelas áreas mais necessárias, como a pediatria, o tratamento do câncer, o tratamento do coração, para citar algumas.

Hoje nós temos uma realidade: é preciso esperar um tempo até que esses profissionais se formem. Mas, nós sabemos que é necessário agora esses médicos no Brasil. Por isso nós, em que pese darmos prioridade para os médicos formados aqui no Brasil, os médicos que têm a sua formação nas escolas de medicina deste nosso país, quando houver vagas que não sejam preenchidas por nenhum médico formado aqui, nós iremos contratar profissionais formados fora daqui, que estarão atuando só no Sistema Único de Saúde monitorados pelas universidades federais.

Eu quero citar para vocês alguns números. No primeiro mês de adesão a esse projeto, 3.511 municípios se inscreveram e demandaram 15.470 médicos. Aqui no estado de São Paulo, 309 municípios aderiram, de um total de 645 municípios, e pediram 2.197 médicos. Esses números mostram que a falta de médico é um problema nacional que afeta até mesmo o estado mais rico do nosso país. Eu quero deixar claro para todos vocês, para a população brasileira, que não faltará vontade política de meu governo para enfrentar este problema.

Finalmente, eu gostaria de enfatizar que nós temos que valorizar as nossas histórias vencedoras, como é o caso desse sistema aqui do Cristália. Eu queria finalizar, primeiro dando um parabéns a todos vocês que fazem o dia a dia desse complexo industrial. Mas queria, e acho que isso sempre, o Brasil tem que ter o hábito de fazer, que é valorizar experiências e homens e mulheres que têm uma contribuição fundamental em diferentes setores no nosso país. E agora eu queria homenagear um brasileiro valoroso que mostra e que prova que sempre acreditou em nosso país. Eu queria homenagear o doutor Ogari Pacheco.

Muito obrigada a vocês. E um beijo a cada um dos jovens, dos homens e das mulheres que fazem esse Sistema que é o Sistema Cristália. E de fato, doutor Ogari, eu acredito que as águas fazem sonhar e realizar os sonhos.

 

Ouça a íntegra (22min28s) do discurso da Presidenta Dilma