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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de inauguração da Ferrovia Norte-Sul, trecho Anápolis-Palmas - Anápolis-GO

por Portal Planalto publicado 22/05/2014 13h25, última modificação 04/07/2014 20h22

 

Anápolis-GO, 22 de maio de 2014

 

Bom dia a todos os anapolinos e anapolinas. Bom dia aos goianos e às goianas.

Eu vou iniciar dirigindo um comprimento aos trabalhadores e às trabalhadoras que participaram da conclusão do trecho de Anápolis da Ferrovia Norte-Sul. Dirijo a eles a minha saudação e o agradecimento por provarem mais uma vez que é possível construir ferrovia nesse país.

Agradeço ao governador de Goiás, Marconi Perilo, pelas palavras e quero também reconhecer que nesses últimos anos o Brasil mudou muito, e hoje nós somos capazes, sim, de construir parcerias republicanas entre presidente e governador de partido diferente. Somos capazes de fazer isso também entre presidentes e governadores, e prefeitos de partidos, mais variados. Nós fomos eleitos para representar a população. Eu tenho de honrar todos os brasileiros e brasileiras; o governador, todos os goianos e as goianas; o prefeito, todos os anapolinos e anapolinas, independentemente das nossas diferenças partidárias, políticas, religiosas ou futebolísticas, nessa proximidade da Copa. Mas acredito que esse é um sinal de maturidade do nosso país. É um sinal de avanço da nossa democracia, e é um sinal de que nós só conseguiremos resolver os problemas do Brasil quando, acima de tudo, estiver o interesse da nossa população, do nosso povo. É isso que é ser republicano. Por isso, muito obrigada, governador.

Queria agradecer o prefeito de Anápolis, João Gomes e a senhora Lucimar Gomes. E por meio do João Gomes eu cumprimento todos os prefeitos e prefeitas aqui presentes. E queria também verificar algo que eu percebi estando sentada ali:  que se eu falar “saúdo o Antônio Gomide, ex-prefeito de Anápolis”, é certíssimo... então, falar no Gomide é certo que nós temos aplausos efusivos. Então, saúdo, aproveito junto com o João Gomes e cumprimento nosso ex-prefeito de Anápolis, Antônio Gomide.

Queria agradecer ao ministro César Borges, ministro dos Transportes, que é o responsável e tem sido responsável por todo esse setor importante na logística de nosso país. Agradecer pelo esforço, por todas as dificuldades que nós temos conseguido superar.

Queria também cumprimentar a nossa senadora Lúcia Vânia e agradecer o apoio aos projetos que beneficiam o estado de Goiás.

Dirigir um cumprimento especial aos deputados federais: a deputada Magda Monfatto, o Beto Mansur, ao Rubens Otoni. Dizer que aqueles que integram a minha base aliada são os verdadeiros responsáveis pelos avanços que nós obtivemos nos últimos anos no que se refere a muitos programas importantes que também beneficiam todo o Brasil.

Cumprimentar os deputados estaduais, Luiz César Bueno, Carlos Cabral, Mauro Rubem e agradecer pelo apoio que sempre me deram.

Cumprimentar o Clodoveu Reis Pereira, secretário municipal de obras.

Cumprimentar o presidente da Câmara Municipal de Anápolis, Luis Lacerda.

Cumprimentar o diretor-presidente da Valec, José Lúcio Machado.

O diretor-superintendente do Porto Seco, Edson Tavares.

O presidente da Federação das indústrias de Goiás, Pedro Alves de Oliveira. E ao saudá-lo cumprimento a nossa parceria no Pronatec por intermédio, por meio do Senai.

Cumprimento o senhor José Evaristo Santos, presidente da Federação do Comércio do estado de Goiás, e agradeço a parceria no Pronatec por meio do Senac.

Cumprimento o Iron Augusto dos Santos, representando todos os trabalhadores aqui da ferrovia. E mais uma vez, Iron, eu agradeço e saúdo os trabalhadores responsáveis por essa obra.

Queria cumprimentar as senhoras e os senhores jornalistas, os senhores fotógrafos e os senhores cinegrafistas.

 

Para mim, também hoje é um dia histórico. Em 2007, eu era ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República no governo do nosso querido presidente Lula. Naquele momento o governo fez o PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento. Era o primeiro programa planejado e concebido para recuperar o tempo perdido dos investimentos em infraestrutura. E em especial, nós tínhamos um grande interesse em recuperar ferrovias. Era o ano de 2007 e nós tivemos grandes dificuldades. Primeiro, porque no período anterior, não havia uma prateleira na qual você chegasse e pegasse um projeto pronto e licitasse. Você tinha de começar do nada, refazendo os projetos. Uns já estavam velhos e muitos não tinham sequer sido feitos. Mas naquela época, nós percebemos que havia um projeto muito importante, e aqui, eu quero fazer justiça a um presidente da República do nosso país, o atual senador José Sarney. Porque a concepção da Ferrovia Norte-Sul foi feita, de fato, há 27 anos atrás no governo do presidente José Sarney. Inclusive, naquela época, há 27 anos atrás, um trecho foi executado, que era, se eu não me engano, o trecho entre Açailândia e Araguaína. Mas a obra a partir daquele momento teve, só de forma marginal, alguns investimentos. Não só os projetos não foram continuados, como não tinha nenhuma proposta concreta que chegasse até aqui, Anápolis, porque até Goiás era até onde a ferrovia ia. Porque na concepção original ela saía lá, do Maranhão, de Açailandia e chegaria até Anápolis ou Senador Canedo, se eu não me engano.

Acontece que nesse período, nós herdamos algo importante do senador e ex-presidente da República José Sarney, que foi a concepção de que era importante fazer a Ferrovia Norte-Sul. E nós atualizamos a visão da Ferrovia Norte-Sul percebendo que o Brasil tinha de ter uma coluna vertebral que seria a ferrovia das ferrovias, que cortaria o Brasil de Norte a Sul, que levaria o nosso país a superar esse atraso inexplicável, porque a época das ferrovias foi o final do século XIX e início do século XX.

Então, tratava-se de construir esse eixo, sem o qual nós não teríamos um sistema ferroviário, não só um sistema ferroviário, mas não teríamos uma integração dos diferentes modais: ferrovia, rodovia, hidrovia, portos, inclusive, aeroportos, porque é essa ideia que nós temos. Por isso, tem razão tanto o prefeito quanto o governador quando disseram: essa é uma obra importante para Goiás. Ela é uma obra importante para Goiás porque Goiás se situa numa posição estratégica, é o centro do Brasil, junto com o estado onde eu nasci. Aliás, dizem que goianos e mineiros são muito similares, e que um dá origem ao outro. Os goianos aos mineiros e os mineiros aos goianos. Mas eu tenho certeza que uma coisa nós temos em comum: certas expressões. O “trem bão” é compartilhado por todos nós, inclusive, diziam muito que o mineiro gostava de comprar trem. Diziam muito isso de nós e de fato a gente gosta de um “trenzinho”.

Bom, mas voltando, essa coluna vertebral vai permitir que estados, um estado como é o estado de Goiás, que é o estado do interior, seja de fato, como está ali, naquele caminhão, um estado perto do mar, perto dos navios. É isso que ela coloca, ela coloca o litoral aqui. Transforma Goiás num polo logístico, porque ela será crucial para articular todos os sistemas de transporte do Brasil, tanto aqueles que se dirigem ao Sul, que são mais tradicionais, quanto aqueles que se destinarão ao Norte, e que serão o futuro desse país se a gente olhar a importância das hidrovias no nosso país.

Essa ferrovia é uma conquista. Eu tenho uma relação por ela, vocês viram e aí eu peço desculpas porque eu demorei, porque eu queria ir lá ver o túnel. Eu já tinha estado no túnel, eu queria ver o túnel. Eu sei todas as dificuldades que ela teve para sair. Eu acompanhei passo a passo o trecho que era Araguaína a Palmas. E agora, recentemente, por meio do nosso competente ministro, o trecho Palmas-Anápolis. E mais, percebendo a importância dessa coluna vertebral para o corpo ficar de pé, inteiro e ágil, nós prolongamos essa ferrovia até Estrela do Oeste, em São Paulo. E de Estrela do Oeste ela se liga a Santos pela ferrovia Estrela do Oeste-Campinas, Campinas-Santos. Mas também há uma outra ligação importantíssima, que é Estrela do Oeste-Panorama e Panorama-Porto do Rio Grande, no extremo Sul do nosso país. Aí estará completa essa ferrovia. A parte entre Estrela do Oeste, aliás, entre Anápolis e Estrela do Oeste, como vocês sabem, está em fase bem adiantada de construção. Nós pretendemos que esse trecho seja tranquila e garantidamente inaugurado nos próximos anos. E eu quero dizer uma outra coisa: não é... Esse trecho aqui não é um trecho qualquer. São 1.560 quilômetros de bitola larga, e tem bitola estreita também. Por aqui se pode conectar todo o Brasil com o sistema ferroviário.

Na verdade, é um dia importantíssimo. Dizem que demorou 27 anos. É verdade, mas vou dizer o seguinte: demorava 27 anos. Hoje não demora mais 27 anos. Quero dizer a vocês que foi um grande esforço, em 2007, dar início ao trecho Araguaína-Palmas, porque o governo federal, apesar de ter pago o Fundo Monetário, em 2005, no início de 2007 ainda não tinha os recursos todos disponíveis. E nós fomos fazendo e fomos também aprendendo enquanto fazíamos, porque o Brasil tinha parado de investir durante muito tempo. O Brasil tinha deixado várias ferrovias Norte e Sul para trás. Eu estou falando em relação a outros segmentos.

Portanto, eu considero que o que eu vi aqui hoje, o que vocês podem ver e o que vocês vão sentir aqui nesse distrito agrícola e industrial de Anápolis, é que nós recuperamos a iniciativa do investimento em ferrovias. Devemos todos nós ficar orgulhosos disso.

Eu poderia aqui hoje falar em outras obras que o governo federal faz aqui. Algumas que me são muito caras, como é o caso do Minha Casa, Minha Vida, do Programa Mais Médicos, mas não vou falar, não. Por quê? Porque eu quero mostrar para o resto do Brasil que essa obra, essa ferrovia é o sonho que nós tínhamos e agora nós podemos dizer: está plenamente realizado e comprovado que se nós fomos capazes de fazer o trecho original, nós concluiremos o trecho que nós mesmos projetamos. Então, o Brasil tem todas as condições, todas, de investir em infraestrutura.

Amanhã mais um avanço nós vamos ter e eu falo disso porque beneficiará diretamente Goiás com a licitação da BR-153. Será também mais um momento importante. Mas de todos os momentos, em temos de logística, do qual... Aliás, dos quais eu tenho muito orgulho, o que mais me orgulha é a conclusão da Ferrovia Norte-Sul na sua concepção original, aquela que nós recebemos de 27 anos atrás, quando, no governo Sarney, se concebeu a Ferrovia Norte-Sul.

Quero concluir dizendo para vocês um fato que é o fato garantido. Tem duas formas da gente lidar com a realidade em todas as áreas da vida. Tem duas. Tem uma que é aquela do não vai dar certo. “Ah, não vai dar certo”, “ah, não vai ficar bom”, “ah, não é assim”. Que é uma atitude que a gente pode chamar tranca-roda. A coisa não roda de jeito nenhum, porque de cara tem uma pessoa achando que não vai dar certo. Nós temos de olhar para a realidade e saber o seguinte: vários desafios existem, agora, só tem um jeito de não acontecer nada: é você não tentar. Aí é um jeito garantido. Se você não tentar, não acontece nada mesmo. Aí é que não tem jeito. E tem outro jeito de se lidar com a realidade: é a gente saber, primeiro, que qualquer processo é difícil, que faz parte da realidade enfrentar dificuldade, que não tem um caminho pavimentadinho e pronto antes de você pavimentá-lo. Que a responsabilidade de enfrentar dificuldade e superar é de cada um de nós.

Eu quero dizer para vocês: nós enfrentamos a dificuldade, nós achamos que é possível superar, e mais do que tudo, nós temos certeza que temos trabalhadores que são capazes de criar uma ferrovia com as suas mãos. Sabemos que tem empresários que vão assumir a construção e o risco. E vocês podem ter certeza que nós temos um governo com vontade política de enfrentar e de resolver os problemas e não ficar chorando pelas esquinas. É essa é a diferença entre as duas posturas.

Por isso, eu quero dizer: hoje é a vitória da postura é possível fazer, vamos enfrentar a dificuldade, vamos em frente. Um abraço e um beijo para todos vocês.

 

 

Ouça a íntegra do discurso (23min08s) da Presidenta Dilma