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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de inauguração da 1ª etapa do BRT Expresso DF Eixo Sul - Trecho entre Santa Maria, Gama e Rodoviária do Plano Piloto - Brasília/DF

por Portal Planalto publicado 13/06/2014 13h30, última modificação 13/06/2014 13h36

Brasília-DF, 13 de junho de 2014

 

Inicialmente, dando início a essa minha fala, eu queria cumprimentar o Hermes Alves Coelho. O Hermes Alves Coelho representa os trabalhadores. E aí eu queria cumprimentar cada um vestido com nosso macacão laranja. Estou com a mesma cor de vocês.

Cumprimento todos os trabalhadores e as trabalhadoras,

E cumprimento aqui o povo do Distrito Federal, que está aqui presente hoje nessa inauguração. É uma inauguração especial, eu quero dizer ao nosso governo o governador Agnelo Queiroz e à Ilza Queiroz, primeira-dama, quero dizer que para mim é uma honra, pela qualidade do que eu vi nesse BRT. É de fato uma obra de grande qualidade, e além disso, uma obra que mostra uma questão que é fundamental. Nós, para o povo desse país, nós, presidente, e governador, temos de dar o melhor, o que há de melhor. E hoje, ao tomar o ônibus, que não é um ônibus, eu disse para o Agnelo que o ônibus era um metrô sobre rodas, pela qualidade do ônibus e de toda a via exclusiva, sem nenhum sinal e nenhuma ultrapassagem na transversal. Portanto, é o metrô sobre rodas. E pela qualidade do pavimento também, eu queria cumprimentar o governador Agnelo, é um pavimento que vai durar, de fato, anos e anos a fio, porque é de concreto armado. Então, além de você andar suavezinho, suavezinho, você tem essa certeza da qualidade dessa pavimentação. Por isso, Agnelo, é um prazer ter feito essa parceria com você. É um prazer porque nós estamos aqui numa obra de grande qualidade e importância para vida das pessoas.

 

Queria cumprimentar também os ministros que hoje me acompanham aqui: o ministro Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil; o nosso ministro Occhi, Gilberto Occhi, das Cidades.

Queria cumprimentar o vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli, grande parceiro também e que representa nossas alianças irmãs. O Temer, aqui perto, no Planalto, o Temer no governo federal, e o Filippelli aqui no Distrito Federal.  E quero dizer, Filippelli, que eu fiquei muito impressionada com o projeto que o governador te pediu para apresentar para mim. E quero te dizer que acredito que vocês estão fazendo uma revolução no transporte urbano de Brasília. Eu tenho ido a várias cidades. Quero te dizer que em muitas cidades nós temos BRTs de qualidade, mas o projeto aqui é um projeto extremamente ousado e mostra um fôlego que vai transformar de fato Brasília em um exemplo.

Queria cumprimentar também os deputados federais aqui presentes: o deputado Geraldo Magela e o deputado Roberto Policarpo. Considero que uma das mais importantes decisões tomadas pelo governo do DF foi fazer esse plano diretor de transporte urbano. Essa foi uma decisão que vai mostrar o seu fôlego, quando se completar todos os trechos do BRT.

Então, eu queria cumprimentar os deputados distritais: o deputado Wasny de Roure, presidente da Câmara Legislativa do DF; o Agaciel Maia, o Alírio Neto e o Chico Vigilante.

Queria cumprimentar o secretário de estado do DF, Swedenberger Barbosa, da Casa Civil,

José Walter Vazquez, do Transporte, por intermédio de quem eu cumprimento todos os demais secretários aqui presentes.

Queria cumprimentar o vice-presidente da Caixa, o José Carlos Medaglia Filho.

Cumprimentar o diretor-geral do departamento... do DER do Distrito Federal,o Fauzi Junior.

Cumprimentar o diretor do DFTrans, Jair Tedeschi.

Cumprimentar os senhores empresários que foram responsáveis pela obra. Cumprimentá-los pela qualidade da obra.

Cumprimentar também os prefeitos: Erivaldo Alves Pereira, de Santa Maria; o Adauto de Almeida, do Gama; o Leonardo Sampaio, do Recanto das Emas; o Glênio José, de Vicente Pires; Elias Carneiro, do Núcleo Bandeirante; Lucimar Pereira, de Valparaíso.

E queria cumprimentar o nosso querido João Batista Gomes, de Anápolis.

Queria cumprimentar também os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Olha, é algo extremamente importante a gente ver que essa parceria… porque na vida, ninguém ganha sozinho. É como um time. Todo mundo ganha quando tem time. E eu quero dizer que aqui houve um time para ganhar esse jogo do BRT.  O time ganhador é essa parceria. Agradeço a todos, a começar dos trabalhadores que compõem, eu diria, o ataque. É o ataque do time. Cumprimento também todo o meio de campo que somos nós, nós todos, e cumprimento também a defesa, que só pode ser a sociedade civil que vai ser beneficiada, cada uma das famílias que são beneficiadas por essa obra.

No passado, gente, ninguém do governo federal investiu em transporte coletivo. Por que não investiam? Não investiam porque achavam que transporte coletivo era coisa para o governador ou para o prefeito. E o governo federal pegava um bom... uma boa quantidade de água e lavava as mãos. Falava: “não é comigo”. Isso significa que as obras grandes que precisam de muito dinheiro não eram feitas. Porque aqui tem uma parceria. O governo federal entra com recursos para os investimentos. O governo estadual põe outro tanto de recursos. E aí nós fazemos uma obra dessa proporção.

Não é algo fácil de ver. Aqui são 42 quilômetros de via contínua, exclusiva, sem sinaleira. E aí, a gente sabe a quantidade de tempo que uma pessoa que mora no Gama ou em Santa Maria, que mora nas estações intermediárias até o Plano Piloto, o tanto de tempo que se demora no trânsito na hora da manhã e da noite, quando vai para o trabalho e quando volta. É essa a questão que está aqui colocada quando se faz uma obra dessa qualidade. O único objetivo dela é garantir transporte rápido - rápido - porque passa, no máximo, a ser 40 quilômetros. Aliás, 40 quilômetro para você… aliás, 40 minutos… não adianta você balançar a cabeça porque está errado o que eu falei. Eu falei 40 quilômetros, é 40 minutos para você ir de um desses pontos, até, parece que de um é mais perto que o outro, né? Santa Maria é mais perto que o Gama... O Gama é mais perto, né? O Gama… o Filippelli me disse que Gama era 32... 36, o Gama; 32, Santa Maria. Então eles arredondaram para 40, mas eu vou dar o exato que me disseram: 32 e 36. Para quem levava uma hora e meia, é uma vida. Você só imagina, você junta todo esse tempo que você perdia e multiplica pelos dias do mês e você vai ver o que em um mês você poupa. E depois multiplica pelos dias do ano e dá uma barbaridade de tempo. Então é isso que nós estamos fazendo aqui, devolvendo para os trabalhadores e para as trabalhadoras, devolvendo para o pequeno comerciante, devolvendo para todos aqueles que usam esse transporte coletivo, devolvendo tempo; essa é a primeira coisa. A segunda, é uma coisa muito importante no Brasil. Tudo que for para o povo brasileiro tem de ser o melhor possível. Nada daquele tempo que se aceitava qualquer coisa para o povo brasileiro e os poucos ficavam com o que havia de melhor. Quando se faz um transporte desse, com essa qualidade, o que se está fazendo é distribuindo, sim, a riqueza desse país sob a forma de segurança e conforto. Quando eu entrei no ônibus, eu fiquei impressionada com a qualidade dos ônibus. Não é só porque a via é contínua que chamei de metrô sobre rodas, mas é porque os ônibus articulados, eles parecem um comboio do metrô, parecem um comboio do metrô.

Daí, eu quero dizer para vocês que eu tenho muito orgulho de estar aqui participando disso e entregando para vocês um transporte dessa qualidade. Vou fazer um paralelo entre esse transporte e o que nós entregamos no aeroporto de Brasília. No aeroporto de Brasília, não sei se vocês sabem que em 2003, no Brasil, só 33 milhões de brasileiros viajavam de avião. Aí, agora, em torno de 113 milhões de brasileiros viajam de avião. O aeroporto e o avião viraram transporte de massa, antes eram transporte de elite, agora é de massa. Para isso nós fizemos um metrô [aeroporto] tanto que se chama Píer Sul, quanto o Píer Norte. Podem ir lá ver, é um dos mais bonitos, eu vou dizer, não é do Brasil, é do mundo. É algo que dá orgulho para todos os brasileiros e brasileiras, e foi feito para o povo brasileiro. Porque os cálculos de quem opera o aeroporto, é que em 2020, portanto daqui há seis anos, seis anos, hein! E seis anos, vocês sabem, passam assim… daqui a seis anos serão 200 milhões de brasileiros a usar o aeroporto.

Aí eu me pergunto, por que que houve essa transformação? Por que de repente o povo brasileiro passou a andar nos aviões e ir aos aeroportos? Porque houve isso que o governador Agnelo falou aqui. Houve uma das mais fortes, uma das maiores desconcentração da renda, ou distribuição da renda através da valorização do salário mínimo, porque o salário mínimo pela primeira vez nesse país nos últimos 12 anos, com o governo do presidente Lula e com o meu governo, cresceu 70% acima da inflação. Aí o que aconteceu? As pessoas puderam andar de avião, pagar sua passagem à prestação e ir visitar a sua família. Aqueles que era do Nordeste estavam aqui, aqueles que eram de outros lugares e moravam aqui podiam ir visitar a família nas férias, no natal, em qualquer momento que seja.

Tem gente que não gostou, não. Tem gente que até diz o seguinte: o aeroporto virou uma rodoviária. É a maior e a mais bonita rodoviária do Brasil o aeroporto de Brasília. Eu queria dizer para vocês que eu fiquei encantada. Queria que me desse aqui o que você me tomou e guardou. Mas ele que me mostrou, então ele tem seus méritos. O quê que eu gostei nesse mapinha aqui, eu gostei porque ele mostra como vai ser o futuro, e a gente sempre acredita no futuro quando a gente sabe que o presente está acontecendo, que no presente as coisas aconteceram. Aí a gente acredita no futuro. Então nós temos essa amarelinha aqui, que talvez não dá pra vocês verem, acho que o Agnelo tinha de fazer um mapa e botar aqui, que mostra que, nessa amarelinha nós vamos chegar ao Plano Piloto, de Gama e de Santa Maria. Mas acabou? Não, não acabou, não. Agora o eixo norte, que encontra esse BRT e vai até Planaltina e Sobradinho, já começou a construção. E aí está agora em projeto, e o governo federal está participando desse desafio, que é fazer a mesma coisa, do Plano Piloto à Ceilândia. Com isso, você terá um sistema de BRT, mas de primeiro mundo aqui em Brasília. Um sistema de BRT, junto com VLT e com o Metrô, vocês terão aqui em Brasília algo de fazer inveja a muito país por aí. E eu falo isso por quê? Porque além disso, nós sabemos que aqui é uma coisa contínua, o Distrito Federal e Goiás. Daí não custa nada a gente estender esse BRT até Luziânia. Não custa nada.

Aqui eu escutei ele falando “o entorno agradece”. Eu acredito que planejar é isso, é ver que essa cidade será cada vez uma das maiores cidades desse país. Vejam vocês que há pouco tempo ela tinha começado… ah, e é uma coisa interessante, metade dos pessimistas falavam mal de Brasília. A outra metade ficava dizendo: “não vai ocorrer, nós não vamos transferir a capital federal para Brasília”. Pois bem, eles deram com os burros n’água. Eles não tiveram sucesso nessa azaração que eles são extremamente competentes. Eles azaram, mas não fazem nada. Aí, por que eu estou falando isso? Eu estou falando isso pelo seguinte: essa cidade, ela vai continuar crescendo, ela saiu da menor capital do Brasil para ser a quarta cidade do país. E ela vai continuar a crescer, ela vai continuar a crescer porque ela é importante para o país, porque aqui está o centro do Brasil. Foi uma ideia fantástica do Juscelino ser capaz de construir aqui, contra tudo e contra todos, uma capital federal. Com isso nós ocupamos o coração do país. Pois bem, ela vai continuar, ela vai crescer, o entorno, cada vez mais vai deixar de ser entorno e ser centro. Cada vez mais o entorno vai virar a parte nobre dessa cidade.

Daí porque é fundamental que a gente olhe para essa integração aqui nessa região. Eu quero dizer para vocês uma coisa: acredito que quem não planeja é pego de calça curta. Quem não planeja é pego de calça curta.

Uma terceira coisa das outras duas que eu quero cumprimentar o Agnelo e toda a Assembleia aqui do DF é pelo fato de terem planejado. Agora que planejaram Brasília junto com as pessoas comprometidas com o mesmo projeto, devem planejar a integração do entorno, para que nós façamos o melhor que pudermos, e o melhor que pudermos tem que ser da melhor qualidade possível nesta região, nesta grande região que não será uma cidade, ela será uma grande metrópole, uma grande metrópole.

Eu quero dizer outra coisa para vocês: vocês tiveram aqui um estádio dos mais modernos. Dos mais modernos. Alguns dizem que é o mais bonito, mas essa é uma disputa que tem em todas as 12 cidades sobre qual é o estádio mais bonito. Mas, de qualquer jeito, vocês fizeram um grande estádio... Isso mesmo, eu vou falar da Copa. A Copa é um momento de afirmação do Brasil, e nós, ontem, demonstramos que nós conseguimos superar todos os obstáculos para realizar a Copa. E que eu tenho certeza, nós vamos fazer a melhor Copa de todos os tempos.

Eu quero aproveitar para agradecer a todos os brasileiros e brasileiras, aos trabalhadores, aos empresários, aos engenheiros, às donas de casa, aos técnicos, aos servidores públicos, a todos os brasileiros profissionais das mais diferentes áreas que transformaram esse sonho nas 12 cidades sedes, nas sedes de treinamento, numa realidade. Esse sonho da Copa do Mundo numa realidade. Todos eles mostraram a competência de nossa gente. O fato de que nós somos um povo que nunca desiste, um povo trabalhador que não se atemoriza diante de desafios.

E aí eu quero dizer para vocês, não vai ser agora, depois de vencer o mais difícil, depois de superar esses desafios que eu disse para vocês, uma porção de gente dizendo: ”ah…” Eu não sei se você lembra disso, Agnelo, teve uma revista que disse que o seu estádio só ficaria pronto em 2021. Teve gente que azarou de tudo quanto é jeito a nossa, a nossa Copa do Mundo. Disse que os aeroportos não ficariam prontos, eles estão aí. Mas nós superamos todos os desafios. E depois que nós superamos isso, enfrentamos os obstáculos, encaramos os problemas, demos a volta por cima, quero dizer para vocês que eu não vou me deixar perturbar por agressões verbais. Não vou, não vou me deixar perturbar. Obrigada. Obrigada, querido. Eu não vou me deixar, portanto, atemorizar, não vou me deixar atemorizar por xingamentos que não podem ser sequer escutados pelas crianças e pelas famílias. Aliás, na minha vida pessoal, eu quero lembrar que eu enfrentei situações do mais alto grau de dificuldade. Situações que chegaram ao limite físico. Eu suportei não foram agressões verbais, foram agressões físicas. Suportei, suportei agressões físicas que eu tenho… quero dizer para vocês quase insuportáveis. E nada me tirou do meu rumo. Nada me tirou dos meus compromissos, nem do caminho que eu tracei para mim mesma. E quero dizer e reiterar para vocês e para todos que estão nos assistindo. Não serão xingamentos que vão me intimidar, me atemorizar. Eu não me abaterei por isso. Não me abato e nem me abaterei. Eu sei uma verdade. Eu sei, eu tenho consciência dela porque eu conheço o caráter do povo brasileiro. O povo brasileiro não age assim. O povo brasileiro não pensa assim, e, sobretudo, o povo brasileiro não sente da forma como esses xingamentos expressam. O povo brasileiro é um povo civilizado e é um povo extremamente generoso e educado. Quero dizer para vocês, podem contar que isso não me enfraquece. Podem contar.

 

Ouça a íntegra do discurso (27min27s) da Presidenta Dilma