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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de entrega do prêmio “Os Brasileiros do Ano 2011” promovido pelas revistas ISTOÉ, ISTOÉ DINHEIRO, e ISTOÉ GENTE

por Portal do Planalto publicado 06/12/2011 23h27, última modificação 04/07/2014 20h09
Além da Presidenta da República, outras quatro personalidades também foram premiadas pela revista Istoé nas categorias política, televisão, cidadania e cultura. As revistas ISTOÉ DINHEIRO e ISTOÉ GENTE homenagearam cinco empreendedores e cinco personalidades do ano, respectivamente

São Paulo-SP, 06 de dezembro de 2011

 

Boa noite a todos.

Queria cumprimentar o editor e diretor responsável da Editora Três, senhor Domingos Alzugaray,

Queria cumprimentar o presidente executivo da Editora Três, senhor Caco Alzugaray,

Queria cumprimentar o editor-chefe da Editora Três, senhor Carlos José Marques,

Cumprimentar o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia,

Cumprimentar os ministros de Estado aqui presentes: ministro Guido Mantega, da Fazenda; Fernando Haddad, da Educação; Garibaldi Alves, da Previdência; Alexandre Padilha, da Saúde; Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; ministro Aldo Rebelo, do Esporte; e ministra Helena Chagas, da Comunicação Social da Presidência da República.

Cumprimentar os governadores Jaques Wagner, da Bahia, e Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro,

Cumprimentar o vice-governador de São Paulo, senhor Guilherme Afif Domingos,

Senhoras e senhores deputados federais,

Senhor Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo,

Senhor Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo,

E queria cumprimentar a cada um dos homenageados aqui, hoje. Brasileiros e brasileiras que prestaram, neste ano de 2011, e também ao longo de suas vidas, uma grande contribuição ao nosso país: Anderson Silva, André Esteves, Antônio Cândido, Cauã Reymond, Deborah Secco, Fábio Assunção, João Carlos Saad, José Luiz Gandini, José Mariano Beltrame, Júlio Vasconcelos, Lilia Cabral e Pedro Lourenço.

Queria cumprimentar todos os jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas aqui presentes, e a todos os convidados que nos honram aqui hoje.

Sem dúvida, vocês podem ter certeza que, para mim, é uma grande honra e um grande orgulho também ser escolhida Brasileira do Ano pela Revista IstoÉ e pela Editora Três. Primeiro, pela importância dessa distinção que recebo pela primeira vez; depois, por estar acompanhada de admiráveis brasileiros e brasileiras que, como eu, estão sendo homenageadas. A todos eu desejo muita sorte, dou as minhas congratulações e, sobretudo, mais uma vez enfatizo que isso é motivo de orgulho também para todos os brasileiros.

Finalmente, como Presidenta da República e como representante, a partir da minha eleição, dos 190 milhões de brasileiros e brasileiras que integram a nossa nação, eu quero dedicar a eles esse prêmio, porque acredito que é graças ao povo brasileiro, graças às nossas qualidades, às nossas características e até, também, um pouco graças aos nossos defeitos que nós chegamos até aqui.

Porque nós, brasileiros e brasileiras, temos uma característica: nós somos batalhadores e nós não somos pessoas que se acovardam diante de desafios. Por isso, eu dedico este prêmio a todos os 190 milhões de brasileiros, como disse a Lilia Cabral, às Griseldas e aos Griseldos deste país.

Eu sei que 2011 não foi um ano fácil para o mundo, principalmente, mas em relação ao mundo foi um ano bem melhor para o Brasil. Nós sabemos que uma crise de confiança hoje atinge os países desenvolvidos, principalmente os países do Hemisfério Norte, sobretudo os Estados Unidos e os países da Zona do Euro, da União Européia. Nesses países, a crise vem se traduzindo em recessão, instabilidade, sobretudo, num grande mal que é o desemprego.

Nós vemos taxas de desemprego assustadores... assustadoras, aliás, por todos os países da Europa e pelos Estados Unidos. Nós sabemos também que, no mundo globalizado, nenhum país está imune aos efeitos da crise. O Brasil tecnicamente não está imune aos efeitos da crise, mas o Brasil conquistou e construiu todas as condições para transformar esse momento de crise não só num momento em que a gente tem capacidade de reagir e resistir, mas em um momento em que temos capacidade de construir oportunidades diante da crise; não que nós vamos considerar que quanto pior o mundo, melhor para nós. Não se trata disso, pelo contrario, nós sabemos que temos uma relação estreita com todo mundo, mas o Brasil – até que porque enfrentou 20 anos de estagnação, recessão, desemprego – se preparou e chegou aqui em 2011, com condições de reagir. E, sobretudo, contando com as suas forças, contando sobretudo com as suas forças.

Até outubro deste ano, por exemplo, foram gerados 2,2 milhões de novos empregos, de janeiro a outubro. Nós temos, hoje, uma das taxas mais baixas: 5,8%. O PIB – que nós tivemos de, deliberadamente, diminuir o ritmo de aceleração que nós estávamos vivendo – cresceu, apesar de todas as consequências da crise, 3,2%. Exportamos US$ 234 bilhões até novembro, recorde histórico e, melhor ainda, as nossas exportações vêm crescendo a uma taxa superior às importações. E aqueles que, no início desse ano, previam e predisseram uma crise cambial e disseram que nós teríamos graves problemas diante do encolhimento do mercado internacional, não foram corretos nas suas previsões.

Nós recebemos até outubro 56 bilhões de investimentos diretos externos e, tanto nossas reservas externas como a nossa capacidade de gerar crédito diante da crise, permanecem fontes seguras de que o Brasil tem hoje uma situação de maior solidez.

Nós podemos dizer que tivemos um ano, em relação ao mundo, muito bem sucedido. Com o trabalho de todos os brasileiros e muita obstinação, nós soubemos administrar as ameaças que atingem a todas as economias do mundo. E administrar as suas características mais perigosas e conseguimos, sobretudo, nos antecipar a algumas dificuldades. Porque percebemos, de forma um pouco anterior a muitos outros, que haveria uma situação muito grave na Europa, situação essa que, até agora, não foi solucionada. E, por isso, tomamos várias medidas, em tempo hábil, de proteção da indústria e da economia, do setor agrícola e do setor de serviços.

Não só estamos encerrando o ano com estabilidade e com crescimento, mas, sobretudo, com visão de que 2012 será, necessariamente, melhor que 2011, o que não é pouca coisa diante da crise e da insensatez política que nós vivenciamos ao longo deste ano, tanto nos Estados Unidos como na Europa. Muitas pessoas podem esperar que terão, necessariamente, uma situação em 2012 diferente da de 2011. Essas pessoas que esperam isso, elas estão certas.

Até porque eu queria dizer para vocês que nós aprendemos que a melhor ferramenta que a sociedade pode contar para estimular seu desenvolvimento social e econômico é ter, de fato, uma parceria entre o setor público e a sociedade, as empresas privadas, os trabalhadores. E, ao ter clareza de que o Brasil hoje se constitui, além disso, numa democracia forte, nós sabemos que a nossa situação, hoje, é muito diferente de muitos países do mundo que ainda estão submetidos às regras do Fundo Monetário Internacional. Há uma desregulamentação financeira absurda e, sobretudo, há perda de capacidade de seus Estados de agirem sobre a sua sociedade, suas economias.

Nós hoje encerramos o ano de 2011 sem abrir mão do que nós consideramos princípios fundamentais para o país: crescimento econômico, investimento, obras de infraestrutura, controle da inflação, redução de juros, geração de emprego, fortalecimento do mercado de consumo, distribuição de renda e inclusão social. Nós sabemos, por termos passado por isso, que combater crise com recessão não dá certo. Causa perda de riqueza, provoca desemprego, impõe a perda de direitos e, geralmente, não resolve coisa nenhuma. Pelo contrário, cria uma espiral descendente, em que menor crescimento gera mais crise, que gera menor crescimento.

Para nós, crescer e distribuir renda é o caminho da prosperidade. E foi o caminho que nós escolhemos desde o governo do presidente Lula. E o mundo passou a nos ver, também, de outra maneira: com respeito e com um nível de confiança que nós construímos por nós mesmos e para nós mesmos. Aliás, o caminho que nós trilhamos para impedir que a crise nos atinja e o caminho que nós trilharemos é, sem sombra de dúvida, a percepção de que crescimento econômico só tem sentido se vier atrelado à distribuição de renda, à criação de melhores oportunidades para todos e, sobretudo, na criação de um país que nós queremos que, sobretudo, seja um país de classe média.

Nós tivemos, ao longo desses anos, uma realização que eu considero extremamente importante: nós elevamos uma Argentina à situação de consumidores, de produtores, e nós queremos que essa uma Argentina sejam cidadãos plenos, com educação de qualidade, com saúde de qualidade, capazes de gerar conhecimento e de agregar valor.

Daqui até 2014 eu asseguro a vocês que muita coisa vai mudar no Brasil e vai mudar para melhor. Nós vamos preparar o Brasil e os brasileiros para essa era do conhecimento, para essa era que tem na ciência, na tecnologia e na inovação um dos seus grandes marcos e, por isso mesmo, para um período de grande prosperidade. Não só vamos nos livrar da extrema pobreza como também vamos buscar, a cada dia mais, aperfeiçoar a qualidade do serviço público prestado. Isso é condição para que este país tenha, de fato, uma grande classe média, cada vez mais numerosa, e que construa uma base sólida para que nós nos transformemos num dos polos mais dinâmicos da sociedade, da cultura e da economia internacional.

Aqui, hoje, nós temos duas atividades importantíssimas para o nosso país: a cultura e o esporte. E eu acredito que um país que não incentive sua cultura, que não diversifique suas manifestações culturais, é um país que não expande a sua alma. A alma do nosso país é uma alma diversificada, multiétnica, com manifestações culturais das mais variadas.

Nós temos aqui grandes artistas que foram premiados justamente, homens e mulheres. Nós temos, também, uma premiação do esporte, que é muito importante para um país que vai sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas que, sobretudo, percebe que tanto a cultura como o esporte são instrumentos de elevação social tão importantes como a educação, a distribuição de renda, o Bolsa Família, e todas as políticas sociais do meu governo.

Por isso, eu queria encerrar dizendo: nós vamos continuar trabalhando para fazer do Brasil um país mais justo, um país em que toda a sua riqueza, tanto a material como a cultural, se manifesta de forma ampla e que envolva principalmente a nossa juventude.

Vocês não tenham dúvida: nós começamos, no ano de 2011, uma era de prosperidade para este país e para os brasileiros.

Muito obrigada a todos. E, mais uma vez, eu entrego este prêmio aos 190 milhões de brasileiros que carregam este país nas suas mãos.

 

Ouça a íntegra do discurso (18min14s) da presidenta Dilma