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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de entrega do 25º Prêmio Jovem Cientista - Cidades Sustentáveis

por Portal do Planalto publicado 06/12/2011 15h06, última modificação 04/07/2014 20h09
Presidenta Dilma diz que “cidades sustentáveis” significa garantia de água, garantia da diminuição do comprometimento da presença humana sobre o Meio Ambiente

Palácio do Planalto, 06 de dezembro de 2011

 

Queria, primeiro, cumprimentar aqui o nosso premiado e as nossas premiadas,

Cumprimentar aqui também o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia,

Os ministros de Estado aqui presentes: Aloizio Mercadante, da Ciência e Tecnologia [Ciência, Tecnologia e Inovação]; a Gleisi Hoffmann, da Casa Civil; o Antonio Patriota, embaixador das Relações Exteriores; Fernando Haddad, da Educação; Izabella Teixeira, do Meio Ambiente; Luiz Sérgio, da Pesca; José Elito Siqueira, do Gabinete de Segurança Institucional,

Queria cumprimentar os embaixadores do Iraque e do Nepal,

Os deputados federais Edson Silva e Roberto de Lucena,

O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico-CNPq, Glaucius Oliva,

Queria cumprimentar as entidades responsáveis por este prêmio, José Roberto Marinho, presidente da Fundação Roberto Marinho; senhora Beatriz Bier Johannpeter, diretora do Instituto Gerdau; senhor Reinaldo Garcia, presidente da General Electric para a América Latina,

Os senhores reitores, pesquisadores e professores aqui presentes,

Os alunos aqui presentes, do Centro... – desculpa, gente, estou com um problema na garganta – do Centro de Ensino Médio Integrado à Educação,

Queria também cumprimentar todos os profissionais da imprensa aqui presentes: jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas,

E cumprimentar, eu acredito, aqueles que são grandes responsáveis por este prêmio, além das instituições parceiras, que são os familiares dos premiados – as mães e os pais dos premiados.

 

Para o governo e para a Presidência, é muito importante participar de uma cerimônia como esta, e acredito que é por isso que nos últimos tempos, no caso, o presidente Lula tenha participado de todas as premiações, e eu estou aqui hoje fazendo um reconhecimento da importância deste plano [prêmio] para o Brasil.

De um lado, por causa dos estudantes – dos alunos e dos premiados –, tanto do ensino médio, como do ensino de graduação e pós-graduação, porque aqui nós estamos saudando a criatividade, o esforço, a dedicação e o estudo que são essencias para que os estudantes brasileiros possam valorizar algo que é importantíssimo para o desenvolvimento deles e para o país, que é a pesquisa, a capacidade de inovar e o imenso respeito que nós devemos ter pela ciência.

Então, o Prêmio Jovem Cientista, ele é, de fato, um estímulo, na medida em que ele realça, que ele coloca, claramente, que existem talentos e que esses talentos devem ser reconhecidos. E, obviamente, o fato de serem 2.300 os projetos que concorreram, evidenciam também o interesse que este Prêmio Jovem Cientista despertou.

Mas, além disso, eu considero que, para um país como o Brasil, é crucial que nós valorizemos, que nós coloquemos em um nível de reconhecimento social, de reconhecimento do governo, de reconhecimento das diferentes instituições a prática e o exercício da ciência em nosso país. Por quê? Porque aqui também nós estamos mostrando para o Brasil inteiro, para todos os estudantes que, para nós, a questão da dedicação à ciência, da preparação para se tornar cientista, da dedicação, também, e do esforço é algo que o Brasil deste século recompensará, e recompensará porque precisa disso. Se nós não tivermos a produção científica em nosso solo, nós não realizaremos todo o potencial deste país.

Quando a gente diz que a maior riqueza do país está nos 190 milhões de brasileiros, não é só porque eles consomem, não é só porque eles trabalham ou são empreendedores, mas é, fundamentalmente, porque aqui nós podemos criar, fazer ciência, criar tecnologia e inovar.

Nós podemos agregar valor, melhorar a vida de cada um dos brasileiros e das brasileiras, mas também, do mundo. Obviamente, “cidades sustentáveis” é algo muito estratégico para um país como o nosso, comprometido com a questão do meio ambiente. Hoje está lá em Durban realizando a 17ª Conferência do Clima [da ONU], e nós gostaríamos muito que essa 17ª Conferência do Clima aprovasse a segunda rodada do Protocolo de Kyoto. Essa é a posição do Brasil, nós considerávamos que isso seria essencial, e também pelo fato de que o Brasil foi um dos precursores da questão do clima como uma questão fundamental para os países e para a humanidade.

Nós próprios, em Copenhague, tomamos a iniciativa de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, no horizonte de 2020, para 36 a 39%. Nós estamos vendo uma situação um tanto problemática nessa área, do ponto de vista das decisões tomadas em Durban. Esperamos que isso não aconteça. Esperamos que, de fato, Durban tenha uma decisão mais adequada sobre a questão do clima. Mas, enquanto isso, nós temos de tomar as nossas próprias iniciativas e fazer os nossos próprios trabalhos, nesse sentido, e cumprir os desafios que devemos cumprir. Entre eles está essa questão das cidades sustentáveis.

O Brasil é um país que ficou anos e anos sem investir em esgotamento sanitário, anos e anos. Eu me lembro muito bem, em 2005, quando a gente tinha ainda... a gente estava ainda sob a supervisão do Fundo Monetário Internacional – o governo ainda não tinha pago o Fundo Monetário Internacional e se livrado dele para sempre, eu acredito –, quando um funcionário do governo da área da Fazenda chegou para mim e disse: “Olha, o Fundo liberou o governo brasileiro para investir em saneamento”. Eu perguntei: quanto? Ele me disse: “500 milhões”. Quinhentos milhões, para vocês terem uma ideia, é o que nós colocamos em uma cidade hoje, em uma cidade. Então, 500 milhões, para o Brasil, era algo que a gente não pode nem mencionar.

Nós temos de fazer um grande esforço nessa área. Foi muito oportuno que o Prêmio colocasse esse como tema, porque, sem sombra de dúvida, nós temos vários desafios na área do Meio Ambiente. Nós temos o desafio de conter o desmatamento da nossa Amazônia e dos nossos biomas, e aí, ontem, a ministra Izabella e o ministro Mercadante deram uma notícia importante: nós conseguimos uma das reduções menores... a menor redução desde que se faz a medição.

Nós temos de usar energia renovável, mas nós temos também de perceber que “cidades sustentáveis” significa garantia de água, garantia da diminuição do comprometimento da presença humana sobre o Meio Ambiente. Principalmente no caso da água, a preservação de nascentes, a garantia de que nossos rios não se deteriorem, porque cidade e água são quase sinônimos. Nunca ninguém procurou, por si próprio, fazer uma cidade. A humanidade não fez isso: procurou fazer uma cidade no meio do deserto, onde não tivesse água. Cidade e água são algo que é fundamental e, portanto, garantir a preservação das nossas nascentes, de onde a gente coleta água, e como nós tratamos os resíduos que produzimos é uma questão essencial.

Daí porque alguns trabalhos devem, de fato, levar o nosso reconhecimento, tanto o Kaiodê, como a Uende, como a Ana Gabriela, como a Karin, a Cibele, a Beatriz, a Alejandra, a Sâmara e a Marina estão de parabéns.

Queria destacar que isso faz parte de algo que nós temos hoje o grande comprometimento de dar sequência. Queria afirmar para vocês que é um compromisso deste governo a questão do desenvolvimento científico e tecnológico deste país, e, portanto, a questão da educação. E não é uma questão para poucos, para dois ou três privilegiados.

Nós queremos uma qualidade da educação massiva. Está aqui o ministro Fernando Haddad, que foi responsável, e vem sendo, sistematicamente, um dos líderes da renovação da questão educacional no Brasil. Sem ele também, nós não teríamos a possibilidade de construir esse projeto, que é o projeto de transformar esta década na década em que o governo vai se preocupar, estrategicamente, com a questão da ciência e da tecnologia. Por quê?  Porque, por trás de qualquer ciência e de qualquer inovação, está lá a educação básica; porque, por trás de qualquer ciência e de qualquer inovação, estão as universidades, que nós resgatamos de um processo de deterioração sistemática; está a aplicação de recursos no que nós chamamos de colocar ênfase da creche à pós-graduação.

Agora, eu, especialmente, estou muito comprometida com o programa Ciência sem Fronteiras. Nós queremos levar 100 mil estudantes, até 2014, a estudar no exterior: 75 mil financiados pelo governo e 25 mil financiados pelos nossos parceiros da iniciativa privada. Aliás, como ocorre aqui em que a Fundação Roberto Marinho, a Fundação Gerdau e a GE participam desse esforço.

Esse projeto é um projeto em que nós queremos garantir uma oportunidade, lá fora, de estudo para os estudantes brasileiros nas melhores universidades da área de exatas, da área de ciências médica e de tecnologia da informação. Com isso, nós pretendemos junto também levar professores daqui para fazer pesquisa lá fora e trazer jovens cientistas e prêmios Nobel do exterior para o Brasil. Nós pretendemos construir, aqui, um espaço em que a ciência seja algo extremamente valorizado e queremos dar acesso para todos os estudantes - a começar para aqueles que vêm de famílias de mais baixa renda. Isso, para nós, é muito importante porque temos clareza de que o Brasil tem um grande desafio, que é transformar a sua juventude, é garantir a sua juventude, educação de qualidade e oportunidades em várias áreas: das artes, da cultura. Mas, agora, é importantíssimo que seja na área da Ciência e da Tecnologia.

Eu queria cumprimentar o professor Lázaro. Por que eu cumprimento o professor? Porque ele tem um papel estratégico nesse processo. E aí, eu quero dizer que o professor Lazaro é exemplo de uma definição forjada pelo nosso Paulo Freire que diz o seguinte: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as condições e as possibilidades para que esse conhecimento seja produzido ou seja criado novamente de uma outra forma ou construído”.

Nesse sentido, eu acho que aqui nós estamos celebrando isso. E, finalmente, eu queria dizer que o Mercadante tem razão. Não é só... agora, faltou uma coisa: não é só o colégio Stella Maris, nem a Universidade Federal de Minas Gerais, as coincidências são muitas na vida. Aqui, fala-se também do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix,onde parece que o Kaiodê é bolsista. Eu fiz o meu jardim de infância no Izabela Hendrix.

Agora, eu acredito que tem um elemento aqui que é essencial, e eu acho que a gente tem de reconhecer esse elemento essencial. Eu acho que é mais do que um elemento, é uma espécie de alma nessa questão toda, que eu acho que são as famílias. E vou dizer... ao saudar as famílias, vou saudar as mães, porque eu tenho certeza de que tem um orgulho enorme das mães em um momento desses, mas também tem uma dedicação extraordinária das mães, que são aquelas que olham uma oportunidade e incentivam os filhos a encararem o desafio, a se dedicarem, a estudarem.

Então, eu quero dizer que esse programa, esse programa que implica na valorização da ciência, da tecnologia, da inovação, dos estudantes obtendo bolsas para o exterior, dos estudantes tendo acesso ao ProUni, esse programa, ele também é um programa para a família, porque eu tenho certeza: se tem uma coisa que uma mãe quer é que o seu filho tenha novas oportunidades, possa crescer e possa se desenvolver.

Então, hoje aqui nós estamos em um momento muito especial e, sem sombra de dúvida, junto com as 6 mil creches que nós temos o compromisso de assegurar durante o meu governo, até 2014, porque a gente sabe que a diferença começa quando a criança é pequena e não tem os estímulos necessários... então, nós queremos que toda criança – mas toda criança mesmo – tenha acesso a um nível de incentivo para aprender e valorize o estudo.

Junto com isso, junto com o ProUni criado lá no governo do presidente Lula, do Fies, do Fundeb, nós, agora, estamos com o Pronatec, que é esse programa de ensino técnico, que é necessário para o nosso país e, sobretudo, prêmios como este – que não são propriamente governamentais, mas são iniciativas da sociedade civil – completam este arco de incentivos e de atividades que se colocam nesta hora.

Portanto, eu saúdo, imensamente, este Prêmio Jovem Cientista. Cumprimento, em especial – mais uma vez – a Fundação Roberto Marinho, a Fundação Gerdau e também a GE, porque eu acredito que essa não é só uma iniciativa a ser bancada pelo governo, e isso vai estar expresso no Ciência sem Fronteiras. Ela precisa da participação das nossas empresas, ela precisa da participação da nossa sociedade. Por isso, nós estamos em um momento, aqui, especial.

Parabéns a vocês, principalmente, parabéns a vocês que ganharam, porque eu acho que é extremo mérito de vocês terem... – porque depois que está realizado, está tudo tranquilo, parece que foi fácil – mas terem pensado, terem se esforçado e terem conseguido se destacar e mostrar a sua contribuição nesta área para todo o Brasil.

Parabéns a cada um e parabéns às famílias, mais uma vez.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra do discurso (21min) da Presidenta Dilma