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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de entrega de certificados aos formandos dos cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego - Pronatec

por Portal do Planalto publicado 19/12/2012 14h10, última modificação 04/07/2014 20h13

 

Palmas-TO, 19 de dezembro de 2012

 

Boa tarde a todos os estudantes que aqui estão neste dia fantástico no Tocantins.

Eu queria primeiro cumprimentar vocês, e dizer que eu estou muito feliz de estar aqui neste estado, que a gente pode dizer que é o coração do Brasil, porque é o centro geodésico do Brasil. Aqui está a força do nosso país e da nossa nação.

Queria cumprimentar também o senador, ex-senador aliás, Mercadante que veio aqui comigo, e que, junto comigo, está aqui no Pronatec, antes de cumprimentar o senhor governador, que fez um discurso agora que muito me comoveu.

Nós estamos aqui para esta ação, para esta atividade fantástica organizada pela CNA, pelo Senar, em parceria com o senador Mercadante, ex-senador Mercadante. Ele e a senadora Kátia Abreu merecem uma saudação especial porque são os condutores deste programa aqui no estado.

Queria cumprimentar também, e mais uma vez, pela parceria que tem tido com o governo federal, pelos gestos que tem tido de ação, de participação conosco, de iniciativa, o governador do estado, Siqueira Campos,

Cumprimentar os ministros Pepe Vargas, José Elito e Helena Chagas.

Cumprimentar também o vice-governador aqui do Tocantins, o querido João Oliveira,

Cumprimentar a desembargadora Jacqueline Adorno, presidenta do Tribunal de Justiça do Tocantins.

E queria cumprimentar os senadores, que são grandes parceiros no Senado Federal, começando pelo João Ribeiro, pelo João Costa e pelo Marco Antônio Costa,

Cumprimentar o deputado federal Irajá Abreu,

O prefeito de Palmas, Raul Filho,

O presidente da Câmara Municipal, Ivory de Lira,

O reitor do Instituto Federal do Tocantins, Francisco Nairton do Nascimento,

A diretora da Escola Municipal de tempo integral Maria Antônia,

As senhoras e os senhores secretários municipais.

Quero dirigir uma saudação especial, junto com os estudantes aqui do Pronatec, aos professores, a todos os professores do estado do Tocantins e em especial aos diretores regionais de ensino, às professoras do ensino fundamental e do ensino médio, aos professores, aos mobilizadores.

E um cumprimento especial a parceiros que nos ajudaram muito, que são os presidentes dos sindicatos rurais.

Queria dirigir um cumprimento especial, muito especial mesmo pelo talento que mostraram aqui para nós tocando com muito coração, com muita força, músicas do nosso Gonzagão, nosso memorável Gonzagão. Esses jovens que integram a Orquestra Sinfônica... Sanfônica, não Sinfônica da Escola Estadual Vila União.

Queria cumprimentar os senhores jornalistas, as senhoras jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas.

E dizer que, de fato, vir aqui ao Tocantins mais uma vez - porque eu estive na inauguração final de Estreito – para mim, vir aqui nessa cerimônia é um marco para Tocantins, para Palmas, mas é um marco para o Brasil. Porque eu estou aqui diante de quatro mil e cem brasileiras e brasileiros, jovens que participam e se beneficiam desse programa que é importante para todos nós no Brasil, o Pronatec.

E vocês, que são quatro mil e cem exemplos que nós temos de como é possível oferecer novas oportunidades para todos os cidadãos deste país. Nós, cada um de nós nasce diferente, cada um de nós tem as suas características. Mas, cada um de nós tem o direito de ter oportunidades iguais, similares, de educação, de saúde, de bem-estar, por isso, para mim, é uma honra estar aqui com os 4,1 mil exemplos de que o Brasil pode sim ter uma educação de alta qualidade. E mais, que nós podemos, através da educação, construir um futuro melhor para o Brasil e para os brasileiros.

Por isso, eu quero dizer para vocês que o Pronatec é um dos programas mais importantes do meu governo. É um programa para o qual eu dedico atenção e apreço, porque ele contribui de duas formas para o desenvolvimento do nosso país. Primeiro, porque ele amplia o acesso à educação, a essa educação profissional que nós queremos que os nossos estudantes tenham para ter acesso a um emprego, a um emprego de qualidade. E, segundo, justamente porque o Pronatec forma trabalhadores profissionais, profissionais que nós precisamos. Ele é uma coisa muito importante para o desenvolvimento do nosso país.

Eu, quando cheguei aqui ou quando passei ali para ver a nossa sanfônica, um jornalista me perguntou: “E a economia, presidente?” Pois eu quero dizer: a economia nós estamos resolvendo em muitos lugares - baixando juros; fazendo o câmbio ser um câmbio mais real; assegurando redução nas tarifas de energia, diminuindo os impostos, o que é muito importante para o país.

E, inclusive, eu quero dizer que, no próximo ano, essa vai ser uma das minhas maiores lutas: a redução dos impostos no nosso país. E construindo o futuro do país no presente, que é a formação profissional.

O Brasil, sem profissionalização, sem ensino técnico, o Brasil não vai para frente. Nós precisamos disso por vários motivos. Desde o fato de que nós precisamos ter maior competitividade até o fato - muito singelo, mas muito importante – que a gente precisa dar, aos jovens deste país, um caminho e um futuro. Um futuro de bem-estar, um futuro - como disse a nossa senadora Kátia Abreu - em que a vida seja plena, em que o potencial de cada um possa se desenvolver e crescer.

Por isso, eu quero dizer para vocês que a educação profissional, tem sim prioridade. E nós devemos reconhecer aqueles técnicos, aos profissionais formados um status especial. Nós somos um país que precisa de universitários pós-graduados, mas precisa muito do ensino técnico e profissionalizante. Porque nós queremos dar um salto neste país, para sermos um país mais desenvolvido e uma nação mais desenvolvida. Nós queremos construir uma nação de classe média empreendedora em que trabalhadores, pequenos empresários, médio empresários, grandes empresários, do campo, da zona urbana, através da indústria e dos serviços, todos eles permitam que o país se eleve e forme de fato na linha dos países avançados. Para isso, o nosso objetivo é ampliar o acesso gratuito ao ensino técnico, a qualificação profissional de qualidade.

Uma das principais iniciativas que nós tivemos foi simples, muito simples, foi nos articular com o Sistema S, que é um sistema de alta qualidade na formação profissional. Fazer aquilo que todo mundo deve fazer quando tem diante de si um desafio, juntar esforços, não poupar todas as iniciativas para colaborar, ter uma ação comum. E é o que nós fizermos. E aí, no Sistema S nós encontramos o Senar, no encontramos o Senai, o Senac e o Senat. Agricultura, indústria, comércio, transportes – com esses serviços nós nos juntamos para junto com o MEC, com os institutos federais de educação tecnológica, junto com toda a estrutura de escolas técnicas dos governos estaduais e junto com o Sistema S colocamos para nós um desafio. É importante ter um desafio. O nosso desafio é o seguinte: nós temos, até 2014, de formar e de oferecer oportunidades, vagas, para 8 milhões de brasileiros e de brasileiras.

E aí, no balanço, o balanço é positivo, o balanço é muito bom, porque esta parceria é forte – é governo e iniciativa privada, é a União e os estados, é todo mundo pegando junto. E aí, nós conseguimos. E é bom que a gente diga: este programa, ele tem um pouco mais de um ano. Ele não tem os dois anos, ele tem um ano e meio. Nesse um ano e meio, nós alcançamos a marca já de dois milhões e meio de jovens e trabalhadores matriculados ou formados em cursos oferecidos pelo Pronatec. E destes dois milhões e meio, 700 mil estão estudando nos institutos federais e nas escolas técnicas públicas por esse país afora, e outros um milhão e oitocentos fazem parte deste convênio que nós fizemos com o Sistema S. Nesses, eu tenho muito orgulho de estar aqui com os nossos 4 mil ou mais de quatro mil estudantes, meninas e meninos que começam a trilhar o caminho da vida adulta. Todos eles, eu perguntei, os que passaram recebendo o diploma, que é de cada um dos quatro mil e que eles simbolizavam, eu perguntei, eles tinhem entre 16, 17, 18 anos, nós sabemos que é o início da vida, que é aquele momento do sonho, em que se estrutura o sonho de cada um de nós e é por isso que é tão importante neste programa. É um sonho que nesta idade todos temos o direito de ter. Nós e nossas mães, porque a mãe, geralmente, sonha com o filho ou com a filha. Nós sabemos disso... e o pai também, e o pai também.       

Então, é um sonho da família, por isso eu fico muito feliz de saber que nós temos aqui uma história de êxito, uma história em que esses meninos e essas meninas mostram, para nós, que eles – os 4 mil e cem – têm um caminho próprio a trilhar.

Nós sabemos também que isso é o Brasil moderno, porque nós estamos aqui fazendo curso técnico para a agricultura brasileira. Aquela agricultura que nos orgulha em todo país que nós vamos, porque ela é uma agricultura que ela não só se beneficia da qualidade do nosso solo, da qualidade do nosso sol, da quantidade de água que nós temos, mas ela se beneficia do cérebro, da produção de conhecimento dos agricultores e agricultoras deste país.

E aí, esse é um diferencial. Foi a nossa capacidade de agregar conhecimento a tudo o que nós temos, que a gente sabe que, desde a carta do Caminha, se dizia “em se plantando, tudo dá”, eu diria que o Caminha, o Pero Vaz de Caminha tinha razão. Aqui em “se plantando, tudo dá”.

Mas dar uma forcinha para o “se plantando” é fundamental, e a forcinha está aqui, está nessa formação – bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, fruticultura, floricultura, técnico em operação de irrigação -, enfim todas as áreas necessárias para que a gente produza, e produza cada vez mais.

Eu estou certa de que isso significa que nós podemos transformar a vida em um mundo rural, em uma vida de tanta qualidade, como aquela no mundo urbano. Porque, no passado, o que levava ao êxito era a busca da luz elétrica, era a busca de um ensino melhor, era a busca de todos os serviços públicos melhores, que eu acredito que a nossa parceria é para transformar este lugar no chamado mundo rural brasileiro, onde nós possamos produzir agricultura com alta tecnologia, proteínas, animais com alta tecnologia também num mundo onde a vida, a qualidade da vida seja uma qualidade também que esteja à altura do que esse setor dá para a economia do nosso país como um todo.

Eu tenho certeza que nós temos de apostar na juventude. Ontem eu estive na celebração do Prêmio Jovem Cientista. São aqueles jovens que chegam a produzir ciência e tecnologia e, portanto, leva o prêmio. Eu estou hoje aqui com 4.100 jovens premiados também pelo seu diploma, e quero dizer que os jovens no Brasil têm uma característica especial, e nós, que somos um país complexo, nós temos de lidar desde a superação da pobreza extrema até a tecnologia de ponta, que produz avião, que faz biotecnologia, que olha toda a questão do DNA das sementes. Enfim, este país que combina, que precisa de fazer, simultaneamente, essas duas coisas: superar a pobreza e, ao mesmo tempo, se posicionar para ser uma das nações tecnologicamente mais desenvolvidas do mundo. Entre essas duas exigências tem uma ponte. Essa ponte tem nome: é a educação.

Por isso, eu considero importantíssimo que todo o dinheiro que nós tivermos dos royalties, das participações especiais ou do Fundo Social – dos rendimentos do Fundo Social do pré-sal – tenham uma destinação prioritária para a educação. E eu vou dizer por que para vocês, mais uma vez. Porque nós precisamos de ter creches, por isso que nós fazemos o programa das seis mil creches. Precisamos de alfabetizar os brasileiros e as brasileiras na idade certa, até os oito anos. Até os oito anos, menino neste país, menina neste país, tem de saber ler um texto simples, interpretar um texto simples, escrever um texto simples  e fazer as quatro operações.

Nós temos também de fazer educação integral, em tempo integral, dois turnos. Eu acho que tem de ter esportes, artes, etc. Mas, sobretudo, esses dois turnos têm de ensinar português, matemática, ciência e uma língua. É fundamental para o nosso país, e nós precisamos de recursos para pagar bem nossos professores, para dar condições deste país superar. E esse programa aqui, esse programa que é o Pronatec, que compõe esse quadro básico, esse quadro básico sem o qual nós não vamos dar o nosso salto.

Eu vou voltar aqui, eu vou voltar aqui no Tocantins. Eu quero ir lá no Jalapão. Eu quero ir no Jalapão porque eu sempre ganho aquelas pulseiras de capim dourado e ganho... mas não é só por isso. É porque todo mundo sabe, no Brasil, que o Jalapão é uma das nossas sete maravilhas. Tem sete maravilhas no mundo, nós devemos ter as sete e um pouco mais. E o Jalapão é uma delas.

Mas eu vou voltar aqui também porque hoje eu queria falar para vocês só de educação e Pronatec. E eu acho que nós temos muitas coisas a ver, aqui. Nós temos as estradas, nós temos de olhar a situação da saúde, nós temos de discutir todas as questões. Por exemplo, Minha Casa, Minha Vida. Eu vou falar no Minha Casa, Minha Vida porque eu não aguento sem falar do Minha Casa, Minha Vida. Porque eu acho que para todo mundo uma das coisas mais importantes é ter a sua casa. A casa é segurança, a casa é onde as pessoas criam seus filhos, estabelecem com seus amigos e sua família as relações afetivas. E quando se fala em segurança, casa é segurança. Qualquer um de nós, ao possuir uma casa, nós nos sentimos mais protegidos.

Por isso nós fizermos o programa Minha Casa, Minha Vida. Esse mês, no dia 04 de dezembro, nós comemoramos a entrega de 1 milhão de casas. E até o final de 2014, nós vamos contratar 2 milhões... mais 2 milhões e 400 mil casas. Essas casas... já tem 1 milhão contratada, então falta contratar 1 milhão e 400......para totalizar as 3 milhões e 400 casas... 400 mil casas que nós nos comprometemos a fazer a partir de 2009, ainda no governo do presidente Lula.

E aí eu queria dizer para vocês uma coisa. Aqui em Tocantins é absolutamente viável aumentar o número de casas. Primeiro, eu queria dizer para vocês que esse programa nosso é um dos programas, nesta área, um dos maiores do mundo. Até R$ 1.600 o governo subsidia praticamente entre 90% e 92% do valor da casa. Isso significa que as pessoas de mais baixa renda no nosso país têm direito a ter uma casa. De R$ 1.600 a, se eu não me engano, R$ 3.200, nós pagamos uma parte do valor da casa e a pessoa entra com o resto. E de R$ 3.200 a R$ 5.000 de renda mensal nós garantimos, fazemos um... damos uma garantia para o banco e pagamos todos os custos de serviço e do financiamento, o que permite às pessoas deste país terem acesso a sua casa própria. Por isso, esse é um programa – viu, governador Siqueira? – que eu gostaria de dar um grande impulso aqui no Tocantins.

E queria dizer para vocês que o que nós queremos, com tudo isso, é central... tem uma coisa que é central. Nós temos de valorizar as pessoas no nosso país. O nosso país é um país rico. Tem petróleo, minério, agricultura, indústria, mas ele tem um patrimônio maior que são... que somos nós, os 190 milhões, porque é o fato de nós sermos 190 milhões que nos torna respeitados. Porque nós somos um país continental, um país com uma população de 194 milhões, que hoje tem uma população, só de classe média, de 105 milhões de brasileiros. Nós somos um país diferenciado e nós temos de apostar, sobretudo, em assegurar riqueza para o nosso povo. Mas, que riqueza principal? Além do emprego, da renda, tem uma única riqueza, que cada um de nós carrega para onde vai: é a educação.

Nós carregamos ela que nem como se fosse uma pele, uma segunda pele. E é essa educação que eu dou prioridade absoluta no meu governo.

Por isso, eu quero dizer aos 4 mil e cem, aos professores, aos presidentes de sindicato rural, à CNA, à Kátia Abreu, ao ministro Mercadante, aos diretores de escolas e de institutos aqui presentes, enfim, aos professores e às professoras, parabéns para vocês.

Que esta festa marque o início de uma nova fase na vida de vocês, e que, nas nossas vidas, mais um passo em direção a um país rico e a um país desenvolvido.

Eu quero também desejar a cada um, a cada uma aqui presente, às suas famílias, um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

 

Ouça a íntegra do discurso (27min47s) da Presidenta Dilma.