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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de comemoração dos 10 anos do Programa Brasil Sorridente e de inauguração de 5 Centros de Especialidades Odontológicas

por Portal Planalto publicado 28/05/2014 20h40, última modificação 04/07/2014 20h22

São Bernardo do Campo-SP, 28 de maio de 2014

 

             Eu gostaria de iniciar cumprimentando todos aqueles que contribuíram para esse Centro, que a gente pode chamar de Centro Odontológico, mas, na verdade, ele é um Centro Brasil Sorridente. Essa é a fala mais forte, é a palavra mais... eu acho que sintetiza melhor o que ele faz: cria sorrisos. É difícil criar sorrisos, e aqui nós estamos inaugurando um Centro Odontológico que cria sorrisos.

Queria cumprimentar primeiro aqueles que construíram esse centro Brasil Sorridente. O Marinho tem um hábito que eu acho que é fantástico. Ele coloca, não sei se vocês perceberam, nessa placa que nós inauguramos, tem uma lista de nomes dos trabalhadores que construíram esse Centro Odontológico, Centro de Especialidades Odontológicas. Eu acredito que esse é um ato, é uma iniciativa que coloca claramente a homenagem àquelas pessoas que, com as suas mãos, o seu esforço, seu suor constroem o nosso país. Por isso, ao cumprimentar primeiro a eles, eu faço de público aqui um reconhecimento da importância dos trabalhadores deste país na construção da nossa nacionalidade e do nosso país.

Cumprimento também todos os profissionais da área odontológica, os dentistas, os técnicos, os auxiliares de saúde bucal porque eles são os profissionais que operam esse Centro. Aqueles construíram, esses operam o centro, todos são profissionais que orgulham nosso país.

Cumprimento também os funcionários administrativos que compõem essa unidade do Brasil Sorridente.

Queria dirigir um cumprimento todo especial ao nosso querido prefeito, Luiz Marinho, e também a uma mulher muito forte que sempre está junto dele e que nós reconhecemos como uma batalhadora e uma lutadora aqui por São Bernardo, a Nilza, Nilza Oliveira.

Cumprimento os ministros que me acompanham hoje, o ministro Arthur Chioro e o ministro Thomas Traumann.

Cumprimento também o nosso ex-ministro da Saúde, o ministro Alexandre Padilha, que muito lutou para implantar o Mais Médicos.

Cumprimento o deputado federal Vicentinho, especialmente pelo fato de que hoje ele viu aprovado o seu projeto, o projeto que cria o Hino da Negritude. Parabéns, Vicentinho!

Cumprimento também a deputada estadual Ana do Carmo.

Queria dirigir um cumprimento todo especial ao prefeito Jakes de Paula, prefeito de Rubiataba, no estado de Goiás, e, em nome do prefeito Jakes de Paula, eu cumprimento todos os prefeitos que estão participando de inaugurações de unidades do Brasil Sorridente: em Terra Santa, lá no norte do Brasil, no Pará; no Nordeste, no Rio Grande do Norte, em Lucrécia; e no nosso querido Rio de Janeiro, em Macaé. Cumprimento todos eles.

E aqui gostaria de dirigir um cumprimento especial aos prefeitos aqui desta região: Carlos Grana, de Santo André; Gabriel Maranhão, de Rio Grande da Serra; Hamilton Ribeiro da Rocha [Mota], de Jacareí; Kiko, de Franco da Rocha; Saulo Benevides, de Ribeirão Pires. Queria dizer a todos eles que eu teria imenso prazer de ir em cada um desses municípios e, em alguns, inaugurar unidades do Minha Casa Minha Vida, em outros, obras de saneamento, enfim, gostaria muito de visitá-los. Talvez eu consiga fazer lá em Santo André, Grana, a inauguração das 880 unidades, casas e apartamentos, e aí dar uma “estendidinha” e ir lá em Diadema. Vamos construir essa agenda e... Eu sei, eu sei, eu sei, eu sei. Eu queria te dizer também que eu vou dar um jeito de ir lá no seu município. Ô Gabriel, eu vou fazer um esforço para ir em Rio Grande da Serra. Quero te dizer, vou fazer um grande esforço, tá?

Queria cumprimentar o presidente da Câmara de Vereadores, vereador Tião Mateus.

Um cumprimento especial para o Frank Aguiar, o vice-prefeito de São Bernardo do Campo.

Cumprimentar o Gilberto Pucca, coordenador-geral de saúde bucal do Ministério da Saúde.

A Odete Gialdi, a secretária de Saúde de São Bernardo do Campo, que substituiu o nosso querido Arthur Chioro quando eu, de uma forma muito eficiente, tirei o Chioro do Marinho.

Queria também cumprimentar o Wilson Chediek, o presidente da Federação Nacional dos Odontologistas, e dizer que eu estou muito feliz com a presença da Federação neste ato.

Cumprimentar o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, nosso querido companheiro Rafael Marques.

Cumprimentar também... não está aqui, mas eu vou cumprimentar, o presidente da FUP, o nosso companheiro Moraes. A FUP é a Federação Única dos Petroleiros.

Cumprimentar a senhora Mônica Elvira Guimarães Moutinho, que é prima da dentista que leva... que deu o nome a esta clínica, a Cinthya Magaly Moutinho de Souza, que era uma pessoa que desenvolvia trabalho social, que infelizmente sofreu um crime bárbaro e que hoje nós todos aqui homenageamos não só pelo fato de ser uma grande dentista, mas também pelo fato de ter sido uma cidadã brasileira que buscava construir a paz. Por isso, Mônica, receba toda a nossa homenagem.

Cumprimentar o José Mário Postal, e aí, eu cumprimento, viu José Mário, todos os beneficiários do Programa Brasil Sorridente, e quero te dizer que seu sorriso está, de fato, muito bonito. Você pode começar a sorrir e não parar mais.

Cumprimento os senhores e as senhoras jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Nós estamos aqui hoje celebrando dez anos do Brasil Sorridente, vejam vocês que é dez anos. Nesses dez anos nós lutamos para quê? Nós lutamos para que a saúde bucal, os nossos dentes, todo o tratamento bucal, que, como disse o Chioro, é a porta de entrada daquilo que nos alimenta e faz com que nós continuamos vivendo, daquela água que nós bebemos e faz com que nós sobrevivamos, que faz também com que nós sejamos humanos, porque uma coisa que nos diferencia de qualquer outra espécie, nós nos comunicamos pela fala, e ainda mais humano do que tudo, nós somos aquela espécie que sorri e também chora, mas sorri, que acha graça, que ri. Então, ter conseguido transformar numa política de saúde pública a saúde bucal é uma grande conquista do governo do presidente Lula e do meu governo.

Nesses dez anos nós, de fato, mudamos um procedimento. Nós completamos o SUS, porque enquanto não tinha saúde bucal, a Atenção Básica estava incompleta, não era integral. A partir do momento em que, lá em 2004, nós iniciamos esse processo, a saúde bucal passou a integrar o Sistema Único de Saúde.

E aí eu quero dar o meu depoimento. Antes do Brasil Sorridente, de fato, a gente tinha, em muitas oportunidades, histórias muito dramáticas de pessoas que às vezes não conseguiam um emprego porque não tinham todos os dentes, de pessoas que, para falar, tampavam a boca porque não tinham os dentes. E aí eu quero testemunhar o fato que o presidente Lula era uma pessoa que olhava e entendia a vida do nosso povo, que sabia das carências do nosso povo, que sabia o que era não ter toda sua dentadura completa, e aí sabia o que era uma dor de dente, que tinha vivido e convivido com isso. Então, da sensibilidade do presidente Lula nasceu a importância que o governo do presidente Lula atribuiu ao Brasil Sorridente.

Eu acredito que o Brasil Sorridente integra o nosso caminho para a cidadania porque ter saúde bucal é ser cidadão. Então aqui nós estamos num ato que é sintetizado numa palavra. A palavra que sintetiza este ato, Marinho, é dignidade. Aqui trata-se de dignidade - de dignidade - aqueles que, de fato, têm o compromisso com a dignidade dos brasileiros e das brasileiras. Por isso, eu saúdo mais uma vez o prefeito Marinho por essa iniciativa e os prefeitos que hoje estão ligados a nós numa cerimônia similar.

Agora, quem antes de 2003 tinha acesso à ação dos dentistas, ao tratamento dentário, quem tinha? Muito poucas pessoas. O que eu acho que nós iniciamos nessa trajetória de 10 anos, e, vejam bem, o SUS tem 25, como me alertou a Secretária, e o Brasil Sorridente tem 10. Então, tem 15 anos sem saúde bucal na história passada. Nós estamos correndo atrás daquilo que não fizeram e fazendo a nossa parte, nós estamos fazendo essas duas coisas: correndo atrás e fazendo a nossa parte.

Nós herdamos esse passivo, e esse passivo era feio, gente, não era bonito, não. Olha como é que era: em 2003, cerca de 13% dos adolescentes nunca tinham ido a um dentista; 45% dos brasileiros não utilizavam a escova de dente de forma regular; e um quinto da nossa população já tinha perdido os dentes. É esse quadro que o Brasil Sorridente começa, lá em 2004, a modificar, e durante esses dez anos tem dado prova de que nós temos o compromisso com modificar esse quadro, até por que dez anos atrás o tratamento que estava disponível não era esse dado aqui, não. Era o mais simples possível. Dor de dente, senta na cadeira e se arranca o dente, ou seja, criava um problema para a pessoa, tirava dela o dente ao invés de tratar o dente.

Esse, é com esse... com essa situação e com esses procedimentos que nós rompemos, porque nós estamos aqui no CEO, nesta unidade do Brasil Sorridente, para impedir que fiquem arrancando dente por aí. Arrancar dente é a última das últimas das últimas medidas. Só quando não tem jeito nenhum é que se faz isso. E aqui, como é um Centro de Especialidades, aqui se faz todo o tratamento para que as pessoas não percam os dentes, que fiquem com os seus dentes, e aqueles que já perderam, que adquiram os seus dentes, que tenham acesso a isso. Outro dia, uma senhora me contava o seguinte, que uma senhora... aliás, quem me contou foi o Chioro, que uma senhora botou sua dentadura e correu para comprar um milho, e ó, porque fazia tempo que ela não comia milho. São coisas as mais elementares possíveis que transformam a vida da gente e que transformam para melhor.

O Brasil Sorridente faz parte do compromisso dos nossos governos, com quem? Com o povo deste país. A grande maioria da população deste país que, num determinado momento, foi vista, nós olhamos e vimos que ela era a parte que estava relegada a segundo plano e que tinha de ser elevada para o primeiro plano. O Brasil Sorridente, no que se refere ao tratamento bucal, eleva à cidadania milhões de brasileiros.

No ano passado nós já mudamos muito essa realidade. Foram realizados em torno um pouco mais de 16 milhões de procedimentos odontológicos especializados, três vezes mais que antes da implantação do Brasil Sorridente, justamente resgatando isso que eu estou falando, a capacidade das pessoas de manterem intacta ou terem reposicionada, no caso do tratamento, quando a gente precisa de botar aparelho, ou colocar uma dentadura para recuperar os dentes que foram perdidos.

Mas tem uma coisa importantíssima: crianças, adolescentes. Criança neste país, nesses últimos dez anos, entrou numa vida diferente, porque ampliamos a fiscalização e olhamos a questão do flúor na água. Criança hoje tem muito menos cárie no Brasil do que tinham as crianças da minha geração. Da geração do Marinho já era um pouquinho melhor, mas não tanto, não tanto. A minha era a pior de todas, viu Marinho, sou mais velha que você. Mas, as crianças dos últimos dez anos, elas tiveram esse cuidado.

Mas aí eu quero falar para vocês é do futuro. Nós só devemos ficar contentes quando a gente universalizar neste país, nas Unidades Básicas de Saúde, um espaço para o tratamento de dentes, para a saúde bucal. Nós só ficaremos satisfeitos quando, apesar do grande aumento de unidades do Brasil Sorridente, nós tivermos essas unidades espalhadas por todo o Brasil de uma forma a garantir o atendimento da nossa população. É uma rede que nós temos de construir. A boa notícia é que ela está num processo adiantado de construção.

Nós criamos, nesse período, um conjunto de iniciativas que transformaram o panorama. Hoje são 1.300 [1.013] Centros de Especialidades em funcionamento em 838 municípios. Eu queria dizer que uma coisa é muito importante, que desses 400... desses 1.300 [1.013], 425 unidades do Brasil Sorridente estão incluídos na Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, o que é muito importante porque o meu governo é adepto da concepção que a pessoa com deficiência é uma pessoa que tem de ter direito a viver sem limites, e aí, para ela, é fundamental o acesso a tratamento especial.

Quero dizer também que este ano mais 100 centros do Brasil, unidades do Brasil Sorridente vão ser incorporados à Rede. São muito importantes e, neste evento, como disse o Ministro, nós credenciamos mais oito: em Pernambuco, Água Bela; na Paraíba, Aliandra e Aparecida; no Rio de Janeiro, Angra dos Reis; em Mato Grosso do Sul, uma cidade chamada Campo Grande, que é uma grande cidade do Mato Grosso, que é a sua capital; Hidrolândia, em Goiás; São João da Boa Vista, em São Paulo; e em Manaus, no Amazonas, a Universidade Estadual do Amazonas.

Outra coisa, eu não vou cansar vocês com números, até por que eu vi e escutei e acho que a fala do ministro Chioro foi uma fala completa. Mas o dado de 500 mil próteses, e aí estão incluídas pontes fixas e móveis e dentaduras, essa marca, para nós, de 500 mil próteses, que é mais do que se fazia antes do Brasil Sorridente. Vejam bem, 20 vezes maior.

Eu quero falar de uma outra coisa, que me chamou atenção, que eu vi fazendo a visita aqui dessa unidade do Brasil Sorridente. O que é? São os equipamentos. Nós (falha no áudio) a demanda do Sistema Único de Saúde é uma das maiores do Brasil em matéria de medicamentos e equipamentos. Este processo de construção do Brasil Sorridente resultou também no aumento do emprego, porque resultou num aumento da demanda por produtos, equipamentos, todos eles de qualidade, que equipam essas unidades do Brasil Sorridente. Fornecidos por quem? Pergunta: importados? Não! Produzidos no Brasil, produzidos no Brasil, gerando emprego no Brasil, gerando renda no Brasil. Aí eu perguntei: e os materiais? Também produzidos no Brasil. Aquelas coisas que eles ficam misturando antes de botar no dente da gente? Produzidos aqui no Brasil. Anestesia, produzida aqui no Brasil.

Isso é muito importante porque eu sei que vocês sabem que a indústria da saúde é uma indústria importante e a indústria da saúde bucal também. Eu sei que tem muitos dentistas neste país afora, que tem inclusive ações extremamente avançadas no sentido da inovação, porque tratam dos defeitos que as pessoas nascem, tanto lábio leporino, quanto de fenda, e esse é um processo que para mim só engrandece o meu... a minha homenagem, aumenta a minha homenagem, engrandece o meu respeito por essa profissão dos dentistas.

E quero dizer que a obra-prima que nós aqui fazemos é assegurar para cada brasileiro, para cada brasileira, o direito de sorrir sem esconder a boca. É esse... o que nós... é isso que nós estamos garantindo aqui: o direito ao sorriso. O Chioro avançou um pouco e disse que também o beijo. Eu concordo, também o beijo. Aqui está o direito do beijo e do sorriso.

Eu não podia encerrar sem dirigir um cumprimento especial para os médicos do Mais Médicos. Eu quero dizer para vocês que os médicos e as médicas do Mais Médicos, tanto os brasileiros formados aqui e que aderiram ao Mais Médicos, como os brasileiros formados fora do Brasil e que aderiram ao Mais Médicos, como os estrangeiros, mas eu queria dirigir um cumprimento especial aos médicos cubanos, aos médicos e às médicas cubanas. Esse cumprimento especial é, primeiro, cheio de gratidão, de imensa gratidão pela forma generosa pela qual eles cuidam do povo mais pobre deste país, e também, não tão pobre assim, mas que até então não tinham acesso a um médico que tivesse uma relação sistemática com eles.

O Chioro contou uma história, ou foi o Marinho. Foi o Chioro. Eu vou contar uma outra para vocês. É sobre uma moça que levou, que estava com um problema de saúde e não tinha com quem deixar a sua filha pequena e levou a menina junto, na consulta. Foi consultada e quando ela estava saindo a médica lhe disse, a médica virou para a moça e falou: “Veja bem, eu estou achando que essa menina sua não está bem, está com alguma coisa”. Ela, a médica, então falou para a mãe: “Mãe, vamos fazer um exame?” Fez um exame na menina. O que ela constatou? Que a menina estava com pneumonia e bronquite. Veja bem, ela não tinha levado a filha, ela foi ser consultada e a médica teve a generosidade de atender a filha dessa mãe.

Eu quero dizer para vocês que, como esse, tem milhões de casos, milhares de casos. Então, o meu agradecimento aos médicos cubanos aqui presentes. Eu já os cumprimentei lá fora, mas quero dar um beijo no coração de cada um e de cada uma.

Eu queria cumprimentar todos aqueles que estão nessa atividade, na atividade de saúde, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, agentes e todos os demais. Um abraço a todos.

 

Ouça a íntegra (30min11s) do discurso da Presidenta Dilma