Você está aqui: Página Inicial > Mandatos de Dilma Rousseff (2011-2015 e 2015-2016) > Discursos > Discursos da Presidenta > Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de batismo da Plataforma P-59

Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de batismo da Plataforma P-59

por Portal do Planalto publicado 13/07/2012 14h48, última modificação 04/07/2014 20h12
A presidenta Dilma Rousseff afirmou, durante a cerimônia, que vai transformar a crise econômica internacional em oportunidade para o Brasil melhorar as condições de produção

 

Maragojipe-BA, 13 de julho de 2012

 

Eu queria começar cumprimentando os funcionários da Petrobras, os... Eu também te amo, fica tranquilo. Os funcionários da Petrobras, os funcionários das empresas que construíram esta plataforma. E queria dizer que é um orgulho imenso estar aqui e ver esta plataforma realizada, porque durante muito tempo eles disseram que essa plataforma não era possível, que nós estávamos completamente loucos de querer produzir uma plataforma no Brasil. Por isso, eu tenho certeza que aqui se demonstra a competência, a capacidade, todo o esforço feito pelo povo brasileiro e aqui, especificamente, pelo povo baiano, na construção de uma plataforma com esta.

E aí eu queria aqui mencionar um funcionário da Petrobras, ele chama Frederico, ele está há 34 anos na Petrobras. Você podia levantar, Frederico? Há 34 anos. E, aí, ele viveu esses 34 anos fazendo justamente o que esta plataforma faz, que é fazendo a pesquisa para descobrir o petróleo, para perfurar e para extrair o petróleo, e enriquecer o Brasil. E ele concebeu essa, vamos dizer assim, o modelo de engenharia dessas duas plataformas: essa, P-59, e a P-60, que vocês viram, que está ali perto. Então, eu queria pedir uma salva de palmas para o Frederico, que representa a capacidade do Brasil de produzir plataformas.

Queria cumprimentar o meu querido governador Jaques Wagner e a nossa querida amiga Fátima Mendonça, madrinha desta plataforma, que eu tenho certeza que vai dar a esta plataforma, vai emprestar à plataforma o seu charme.

Queria cumprimentar aqui os ministros de Estado: Paulo Passos, dos Transportes; o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, responsável também pela viabilidade desta plataforma. Queria cumprimentar a ministra Helena Chagas.

Dirigir um cumprimento especial ao querido vice-governador aqui da Bahia, Otto Alencar.

Cumprimentar os senadores Lídice da Mata e Walter Pinheiro,

Cumprimentar aqui também os deputados federais presentes: Afonso Florence, Daniel Almeida, Luiz Alberto, Luiz Argolo.

Queria cumprimentar o secretário estadual de Planejamento, José Sergio Gabrielli, mas cumprimentá-lo, sobretudo, como ex-presidente da Petrobras e o grande gestor que propiciou a construção dessa plataforma, juntamente com o diretor de engenharia, o ex-diretor de engenharia, Duque. Queria cumprimentar o senhor Carlos Costa, secretário estadual da Indústria Naval e Portuária; a querida presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster. O nosso prefeito aqui de Maragojipe, Sílvio Ataliba; a senhora Moema Gramacho, vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos. O senhor Fernando Barbosa, presidente do estaleiro Enseada do Paraguaçu; os empresários do consórcio construtor da plataforma.

Cumprimentar aqui o Marcelo Odebrecht, da Odebrecht; o Ricardo Ribeiro, da UTC; Ricardo Galvão, da Queiroz Galvão. Cumprimentar também o parceiro, o empresário parceiro de origem japonesa da Kawasaki, que é uma das pessoas que vai participar do processo de estabelecimento do nosso estaleiro, aqui ao lado. Queria cumprimentar um querido amigo, João Antonio de Moraes, que, além de amigo, é coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros. Cumprimentar senhoras e senhores, moradores da comunidade quilombola, da Enseada de Paraguaçu. Voltar e cumprimentar a todos vocês, trabalhadores e trabalhadoras, aqui, responsáveis por essa construção.

Hoje eu participei, além dessa, de uma outra cerimônia. As duas cerimônias para mim são excepcionais. Por que? Porque eu sou da época que no Brasil se dizia, e essa época não é tão distante - como eu disse para vocês -, que a gente não era capaz de fazer plataforma. Que a gente devia importar tudo e transferir todo o dinheiro - que ficaria muito agradecido pelo dinheiro -, para as viúvas e trabalhadores e trabalhadoras de outros países. Mas nós teimamos, porque o Brasil tem um povo que é capaz de teimar. Então nós fomos lá e teimamos.

Somos capazes, sim, de construir plataforma. Somos capazes, primeiro, porque somos capazes de construir tanta coisa. Somos capazes de ter descoberto petróleo nesse país, quando diziam que não existia petróleo aqui nesse país. Somos capazes também de ter achado o pré-sal, somos capazes de ter construído um país dessas dimensões. E porque não seríamos capazes de voltar e construir plataformas? Já que temos indústria, já que temos trabalhadores com grande capacidade e já que tínhamos construído no passado. Que o mais interessante, gente, é que nós fomos a segunda maior indústria naval do mundo até os anos 80. Quando nós resolvemos, novamente, construir a plataforma foi por teimosia de um brasileiro chamado Lula. Esse brasileiro teimou, e teimou, que nós somos capazes sim de construir plataforma, até porque conhecia a capacidade do trabalhador e da trabalhadora deste país.

E nós, hoje, estamos aqui, depois de uma enormidade de anos, parece que mais de vinte anos, construindo a primeiro sonda novamente aqui no Brasil. isso é um imenso orgulho, mas é, sobretudo, uma promessa de futuro.

O que se tem aqui nesta plataforma não é só aço, não é só esse fantástico elevador, essa estrutura que é capaz de elevar a plataforma, como vocês viram, nem apenas todo o sistema altamente computadorizado, que permite que se extraia, sem um grande risco para o ser humano, que se extraia o petróleo. O que está aqui é um caminho de futuro, é o fato de que nós vamos continuar gerando aqui emprego e renda para a população brasileira.

E é isso que compõe a grande parte do meu orgulho de estar aqui, porque é a afirmação de que nós podemos fazer plataformas, que nós somos capazes, e vamos enfrentar cada vez mais os desafios para garantir, para a população deste país e deste estado, emprego de qualidade, emprego com alta tecnologia. Vamos continuar produzindo para dar para os nossos filhos, para os nossos netos, empregos cada vez melhores e riqueza cada vez maior para este país.

E aí, eu quero falar uma coisa para vocês: eu sei que aqui tem muita gente que foi treinada pelo Prominp. Porque é importante perceber que, quando a gente cria uma indústria naval, nós temos de capacitar os nossos trabalhadores. E eu quero dizer para vocês que o grande compromisso com o meu governo não é só fazer a plataforma, é garantir que os trabalhadores e as trabalhadoras sejam capacitados e possam enfrentar trabalhos que dizia: “Ah, não tem trabalhador especializado no Brasil”. Terá. Se não tem, vai ter. E, se tem, será empregado.

Eu quero aproveitar também vocês todos aqui e compartilhar com vocês uma grande preocupação que nós devemos ter com nosso país, que é garantir, para este país, um desenvolvimento que beneficie as pessoas. Podem dizer o que quiserem, mas um desenvolvimento só merece esse nome se beneficiar a cada um dos brasileiros e das brasileiras.

Foi-se o tempo em que era concebível que o bolo precisava crescer primeiro para ser distribuído depois. Agora, nós, à medida que construímos o bolo, nós repartimos o bolo, e isso leva sempre a um bolo muito maior que do inicial.

E eu quero dizer para vocês uma outra coisa: hoje, o mundo passa por uma situação de crise internacional. Eles, hoje, em vários países do mundo, estão fazendo o seguinte: cortam o 13º salário - como foi o caso da Espanha nesta semana -, cortam 30% dos salários dos vereadores, aumentam os impostos e o país vai de mal a pior. Tem países europeus hoje com uma taxa de desemprego de 25% e com uma taxa extraordinária de quase metade da população jovem.

O Brasil está em outro caminho. O nosso caminho não é esse, não é igual ao deles. O nosso caminho é manter o nosso desenvolvimento e buscar, cada vez mais, garantir que os bônus, as vantagens e os lucros desse desenvolvimento sejam distribuídos pelo povo brasileiro.

Esse caminho, nós viemos construindo desde quando o presidente Lula assumiu o governo, em 2003. Agora, em 2011/2012, nós atingimos uma nova fase dele. Qual é a fase que nós atingimos? Nós estamos modificando algumas condições no Brasil que eram entraves ao crescimento econômico sustentável no país.

A primeira grande mudança tem sido a redução dos juros. Os juros neste país estão em um nível, que nunca antes – como diria o presidente Lula – na história deste país, eles atingiram.

A outra questão diz respeito às taxas de câmbio que impede que a nossa indústria seja sucateada por produtos com taxas de câmbio manipuladas que, porventura, venham do exterior.

E uma terceira questão diz respeito também – e nós prosseguiremos nesta meta – diz respeito também à redução de impostos. Nós, progressivamente, iremos transformar a crise em uma oportunidade para cada vez mais melhorar as condições do nosso país de produzir, crescer, aumentar sua renda e distribuir.

Além disso, nós queremos, de forma sistemática, diminuir os custos no Brasil. Não da forma como eles estão fazendo lá fora, que é reduzir, primeiro, o salário e, segundo, os ganhos sociais que os trabalhadores conquistaram, ao longo de toda uma história e uma vida de lutas. Nós queremos reduzir os nossos custos, baseado na redução dos impostos e na capacitação cada vez maior da nossa força de trabalho. O nosso caminho não é o caminho de tirar direito dos trabalhadores, o nosso caminho é outro, e nós vamos persegui-lo, vamos nos dedicar a ele sistematicamente.

O meu governo, eu posso assegurar a vocês, está atento para garantir que o nosso país, diante dessa situação internacional, tenha um desempenho o melhor possível, e saia dessa crise aproveitando oportunidades que sempre uma crise traz.

Ao mesmo tempo, eu quero dizer a vocês que parcerias como essa, como a construção dessa sonda, como o que significa a volta para o Brasil de estaleiros, que estavam desaparecidos do nosso cenário desde 1980. Parcerias como essa, entre uma empresa como a Petrobras e esses estaleiros e essas pessoas de empresas que construíram essa sonda serão a nossa busca. Nós iremos tratar de fazer concessões em várias áreas e assegurar uma taxa crescente de desenvolvimento e de investimento para o nosso país.

Finalmente, eu quero encerrar dizendo que eu tenho imensa confiança na capacidade do meu povo, do povo brasileiro, de enfrentar desafios e encontrar soluções. Nós somos um país jovem, mas, sobretudo, eu acho que nós somos um país de pessoas trabalhadoras e criativas, e somos também um país de pessoas alegres. Acho que essas nossas características são responsáveis pela capacidade que eu enxergo no Brasil, de ser um país que vai construir seu caminho, ao longo desse século XXI, e se transformar numa das maiores nações do mundo, porque, em primeiro lugar, vai olhar para o seu povo, para a sua população, para os seus brasileiros para as suas brasileiras.

Um abraço no coração e um beijo também.

 

Confira a íntegra do discurso (17min38s) da Presidenta Dilma.