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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de assinaturas de ordens de serviço de barragens, do convênio da barragem de Serro Azul e de contratos do programa Minha Casa, Minha Vida

por Portal do Planalto publicado 30/08/2011 14h54, última modificação 04/07/2014 20h07
Para o programa de financiamento das CPAC serão investidos R$ 300 milhões em obras de infraestrutura de 37 empreendimentos em 23 municípios pernambucanos atingidos por enchentes. Já as ordens de serviço referentes à construção das barragens de Panelas II e Gatos contarão com recursos da ordem de R$ 65 milhões

 

Cupira-PE, 30 de agosto de 2011

 

Eu queria, primeiro, dar um abraço aqui nesses pernambucanos de Cupira, que me recebem com essa fraternidade, com esse carinho. Muito obrigada. Eu começo a minha fala, viu, Eduardo, pelo muito obrigada, pelo carinho.

Eu quero cumprimentar, aqui, este grande parceiro – grande parceiro do governo do presidente Lula e agora do meu governo –, meu querido governador Eduardo Campos,

A nossa grande primeira-dama, minha amiga Renata Campos,

Cumprimento também os meus ministros de Estado que me acompanham nesta viagem aqui a Pernambuco, começando por Cupira. O ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional; o ministro das Cidades, Mário Negromonte; a ministra Helena Chagas, da Comunicação Social; e o nosso bravo ministro da Educação, Fernando Haddad,

Queria cumprimentar o senhor vice-governador, João Lyra Neto,

O deputado Guilherme Uchoa, presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco,

Os nossos senadores Armando Monteiro e Humberto Costa,

Nossos deputados federais, Eduardo da Fonte e João Paulo,

Queria dirigir um cumprimento especial ao bispo de Palmares, dom Genival Saraiva,

Cumprimentar o Jorge Hereda, presidente da Caixa,

Queria dirigir um cumprimento todo especial, do fundo do coração, ao nosso prefeito de Cupira, José de Luna, e a primeira-dama Ednalva Maria,

Queria cumprimentar também o vice-prefeito de Cupira, Edson Calado,

O vereador, presidente da Câmara Municipal, Cícero de Melo,

Queria dirigir também um cumprimento especial ao prefeito Sávio Omena, presidente do Consórcio de Municípios do Agreste e Mata Sul de Pernambuco,

Queria cumprimentar também os prefeitos aqui presentes, porque os senhores prefeitos são parceiros essenciais para o governo federal,

E em sinal desse respeito, eu cumprimento o prefeito de Bonito, Ruy Barbosa; de Agrestina, Carmem Miriam de Azevedo Alves; de Belém de Maria, Wilson de Lima e Silva; de Catende, Otacílio Alves Cordeiro; de Jurema, José Ailton Costa; da Lagoa dos Gatos, Reinaldo Santos Barros; de Maraial, Marco Antônio Oliveira [Ferreira] Soares; de São Joaquim do Monte, José Lino,

Queria cumprimentar também os jornalistas e as jornalistas, os cinegrafistas e os fotógrafos.

Eu quero dizer para vocês que, para mim, é uma grande alegria retornar aqui a Pernambuco e, especialmente, aqui em Cupira. Eu me orgulho muito de ser a primeira presidente, ou presidenta, que visitou o município de Cupira. E me orgulho por alguns motivos. Primeiro, porque eu estou aqui neste valoroso, neste corajoso estado de Pernambuco; e depois porque eu estou aqui em Cupira, em uma região que foi dramaticamente afetada por um desastre natural de grandes proporções. Eu tenho certeza de que se o presidente Lula não esteve aqui, ele gostaria de ter estado, e estaria, se pudesse, hoje. E tenho certeza porque eu assisti a imensa comoção do Presidente quando ele retornou de uma visita a esta região e contou para nós o drama humano, o drama das populações que foram atingidas por essa enorme enchente, no ano de 2010.

Então, eu quero dizer para vocês que hoje eu estou aqui com o meu coração em festa, porque eu tenho certeza de que nós, brasileiros, que somos pessoas trabalhadoras, que gostamos de viver a vida em felicidade, temos obrigação de colocar nossa cabeça para funcionar e nos prevenirmos de desastres naturais.

Então, essa parceria com o governo do meu querido Eduardo Campos é a parceria da prevenção. Nós estamos aqui para impedir que esta região seja outra vez assolada por essa catástrofe que desencadeia dramas humanos, pessoais, de perda de patrimônio e, muitas vezes, de perda de vidas. Por isso, eu tenho imensa satisfação de estar assinando aqui o início da construção da barragem de Cupira e da barragem de Gatos, e também o convênio para a barragem de Serro Azul, que é o início – com essas três barragens – das cinco que nós vamos construir aqui em Pernambuco.

Outro drama, também, que muito me emocionou e que eu assumo aqui com vocês também o compromisso – através do ministro Negromonte, das Cidades, e do Presidente da Caixa – é a reconstrução das casas, dos lares, porque uma casa e uma moradia são fundamentais para que as pessoas possam construir as suas vidas, criar seus filhos, receber os amigos e, sobretudo, ter aquele lugar, que é o lugar de segurança, é o lugar da proteção, é o lugar onde nós nos permitimos descansar.

Quando ocorreu essa catástrofe nós nos emocionamos, porque nós sabemos a importância que uma família dá para a sua casa, para o seu lar, e perdê-lo é um momento muito dramático na vida das pessoas. Assim, também, eu fico muito feliz de estar aqui e de dar início, também, a este extraordinário projeto, que é a construção das mais de 15.600 casas aqui na região.

Eu fui procurada pelo governador Eduardo Campos, que me disse o seguinte: “Olha, nós não temos um local melhor para localizar essas casas. Ou nós colocaremos em cima dos morros, numa plataforma, ou vamos novamente estar ameaçados, quando houver enchente, que essas casas sejam derrubadas e alagadas”. E isso vai requerer que nós tenhamos também recursos para fazer uma terraplanagem, para criar toda uma rede de esgoto, de água e de luz elétrica.

Isso significou que nós, além de aportarmos recursos para a construção dessas mais de 15,6 mil casas, através do programa Minha Casa, Minha Vida, vamos também encarar esse desafio de construir aqui um local seguro para que essas casas possam ser construídas.

E aí, eu queria dizer para vocês que é um imenso orgulho, para mim, estar aqui hoje dando início a essas obras e a essas iniciativas. E quero falar para vocês que essa é uma preocupação permanente do meu governo. Nós vamos iniciar esse programa sistemático de olhar para as regiões onde há inundações e deslizamento de morro, e oferecer os recursos necessários através do Programa de Aceleração do Crescimento.

Serão de fato 11 bilhões que nós destinaremos para essas obras. E nós iniciamos, entre outros lugares, por Pernambuco para poder prevenir e garantir que este estado, que é merecedor do nosso respeito, esta região, que é merecedora do nosso respeito, e esta cidade continuem trilhando o imenso esforço que é feito aqui, porque aqui a taxa de crescimento do emprego, da renda e da oportunidade é maior que a taxa de crescimento do Brasil.

Nos últimos anos, este estado fez um enorme esforço e se desenvolveu, e está de fato em um momento muito especial. Isso significa que aquele ciclo virtuoso, que foi trazer para Pernambuco, e essa é uma parceria que eu julgo das melhores parcerias realizadas nos últimos anos, desde o período do governo do presidente Lula, e que eu continuo assumindo esse compromisso.

Aqui nós vamos ter um projeto do porte daquele do estaleiro Atlântico Sul. Aqui nós vimos a implantação da Refinaria Abreu e Lima, que eu tenho o compromisso de continuar. Aqui nós temos esse generoso projeto, que é a integração do São Francisco, que nós iremos concluir ainda durante o meu mandato.

Mas aqui eu acho que houve uma modificação muito importante. É a grande confiança, a grande esperança e a autoestima que eu enxergo nos olhos de cada um dos pernambucanos, que sabem que seu estado hoje é um dos estados que mais crescem no Brasil.

E aí eu quero dar um recado, um recado carinhoso, uma explicação a respeito desse momento que nós estamos vivendo. É verdade, há uma crise nos Estados Unidos e na Europa. A raiz dessa crise é a mesma raiz daquela que nós enfrentamos em 2009, 2008/2009. Naquela época, nós fomos o último país a entrar e o primeiro a sair, e mostramos que era possível sair e enfrentar aquela crise. Enfrentar não significa ficar de braços cruzados. Enfrentar é trabalhar, e foi isso que naquela época nós fizemos, e é isso que nós faremos diante de qualquer crise ou da continuidade de qualquer crise. Mas enfrentar como? Enfrentar significa fazer com que o Brasil cresça, significa fazer com que o Brasil gere mais emprego, consuma mais, [fazer] com que o Brasil aproveite cada oportunidade de aparecer, para continuar abrindo e ampliando empresas, para continuar plantando e colhendo os frutos da nossa agricultura, dos nossos pequenos e micro empresários. Significa, também, que o Brasil aprendeu também com aquela crise que nós enfrentamos bem.

Hoje nós temos muito dinheiro do que tínhamos naquela época, para enfrentar a crise. Hoje nós temos [US$] 350 bilhões de reservas. Naquela época, nós tínhamos só US$ 220 bilhões; hoje temos – repito – [US$] 350 [bilhões].

Hoje temos crédito suficiente para, se houver qualquer problema internacional, [que] a gente garanta recursos para as nossas empresas, e não deixe faltar as condições para este país crescer. Nós temos também uma certeza, uma consciência, nós temos a convicção de que crise a gente não enfrenta se apequenando, se atemorizando, sendo covarde; crise, a enfrenta com coragem. E, por isso, coragem significa saber a nossa força, ter consciência da nossa força, e ter a firme determinação de que essa é uma crise que nós, hoje, temos todas as condições de transformar em um outro momento de salto para o Brasil. E é isso que nós vamos fazer. Nós vamos criar todas as condições para crescermos mais.

Eu me lembro que em 2009, quando nós começamos a enfrentar a crise e criamos o programa Minha Casa, Minha Vida. Naquela época, diziam que a gente não ia conseguir fazer 1 milhão de casas, não ia contratar, que a Caixa não conseguia, que os empresários não davam conta, que a gente não tinha número de trabalhadores suficiente. Pois nós provamos não só que era possível contratar e construir esse 1 milhão de moradias, mas mais, agora no Minha Casa, Minha Vida 2. Este país é capaz de construir, não 1 milhão, mas 2 milhões de moradias a mais.

É essa a diferença, é essa a diferença de quem... e aqui eu quero dizer mais uma vez que Pernambuco deu uma grande contribuição para o desenvolvimento do Brasil; que Pernambuco e o Nordeste deram ao Brasil uma taxa de crescimento, uma disposição de abrir empresas, uma determinação em criar oportunidades, que fez com que nós... nosso país, hoje, tenha essa força.

Agora vocês vão me dizer, mas eu estou satisfeita com tudo isso, só [com] isso que nós conseguimos? Não, a gente sempre tem de achar que o que nós conseguimos ainda é pouco. Nós temos de querer mais, e tem uma coisa que eu quero e eu tenho certeza – e para mim ficou claro durante a minha eleição – que o povo brasileiro também quer. Eu acho que o grande desafio nosso, Eduardo, é sermos capazes de entregar Educação de qualidade, Saúde de qualidade e Segurança para a população.

Se a gente foi capaz de criar um círculo virtuoso, que era distribuição de renda e crescimento econômico, nós, agora, temos de ser capazes de melhorar, melhorar o nosso serviço público. Isso significa – e eu quero aqui deixar claro para vocês – eu vou dar o melhor de mim, eu vou dar a minha determinação, eu vou perseguir isso 24 horas por dia, porque outra forma de combater a crise é garantindo que a população brasileira tenha acesso a Educação de qualidade, que possa ter trabalhadores capazes de entrar em um processo de concorrência com o que vier de melhor no mundo. Nós temos de fazer isso para os nossos jovens: garantir a melhor Educação possível, e temos de batalhar por ela.

Temos de assegurar que a nossa Saúde, que é uma saúde até muito avançada em certos aspectos, porque ela quer ser gratuita, universal e de qualidade. Essas três coisas que a gente quer que a nossa Saúde tenha, que atenda a todos, por isso seja universal, que seja de qualidade e que a gente tenha um tratamento humano, que o médico olhe para o paciente não como mais uma coisa, mas como um ser humano, que tem hora que precisa tanto de um remédio quanto de carinho.

Em terceiro, nós queremos, e vamos conseguir, que esse sistema seja um sistema que nós possamos nos orgulhar dele, o mesmo para a Segurança. Eu sei que é isso, que agora é a hora do Brasil, é a hora de a gente se empenhar, e quando a gente se empenha, o povo reconhece, Eduardo, quando a gente se empenha, quando a gente faz esforço, o povo ajuda junto.

Então, eu quero dizer para vocês que tem uma coisa de que eu tenho certeza: é que este país tem a força, a riqueza e o potencial da vontade, dos sonhos dos seus 190 milhões. E aqui está uma parte muito querida do meu Brasil, (falha no áudio).

 

Ouça a íntegra do discurso (22min59s) da Presidenta Dilma