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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de assinatura do contrato de concessão do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante

por Portal do Planalto publicado 28/11/2011 15h56, última modificação 04/07/2014 20h09
Discurso da presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de assinatura do Contrato de Concessão do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante (RN)

São Gonçalo do Amarante-RN, 28 de novembro de 2011

 

Eu queria mandar, primeiro – quebrando o protocolo –, um abraço muito forte aos homens e às mulheres aqui do Rio Grande do Norte. Agradeço, de coração, o apoio que vocês me deram na eleição e quero dizer que eu não poderia deixar encerrar este ano sem vir aqui neste estado, que tem essa tradição guerreira, de homens e mulheres fortes, mas também de gente democrática, que sabe conviver. Por isso, eu queria agradecer muito esta cerimônia e este apoio afetivo que vocês estão me dando aqui agora. Agradecer, de coração.

Queria cumprimentar a nossa governadora do Rio Grande do Norte, a senhora Rosalba Ciarlini,

Queria cumprimentar os Ministros de Estado. Daqui, do Rio Grande do Norte, uma grande liderança que o Rio Grande do Norte produziu para o país, o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves,

Cumprimentar também a ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social; e o nosso ministro, que trabalhou muito para este aeroporto, que é o Wagner Bittencourt, da Secretaria de Aviação Civil. O Wagner é ministro recente, mas sabem por que ele trabalhou muito? Porque, no passado, ele era da diretoria do BNDES, e foi ele que construiu, junto com o presidente do BNDES, o Luciano Coutinho, o modelo para licitação desse projeto. Então, ele, de fato, antes de ser da Secretaria de Aviação Civil, antes da Secretaria de Aviação Civil surgir, ele já tinha dado a sua contribuição para este aeroporto.

Queria cumprimentar também o senhor Ricardo Motta, presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte,

A desembargadora Judite Nunes, presidenta do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte,

Queria cumprimentar também uma grande lutadora – e eu vou falar dela ao longo do meu discurso –, a governadora do Rio Grande do Norte, a senhora Wilma de Faria,

Queria cumprimentar também os senadores José Agripino e Paulo Davim, que, junto com os deputados federais aqui do Rio Grande do Norte, lutaram, sistematicamente, para que este aeroporto fosse uma realidade,

Cumprimentar, então, a Fátima Bezerra; o Fábio Faria; o Felipe Maia; o nosso líder do PMDB na Câmara, que também lutou muito por este momento, Henrique Eduardo Alves; João Maia; Rogério Marinho; e também – que está por último, mas sempre esteve lá na frente – a Sandra Rosado,

Queria cumprimentar as prefeitas e prefeitos aqui presentes nesta cerimônia. De São Gonçalo do Amarante, o prefeito Jaime Calado, que nos recebe hoje aqui com tanto carinho e atenção,

Queria também cumprimentar a prefeita de Natal, a Micarla de Sousa; o prefeito de Ceará-Mirim, Antônio Marcos de Abreu Peixoto; o prefeito de Lajes, Luiz Benes Leocádio de Araújo; a prefeita de Apodi, Maria Goreti da Silveira Pinto; a prefeita de Macaíba, Marília Pereira Dias; o prefeito de Parnamirim, companheiro Maurício Marques dos Santos; o prefeito de Canguaretama, Wellison Carlos Dantas Ribeiro,

Queria cumprimentar o presidente da Anac, o Marcelo Guaranys,

Queria cumprimentar o presidente da Infraero, Antonio Gustavo Matos do Vale,

Queria cumprimentar, mais uma vez, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, responsável pela modelagem que possibilitou a licitação do aeroporto,

Dirigir um cumprimento especial ao chefe do Departamento de Engenharia [de Construção] do Exército, general de Exército, Joaquim Maia Brandão Júnior,

E, neste momento, cumprimentar e agradecer o Batalhão de Engenharia do Exército, responsável por esta grande obra do aeroporto,

Queria cumprimentar o senhor Gerson Almada, membro do Conselho Administrativo da Inframérica,

O senhor Wilson Vieira, diretor-executivo da Inframérica,

O senhor Eduardo Eurnekián, presidente da Corporação América,

Queria cumprimentar muito especialmente as trabalhadoras e os trabalhadores desta importante obra. Foram eles os responsáveis pela construção. Foram eles que demonstraram, mais uma vez, a capacidade do trabalhador e da trabalhadora brasileira. Nós todos sabemos que eles, com seu trabalho, vão gerar mais oportunidades e mais oportunidades de emprego para muitos brasileiros e brasileiras,

Queria cumprimentar os moradores, as minhas queridas e os meus queridos moradores aqui de São Gonçalo do Amarante,

Dirigir um cumprimento para os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Eu fiz questão de vir aqui ao Rio Grande do Norte, pousando aqui na pista deste novo aeroporto, aqui na cidade de São Gonçalo do Amarante, nesta cidade em que hoje nós estamos em um momento muito especial, porque estamos assinando o contrato de concessão para se construir o restante do complexo aeroportuário. E, ao mesmo tempo, abrindo aqui no Rio Grande do Norte uma oportunidade especial de desenvolvimento.

Nós sabemos que muitas empresas precisam da logística aeroportuária para poder produzir os seus produtos e, ao mesmo tempo, distribuí-los com a rapidez necessária. Geralmente, esses produtos são de ramos industriais extremamente sofisticados, como a área da tecnologia da informação, por exemplo, a área produtora de fármacos.

Por isso, geralmente quando se fala do aeroporto, nós estamos falando de duas coisas: de cargas e de transporte de pessoas. Eu comecei falando de cargas, porque a carga tem uma característica: ela beneficia as pessoas da região, porque ela traz oportunidades que, sem este aeroporto, não se teria. Entre essas oportunidades, a que para nós é mais importante é a oferta de empregos. E empregos de qualidade, que empresas que têm alto valor agregado – portanto, que precisam de um trabalho de grande qualidade –, elas geralmente usam o transporte aeroportuário.

Por isso, eu estou muito feliz de estar aqui hoje, porque o Rio Grande do Norte abre um novo caminho para o seu desenvolvimento.

Além disso, este aeroporto, ele vai ser um aeroporto que entra em uma nova fase dos aeroportos do Brasil. Este vai ser construído, a parte do terminal de passageiros e de carga, vai ser construída e administrada pela iniciativa privada. E aí, nós vimos, quando houve o leilão, a disputa acirrada que houve entre o consórcio Inframérica, que ganhou, e as outras empresas que estiveram aqui pleiteando serem responsáveis pelo aeroporto.

Eram investidores nacionais e internacionais. E houve 88 lances, o que mostra o grande interesse que esses investidores tinham aqui nesta região, tinham aqui neste ponto estratégico de localização do Brasil, que é o Rio Grande do Norte, que é esta região que eu vou chamar de grande Natal; Natal e todo o seu entorno, especificamente São Gonçalo do Amarante.

Vamos lembrar que, para vencer o leilão, a Inframérica teve de oferecer um valor 228% maior do que o mínimo previsto. Isso demonstra esse interesse que eu estou falando para vocês, e que faz com que vocês tenham de ter um imenso orgulho deste estado, que é um estado muito importante, não é só para a população do Rio Grande do Norte, não é só para a população do Nordeste. É importante para o desenvolvimento do Brasil. Aqui nós estamos criando uma nova etapa do desenvolvimento do nosso país.

Uma coisa é muito importante também. Nós sabemos que quem conhece o mar aqui no Nordeste, aqui no Rio Grande do Norte, aqui em todas as praias, não vai querer nadar nas águas frias – não vou dizer de onde porque senão a gente cria animosidades desnecessárias –, mas, sem dúvida nenhuma, um dos pontos mais bonitos deste país está aqui. E por isso esse aeroporto também vai beneficiar que brasileiros e que pessoas de todos os lugares do mundo venham e possam aqui usufruir de uma estadia excepcional.

Eu acredito que o Rio Grande do Norte tem também uma outra característica importante, até porque Natal vai ser uma das sedes da Copa e a Copa é uma oportunidade única. A pessoa vem ver o jogo, a gente sabe, porque nós todos gostamos de futebol, mas não custa nada dar uma visitada nas nossas praias, conhecê-las e delas também usufruir.

Aliás, a gente sabe que o brasileiro, hoje, é um povo trabalhador, sempre foi. Antes ele era um povo trabalhador e não podia viajar pelo país. Agora ele pode. O maior turismo nosso tem sido o turismo interno. Não que a gente não queira o turismo das pessoas de fora do Brasil, queremos. Mas a verdade é que houve um crescimento vertiginoso no Brasil. Vertiginoso do quê? Da nossa economia, do aumento dos empregos. Hoje nós estamos chegando a mais de 15,5 milhões de empregos gerados desde o início do governo Lula. No meu governo nós estamos em 2 milhões, um pouco acima de 2,3 milhões.

Eu acredito que foi graças a esse emprego, graças à renda aumentando, graças às pessoas saindo da pobreza e chegando à classe média que aumentou a quantidade de viagens aéreas pelo Brasil afora. Para vocês terem uma ideia, os números nos impressionam. O total de passageiros transportados em rotas domésticas e internacionais dobrou de 2003 a 2010. Em 2003 nós tínhamos 33 milhões. Hoje são... Hoje, não, em 2010 eram 77 [milhões]. Acreditamos que neste final de ano nós vamos dobrar o que... aliás, mais que dobrar, triplicar o que era em 2003.

Além disso, o salário aumentou; além disso, as pessoas hoje podem querer viajar com suas famílias e isso significa qualidade de vida. E isso explica por que, quando você tira as pessoas da pobreza, você cria um círculo virtuoso, em que uma coisa leva à outra, e que você vai criando mais oportunidades porque você vai criando mais demanda.

Nós queremos um aeroporto produzindo serviço de qualidade, tanto na carga como para as pessoas, e eu posso dizer para vocês. Aqui está a Anac e a responsabilidade da Anac é garantir o interesse do consumidor brasileiro, de serviços aeroportuários. Daí porque nós vamos, sim, fiscalizar; nós vamos, sim, assegurar que o Brasil melhore cada dia mais, e tenho certeza que quem vai contribuir conosco para isso é a iniciativa privada, é a Inframérica e são aqueles que vão ganhar também as concessões em São Paulo, em Campinas, com o Viracopos, e em Brasília.

Eu queria dizer para vocês agora sobre este aeroporto. Eu acho que ele abre uma oportunidade. Nós temos, neste aeroporto, uma vantagem que você não tem em vários aeroportos do Brasil. Como nós criamos os aeroportos muito tempo atrás, o que aconteceu? A cidade cercou o aeroporto e, perto do aeroporto, não tem área para você colocar uma empresa, para você ter um outro serviço. Este aeroporto aqui tem o que se chama de uma retroárea estratégica para o país, estratégica para o Rio Grande do Norte, estratégica para São Gonçalo do Amarante. Por quê? Nós queremos trazer, para aqui, empresas. É isso que nós queremos também, e fazer com que este complexo seja o maior complexo do Brasil nesta área.

Hoje nós sabemos que São Gonçalo é um dos melhores aeroportos do Brasil, em termos de tamanho da pista e qualidade da pista. Nós sabemos que aqui pousam aviões que em outras cidades do Brasil não pousam.

Por isso, é importante que a gente tenha... que saiba usar a oportunidade que nós temos aqui. Até porque vocês veem no jornal, muitas vezes, veem na televisão, as notícias sobre o que está acontecendo no resto do mundo. Enquanto nós geramos emprego aqui e estamos lutando – e esse aeroporto é um dos instrumentos que nós estamos usando, entre vários outros, para garantir os empregos brasileiros –, o que está acontecendo em países que antes eram um objeto de desejo de muitos brasileiros? Está acontecendo o seguinte: por exemplo, na Espanha, um aumento desenfreado do desemprego; na Europa, um aumento desenfreado do desemprego; nos Estados Unidos, um aumento desenfreado do desemprego. E o que é mais grave: o aumento é maior entre os mais jovens. E nós estamos em outro momento. E nós vamos aproveitar o outro momento.

Este país, diante dessa crise, tem todas as condições de continuar crescendo, o seu povo continuar consumindo, as suas empresas produzindo, os seus aeroportos sendo implantados, porque chegou o momento em que o Brasil amadureceu. Nós amadurecemos economicamente, somos um país que sabemos crescer, manter a estabilidade, não sair por aí, feito loucos, se endividando lá fora, como se fazia antes.

Nós somos um país que tem US$ 350 bilhões de reservas, que tem dinheiro suficiente para, sem mexer em um centavo do Orçamento, nós temos dinheiro para garantir o crédito para as empresas brasileiras, se o crédito secar lá fora. Porque temos, no Banco Central, depositados, dinheiro dos bancos, que são obrigados a depositar no Banco Central, compulsoriamente, para a gente ter um sistema financeiro estável, nós temos R$ 440 bilhões, bilhões de reais, sem tocar em um centavo do Orçamento público brasileiro.

Nós temos a inflação progressivamente caminhando para o centro da meta, nós temos uma política fiscal séria. Enfim, nós estamos no momento em que o Brasil tem também um processo de distribuição de renda responsável, talvez o maior responsável pela nossa blindagem em relação ao exterior. Porque não somos um país qualquer. Nós somos um país com 190 milhões de brasileiros que serão consumidores, que não vão mais estar alijados, que não vão mais ser considerados supérfluos. Nós achamos que a maior riqueza do país – e vocês podem ter certeza de que essa é a maior riqueza deste país – é o tamanho da sua população, a qualidade dos seus empreendedores, a qualidade dos seus trabalhadores.

Quando a gente tira 40 milhões da pobreza, sabe o que significa para cada um dos senhores? Que quem consome aumentou uma Argentina. Uma Argentina nós crescemos nos últimos nove anos. Quando perguntarem “Ah, o Brasil cresceu?”. Vocês podem responder com orgulho: o Brasil colocou para dentro do mercado consumidor uma Argentina.

Por isso é que nosso programa Brasil Sem Miséria quer tirar da pobreza 16 milhões de pessoas. É por questão ética? É. É por uma questão moral? É. Mas é, também, por uma questão econômica e social. Porque este país cresce quando a sua população consome. Este país cresce quando sua população trabalha. E aí, este aeroporto faz parte disso, essa é a oportunidade. Considerando que o Nordeste vive hoje uma nova fase. O Nordeste é um dos lugares de população mais antiga do Brasil. O Brasil começou aqui. O Brasil, quando ganha autoestima e se reencontra consigo mesmo, ele tem de olhar para o Rio Grande do Norte, ele tem de olhar para Natal, tem de olhar... tem de olhar para São Gonçalo do Amarante, tem de olhar para todos os municípios, por menores que sejam. Porque nós só seremos um país equilibrado se não houver essa exclusão regional. Essa história também é uma história cara para nós. Nós somos um país também que evoluiu democraticamente. Nós podemos disputar eleição, ser bastante ásperos uns com os outros, podemos debater, podemos ter opiniões diferentes e isso é da democracia. Mas governar, a gente tem obrigação de governar junto. Junto com quem o povo escolheu, porque aí não é a vontade do presidente, do governador ou do prefeito. É a vontade do povo brasileiro que importa, porque você governa é para ele. Você não governa para os partidos, você não governa para as instituições. Governa-se para o povo brasileiro.

Daí porque nós estamos aqui num momento especial. Vejam vocês que o Rio Grande do Norte sabe dar exemplo. Sabem como eu cheguei a esse processo? Eu vou contar para vocês, porque eu acho que vocês deviam se orgulhar, vocês deviam se orgulhar. Um dia chegou à minha sala a governadora eleita Wilma Faria. A Wilma vinha com um rapaz, que era secretário, chamado Vagner Araújo. A partir daí, virava e mexia, aparecia a Wilma na minha sala com a proposta, o projeto de São Gonçalo do Amarante. Depois, uns dias depois, vinha sempre quem? Toda a bancada do Rio Grande do Norte. Toda, sem exceção; todos os partidos – e aí a governadora lembrou, ela estava... ela era senadora –, estavam todos os partidos, sem exceção. Não eram, na época, só os partidos que faziam parte da base do governo Lula. Vinham todos, tanto senadores como deputados federais.

O que eu quero contar com isso? Eu quero contar que foi um esforço – vocês podem ter certeza –, foi um esforço conjunto de vocês que fez com que este aeroporto saísse do papel. Tamanha união, tamanha unidade, tamanha firmeza de propósitos explica por que isto aqui deu certo.

Então, eu vou fazer uma homenagem, aqui, a esta capacidade que nós temos de brigar na eleição e de nos juntarmos para fazer o governo que é melhor para o povo brasileiro. Esta é minha grande homenagem a esta iniciativa republicana aqui, e mostra que, na verdade, eu quero fazer uma homenagem ao Rio Grande do Norte, contando esta história dos nossos... das nossas lideranças aqui do Rio Grande do Norte. Faço homenagem a cada um de vocês – a cada uma e a cada um – e digo o seguinte: vamos lutar juntos para transformar esta área aqui numa outra porta para o desenvolvimento mais rápido deste estado fantástico, que é o Rio Grande do Norte.

Um beijo para cada um e cada uma.

 

Ouça a íntegra do discurso (29min22s) da Presidenta Dilma