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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de anúncio de investimentos do PAC Mobilidade Urbana e entrega de 57 máquinas motoniveladoras - Porto Alegre/RS

por Portal do Planalto publicado 12/10/2013 14h40, última modificação 04/07/2014 20h18

Porto Alegre-RS, 12 de outubro de 2013

 

Obrigada, muito obrigada. Obrigada.

Eu, primeiro, queria dirigir um cumprimento aqui aos nossos prefeitos e às nossas prefeitas, e dizer que muito me honra a presença deles aqui hoje. E, em especial, uma vez que eu estou aqui nesta cidade tão querida que é Porto Alegre, cumprimentar o nosso prefeito Fortunati e a querida, a primeira-dama Regina Becker. Principalmente porque, se hoje é o Dia das Crianças, ontem eu disse que criança... o dia da criança é dia da mãe, do pai e das professoras, mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante. Então, cumprimento também pela sua dedicação, Regina, a essa causa.

Queria cumprimentar o governador, meu querido governador Tarso Genro.

E agradecer ao deputado Pedro Westphalen, presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e, em nome dele, cumprimentar todos os deputados aqui desta Casa, na qual eu trabalhei.

Queria também cumprimentar os beneficiados, os prefeitos beneficiados: Sergio Maciel Bertoldi, de Alvorada; o Jairo Jorge, de Canoas; o Sergio Munhoz, o Henrique Tavares e o Valdir Bonatto.

Queria cumprimentar também todos os prefeitos, ao cumprimentar o prefeito de Tupanciretã. Cumprimentar os prefeitos que receberam as máquinas.

Queria agradecer também a recepção tão calorosa que eu recebi ontem aqui do prefeito de... o nosso querido prefeito, porque eu estive no Vale, falando sobre creches e Pronatec. Então, o prefeito de Novo Hamburgo, quero agradecer a ele.

E cumprimentar os ministros que me acompanham: o ministro Pepe Vargas, o ministro Aguinaldo, a ministra Helena e a ministra do Rosário, Maria do Rosário. São dois ministros gaúchos que me acompanham hoje aqui. O Aguinaldo está ficando, pela sua adaptação, ao frio, acelerada, está ficando bastante gaúcho e agora já conhece o Hino. Porque saibam vocês que o estado do Rio Grande do Sul é o único estado do Brasil que depois do Hino Nacional toca o Hino do Rio Grande do Sul. Tanto é assim que eu não fiz nem o primário, nem... na minha época era primário, era ginásio. Eu só estudei aqui na faculdade e eu conheço o Hino de cor, de tanto que eu cantei. Então, eu acho importante essa naturalização gaúcha do Aguinaldo, que vem lá da Paraíba.

Queria cumprimentar também os deputados federais: o Assis Melo, o Dionilso Marcon, o Fernando Marroni, o Henrique Fontana, o Paulo Ferreira, o Renato Molling e o Ronaldo Zulke, e agradecer a todos eles, sempre, a parceria lá no governo federal.

Queria cumprimentar meu querido amigo, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto, atual presidente da Petrobras Biocombustíveis.

Cumprimentar a Emília Fernandes, ex-ministra da Secretária Especial de Políticas para as Mulheres.

O vereador doutor Thiago Duarte, presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre.

O vice-prefeito, Sebastião Melo.

Cumprimentar também o Gilmar Rinaldi, presidente da Granpal, associação dos prefeitos da grande Porto Alegre.

As lideranças comunitárias.

Cumprimentar aqui algumas pessoas com quem eu convivi no passado, fazer um destaque a elas. Primeiro, ao secretário Motta, ao nosso querido Afonso Antunes da Motta; ao Kalil, secretário Kalil; e ao Elói Guimarães, ex-vereador aqui de Porto Alegre, não é, Elói?

Cumprimentar também... escolhi dois empresários aqui presentes e cumprimenta-los... o Busnello, da Toniolo Busnello, e queria cumprimentar o Cláudio Bier, do Simers.

Agradecer a todos vocês a presença aqui hoje neste sábado.

E, finalizando, cumprimentar o senhores jornalistas, as senhoras jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas.

Eu acredito que hoje é um momento muito especial: nós estamos lançando aqui o metrô de Porto Alegre. E eu queria dizer para vocês um pouquinho essa história de metrô como é que é. Primeiro eu quero situar a situação... situar o que nós vivemos hoje. Nós vivemos um momento em que o governo federal, além de investir 90 bilhões desde 2011 até junho de 2013, abriu um outro investimento de 50 bilhões a partir dos pactos que nós fizemos com os governadores, os prefeitos, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. Os cinco pactos pós manifestações de junho. O Pacto pela Estabilidade Econômica, o Pacto pela Mobilidade Urbana, o Pacto pela Saúde, o Pacto pela Educação e o Pacto pela Reforma Política.

Eu vou aproveitar este momento e fazer um breve balanço dos pactos... do Pacto pela Mobilidade Urbana. O Pacto pela Mobilidade Urbana é um pacto que leva em conta o fato de que o Brasil cresceu aceleradamente nos últimos dez anos e que as pessoas pedem serviços públicos de qualidade. É isso que as pessoas querem. Elas não querem voltar ao passado, elas querem avançar para o futuro.

Nós, do governo federal, sempre achamos que toda conquista é apenas um começo, porque toda conquista sempre tem de exigir maior conquista. Não há hipótese de uma visão democrática, republicana, mas também uma visão comprometida com a soberania e também comprometida com o desenvolvimento social e a construção de um país mais igual que não olhe qualquer conquista como um patamar a partir do qual você tem de avançar. Então, os pactos, eles representam, mais do que tudo, uma direção para o avanço.

No caso específico da mobilidade urbana, é o reconhecimento de que nosso país, durante 30 a 40 anos não investiu em mobilidade urbana de forma, eu diria assim, adequada, necessária e sistemática. Por que é que não investimos? Primeiro porque tínhamos... havia no Brasil determinadas concepções que consideravam que metrô era coisa de país rico. Como nós não éramos um país rico, nós não podíamos investir em metrô e devíamos investir em corredor de ônibus, só. Essa era a visão dominante no início dos anos 80. E isso implicava numa visão também que eu digo que é uma visão... o Nelson Rodrigues seria um gênio se tivesse escrito em inglês. Agora, ele é um gênio para nós que falamos a língua portuguesa, o brasileiro, como eles dizem que a gente fala, no exterior. Porque falam assim: “O brasileiro eu entendo, o português de Portugal eu não entendo, não.” Então, nós que falamos e escrevemos em português, nós temos de saber que tem uma descrição sobre Copa do Mundo, do Nelson Rodrigues, que é brilhante: o complexo de vira-lata. O complexo de vira-lata que atingia o nosso país, quando a gente estava prestes a ganhar a Copa, uma porção de especialistas em futebol dizia que a gente ia perder. Esse é o complexo de vira-lata. Você nunca acha que você vai ganhar, nunca acha que o país precisa de mais, nunca aceita que ele precisa de mais. E naquela época não aceitaram que tinha de fazer metrô. Aí, pressionados, aceitaram em algumas cidades. Os metrôs foram feitos improvisadamente, daí por que, Fortunati – não tinha muito projeto –, daí por que encalhou tudo. E a pior coisa que tem para um gestor é consertar o que está mal feito. Não tem nada pior... se alguém aqui dirige prefeitura, estado, sabe que tem um problema, conserta o que foi mal feito para ver o tempo que você gasta, conserta.

Então, o que é que acontece? Acontece que havia esse problema. Primeiro um problema de concepção. Talvez o problema de concepção fosse ligado ao fato de que, naquele período de 80, 90, início de 2000, nós não investíamos, nós não investíamos. Não tinha grandes investimentos em infraestrutura. 90 milhões em infraestrutura no Brasil... Eu sou da época, em 2005, que um funcionário do governo, alto funcionário do governo – e naquela época a gente ainda estava dependendo do Itamaraty – entrou na minha sala e disse: “Comemoremos, Ministra, nós conseguimos investir no Brasil 500 milhões de reais.” Hoje nós investimos 500 milhões de reais numa pequena cidade, numa pequena cidade.

Então, eu quero dizer: além disso, não tinha dinheiro. Além de não ter dinheiro, nós não tínhamos engenheiros, não, porque se não tinha obra, não se formavam engenheiro no nosso país. A primeira vez que engenheiro passou advogado foi este ano, em termos do número de formandos. Em 2003, quando nós estávamos tentando fazer plataforma, as plataformas da Petrobras aqui, disseram para mim que nós não éramos capazes de fazer casco. Sabe de que é o casco da plataforma? É feito... é sofisticado, mas é uma sofisticação, eu diria, simples, contraditoriamente, porque você faz o casco e solda. Não tem nenhuma tecnologia. Como é que nós não conseguíamos fazer casco, e nós fomos o oitavo produtor de navios em [19]80?

Então tinha um processo no Brasil, e esse processo é pesado. Eu acredito que há um esforço hoje. Nós colocamos na pauta, a partir de 2011, nós colocamos na pauta mobilidade urbana e demos prioridade a metrô. Por que é que fizemos isso? Por uma concepção: é impossível, com as nossas cidades crescendo – São Paulo com 11 milhões; o Rio com 8 ou 9; Belo Horizonte com um similar; Porto Alegre com os seus 2 milhões –  é impossível não construir metrô. Se nós não construirmos metrô agora, nós teremos, na frente, o problema que hoje São Paulo enfrenta.

Então, a nossa prioridade é construir metrô. Prioridade em que termos? Nos termos das grandes cidades e é garantir para as cidades médias uma estrutura de transporte que seja a mais adequada possível no seguinte sentido. Quando tiver possibilidade de integrar diferentes modais, ônibus, se tiver um monotrilho, se tiver um aeromóvel, fazer uma integração e caminhar em direção ao bilhete único, esta é a forma mais racional.

Eu estou muito feliz de estar aqui porque acho que o Fortunati fez um grande esforço nesse processo. Ele não é um processo simples. Talvez, das obras, entre as obras complexas que estão em andamento no Brasil, o metrô tenha grande complexidade porque ele está sendo feito sobre uma cidade construída. É esse o problema: tem uma cidade e você vai fazer o metrô em cima dessa cidade. E aí é que todas as questões têm de ser olhadas devidamente.

Eu tenho visto os prefeitos, os governadores – porque varia, às vezes é o governador, às vezes é o prefeito, e às vezes é como aqui, o prefeito e o governador – participarem desse imenso esforço para construir metrô. Nós estamos vendo isso ocorrer em Belo Horizonte e em Salvador. Terça-feira eu vou assinar, em Salvador, o início da construção desse trecho novo do metrô que eles vão fazer lá. Todos eles tiveram dificuldades técnicas, todos eles adequaram e aperfeiçoaram cada vez mais seus modelos. Isso é absolutamente natural no momento em que nós estamos, porque agora os funcionários da prefeitura tem hoje um conhecimento que eles não tinham antes, eles adquiriram. É aquilo que os ingleses chamam de aprender fazendo.  Tem uma parte, nós temos de aprender fazendo.

E aí eu queria destacar algumas coisas. Primeiro, a necessidade que nós tivemos... eu falo nós porque eu acho que o Fortunati tem toda a razão: uma obra desse porte só sai se o Rio Grande pegar junto, mas também se o Brasil pegar junto. É importantíssimo que nós todos participemos disso de forma completamente republicana. Nós não podemos olhar o prefeito, o governador ou o prefeito da capital e perguntar: “De que partido você é?” Nós temos de fazer projetos que estejam para além das diferenças partidárias e que sejam aqueles que beneficiam as cidades deste país onde vive a nossa população.

Eu fico muito feliz também de não ser só metrô... Nós fazemos metrôs... para você ter ideia, metrô são 259 km que nós fazemos hoje no Brasil. VLT... em que o governo federal está metido, né? VLTs, que são os veículos leves sobre trilhos, são 171 km. O monotrilho... tem monotrilho no Rio, principalmente, mas tem outro monotrilho também que eu não estou lembrando onde, 53 km. Trem urbano, que é muito importante, 45 km, como é o caso do...  eu, de fato, fiquei impressionada com o estágio das obras do trecho São Leopoldo-Novo Hamburgo. E o aeromóvel, 28 km. Nós...  Isso sobre trilhos. Sobre rodas, BRTs, são 567 km. Corredor são 1.536 km. E vias são 209 km, tendo 11 km de fluvial no Recife.

Então há um grande esforço nosso para assegurar uma coisa. Por que é que nós fazemos isso? Nós queremos que o tempo das pessoas seja, sobretudo, delas, que elas se apropriem do tempo, e você, numa grande cidade, para se apropriar do tempo, precisa de transporte urbano de massa, transporte coletivo, transporte público. Se você não tem transporte público, você não se apropria do tempo. Não! Você quem? O morador da cidade, principalmente o morador daquela região mais distante da periferia, o trabalhador, a trabalhadora, o estudante que vem lá de longe para estudar. Ele tem de se apropriar do tempo. A reforma, uma reforma urbana, o que está em questão numa reforma urbana é segurança e tempo, qualidade de vida.

E aí o transporte tem um papel fundamental, por isso que ele construía o quinto pacto. E por isso que dentro desse transporte é... o que nós pretendemos é dotar as grandes cidades deste país de metrô, garantir que as pequenas e... primeiro, que as médias cidades não transitem por um caos urbano e tenham acesso a isso que se chama interligação de modais. Sempre quando for necessário, trilho, porque trilho é ininterrupto. Trilho garante um percurso rápido. E em segundo lugar, interligar para quê? Para baratear o custo do transporte para a população. Esse é tudo o que nós procuramos, tudo o que nós queremos estruturar, e garantir que as pequenas cidades também tenham acesso a um tipo de transporte.

E aí, vocês vejam que hoje nós combinamos aqui as pontas do sistema. Nós combinamos desde metrô, que é um transporte de trilho mais, eu diria assim, mais complexo, juntamente com uma coisa que é fundamental, que é nós entregarmos o kit motoniveladora, retroescavadeira e caminhão-caçamba para os prefeitos de cidades até 50 mil habitantes. Tem de focar em cidades até 50 mil habitantes, e cada cidade deste país tem de ser olhada no seu problema. Eu sempre pergunto, quando eu entrego a chave para o prefeito: “prefeito, quantos quilômetros de estrada vicinal o senhor tem?” Aí eles falam assim para mim: “Tem... Eu já escutei 500, já escutei 700, mas aqui eu escutei, duas vezes, 2000, 2000 km de estrada vicinal. Nós temos, portanto, de dar tudo o que nós pudermos, conceder, na relação federativa, dar condições para o prefeito ter autonomia e tratar das suas estradas vicinais.

Esse kit, uma moto, uma retro e um caminhão-caçamba, ele é um kit que tem por objetivo dar autonomia para o prefeito tratar da sua estrada vicinal. Com o passar do tempo nós podemos, inclusive, desenvolver outro tipo de política complementar a isso, mas eu acho que esse é o ponto de partida fundamental,           porque nós queremos que o prefeito tenha o que tiver de melhor nesses três equipamentos. E, obviamente, tem uma coisa que eu não sei se o Pepe falou desta vez, mas ele fala em todas. É importante perceber que nós exigimos que haja fornecimento de trabalho e renda pelas empresas fornecedoras dos equipamentos aqui no Brasil. Então, usamos as margens de preferência na compra, o que é muito importante porque uma parte desse kit que está sendo entregue para todo o Brasil, porque quase 90% das prefeituras do país são prefeituras de até 50 mil habitantes. Então, a grande maioria... uma parte é na serra gaúcha, é interessante notar esse fato. Uma parte é fornecida aqui no Rio Grande do Sul. Não só no Rio Grande do Sul, mas eu acredito que uma grande parte. Então, nas duas pontas hoje é essa cerimônia.

E eu queria dizer mais uma coisa para vocês sobre a questão dos cinco pactos. Eu acho muito importante o fato do Brasil ser um dos poucos países em que manifestações não foram demonizadas e colocadas como um alvo... um inimigo público número um, porque nós temos escutado a voz das ruas, porque nós temos entendido a necessidade de avançar. E, sobretudo, que nós tenhamos, com isso, uma relação democrática. Acredito também que a população brasileira não apoia atos de vandalismo nem destruição de patrimônio privado e público.

Agora, para nós, há um resultado muito importante desse processo de pactuação. O primeiro nós estamos passando aqui hoje, mas eu acredito – e ontem eu falei bastante sobre isso – que a destinação dos royalties do petróleo para a educação foi uma grande conquista assegurada por esse momento político. Por duas vezes eu mandei para o Congresso, por duas vezes eu mandei para o Congresso a destinação de cem por cento dos royalties do petróleo e não consegui aprovar. Agora nós aprovamos a destinação de uma forma que eu acho bastante correta, por sugestão até, por iniciativa dos parlamentares, que é 75% para a educação e 25% para a saúde.

É importante isso porque nós temos... com esses cinco pactos... tem três pactos que dizem respeito diretamente a serviço público. Há esse avanço em mobilidade, concretamente, porque os prefeitos se mobilizaram... você vê, junho, agosto, setembro, o Fortunati está assinando isso em outubro, está assinando uma complementação da obra. A obra é viável com essa complementação, com esse traçado, e isso é algo que eu acho fundamental que seja reconhecido politicamente para que nós possamos ter essa atitude mais pró-ativa, porque na discussão do copo meio cheio e do copo meio vazio, tem ganhado muito o copo meio vazio. Vamos tentar dar um pouquinho de vitória para o copo meio cheio, porque, caso contrário, ele não enche nunca, nunca.

Mas, voltando, eu acredito também que o Mais Médicos é uma sensibilização... o Mais Médicos nós estávamos trabalhando há mais de um ano quando nós lançamos e ele é, eu considero, algo muito importante para o país. Algo muito importante para o país porque nós sabemos perfeitamente que é necessário equipamentos, hospitais, UPAs, postos de saúde. Estamos investindo nisso e vamos acelerar cada vez mais o investimento. Mas que nós precisamos de médicos, e eu queria aqui só dar dois numerozinhos antes de encerrar a minha fala. Primeiro, o fato de que médicos formados no exterior, por países, país desenvolvido: Inglaterra, 37% dos médicos são formados fora da Inglaterra; Estados Unidos, 25% dos médicos se formam fora dos Estados Unidos; Austrália, 22%; Canadá, 17%. No Brasil, se forma fora do Brasil 1,78%. Isso é um número importante de perceber. Eu estou falando de país desenvolvido, com essa taxa de formação.

Nós estamos fazendo esse imenso esforço para trazer os médicos para cá. Conseguimos e agradeço ao Congresso a aprovação, mesmo que a gente não concorde com tudo o que está aprovado, mas concordamos com o básico. A aprovação no Congresso Nacional do Mais Médicos na Câmara e, agora, ele agora vai para o Senado e nós acreditamos que esse processo de entrada dos médicos se acelere e se faça a ponto de beneficiar aquela parte da população que não tem acesso a médico, que não... Tem uma parte que não tem médico permanente. A gente sabe o que é criança adoecendo de madrugada que, aliás, criança adora adoecer de madrugada. Nunca vi criança adoecer no horário comercial. Adoece às duas, às três, e a febre começa de madrugada. O horário comercial eles não respeitam, é bom pai e mãe saberem disso. E eu fico sempre muito sensibilizada quando eu escuto que tem 700 municípios do país onde não tem um médico morando. Você imagina só se acontece uma coisa dessas. Esse projeto é para isso. Então, esses três pactos, que são os pactos básicos no que se refere a serviço público, eles estão todos encaminhados.

No que se refere ao Pacto da Reforma Política, foi encaminhado por um conjunto de partidos o Pacto pela Reforma Política com o plebiscito. Obviamente que isso não depende o Executivo. Depende, agora, do Parlamento, mas depende, sobretudo também do interesse do nosso país em ter uma reforma política que dê mais transparência, mais qualidade, mais... de fato, uma espécie de ajustamento ao fato que nós já somos uma democracia experiente. Outro dia eu assisti, na Câmara dos Deputados, a comemoração dos 25 anos da Constituinte. Era um país despertando para a democracia, era um país experimentando a democracia. Agora nós somos um país que viveu a democracia, que está vivendo a democracia, que amadureceu nesse processo. E até eu fico muito confortável de estar falando aqui neste plenário porque o papel da Assembleia Legislativa no processo de resistência e de transformação e de transição para a ditadura é um papel que a gente sempre deve homenagear e nunca esquecer. Esta Casa deu guarida às oposições, à livre expressão, e isso é algo que deve orgulhar os gaúchos.

E, finalmente, eu queria dizer a vocês que nós também estamos honrando o Pacto pela Estabilidade. O Brasil hoje é um país com grande estabilidade macroeconômica. É um país que tem a sua inflação sob controle, que tem a menor relação dívida sobre PIB. Todos os países do mundo, a começar dos Estados Unidos, mas passando pelos países europeus e muitos dos próprios emergentes têm um endividamento muito elevado quando considerado o seu Produto Interno Bruto, ou seja, o conjunto do valor aportado pela sua economia. A nossa relação é muito baixa, é 35%. Em agosto estava 33,4%. Eu não vou citar 33,4%. Vai oscilar, vai para 34, não sai disso. Agora, é um dos menores do mundo, ou seja, o endividamento do Brasil é bastante baixo. Dois, nós continuamos com 378 bilhões de dólares de reservas. Se você olhar o ranking dos países em valor de reserva, ou seja, o que eles têm lá no colchão, cada país, escondido debaixo do colchão, você vai ver que nós estamos entre o quinto... no mínimo, o quinto país. Se você olhar também a nossa taxa de desemprego, é uma das menores do mundo. Nós estamos conseguindo enfrentar a pior crise desde [19]29. Ela é pior, tanto no que foi a profundidade dela, mas também em relação à permanência. Agora, melhorando. Nós estamos numa situação em que está melhorando, mas todos os países têm enfrentado flutuações pesadas no crescimento do seu Produto. E nós temos saído disso com um desemprego, numa situação bastante confortável. Nós temos hoje 5,3% de taxa de desemprego, que é uma das menores taxas de desemprego do mundo.

Por isso estamos fazendo até o Pronatec. O Pronatec tem a ver com isso, com o fato de que precisamos assegurar uma qualidade maior na nossa força de trabalho para podermos dar um salto de produtividade.

Então, eu quero dizer para vocês que o copo está meio cheio com viés de alta. É isso que está o copo, inclusive o copo do metrô. Ele foi lançado hoje. Por que o viés de alta? O viés de alta do copo do Fortunati e do Tarso é porque nós temos uma visão, primeiro, das dificuldades de construir. Ninguém acha que isso é fácil. Ele vai ter, não só de desapropriar, mas ele vai ter de combinar tecnologia de shield ou, como ele chamou, de tatuzão, que abre por baixo com uma máquina que tem uns três metros, eu acho, de altura e ela vai, ao mesmo tempo, construindo os arcos. Mas ele não pode só fazer isso. Então tem discussão hoje em todos os estados, viu, Fortunati? Como é que faz? Tem gente, Fortunati, dizendo que você faz a estação A e a final B, e que as estações intermediárias, você procure interessados porque tem gente pagando para fazê-las. Ou seja, a estação intermediária, ela é extremamente lucrativa, principalmente num estado como este que tem um nível de renda maior.

Então há várias discussões, e o que é que vocês têm? Vocês têm hoje uma concepção. Vocês testaram, vocês olharam no PNI. É muito importante perceber que essa história é o seguinte: atrasou 90 dias. Tem dois riscos geralmente uma obra de infraestrutura. Um é de engenharia, o outro é de demanda. De demanda essa obra não tem risco. De engenharia, qualquer obra de engenharia tem risco. Não é impossível que, mesmo você tendo feito a melhor sondagem, o melhor estudo geológico... aqui neste estado ocorreu uma coisa inesperada num risco de engenharia, vocês podem olhar. Numa hidrelétrica, uma das três daquelas, eu não sei qual... eu não lembro mais qual delas foi, mas teve um risco inesperado de engenharia numa obra de hidrelétrica, mesmo tendo sido feito sondagem anterior.

Então, não é possível tratar essa questão... Eu fiquei até meio impressionada, viu, Fortunati, com o que eu li. Não é possível tratar essa questão do metrô como se fosse uma trivialidade, algo que você aperta um botão e sai fazendo. Não é possível. Agora, eu cumprimento vocês. Todos nós avaliamos que você tem feito um imenso esforço para garantir que esse metrô ocorra.

E eu queria encerrar dizendo: é dessa determinação, dessa teimosia, dessa insistência que a gente sabe que é feita a melhor das vontades políticas. E aí, a sua vontade política e a do governador Tarso Genro combinam isso: insiste, insiste e insiste. E é assim. Eu venho insistindo com tanta coisa que vocês nem imaginam, então eu falo como irmã.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra (37min25s) do discurso da Presidenta Dilma