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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia de anúncio de investimentos do PAC 2 Mobilidade Urbana - Teresina/PI

por Portal Planalto publicado 18/02/2014 17h24, última modificação 07/07/2014 10h53

 

Teresina-PI, 18 de fevereiro de 2014

 

Eu queria dar boa tarde para todos, sei que o horário está apertado, mas eu quero dirigir a vocês uma palavra de carinho e também de alegria por estar aqui neste nosso Piauí, e aqui em Teresina.

Dirijo um cumprimento muito especial às prefeitas e aos prefeitos que receberam suas máquinas nessa cerimônia. Me permitam quebrar o protocolo e cumprimentá-los.

Estou cumprimentando também o nosso governador do Piauí, um parceiro, que é o Wilson Martins.

Cumprimento o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros,

 E o prefeito de Teresina, Firmino Filho.

Cumprimento todos os ministros que usaram da palavra, aqui, e que me acompanham hoje: ministro do Desenvolvimento, Pepe Vargas; das Cidades, Aguinaldo Ribeiro; interino da Integração, Francisco Teixeira.

Cumprimento o deputado Themístocles  Sampaio Filho, presidente da Assembleia Legislativa,

A desembargadora Eulália Pinheiro, presidente do Tribunal de Justiça,

Os senadores aqui presentes: Ciro Nogueira, João Vicente Claudino e Wellington Dias. Ao nomear os senadores, eu quero agradecer o apoio que eles têm nos dado no Senado Federal.

Também os deputados federais: Assis Carvalho, Iracema Portela, Jesus Rodrigues, Júlio César, Marcelo Castro, Marllos Sampaio, Osmar Júnior e, também, o deputado Átila Lira, atual secretário de estado da Educação.

Cumprimento o vereador Rodrigo Martins, presidente da Câmara Municipal.

Cumprimento a presidente do Tribunal de Contas do Estado, Waltânia Alvarenga.

Cumprimento também o presidente da Codevasf, Elmo Vaz.

Cumprimento o presidente da Associação Piauiense de Municípios, prefeito de Vila Nova do Piauí, Arinaldo Leal.

Cumprimento o doutor Francisco, prefeito de São Francisco do Piauí, n nosso prefeito Francisco de Assis de Oliveira Costa.

Cumprimento o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Piauí, Antonio José da Rocha Oliveira.

Cumprimento todos os trabalhadores, agricultores, familiares, lideranças comunitárias e sindicais aqui presentes.

Companheiros, senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Queridos amigos e amigas aqui presentes,

 

Eu quero dizer para vocês que eu estou aqui para lançar uma obra que eu considero muito importante, que é uma obra de mobilidade urbana. Nós temos ido em várias cidades do país e apontado para investimentos na área de mobilidade urbana, de transporte coletivo, que é essencial para um país que tem cidades médias e grandes. O Brasil, inclusive, tem uma tradição muito ruim nessa área. Muito ruim porque nas décadas de [19]80 e [19]90, diziam o seguinte: “o Brasil não pode ficar investindo nem em metrô, nem em VLT, que é Veículo Leve sobre Trilho, e tem de se contentar só com ônibus. Porque nós não somos um país que tem renda suficiente para colocar o dinheiro em metrô”. E aí o que aconteceu com o país? Nós temos grandes cidades onde vivem um número imenso de brasileiros e brasileiras espalhados pelo Brasil afora. E algumas imensas cidades de mais de nove milhões de habitantes, outras com cinco, com seis, e o que acontece? Acontece que as pessoas que vivem nas cidades, que hoje são a maioria da população brasileira, têm imensa dificuldade de transportar, de se transportar. Perdem um tempo imenso no transporte. Por isso, é muito importante que uma cidade como Teresina e outras cidades que ainda não chegaram numa situação de congestionamento, como existe em outras cidades do país, façam investimento em transporte sobre trilhos. Tanto pode ser metrô subterrâneo como metrô de superfície, que hoje chamam de Veículo Leve sobre Trilho. Por que transporte sobre trilho? Porque não só as pessoas vão ganhar tempo para si, para sua família, para seu lazer, para estudarem, para usarem seu tempo como melhor quiserem. Mas também, o transporte sobre trilho é mais barato. Como o governador mostrou, você concentra uma porção de gente em um equipamento único e faz isso com velocidade e segurança.

Por isso, eu vim aqui pessoalmente lançar o que vocês chamam de metrô, que é o metrô de superfície ou um VLT – Veículo Leve sobre Trilho –, e eu vim porque isso é crucial para o desenvolvimento aqui de Teresina. Teresina é uma importante cidade dessa região. O Piauí, eu vivo dizendo, é um estado que tem pela frente um imenso futuro e também um bom presente.

O Brasil cresce de uma forma muito interessante. Tem um período que cresce o Sudeste e o Sul; outro período cresce o Centro-Oeste; pois eu acho que a região que vai mais crescer no futuro, a partir de agora, futuro logo ali, é o “MAPITOBA” – o Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, em especial o Piauí. Seja, por suas riquezas, seja pela região de cerrado que ele possui, seja por suas riquezas minerais, seja pela determinação do seu povo, seja pelo fato que quando a gente – e eu compareço às Olimpíadas do Conhecimento, principalmente na área de matemática, eu vejo lá muitos premiados com o primeiro lugar, com a sua medalha de ouro, serem piauienses. Um povo que se esmera, um povo que se dedica a se educar, não tem como não ser um povo desenvolvido. Por isso, eu quero dizer que eu vim aqui lançar esse metrô de superfície ou Veículo Leve sobre Trilhos, e olha que Veículo Leve sobre Trilhos – vocês não achem que não é moderno não –, talvez seja dos sistemas mais modernos do mundo, mais do que o metrô tradicional.

Eu vim aqui porque os valores das obras de mobilidade urbana que nós fazemos em parceria – uma parceria muito bem sucedida e republicana – com o governador e o prefeito, são muito importantes.  Nós vamos colocar, aqui, R$ 611milhões, e aí eu quero contar uma outra coisa: no Brasil não dava para investir em metrô, não dava para investir em VLT, sabe por que? Porque os financiamentos eram em cinco anos, eram em sete anos. Ninguém consegue fazer obras mais caras com um crédito muito curto. Por isso, aqui, esses R$ 600 milhões são assim: R$ 306 [milhões] são dinheiro do nosso orçamento, portanto, dinheiro a fundo perdido, a gente não cobra. E R$ 304,8 [milhões] são financiamento em 30 anos com uma carência, muito expressiva, de cinco anos, juros de 5,5%. Portanto, é um dinheiro adequado para financiar obra de mobilidade, em especial, metrô de superfície.

Nós chegamos com esse anúncio, a uma carteira, aqui, para investimento em mobilidade urbana, de R$ 846 milhões. Eu posso dizer para vocês que nunca o governo federal colocou tanto dinheiro para mobilidade urbana, ou seja, transporte coletivo de massa, aqui no Piauí. E eu me orgulho disso, e por isso estou dizendo que me orgulho imensamente disso, porque essa é uma obra que vai beneficiar na veia as pessoas. Não é uma obra que seja para esse ou para aquele interesse, é uma obra que tem o mérito de garantir que todos os moradores de Teresina sejam contemplados, é aquela obra que enche a gente de alegria porque vale para todo mundo.

Eu quero dizer que, além dessa linha sudeste, do Veículo Leve sobre Trilhos, com 3,6 quilômetros, nós também vamos construir corredores de ônibus. São 30 quilômetros de corredores, três viadutos e a segunda ponte da Avenida Poti. Aí entra uma outra questão: eu considero, e acho que foi muito interessante a exposição feita pelo governador, sobre duas coisas que acontecem quando você investe em trilho. Primeiro, você reduz o tempo de travessia; segundo, você pode ter uma tarifa, uma passagem de ônibus mais em conta. Por quê? Porque o trilho tem esse poder de criar e de integrar um sistema de transporte. E aí o que você pode ter? O que tem nas grandes cidades do mundo: bilhete único, um bilhete que você compra e vai usando em todos os modais. Para isso é preciso ter um integrador.

Eu quero dizer para vocês que eu fico muito feliz com essa parceria. Porque antes, sem o governo federal, é muito difícil construir obras com esse valor, é muito dinheiro que é necessário. Então, quando junta o dinheiro do governador, o dinheiro do prefeito e o dinheiro do governo federal, nós, de forma republicana, construímos as obras que o povo precisa. Sem olhar qual é o partido ou a política do coração do prefeito, do governador ou da presidenta, nós honramos o voto que nós recebemos na urna.

Eu vim aqui também por um outro motivo. Dentro daquilo que eu disse para vocês, que eu vejo uma grande linha de desenvolvimento aqui na região do Piauí, englobando também outros estados, mas me referindo a aqui, sobretudo, eu venho aqui também muito feliz para incluir... para dizer para vocês que incluímos no PAC as obras de pavimentação do trecho da BR-235, que vai de Bom Jesus lá à divisa com a Bahia, e que nós vamos colocar, de dinheiro nosso, R$ 210 milhões nessa BR.

            Eu acredito que, em breve, a BR-235 que corta o estado do Piauí, ela vai estar pavimentada, e essa BR, por que é que eu acho que ela vai estar pavimentada? Porque o trecho entre Gilbués e a divisa com o Maranhão, que já estava no PAC, nós esperamos que fique pronto no final deste ano. Então, se você juntar aquele trecho com esse trecho... que tem uma característica, veja, ele já está licenciado, esse novo trecho a que eu estou me referindo, de Bom Jesus até a divisa, ele está licenciado. A empresa construtora já está selecionada, então ela pode começar imediatamente.

            Com isso, nós vamos ter um corredor que corta esta região do país, e outras BRs e outros trechos nós vamos avaliar. Eu recebi o pedido do governador e nós vamos avaliar. Por que é que eu digo que nós vamos avaliar? Porque são trechos fundamentais se a gente considerar a importância que tem o “MAPITOBA”, que tem o sul do Piauí, e posso dizer para o senhor, governador, nunca deixei o senhor na mão.

Além disso, eu quero me referir aos prefeitos e às prefeitas. Tenho um carinho especial e olho com muito cuidado para as prefeituras que têm até 50 mil habitantes. Sei que são as prefeituras que mais precisam do governo federal porque são as que têm maior dificuldade de recursos. Por isso nós fizemos esse programa de máquinas, e aí me deram um dado agora, que foi até o ministro, o ministro Aguinaldo, que me deu um dado que eu achei importantíssimo o dado. Um desses prefeitos, se eu não me engano... prefeito de onde, ô ministro? Ah, de Riacho dos Cavalos. Com essas máquinas, a máquina que ele recebeu que, se eu não me engano é uma retroescavadeira, ele já fez 30 “barraginhas”. É a coisa que mais me dá alegria, é saber que essas máquinas, para todas as prefeituras até 50 mil [habitantes], do Brasil, elas recebem o quê? Elas recebem o kit de três máquinas: moto[niveladora], retro[escavadeira] e caminhão-caçamba. Para as prefeituras do semiárido, nós temos mais duas, que é a pá carregadeira e o caminhão-pipa.

            Eu tenho certeza absoluta que não só para as estradas vicinais, mas para essas obras que são demandadas pelos moradores dos municípios, as outras que são demandadas pelo fato de que é necessário combater a seca quando ela aparece, eu tenho certeza que esse é um programa de muito sucesso. Eu tenho absoluta certeza que essa doação que os prefeitos recebem... porque a partir de agora a máquina não tem nada a ver com o governo federal. A máquina é da prefeitura. A prefeitura recebeu em doação. E aqui, dos 224 municípios, eu vi, 222 vão ser beneficiados. Eu fiquei encantada com isso. Além disso, eu sei que desses municípios, 205 estão no semiárido. Então 205 vão receber cinco máquinas.

            Eu considero também – quero destacar isso para vocês – uma obra fundamental. Ela é pequena, mas é aquela obra pequena que, somada com várias pequenas, dá uma bem grande. É a cisterna. Este país é um país que precisa ter cisternas, e aqui nesta região do semiárido, no Nordeste todo, no norte de Minas Gerais, enfim, na região da Sudene, nós estamos fazendo um grande esforço. Queremos chegar ao final de 2014 com 750 mil cisternas. Por que nós queremos isso? Porque todo mundo sabe que cisterna não é nada emergencial. Cisterna é uma garantia para o morador, e queremos dois tipos de cisterna, cisterna de consumo e cisterna de produção, porque na cisterna de produção se planta uma hortinha, se cultivam alimentos e se permite ao agricultor uma certa autonomia significativa.

            Eu tenho muito orgulho do programa da seca, e eu sei que esse programa da seca... hoje até me perguntaram: “Mas, vem cá, presidenta, o Garantia Safra, o seguro Garantia Safra não é assistencial?” Como que o seguro Garantia Safra é assistencial, se ele faz parte do esforço do produtor que paga 1,5%? E quando, obviamente, ele tem comprometido 50% da sua safra, ele tem que ser socorrido. Não tem nada de assistencial em ser capaz de socorrer aqueles que estão sofrendo, numa situação de emergência.

            Agora, além do Garantia Safra e da Bolsa Estiagem, eu quero falar é das obras estruturantes. É importante que vocês saibam que para cada R$ 1 investido na interligação da Bacia do São Francisco, nós investimos R$ 3 em outras obras estruturantes. No Ceará, o Cinturão das Águas; aqui no Piauí, barragem de Piaus I e barragem de Bocaina Piaus II. A I pronta e a II agora tem do o processo inicial. Como também fizemos o Canal do Sertão alagoano, como fizemos o Canal da Vertente Litorânea. Sertão alagoano, em Alagoas, Vertente Litorânea lá na terra do ministro.

            E eu quero dizer para vocês o seguinte: eu tenho imenso compromisso com o desenvolvimento do nordeste do nosso país. O Nordeste concentra uma das mais importantes e significativas populações do país em cultura, em capacidade de trabalho, em capacidade de se transformar. E aqui, no coração do Nordeste, eu sei que tem um povo com uma grande garra, com uma capacidade imensa de resistir, ao longo de anos e anos a fio, a essa então maldição que era a seca. A seca não é uma maldição. A seca é uma ocorrência, é algo que ocorre. Então vamos pensar aqui juntos. Escuta cá, os países que são lá no norte, eles passam por invernos rigorosos, invernos que duram cinco, seis, sete meses, todo ano, chova ou faça sol. Tem inverno forte a cada toda produção, a neve mata tudo que cresce e eles sobrevivem muito bem, obrigada, e fortes. Nós também podemos enfrentar a seca, sim. A seca não deve ser combatida. Nós temos que olhar a melhor forma de conviver com ela, e essa melhor forma é simples. Quando ela vier pesada, ações emergenciais para dar suporte para a população. Quando ela vier pesada, sistemas de barragens, adutoras, canais, que garantam água e garantam segurança hídrica para a população. E também, uma coisa que eu tenho muito orgulho de ter feito, que não foi falado aqui, o Plano Safra do Semiárido. Muitos podem achar estranho: “Ah, vão fazer uma safra no semiárido?”. Ah, nós vamos, sim. Acabou essa seca, nós vamos recompor tudo. Nós vamos plantar forragem, nós vamos plantar todos... palma forrageira, por exemplo. Nós vamos tomar todas as medidas que vão garantir que nós possamos conviver com a seca, não só de cabeça erguida, mas garantindo para os nossos filhos e para os nossos netos uma estabilidade que nunca foi feita antes aqui na região do semiárido. Eu sei que o Piauí é diferenciado, tem cerrado. O Piauí tem cerrado, ou seja, a melhor terra para se plantar neste país. Mas tem também semiárido. Nós vamos saber aproveitar de uma e conviver muito bem com a outra.

Quero dizer que eu acredito neste estado. Acho que vocês vão ter, daqui para a frente, anos e anos de muito progresso, acho, de prosperidade. O Piauí é um estado rico. Foi visto durante muito tempo... na minha infância, o Piauí era sinônimo de um estado pobre. Vejam vocês, eu cresci e virei presidente, e hoje tenho a felicidade de ter certeza que este é um estado rico.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra (26min54s) do discurso da Presidenta Dilma