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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na cerimônia alusiva à visita às obras da Etapa útil I do Canal Acauã-Araçagi - Adutor da Vertente Litorânea

por Portal do Planalto publicado 04/03/2013 19h23, última modificação 04/07/2014 20h16

 

Itatuba-PB, 04 de março de 2013

 

Boa tarde a todos os brasileiros da Paraíba aqui presentes.

Eu queria iniciar quebrando um pouquinho o protocolo e cumprimentando os nossos trabalhadores e as nossas trabalhadoras que estão construindo esta obra. A eles e a elas o nosso respeito, a nossa admiração e o orgulho de termos, no trabalho de vocês, uma obra desta envergadura.

Queria cumprimentar o meu governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, e a senhora Pâmela Bório.

Queria cumprimentar também esse simpático pessoal aí. Para vocês que não estão vendo o que eles escreveram: “Dilma, me chama que eu vou”. E eu vou parodiar vocês, vou imitar vocês, vou dizer “Paraíba, me chama que eu vou”.

Queria cumprimentar o nosso ministro da Integração, o nosso querido Fernando Bezerra Coelho, que como vocês viram é uma pessoa apaixonada, apaixonada no melhor sentido da palavra, pelo Nordeste, pela solução dos problemas do Nordeste e uma pessoa que tem na alma a convicção de que nós temos de fazer aqui muito mais do que fazemos em todos os outros lugares, porque durante muito tempo o Nordeste ficou esquecido. Uma salva de palmas para o Fernando.

Eu estou aqui também acompanhada pelo ministro das Cidades, que vocês conhecem, um brasileiro nascido aqui e criado aqui na Paraíba, o Aguinaldo Ribeiro, ministro das Cidades. Me acompanha também o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o general José Elito, a ministra da Secretaria de Comunicação, Helena Chagas, e a ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Relações Institucionais. Queria cumprimentar o deputado federal Luiz Couto.

Cumprimentar o nosso querido prefeito de Itatuba, Aron René Martins de Andrade. O Aron assumiu a prefeitura há pouco e eu queria desejar a ele toda a sorte do mundo, queria desejar a ele uma grande parceria com o governo federal e, tenho certeza também, com o governo do estado. Pode saber, Aron, que estamos juntos.

Queria cumprimentar a senhora Viviane Lira Campos, por intermédio de quem cumprimento todos os prefeitos e prefeitas da região aqui presentes.

Queria cumprimentar o senhor Luciano Cartaxo, prefeito de João Pessoa.

Agradecer e cumprimentar o presidente do Conselho de Administração do Consórcio Acauã, Marcos de Queiroz Galvão.

Queria cumprimentar o Movimento dos Atingidos por Barragens, na pessoa do Osvaldo Bernardo da Silva.

Cumprimentar a Dilei, a Aparecida Schiochet, do Movimento dos Sem Terra.

O Nelson Anacleto Pereira, representante da Articulação do Semi-Árido Brasileiro e do Polo Sindical.

Finalmente, eu queria cumprimentar os senhores jornalistas, os senhores fotógrafos e os senhores cinegrafistas, e, mais uma vez, cumprimentar nesta semana, que é a semana do Dia Internacional da Mulher, a mulher paraibana. E eu vou agradecer ao prefeito Aron por ter me comparado com uma mulher paraibana, muito me honra.

Aqui estão também alguns prefeitos e prefeitas que eu vou mencionar. O prefeito Adáurio Almeida, de Salgado de São Félix; o prefeito Antonio José Ferreira, de Mogeiro; o prefeito Eduardo Gindre Caxias de Lima, de São José dos Ramos; o prefeito José Gil Mota Tito, de Riachão do Bacamarte; .o prefeito Manoel Batista, de Ingá; a prefeita Mariana Faria dos Santos, de Juarez Távora; e Nadir Fernandes, prefeito Nadir Fernandes, de Curral de Cima.

Queria dizer para vocês que, de fato, esta é a primeira vez que eu venho à Paraíba como presidente da República. Já estive aqui antes como ministra, mas como presidente, para mim é um grande prazer estar aqui hoje, principalmente porque esta obra é um símbolo, é um símbolo do apreço, da importância, da prioridade que o governo federal dá à questão da água. Nós sabemos, e nós sabemos e temos acompanhado com a maior atenção, o grave problema que vem afetando o semi-árido aqui na região nordestina, em especial aqui na Paraíba.

Por isso, para mim, ver as obras do Canal Acauã-Araçagi avançando, ver este canal aberto, me enche de dois sentimentos: um é a alegria e outro é a esperança e a certeza que esta é uma obra que vai ocorrer de forma acelerada e vai beneficiar milhares e milhares de famílias aqui na região, nesta região da chamada Borborema paraibana.

Este canal é a maior obra hídrica nos últimos 30 anos aqui na Paraíba, a maior obra de oferta de água. O que nós chamamos de estruturante é aquela obra que resolve o problema para uma população de forma definitiva, que resolve o problema da água saindo, ou do rio ou do reservatório, caminhando por uma adutora ou um canal, chegando na torneira da casa das famílias, permitindo que a mãe dê banho no seu filho, que a dona de casa cozinhe, permitindo que se tome banho e permitindo ao agricultor que ele dessedente seus animais, permitindo a todos o acesso a esse que é, talvez, o mais importante bem, que é a água, porque nós todos sabemos que, se tem uma imagem forte do que é a água, essa imagem é a vida. Água é vida. Por isso a importância para o Nordeste de ter água, de ter água para poder, inclusive, crescer e se desenvolver.

Eu estou falando aqui, neste momento aqui, junto a esta represa e, sobretudo, ao canal que está sendo construído, eu estou falando de um investimento que não é pequeno, é de quase R$ 1 bilhão, e isso é muito importante que o Brasil gaste. Eu quero dizer para vocês que quando eu cheguei, no PAC – um pouco antes do PAC começar –, o Brasil gastava, sabe quanto, o Brasil inteiro, em obras deste tipo? Não gastava, o Brasil inteiro, R$ 200 milhões, o Brasil inteiro, porque o Brasil vinha de uma crise muito forte, que durou quase 20 anos.

Então, hoje, quando numa obra, no estado da Paraíba, nós colocamos R$ 1 bilhão, é porque as coisas mudaram, e mudaram para melhor. Aqueles que dizem que nós não fazemos obras estruturantes, só fazemos obras emergenciais, eles estão errados. Nós fazemos obras estruturantes, sim. Esta é uma construção de 112 quilômetros, esta é uma construção de quase R$ 1 bilhão. Agora, tem uma coisa, nós temos responsabilidade com o povo, então fazemos obras emergenciais também, porque o governo federal e os governadores aqui do Nordeste não vão ficar de braço cruzado, vendo a seca surgir, e falando assim: “a hora que acabar essa obra, a gente vai ver o que faz com a seca”. Não é possível isso, não é responsável. Por isso, que ao mesmo tempo que nós fazemos obras emergenciais nós temos que chamar o Exército Brasileiro e falar: “Exército Brasileiro, aqui está o dinheiro. Vamos levar carros-pipa para os municípios que estão sem água”. É por isso. Agora, chamamos o Exército. Não queremos que o Nordeste seja atendido com carros-pipa. Não queremos. Queremos que aqui tenham obras estruturantes. Mas enquanto elas não ficam prontas, nós vamos garantir carros-pipa sim.

Nós vamos garantir também que o agricultor tenha acesso à sua cisterna, que ele possa colocar sua cisterna na propriedade e receber a água. Nós também vamos garantir que a população que está sem água, a população mais pobre, não precise passar por aquela situação tão terrível de porque não tinha o que comer porque não tinha renda, chegava ao limite, inclusive muitas vezes chegando a invadir lojas e comércios. Não. Nós criamos uma figura chamada Bolsa Estiagem, quando nós vimos que a seca vinha, nós criamos duas coisas: a Bolsa Estiagem e antecipamos a chamada Garantia Safra. A Bolsa Estiagem para aquele agricultor que tinha que sobreviver com a família e que ganhava nove parcelas de R$ 80 e que, enquanto a seca durar, nós pagaremos. E a Garantia Safra a mesma coisa.             Agora eu quero contar uma coisa para vocês. O Nordeste sempre foi um estado, uma região especial, e a Paraíba sobretudo. A Paraíba, a Paraíba foi capaz, e hoje o ministro das Cidades, lembrava que na bandeira da Paraíba está escrito “Nego”. Nego o quê? Nego o governo, que era um governo conservador, que só olhava para o Rio, aliás para São Paulo e para Minas, o chamado governo do café com leite que era do Washington Luís. Então a Paraíba fez uma parceria com o Rio Grande do Sul. Juntos, Rio Grande do Sul, Minas e a Paraíba, fizeram a chamada Revolução de [19]30. O que está na bandeira da Paraíba é um grito de liberdade e o apoio a uma questão, e eu lembrei disso porque eu quero contar para vocês uma coisa. Eu deixei para contar aqui.

Quando nós resolvemos criar o Brasil Carinhoso, um dos fatos... O que é o Brasil Carinhoso? É dar uma bolsa para resolver o problema da miséria que ataca as crianças e os jovens. A criança e o jovem, eles não saem sozinhos da miséria. Eles precisam da família para sair da miséria. Onde se concentra a miséria no Brasil? Em crianças e jovens, na população urbana das grandes cidades, na população rural e, principalmente, se a gente for olhar a região, no Norte e no Nordeste.

Quando nós vimos essa situação e vimos a seca, nós resolvemos acelerar o Brasil Carinhoso, porque o Brasil Carinhoso também ia ajudar a combater a seca, porque era dar para cada pessoa, de cada família que estava no Cadastro como extremamente pobre, dar a elas R$ 70 por pessoa. Não adianta dar para criança, tem de dar para a família da criança e para a criança, porque quem sai da miséria é a família, quem leva a criança e o jovem junto é a família. Então, eu quero dizer que o Brasil Carinhoso também funcionou como uma rede de proteção, como um apoio, como um suporte para que a população nordestina enfrentasse a seca, desta vez, de cabeça erguida.

Além disso, eu quero dizer para vocês que o governo tem uma obra fundamental, que é a interligação da Bacia do São Francisco. Nós sabemos que o rio São Francisco é a fonte de água que resolverá o problema aqui desta região do semi-árido, tanto o eixo leste quanto o eixo norte e a Paraíba, sem dúvida, hoje mais uma vez eu tenho certeza disso, é um dos maiores beneficiários da interligação da Bacia de São Francisco.

Eu quero dizer a vocês que não só eu assumo aqui o compromisso que nós iremos até 2014 entregar uma parte dessa interligação como ela estará concluída em 2015. Eu assumo em meu nome, no nome do ministro Fernando Bezerra, e quero dizer mais uma coisa para vocês: a interligação da Bacia do São Francisco apesar de ser uma obra estratégica, ela por si só não assegurará o abastecimento de água. Por isso que hoje para cada R$ 1 que nós colocamos na interligação, nós temos que colocar R$ 2 nas outras obras estruturantes articuladas com as obras da integração. Por que? Vejam vocês, por que? Eu vou explicar porque. Aqui, por exemplo, a gente vai ter que trazer a água para cá, mas a água tem que chegar na casa da Dona Joana, da Dona Maria, do Seu Pedro, do Seu Manoel. Para ela chegar, nós temos que fazer, por exemplo, esta obra aqui. Porque essa obra é como as veias do nosso corpo. Nós temos uma veia maior, que é a interligação da Bacia, e várias veias menores, que são este canal, aqui da chamada, que nós chamamos Vertentes Litorâneas, os outros canais que serão feitos aqui e que o ministro Fernando Bezerra aqui assumiu o compromisso que é meu, de nós fazermos um estudo porque não se pode parar no Brasil, nós temos que ter projeto. No Brasil hoje o que falta não é dinheiro, é projeto. E projeto para que? Para fornecer água para a população do semiárido.

Então eu quero dizer para vocês que isso é um imenso esforço articulado. Nós estamos, porque como disse bem alguns que me antecederam, nós não somos donos da verdade, nós queremos parceria. Nós precisamos dos empresários, precisamos dos prefeitos e precisamos dos governadores para levar a cabo essa que é, aliás, esse que é um desafio de uma geração.

Ficamos 500 anos sem resolver o problema da água, mas a nossa geração vai resolver o problema da água aqui no Nordeste. Nós vamos fazer isso e eu conto com todos vocês aqui presentes. Vocês, para nos criticar, quando for o caso, para criar toda sorte de discussões a respeito, e nós todos para pegarmos juntos e resolver esse que é um desafio do tamanho do Brasil, um desafio que é botar água na torneira de todas as donas de casa aqui do Nordeste, de colocar à disposição dos agricultores água suficiente.

A seca, nós sabemos que é algo que nós não controlamos porque ainda não temos tecnologia para controlar o clima, a chuva, não temos. Mas nós temos tecnologia, capacidade, ousadia e coragem para enfrentar a seca. O que nós queremos é enfrentar, e enfrentar como? Usando todos os recursos que nós tivermos: dinheiro, tecnologia para fazer esses projetos que são chamados estruturantes, que são os canais, as adutoras, os reservatórios, as estações elevatórias, quando for o caso, para assegurar que o Nordeste seja uma das regiões que tenha seu crescimento acelerado e seja, cada vez mais, aquela região que nos orgulhará por ter um desempenho econômico-social o mais expressivo do Brasil. Esse é o desafio de todos nós, de todos os brasileiros com consciência.

E eu queria dizer a vocês mais uma vez: para mim é uma honra estar aqui e eu, aqui, assumo um compromisso. É a primeira vez que eu venho como presidente, mas não será a última, é a primeira de muitas. E aí eu vou cobrar o “Dilma, me chama que eu vou”. Espero que, da próxima vez, eu possa dizer para vocês: “Paraíba, me chamaram e eu vim”.

 

Ouça a íntegra do discurso (24min08s) da Presidenta Dilma