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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na abertura oficial da 79ª Exposição Internacional de Gado Zebu - Expozebu 2013

por Portal do Planalto publicado 03/05/2013 16h14, última modificação 04/07/2014 20h15

 

Uberaba-MG, 03 de maio de 2013

 

Eu queria iniciar agradecendo a ABCZ pelo certificado de associada remida que eu recebi, nº 20.000.

Queria agradecer, apesar de eu não ter nenhum boi, mas nunca é tarde para começar. Estou vendo aqui o senhor Mário Abdo, que foi presidente da Aneel, e agora é um criador de gado. Então, eu tenho a quem copiar.

Queria cumprimentar o nosso governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia que nos presenteou com essas palavras tão sábias e bem ditas.

Queria cumprimentar o Eduardo Biagi, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu, ABCZ. E por intermédio dele eu cumprimento todos os integrantes da diretoria a ABCZ e os empresários e empresárias – não é, Kátia Abreu? – aqui presentes.

Queria cumprimentar os senhores embaixadores estrangeiros acreditados junto ao meu governo, dirigindo uma saudação especial à embaixadora do México.

Queria cumprimentar o prefeito de Uberaba, um grande parceiro, Paulo Piau.

Desejar ao nosso rei - aquele que nos alegrou em todos os campeonatos que ganhamos, que nos alegrou também fora dos campeonatos, que deu a nós todos um exemplo de determinação, seriedade, compromisso com o país – ao nosso rei Pelé.

Queria também cumprimentar um grande jogador, o Djalma Santos – quem é que não se encantou ao ver Djalma Santos jogar e, sobretudo, ao ver os dois jogarem.

Queria cumprimentar os ministros de estado: Antonio Andrade, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; o ministro Aldo Rebelo, do Esporte; o ministro Aloizio Mercadante, da Educação.

Cumprimentar o vice-governador Alberto Pinto Coelho.

O Deputado Diniz Pinheiro, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Cumprimentar o Anderson Adauto, ex-ministro dos Transportes e ex-prefeito de Uberaba.

Dirigir um cumprimento ao senador Aécio Neves.

E queria cumprimentar a minha amiga Kátia Abreu, senadora e presidente da CNA.

Cumprimentar os senhores deputados federais aqui presentes.

Cumprimentar Maurício Antônio Lopes, um funcionário, um agrônomo, um dos grandes presidentes da Embrapa.

Cumprimentar o senhor Eliseu Roberto de Andrade Alves, um grande presidente da Embrapa também. E hoje agraciado com a comenda do Mérito ABCZ 2013 na categoria nacional. Por intermédio dele eu cumprimento cada um dos ganhadores desta comenda.

Queria cumprimentar também o senhor Adeildo Vasconcelos, que hoje recebeu o certificado de conclusão do Agrocurso em Nutrição Animal.

Queria cumprimentar também um grande amigo, senhor Gilberto Vasconcelos, e por intermédio dele cumprimento todos os meus amigos aqui presentes.

Queria cumprimentar as senhoras e os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Para mim é com grande satisfação que eu venho mais uma vez aqui na abertura da ABCZ nessa Uberaba, capital brasileira do zebu. Eu lembro que eu estive aqui em 2010, naquele momento eu fui muito bem recebida pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu. E eu tenho certeza que mais uma vez nós veremos aqui um grande sucesso do empenho, do esforço e da capacidade de iniciativa do povo brasileiro.

Hoje, eu retorno como Presidenta da República para visitar e, sobretudo, para reconhecer, prestigiar e homenagear essa que é uma das maiores feiras de raças zebuínas do planeta. Um evento que é fundamental tanto para a pecuária brasileira quanto para o Brasil, quanto para o fato de que a questão do controle, a questão da produção e a questão da comercialização, tanto interna como externa de proteínas animais será um dos grandes desafios do século XXI.

Por isso, desde a primeira Expozebu, que aconteceu aqui e a mim me comoveu muito, mas, sobretudo, me deu a seguinte constatação: é difícil os empreendimentos humanos, principalmente aqueles que são coletivos, terem uma duração longeva. Nós ainda estamos numa fase da nossa organização humana em que, geralmente, poucas instituições têm uma durabilidade, poucas instituições têm uma durabilidade, uma longevidade como a que tem essa Expozebu.

Por isso, nestas quase oito décadas, eu acredito que nós devemos fazer um reconhecimento à intuição mineira. A intuição mineira que levou, primeiro, os criadores do Triângulo a buscar uma raça que pudesse se adaptar ao Brasil e à nossa região e ao nosso clima – no final, eu acho, do século XIX, que isso ocorreu – e naquele momento aconteceu um evento que vai marcar a história da pecuária brasileira. E esse evento é justamente a entrada do zebu nas nossas fronteiras aqui no Brasil. Foi uma aposta certa,  fruto de ousadia como todas as apostas certas que se fazem, fruto da ousadia mais um trabalho persistente, com muito empenho, não se deixou ao acaso, foi fruto de tentativas, foi fruto de, inclusive, erros com os quais se aprendeu.

Pois, hoje, 80% das raças brasileiras são originárias dessa iniciativa pioneira. Esta foi uma parceria construída ao longo de oito décadas, de quase oito décadas, uma parceria muito bem sucedida entre o setor privado e o setor público. E nós devemos aprender com ela e perceber que um país como o nosso cada vez mais vai precisar de parcerias bem sucedidas entre o setor privado e o setor público.

Esta parceria que tem na Embrapa, que tem na Embrapa uma ponta, e na outra ponta os produtores mineiros, brasileiros que tiveram a iniciativa de criar e produzir conhecimento e tecnologia melhorando a raça nessa melhoria genética sistemática que se verificou ao longo dos anos e que hoje, quando os principais exemplares aqui desfilam, chama a atenção até de pessoas que não conhecem uma raça zebuína, mas percebem a força e a beleza quando a vêem, que é o meu caso. Eu não sou uma especialista em zebu, mas é de fato uma demonstração de força o que nós vimos passar aqui, em matéria de rebanho zebuíno.

Eu acredito também que foi graças a essa parceria bem-sucedida que Uberaba se tornou o centro da produção de gado zebu do Brasil. E hoje nós estamos diante de um desafio cada vez maior, porque todas as pesquisas genéticas evoluíram, e nós podemos adotá-las de forma cada vez mais significativa.

E aqui eu queria lembrar uma pessoa que, apesar de não ter nascido aqui em Uberaba é um uberabense de coração, e sempre que acontece a Expozebu ele nos contempla com a sua força, com a sua alegria, que é o Jonas Barcellos. E eu queria dizer a vocês que, da última vez que eu cá estive, eu visitei o laboratório de pesquisa genética que é fruto de uma parceria, também, entre o Jonas Barcellos e a Embrapa, e fiquei impressionada com o que se conquista, em matéria de produção, de produtividade, de especialização genética para produção de gado leiteiro, de gado de corte e melhoria da qualidade das carnes produzidas.

E tenho certeza que aqui, aqui em Uberaba, tem um centro que ainda vai dar muito boas notícias ao país. Muito boas notícias porque ele acompanha o avanço da fronteira do conhecimento científico e tecnológico nesta área. E isso é muito importante porque contribui para não só a produção de melhor qualidade para o mercado interno, mas para a nossa qualidade de produção, o que significa também melhoria da nossa competitividade, melhora do nosso Produto Interno Bruto, e assim em várias outras... em outros setores.

Eu acredito que isso que eu vi hoje, aqui neste desfile, foi um pequeno desfile, mas salta aos olhos, que são produtos melhorados de um determinado rebanho, de uma determinada raça. Quando a tecnologia salta aos olhos, ela se torna visível, é porque chegou a um ponto de elaboração bastante sofisticado e disseminado.

Por isso eu queria dizer também que eu tenho confiança de que nós estamos no caminho certo. E isso eu quero dizer para vocês, agora, olhando para o Plano Safra da Agricultura e da Pecuária, que agora, por volta do final do mês de maio nós iremos, mais uma vez, plantar. E acredito que a cada plano nós temos de introduzir melhorias. Primeiro, porque nos interessa muito o diálogo e a construção desse plano, dento de um diálogo com os setores que são aqueles responsáveis pela representação da agricultura e da pecuária. Me refiro à Confederação Nacional da Agricultura, me refiro também a todos os agricultores familiares com os quais nós dialogamos, no caso, com a Contag.

Mas, voltando à questão desse Plano Agrícola e Pecuário que nós iremos lançar, eu acredito que ele terá características desse outro que ainda está em vigência, que é: nós vamos estar preocupados com ampliar recursos, reduzir custos, simplificar procedimentos, construir linhas de financiamento mais adequadas. Vamos estar também preocupados com outras questões que não constaram dele e que são questões estratégicas, que vão ampliar a segurança do produtor, mas vão abrir também novas fronteiras para nós e vão nos permitir dar novos saltos.

Eu me refiro também a políticas que nós começamos e que temos que continuar desenvolvendo, por exemplo, política de preço mínimo e de seguro rural. O Brasil terá, cada vez mais, o empenho nesta questão do seguro rural, porque sabemos que tanto a agricultura como a pecuária tem uma grande incidência sobre as questões ligadas ao clima. Daí porque essa questão do seguro é estratégica.

Mas eu queria dizer que nós também temos muito interesse numa questão: nós queremos que o Brasil continue tendo pesquisa de fronteira na área genética. Nós queremos e estamos já, já introduzimos, no Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação algo que não se fazia antes, que era uma linha ligada basicamente à questão agrícola.

Mas, além disso, neste Plano Safra terá também um componente ligado à questão da melhoria, por exemplo, genética, dos rebanhos. Nós queremos que o Brasil trabalhe com esse instrumento numa mão. E aí, quando eu falo Brasil estou falando nos criadores e nos produtores.

Além disso, no caso da produção pecuária, algumas ações que nós já estamos apresentando merecem destaque. A linha de financiamento para aquisição de matrizes e reprodutores bovinos e bubalinos. Nos previmos, no atual Plano Safra, uma linha que teve juros bastante, eu diria, adequados, em torno de 5,5% ao ano, uma taxa aproximadamente zero de juros. Nesse próximo plano, nós vamos continuar explorando essa linha de financiamento, pois nós queremos melhorar cada vez mais o rebanho com melhores matrizes. E isso é um dos requisitos para o aumento da produção e da produtividade de nossos rebanhos.

Outra preocupação nossa, e que a gente expressou nesse último plano safra, é o problema da recuperação de pastagens. Nós sabemos, e eu acho que foi o Biagi que disse aqui, todos nós sabemos que tem 30 milhões de hectares de pastagens degradadas, e para nós é importantíssimo reverter esse quadro, para o Brasil, para o meio ambiente e para a produtividade brasileira. Isso significa que nós vamos dar cada vez mais importância, nessa área, ao Programa ABC, que é o Programa de Agricultura de Baixo Carbono, que é um dos nossos instrumentos para enfrentar os desafios. E eu queria... O desafio das pastagens degradadas.

E eu queria também dizer que, para mim, foi um momento auspicioso quando eu constatei que os produtores mineiros eram os que mais tinham usado o crédito do Programa ABC, o que mostra uma grande sensibilidade para essa recuperação. Minas Gerais e seus produtores são responsáveis pela maior produção de leite do país, e também por uma das maiores produções de carne. E nós sabemos que a recuperação de pastagem pode ensejar não só uma melhoria na qualidade do rebanho, mas também uma recuperação para uso, e não necessariamente na pecuária, mas também para uso na agricultura.

Eu quero também destacar que eu sancionei, dia 29 de abril, a lei que criou a Política Nacional de Integração Lavoura-Pastagem-Floresta. E nós iremos ampliar todas as práticas de conservação e de adequação do solo ligadas a um aumento de produtividade. Não é um fim em si, nenhuma dessas práticas. Elas têm como objetivo garantir que o país possa produzir a maior quantidade possível, com a melhor tecnologia possível, com o menor custo possível e com o menor impacto ambiental possível. Esta é uma diferença do Brasil: nós podemos e estamos fazendo. O que demonstra que é possível continuar fazendo cada vez mais e cada vez de forma melhor.

Neste mês, então, de maio, entre o final e o início de junho, quando nós lançarmos o nosso Programa Safra da Agricultura e da Pecuária, duas outras questões vão estar na pauta. Uma delas é a questão da assistência técnica e extensão rural. Assistência técnica e extensão rural, ela consiste em levar avanços tecnológicos para os produtores que não têm acesso a eles, principalmente médios e pequenos.

A Embrapa, ela é um centro de pesquisa. A Embrapa, ela não é um centro de extensão rural. Ela é um centro de pesquisa, ela é um centro de políticas de pesquisa, ela divulga, mas ela não tem uma estrutura para assistência técnica e extensão rural. Por isso, nós iremos criar a Agência de Extensão Rural, porque nós sabemos que nós iremos mudar a produtividade do Brasil, a produtividade da pecuária e da agricultura brasileira, se fizermos assistência técnica e extensão rural – e aí eu vou usar uma palavra um pouco forte –, de forma obsessiva. Nós temos de fazer assistência técnica e extensão rural de forma obsessiva.

Isso significa fazer com que nós estejamos trabalhando no limite da nossa capacidade, e nós podemos trabalhar no limite da nossa capacidade, porque tem vários produtores, tem vários pecuaristas que atingiram um ponto limite, eles precisam avançar mais, mas nós precisamos estender para os demais essa atividade.

Isso acontece também em todas as atividades, na indústria também acontece. As grandes empresas atingem primeiro grandes patamares e depois os divulgam. Mas acontece que, hoje, também há uma inversão, muitas vezes, pequenas empresas altamente tecnológicas conseguem avanços e depois as grandes empresas vão utilizar de forma comercial. É para essa integração que nos interessa a assistência técnica e a extensão rural.

Outra questão para nós muito importante diz respeito à armazenagem, no caso geral do país. Nós temos de atuar em armazenagem porque o país precisa de uma infraestrutura logística, e logística tanto é a construção de estradas e portos, e eu queria mais uma vez reiterar a importância da medida provisória dos Portos, que está em processo de votação no Congresso. O governo federal, esta presidenta, considera que a questão da medida provisória dos Portos é crucial para a competitividade do país diante do resto do mundo. Nós temos certeza que o Congresso brasileiro será sensível, mais uma vez, como vem sendo, aliás, e irá assegurar que o país tenha um marco regulatório que abre os portos do Brasil mais uma vez, desta vez ao setor privado, garantindo e assegurando infraestrutura portuária para viabilizar a exportação no nosso país.

Eu queria dizer, também, que eu considero muito importante, que é a questão de construir um Conselho. Eu recebi várias sugestões e eu acredito que uma das melhores práticas que o governo federal pode ter é dialogar. Eu escutei várias sugestões, acho que é muito importante para a cadeia da pecuária nós construirmos o Conselho, o chamado... Eu não vou chamar ele de Conzebu, eu vou chamar ele de Conbov, porque poderíamos chamar de Conzebu mas tiraríamos uma parte dos criadores de raças europeias e isso não é o nosso interesse, pelo contrário é trazer todos. Eu acho que seria muito importante construir o conselho, o chamado Conbov. O Conbov, o conselho do setor bovino eu acho que ele é um conselho de cadeia, ele tem por objetivo articular os problemas da cadeia e através do diálogo com todos os agentes resolver os conflitos, que é o que se faz sempre e que resulta em avanços. A experiência demonstra que sempre que se olham as diferenças e que se tenta construir uma aproximação, o resultado é o melhor possível.

E eu acho que nós temos que dar alguns passos nessa área, nós temos que avançar. Eu, muitas vezes, como vocês sabem, falo com outros países e na minha pauta tem a exportação de carne bovina, de carne suína, enfim, de carnes em geral. E eu acredito que nós temos um amplíssimo mercado, mas nós temos que ter um cuidado e também eu vou dar uma atenção especial no Plano Safra da Agricultura e da Pecuária às questões relativas às questões sanitárias e acho que nós temos de avançar no sentido, por exemplo, da tipificação de carcaças. Por que? Sem isso... o que acontece é que no conflito, quando está em conflito, nós temos algum conflito internacional , nós perdemos argumentos. Nós não só perdemos argumentos como muitas vezes corremos o risco de perder a razão, o que é mais grave. Porque perder argumento você resolve; agora quando a gente perde a razão a gente fica em uma situação muito difícil para empreender o diálogo.

Então é essa a sugestão que eu deixo aqui, acredito que seria uma das melhores coisas que poderíamos fazer, que não é algo que se imponha, é um processo que se constroi. Não é um caminho que a gente sai de um ponto de resolução, nós saímos de um ponto de discussão, que temos que ter sensibilidade para uma das coisas a qual a gente não pode fingir que não ouviu, que é a realidade. Nós temos que contemplar a realidade diferenciada de todos os produtores brasileiros e construir um padrão e uma evolução para esse padrão. É nesse sentido e não no sentido de uma imposição que eu acho que deve se construir esse conselho.

E eu queria também interferir um pouco nessa questão das doenças, porque eu acredito que essa é algo que nós temos que dar absoluta prioridade, a questão sanitária, sem a qual nós não ampliamos a nossa produção para exportação.

Eu queria também dirigir a minha palavra para o nosso companheiro Piau, prefeito de Uberaba. Aproveitar que estou aqui e dizer que nós temos todo o interesse, Piau, em estabelecer uma parceria cada vez mais intensa com você, como já vínhamos fazendo antes com Uberaba. E esse compromisso de parceria, ele começa pelo aeroporto, eu queria citar algumas coisas, pelo aeroporto de Uberaba. Nós estamos fazendo um processo muito importante, na área de aeroportos, que é interiorizar os aeroportos de um país que é continental, que tem grandes extensões, e que precisa de um transporte aéreo para se conectar efetivamente.

Então, nós iremos fazer uma expansão geral em 280 aeroportos no Brasil. Isso está a cargo do ministério que se chama Secretaria de Aviação Civil, junto com o Banco do Brasil, que é o agente financeiro para essa atuação, o agente financeiro que nos ajuda também tecnicamente na contratação de engenheiros, na formulação dos projetos e na avaliação, num horizonte de 10 anos, das condições dos aeroportos. Nós iremos ampliá-los, equipá-los, garantir uma estrutura mínima de pátio, pista e terminal. E vamos construir um processo com vocês.

Além disso, nós queremos incentivar a aviação para os pontos, as cidades médias do nosso Brasil afora. Daí porque nós criamos uma estrutura de subsídio, que vai assegurar um fluxo de passageiros. Porque um morador aqui de Uberaba, ele vai poder acessar a uma viagem de avião a um preço mais ou menos equivalente a uma viagem de ônibus. Em algumas cidades isso ocorrerá, no Brasil, e nós iremos fazer, também, primeiro começaremos com 280 e, depois, continuaremos. Então, para nós, é muito importante essas linhas regulares de avião para Uberaba.

Eu queria só lançar mais duas questões. Nós estamos, de fato, avaliando o anel rodoviário. Nos iremos fazer o anel rodoviário, sim, como obra pública. Nós não fazemos concessão porque cobra pedágio a concessão em área urbana, porque você não pode cobrar pedágio de moradores na sua própria cidade. Então iremos fazer como obra pública. Além disso, vocês aprovaram dois projetos em mobilidade, vocês aprovaram o BRT sudeste e o BRT sudoeste. Também isso vai ser, eu acredito, muito importante, já está aprovado, já está em processo de execução.

Agora, eu queria destacar a fábrica de amônia. Acho que Minas Gerais tem direito, mais do que direito. A localização de uma fábrica de amônia em Minas Gerais é algo estratégico. Eu vinha falando com o governador Anastasia que, na nossa avaliação, na avaliação do Ministério de Minas e Energia, da ANP e da própria Petrobras, um dos estados com maior potencial de se achar gás convencional e não convencional em terra, onshore, é Minas Gerais. Daí porque esse gasoduto, que é um gasoduto para fazer essa fábrica de amônia, ele tem a possibilidade de ser o primeiro momento de uma história, que eu acho que é uma história da produção de gás em terra no Brasil de forma muito significativa. Todos os dados apontam para isso e esse processo que vai ocorrer, esse ano ainda, de concessão na área do gás vai deixar isso cada vez mais claro, porque serão as áreas que serão indicadas como áreas estratégicas para licitação na área de petróleo e gás. Daí porque a fábrica de amônia, e o seu gasoduto, será um passo para essa, eu diria assim, mudança ou transformação aqui no estado porque, além disso, será um estado não só exportador de zebus, de carnes, mas também será um estado que eu acredito que exportará para o Brasil o seu gás. Esses são alguns exemplos de políticas que nós estamos implementando aqui. Não é o momento para eu fazer uma avaliação integral do que nós fazemos aqui em Uberaba, mas eu queria encerrar lembrando que quando eu estive aqui, em 2010, eu vim com o nosso vice-presidente, o mineiro José Alencar, e naquela época, eu não sei se vocês lembram, ele acabou o discurso dele de uma forma que eu vou pedir aos senhores para acabar o meu. O Zé Alencar, de forma muito mineira e brasileira, disse o seguinte: “não há nenhum país, não há nenhum Estado do mundo que possua água, solo, Embrapa e ABCZ”.

Muito obrigada.

Ouça a íntegra (35min34s) do discurso da Presidenta Dilma.