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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante visita inaugural ao Hospital Restinga e Extremo-Sul

por Portal Planalto publicado 04/07/2014 12h43, última modificação 04/07/2014 12h44

Porto Alegre-RS, 04 de julho de 2014

 

Eu, primeiro, quero desejar muito bom dia a todos aqui. Muito bom dia aos moradores da Restinga, tanto ao pessoal que está aqui, como o pessoal que nos escuta ali, do lado de lá da rua. Eu tenho muita honra de estar aqui na Restinga. A Restinga é um local – e eu sei disso, eu vivi isso –, é um local de pessoas combativas, lutadoras, determinadas, e por isso eu começo cumprimentando a dona Djanira Corrêa da Conceição.

Trinta e três anos atrás eu conheci a dona Djanira. Eu cheguei aqui e ela falou assim: “talvez você não lembre de mim, mas nós nos conhecemos, e você era a mãe da Paulinha”. E eu lembro perfeitamente da dona Djanira. Quem… vocês viram a dona Djanira aqui explicando o que aconteceu para esse hospital virar realidade. Vocês viram a imensa capacidade de dar conta de uma relação complexa como é essa, de uma comunidade, da organização de suas lideranças, das necessidades da população que aqui vivia e vive, e os diferentes governos, o estadual, o municipal e o federal. Ora, a dona Djanira é inesquecível, a dona Djanira é inesquecível e ela mostra, de fato, a força de uma liderança popular, que sabe perfeitamente qual é o papel dela e qual é o papel dos governos, e como esses dois papéis têm de se combinar para que se possa realizar as obras que uma comunidade precisa. Por isso, dona Djanira, eu começo cumprimentando a senhora.

Esse Hospital da Restinga e do Extremo-Sul é uma realização de vários parceiros. O primeiro grande parceiro é a comunidade da Restinga e suas lideranças, que eu cumprimento aqui ao cumprimentar a dona Djanira; a segunda [o segundo] é o governo do estado, e aí eu cumprimento o nosso querido governador Tarso Genro; a terceira [o terceiro] é o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati; e o governo federal.

Além disso, é fundamental a presença do Moinhos de Vento, um hospital de referência, de padrão internacional, entre os melhores hospitais do Brasil. E aí eu queria cumprimentar o presidente do Conselho de Administração da Associação Hospitalar Moinhos de Vento, o doutor José Adroaldo Oppermann, e o Fernando Torelly, o superintendente-executivo aqui do Hospital Moinhos de Vento, e a doutora Gisele Nader, gerente-médica do Hospital Restinga e Extremo-Sul.

Esse feito entre os governos, os diferentes entes federados, a comunidade da Restinga e, além disso, o Hospital Moinhos de Vento produziu algo que é uma realidade excepcional: um hospital aqui na Restinga, porque a Restinga – eu acompanho a Restinga há muitos anos –, a Restinga sempre foi uma comunidade que teve de lutar muito para poder se afirmar. Eu tenho, a partir de hoje, um imenso orgulho desse hospital, e ali também, do Instituto Federal, do campus Restinga do Instituto Federal de Educação. São duas realidades que mudam as condições de vida da população aqui nessa comunidade.

Vou cumprimentar agora os ministros Arthur Chioro, da Saúde; Francisco Teixeira, da Integração Nacional; Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário.

Cumprimentar os deputados federais Maria do Rosário, Pepe Vargas, Henrique Fontana, Manuela D’Ávila e Paulo Ferreira.

Os deputados estaduais Aldacir Oliboni e Adão Villaverde.

Queria agradecer, mas agradecer do fundo do coração, o professor Garcia, presidente da Câmara e o vereador Carlos Comassetto. Agradeço aos dois e, ao agradecer aos dois, agradeço a toda a Câmara de Vereadores por ter me dado uma certidão de nascimento, que é o título honorário de cidadã de Porto Alegre.

É fato que eu nasci em Minas Gerais, mas, a maior parte da minha vida adulta… não, da minha vida inteira eu passei aqui em Porto Alegre. Eu conheço Porto Alegre, vivi em Porto Alegre, então, para mim, é um momento muito especial esse título, é um momento de emoção. Eu participei, em vários momentos da vida… da minha vida política e da minha vida pessoal, de momentos marcantes aqui em Porto Alegre. Minha filha nasceu aqui, meu neto nasceu aqui, então, nem que eu não tivesse vivido uma parte, a parte maior da minha vida aqui, eu teria esse compromisso imenso com essa terra, que é o fato de as pessoas que me são mais caras terem nascido aqui e vivem aqui.

Queria cumprimentar também o general Adriano Pereira Júnior, secretário Nacional da Defesa Civil e, ao fazê-lo, junto com o ministro Francisco Teixeira, do Ministério da Integração, eu quero dizer da solidariedade integral do governo federal ao governo do estado, e aos municípios que sofreram com as enchentes no Rio Uruguai, e dizer que o governo federal está inteiramente engajado no resgate, em todo o processo que é o processo inicial no caso de desastres naturais, de salvamento das pessoas, de minoração das suas perdas patrimoniais, enfim, participar desse momento que é um momento de proteção à vida, de proteção à integridade física das pessoas e também do resgate para uma situação de menor risco.

Queria cumprimentar também o nosso empresário Jorge Gerdau Johannpeter.

Cumprimentar todos os prefeitos aqui presentes e cumprimentar um ex-prefeito de Porto Alegre que aqui se encontra, o João Werner.

Queria cumprimentar também a secretária de Saúde do Rio Grande do Sul, a Sandra Fagundes.

O vice-prefeito, Sebastião Melo.

E cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Eu tenho certeza que entregar à população da Restinga um hospital como esse é um momento muito importante, é um momento em que nós encontramos com aquela sensação de dever cumprido, de dever cumprido porque era uma dívida, eu acho, dos diferentes governos que passaram antes de nós, com essa população. Eu me lembro dessa reivindicação sendo colocada e posta durante muito tempo aqui em Porto Alegre. Eu tenho certeza que a população da Restinga, ela é diferenciada, porque sempre ela lutou muito para obter aquilo que ela considerava prioritário para a sua sobrevivência. A própria Restinga é fruto de um ato de resistência, é fruto de uma ação concertada no sentido de resolver um problema social de pequenos agricultores, inicialmente, extremamente sério.

Hoje nós temos aqui uma realidade diferente. Eu me refiro ao hospital e me refiro também à escola técnica. Hospital porque faz parte de todo um esforço que nós fizemos no Brasil para assegurar uma melhoria no Sistema Único de Saúde. É necessário reconhecer que muito falta para ser feito, que muito deve ser feito ainda, mas quando se faz um hospital como esse, nós passamos a ter uma referência para todos os municípios deste país daquilo que é necessário e, mais do que isso, pode ser feito, se torna realidade. Como disse a Djanira, falavam que era uma utopia. Não, não é uma utopia. Não é, foi uma utopia. Hoje é concreto esse sonho realizado. E aí isso vale mais do que muito discurso, mostra, e é uma referência para uma parte do que deve ser modificado no Sistema Único de Saúde.

A outra parte é isso que foi dito aqui, trata-se de uma rede. Uma rede significa que os elos todos estão conectados e, ao estarem conectados fazem com que o sistema funcione melhor. E aí nós temos posto de saúde. Posto de saúde com médico significa a possibilidade de dar conta de 80%, pelo menos, dos problemas básicos de saúde de uma população. Temos a UPA, ou as UPAs, o tratamento de urgência e emergência de baixa e média complexidade. E aí temos um hospital desse padrão de referência. Articulando esses elos, nós temos o Samu e uma central de leitos de atendimento que distribui, de acordo com a urgência, de acordo com a  gravidade, a pessoa que necessita de atendimento entre esses diferentes elos. Conquistar isso é o que nós queremos para todos os municípios do Brasil e sabemos que era necessária uma ação emergencial.

Um médico leva seis anos para se formar e ainda tem sua residência. Nós sabemos que o Brasil tinha uma grande deficiência de médicos, sendo que em algumas regiões e municípios não havia nenhum médico. Hoje nós podemos dizer que está concluído no Brasil inteiro, aqui na Restinga, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e no Brasil o programa que nós começamos praticamente entre nove a dez meses atrás, o Mais Médicos, que se propunha a convocar médicos formados no Brasil. Se esses não fossem suficientes para atender a demanda dos municípios, nós convocaríamos médicos formados no exterior. E essa foi uma decisão correta. Temos mais de 14 mil médicos hoje trabalhando em postos de saúde, espalhados pelas grandes capitais, pelas suas regiões metropolitanas, por suas chamadas periferias. Temos médicos nas cidades médias deste país, que também hoje já tem, em alguns lugares, uma imensa carência. Temos médicos espalhados nas pequenas cidades e por todo o interior. Sobretudo temos médicos nos departamentos de saúde indígena, que até então não eram atendidos por médicos devido à complexidade e à distância, em muitos casos, especialmente no norte do país. Temos médicos em todo o Nordeste. No Sul temos muitos médicos. Aliás, em termos absolutos, eu creio que é o estado com maior número de demandas. São Paulo, o estado mais rico deste país, tem hoje médicos do Mais Médicos atendendo. E com isso nós chegamos a uma cobertura de 50 milhões, 50 milhões. Significa uma Argentina, um Uruguai ou dois Uruguais de população atendida. Foi isso que nós conseguimos em menos de um ano, e é um atendimento que tem também uma referência. É um tratamento humanizado em que as pessoas são tocadas, examinadas, atendidas, sobretudo, escutadas, e isso faz toda a diferença do mundo. Humanizar o tratamento, colocar a pessoa no centro da política é algo que faz a diferença.

Então eu fico muito feliz de estar aqui, porque além de ser algo importantíssimo para a Restinga, e eu sei o quanto a Restinga merece, é também algo que demonstra para o Brasil que é possível e pode ser feito, e quem fez continuará fazendo.

Além disso, eu quero me referir aos institutos federais. O instituto campus aqui da Restinga faz parte também de uma decisão política, que é interiorizar os campus dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e também… e Inovação, e também das universidades federais. A interiorização se deve ao fato de nós acreditarmos fundamentalmente que é importantíssimo disseminar a educação por todo o Brasil. Não só deixar campus no centro das cidades, mas colocá-los naquelas regiões que têm grande concentração de jovens, que têm grande concentração de pessoas querendo fazer um curso.

E aqui eu vou dizer, o Instituto… o campus do Instituto Federal aqui, o Campus Restinga faz parte também de toda uma política de valorização do ensino técnico, do ensino tecnológico. O Brasil precisa de técnicos para se transformar numa nação desenvolvida, o Brasil precisa de técnicos. O Pronatec faz parte desse esforço, e o Pronatec que é o Programa Nacional de Ensino Técnico, ele é uma parceria também e era isso que eu queria dizer aqui, uma parceria, uma parceria que, de um lado, engloba os campi e os institutos federais e o Sistema S - o Senai, o Senac, o Senar e o Senat.

Nós articulamos o que há de melhor em ensino técnico no Brasil, e oferecemos para os jovens fazer o ensino médio técnico, tanto aqueles que estão cursando o ensino médio, como aqueles que já concluíram e querem fazer um nível técnico simultaneamente ou na sequência. O fato é que também esses campi formarão também esses jovens, além de formar tecnólogos, e o Pronatec, por sua vez, é o maior programa de qualificação do trabalhador e da trabalhadora brasileiro, do microempresário também. Nós vamos chegar, no final deste ano com oito milhões de vagas e prevemos, para a sequência – porque tem de pensar hoje na sequência –, 12 milhões de vagas, 12 milhões de vagas porque o objetivo é chegar, em 2017, 2018, formando, tendo formado, nesse período de 2011 até um pouco antes do fim da década, 20 milhões de brasileiros e brasileiras. E aqui eu abro um parêntese para as mulheres. É importante dizer que 60%, 60% das matrículas do Pronatec são de mulheres, adultas, jovens, esforçadas, trabalhadoras e microempresárias.

E eu queria finalizar dizendo para vocês algumas palavras. Hoje, às 5h da tarde, o Brasil joga um jogo que nós todos vamos torcer, sofrer, ficar alegres, e torcer e torcer e torcer. Esse jogo é um jogo importante. Mobilizará todos os brasileiros. A gente olha em qualquer cidade e não vê ninguém na rua. Ou estão no estádio, onde é o estádio, ou a maioria estão nas suas casas, estão nos bares, estão nas Fan Fests, enfim, estão onde se junta todo mundo para assistir o futebol porque ninguém quer assistir sozinho. Eu tenho certeza de uma coisa: nós, brasileiros, conseguimos fazer a Copa das Copas. Nós conseguimos, aqui no Rio Grande do Sul e nas 12 cidades-sede. Eu tenho certeza que os aeroportos, que ficaram a cargo do governo federal, estão irrepreensíveis, que os estádios, que ficaram a cargo das prefeituras, alguns dos governos estaduais, outros da iniciativa privada também estão dando ou mostrando, como alguns falam, um show de bola. Nós derrotamos os pessimistas que disseram que não havia a possibilidade, menor que seja, de dar certo a Copa do Mundo. Não só ela deu certo, como ela mostrou um país alegre, um país que sabe receber, e o Rio Grande do Sul deu grandes demonstrações.

Eu queria dizer para vocês que me encantou muito uma cena que eu vi na internet, e que eu acho que ela é muito simbólica desta Copa. Estava ali debaixo do viaduto, aquele que vai dar no estádio do Otávio Rocha, estava lá debaixo a banda da Brigada num cercadinho, desses cercadinhos aí, tocando várias músicas e começou a  tocar “Aquarela do Brasil”, e vinha, vestida de laranja, a banda da torcida da Holanda, toda vestida de laranja, até o sapato era laranja e começaram a escutar “Aquarela do Brasil” e foram lá, começando a tocar. Numa certa altura – isso está na internet –, o brigadiano abre o cercadinho e adentra a banda da torcida holandesa, vestida de laranja, e começa a tocar com a banda da Brigada, num perfeito congraçamento entre algo inimaginável para alguns, que é o congraçamento entre a polícia militar do Rio Grande do Sul e a torcida de um país convidado. Para mim, essa imagem mostra aquilo que ninguém esperava, que derrotou todos que tinham complexo de vira-lata e todos que tinham – como dizia o nosso grande e maravilhoso Nelson Rodrigues sobre Copas –, a quantidade de gente que tinha complexo de vira-lata antes da Copa e, mesmo nas copas vitoriosas, dizia “não vai dar certo, nós vamos perder”, ou “a Copa ruim”, como fizeram aqui. Ou é “a Copa do caos”, ou “a Copa da…”, enfim… “a Copa da falta de energia”, “a Copa…” de tudo o que há de pior.

Eu acredito e tenho certeza que aqui no Rio Grande do Sul vocês deram uma grande demonstração, e aí eu cumprimento o prefeito e cumprimento o governador pelo seu empenho, por tudo o que fizeram aqui. Mas eu queria cumprimentar, sobretudo, o povo desta cidade, que deu um show de bola, abraçando, generoso, e por isso, eu encerro dizendo: tenham todos vocês hoje um grande jogo e boa Copa para nós todos.

Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra (26min41s) do discurso da Presidenta Dilma