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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante visita à 34ª Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer)

por Portal do Planalto publicado 02/09/2011 13h54, última modificação 04/07/2014 20h07
Presidenta Dilma destaca o crescimento da agricultura e da pecuária brasileira, o apoio das linhas de crédito do governo federal, e diz que o fato de o país ser uma potência alimentar é uma das melhores respostas à crise econõmica internacional

Esteio-RS, 02 de setembro de 2011

  
Eu queria cumprimentar o nosso governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro,

Cumprimentar o ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra,

Cumprimentar também o governador de Santa Catarina, governador Colombo,

Queria cumprimentar, aqui, os embaixadores presentes nesta cerimônia: o embaixador da República da Argentina, nosso parceiro Juan Lohle; o embaixador da Nova Zelândia, Mark Julian Trainor,

O deputado, presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia,

O ministro Jorge Alberto Mendes Ribeiro, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

O ministro Florence, do Desenvolvimento Agrário,

A ministra Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação Social,

O nosso vice-governador Beto Grill,

Queria cumprimentar também o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado e amigo Adão Villaverde,

Dirigir um cumprimento especial ao nosso anfitrião, prefeito de Esteio, senhor Gilmar Rinaldi,

Dirigir um cumprimento, também muito especial, à senadora Ana Amélia Lemos, ao senador Jorge Viana, ao senador Luiz Henrique da Silveira,

E cumprimentar, tanto pelas suas palavras como pela abertura do diálogo, a senadora e presidente da CNA, senadora Kátia Abreu,

Cumprimentar também os deputados federais Afonso Hamm, Danrlei de Deus, Dionísio Marcon, Elvino Bohn Gass, Jerônimo Goergen, Luiz Carlos Heise, Manuela D’Ávila, Paulo Pimenta, Pepe Vargas, Renato Molling e Ronaldo Zulke.

Cumprimentar o secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Rio Grande do Sul, o companheiro Mainardi,

Cumprimentar todas as prefeitas e prefeitos aqui presentes,

Em nome do Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul - Fetag, e do Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - Contag – Elton Weber e Alberto Broch – eu cumprimento todos os trabalhadores da agricultura do estado do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Cumprimentar o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul - Farsul, Carlos Sperotto,

Cumprimentar a senhora Elizabeth Cirne Lima, presidente da Febrac,

O senhor Carlos Bier [Claudio Bier], presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas – Simers,

O senhor Vergilio Frederico Perius, presidente da Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul – Ocergs,

Queria dirigir um cumprimento especial a todos os expositores da 34ª Expointer,

Queria cumprimentar os senhores jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos,

Cumprimentar todos os gaúchos e brasileiros presentes nesta grande festa da agropecuária brasileira e gaúcha.

Gostaria de dizer aos senhores que eu retorno ao nosso Rio Grande do Sul com enorme prazer para participar da inauguração deste que é um dos maiores eventos agropecuários do mundo. Esta Expointer, que já alcança a 34ª edição, reúne o que há de melhor no Brasil em qualidade, em produção em tecnologia, tanto na exposição de animais, quanto na de produtos e máquinas agrícolas. Ela espelha a capacidade de inovação e a qualidade que estão impulsionando a economia gaúcha e fortalecendo o projeto de desenvolvimento sustentado do Rio Grande do Sul e, portanto, do Brasil.

Os números desta Exposição são impactantes, por isso eu vou repeti-los: 3 mil expositores, perspectivas de vendas superiores a R$ 850 milhões, mais de 140 mil visitantes até o último dia 30 de agosto. São números, sem dúvida nenhuma, grandiosos, mas extremamente compatíveis com a agropecuária do Rio Grande do Sul. São expressão, sem dúvida nenhuma, da potência da agropecuária que a cada dia o Brasil confirma ser.

Tenho certeza de que nós chegamos aqui com muito trabalho, com o trabalho de cada brasileiro e de cada brasileira que atua na agropecuária, seja na produção agrícola e pecuária, seja na comercialização dos produtos, na produção de máquinas, na produção de implementos agrícolas. É uma cadeia de sucesso que nós temos aqui. Uma cadeia de sucesso a que nós chegamos graças a esse trabalho, a essa dedicação, a esse esforço, a essa garra. Mas também nós chegamos aqui, nos últimos anos, graças também às políticas do governo federal, que se tornaram cada vez mais consistentes e comprometidas com o fortalecimento da atividade que os senhores representam.

Eu não posso deixar de ressaltar algumas das medidas do Plano Safra 2011-2012. Não posso deixar de ressaltar porque elas vão proporcionar um salto ainda maior na qualidade da nossa agropecuária nacional. Nós, de fato, estamos colocando nada menos que R$ 107 bilhões na forma de crédito, à disposição da agropecuária para financiamento do custeio, do investimento, da comercialização e da infraestrutura produtiva. Estamos colocando R$ 16 bilhões no Plano Safra da Agricultura Familiar 2011-2012.

No caso do Plano Safra da agricultura e da agropecuária, isso significa um aumento real muito significativo, de 7,2% em relação à safra passada. É sempre bom lembrar que quando nós chegamos ao governo, em 2003, no Plano Safra 2003-2004 – início do governo do nosso presidente Lula –, o valor colocado para o Plano Safra do agronegócio era apenas de R$ 27 bilhões, e para a agricultura familiar, R$ 4,5 bilhões.

De lá até aqui foi um grande esforço, mas nós sabemos que esse esforço tem a ver com o diálogo, com o fato de nós, e tanto o agronegócio como a agricultura familiar, termos sido capazes de dialogar, de nos entender e de, sobretudo, o governo funcionar não como um empecilho, mas como um facilitador, um incentivador da atividade produtiva, seja ela levada por grandes, por médios ou por pequenos produtores.

Um fato ressalta disso tudo: nós soubemos, nesses últimos anos, romper com alguns falsos conflitos. Primeiro, aquele que opunha desenvolvimento à distribuição de renda. Provamos que para o nosso país crescer, ele tinha de apostar na sua maior riqueza, que são os 190 milhões de brasileiros, como produtores, consumidores, trabalhadores. Mas também que o agronegócio tinha de crescer, podia crescer, devia crescer juntamente com a agricultura familiar e que um e outro se ajudariam, criando um círculo virtuoso de crescimento e geração de renda.

O volume recorde de recursos deste ano faz jus à importância e ao trabalho dos agricultores brasileiros. Esses recursos serão oferecidos aos agricultores deste país em condições adequadas ao seu desenvolvimento, principalmente porque nós estamos oferecendo juros que, nas condições atuais brasileiras, são praticamente negativos: juros de 6,75% ao ano, no máximo.

Mas o Plano Safra prevê muito mais do que isso. Todas as medidas que tomamos visam a facilitar a vida do produtor rural, tornando menos burocrática a sua relação com o Estado e criando facilidades para o aumento da produção e da produtividade.

Para começar, não se repetirá todo ano, a cada preparação da safra, a via crucis burocrática da apresentação de documentos, sempre começando do zero um procedimento de liberação de crédito. Agora, não; agora, o que foi feito servirá para os próximos anos. Também estamos oferecendo ao agricultor, ao produtor, ao pecuarista o direito de planejar com mais liberdade a sua estratégia de produção e de financiamento.

Agora haverá um limite de crédito único por produtor, e não mais por produto. O agropecuarista decide como vai distribuir os recursos entre suas culturas, tomando decisões conforme seu interesse, sua estratégia e sua visão de mercado. E isso significa o reconhecimento de que o pecuarista, o agricultor é o melhor planejador para sua própria atividade.

Outro ponto me deixa muito satisfeita com esse Plano 2011-2012. É que nós vamos ampliar o apoio dado ao médio empresário rural, porque o médio empresário rural era uma categoria que ficava entre os dois grandes: o “grande” pequeno agricultor e o “grande” grande agricultor. O médio agricultor, desta vez, terá mais recursos e os limites para ele também serão aumentados, e eles serão beneficiados com juros mais baixos.

Nós dirigimos, com esse Plano, um olhar todo especial para a pecuária brasileira. Nós temos certeza de que a pecuária brasileira pode e deve avançar mais. Para isso, nós achamos necessárias linhas de financiamento que apoiem não só a expansão do plantel, mas também a modernização do processo de produção. Criamos linha de crédito para investimento na aquisição e retenção de matrizes, com financiamento de até 750 mil por produtor, para pagamento em até cinco anos; e também ampliamos o limite de crédito de custeio.

Destaco, com muita alegria, a recuperação de áreas degradadas, como as pastagens, e por isso estamos destinando recursos por meio do Programa Agricultura de Baixo Carbono, recursos substantivos para que haja essa recuperação.

Aqui está uma das dimensões políticas mais importantes do nosso futuro, como maior fornecedor mundial de alimentos. O mundo só vai nos respeitar plenamente se demonstrarmos que somos capazes de produzir sem prejudicar o meio ambiente. E, mais do que isso, se soubermos recuperar áreas ambientalmente degradadas e utilizá-las através de técnicas que compatibilizem o respeito ao meio ambiente e o aumento da produtividade.

Destaco essas medidas porque elas expressam a nossa visão estratégica da agricultura brasileira, que não se encerra no apoio ao agronegócio, como eu já disse. Faz desse apoio uma alavanca, sim, para a produção, para o mercado interno e para o mercado externo. Mas também passa pelo fortalecimento da nossa agricultura familiar que, como eu já disse, terá R$ 16 bilhões de crédito; passa por garantia a essa agricultura de preços mínimos, de seguro agrícola; passa pela garantia, ao nosso produtor, de habitação rural adequada; passa pelo Serasa, que é um incentivo à agroindústria da agricultura familiar.

Passa também pelo reconhecimento de que nós precisamos ter uma política nacional, mas sempre com o olhar regional, com o olhar para os estados, com a sensibilidade de oferecer, em situações específicas, as ações e os instrumentos necessários ao apoio a uma região, a um produto, a um segmento dos produtores.

Por isso construímos ações especiais para o arroz, aqui no Rio Grande do Sul; para a fruticultura, no Nordeste; para o café e a laranja, no Sudeste. Aliás, esta ação aqui, com o arroz, no Rio Grande do Sul, é uma ação de que muito me orgulho. Ouvimos os produtores e estabelecemos ações que nos permitiram superar os piores momentos para os arrozeiros. Uma vez que os preços reagiram, nós estamos colhendo os frutos dessa atuação, e também nos permitem apontar para um quadro mais estável, no médio prazo, para rizicultura aqui no Rio Grande.

Quero reconhecer aqui o apoio decisivo, a parceria companheira, a iniciativa e a determinação do governador Tarso Genro nas ações que implementamos em prol da agropecuária, em prol do desenvolvimento do Rio Grande, em prol dos produtores de arroz e em prol de todas as iniciativas para transformar este momento que nós vivemos em um momento de crescimento e de defesa do nosso país.

Essa é uma novidade muito importante para o Brasil e para o Rio Grande, e por isso eu quero saudar esta Expointer de 2011, que ocorre em um ambiente de fortalecimento das relações federativas, republicanas, entre o governo do Rio Grande do Sul e o governo federal, entre o governo federal e os produtores, os agropecuaristas e a agricultura familiar.

E quero saudar a capacidade de diálogo, também, do nosso ministro da Agricultura, com o qual eu, pela primeira vez, participo de um ato, com ele, que se refere à sua área, a área agrícola, a área da pecuária.

Quero saudar aqui, também, a presença do nosso ministro do MDA, Afonso Florence, demonstrando que o Ministério da Agricultura, com a capacidade de diálogo do nosso querido Mendes Ribeiro, e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que tem tido uma atitude decisiva de suporte à agricultura familiar, saberão atuar em conjunto, manter a capacidade do diálogo de ações interministeriais, que são as únicas que poderão dar os frutos necessários para o desenvolvimento desse setor.

Senhoras e senhores aqui presentes,

Os ventos que chegam dos países desenvolvidos não são ventos muito bons. Queria assegurar a vocês que o Brasil tem plenas condições de enfrentar este momento de turbulência que nós vimos que está assolando as economias desenvolvidas e que tem conduzido essas economias a situações de estagnação e até de depressão.

Quero dizer que o Brasil tem os instrumentos para isso. O Brasil, em 2008 – porque esta crise é continuidade daquela de 2008 –, foi o primeiro país a sair da crise e o último a entrar nela, porque naquela época o presidente Lula, com sabedoria, percebeu que a força do Brasil estava no seu mercado interno, na sua capacidade de garantir a sustentação do país.

Eu quero dizer aos senhores que a diferença, também, do Brasil está no fato de que, desde aquela época – e agora muito mais –, para nós nos defendermos, nós não temos as mesmas consequências que os países desenvolvidos tiveram ao se defender. Em 2008 o sistema financeiro privado internacional praticamente esteve à beira de quebrar. Alguns, como os senhores sabem e viram, quebraram, e os governos lançaram mão dos seus orçamentos fiscais e absorveram as dívidas desses grandes bancos.

O Brasil tinha seus bancos devidamente sob o controle do Banco Central, com uma política sóbria, com uma política adequada. E, além disso, nós enfrentamos a crise, naquela época, sem usar, no que se refere à quebra de crédito que houve no mundo e à ausência de crédito no mercado internacional, nós não usamos recursos fiscais. Usamos os depósitos compulsórios, que estão no Banco Central e as nossas reservas.

Hoje esses depósitos compulsórios são muito maiores. Se em 2002 estavam em torno de R$ 220 bilhões, hoje nós temos R$ 420 bilhões de depósitos compulsórios no Banco Central. Qualquer problema de crédito, nós temos condição de enfrentar. As nossas reservas internacionais cresceram, de lá para cá, e hoje chegam a 350... um pouco mais de US$ 350 bilhões.

Ao mesmo tempo, o nosso mercado interno cresceu, a nossa agricultura cresceu, a nossa indústria cresceu. Nós continuamos com programas, como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida. Quero dizer aos senhores que nós enfrentaremos essa crise consumindo, investindo, ampliando e criando empresas, diminuindo impostos, plantando e colhendo os frutos do trabalho da agropecuária brasileira.

Essa crise, ela é uma crise que tem de reforçar o nosso papel como potência agrícola e pecuária no mundo. Nós somos um dos poucos países que tem terra fértil, água potável e insolação em quantidade suficiente para fornecer alimentos ao mundo, com demanda crescente por comida. O Brasil é um dos poucos países nessa condição. Somos, sem dúvida, uma potência agropecuária, capaz de atender o nosso mercado interno, gerando renda e emprego aqui, e também capaz de atender o mercado externo.

Aliás, hoje nós somos um dos maiores mercados consumidores do mundo. Graças às políticas de desenvolvimento e inclusão social que temos adotado, o Brasil possui uma classe média com crescente poder de compra, que quer alimento de boa qualidade na sua mesa. E essa agricultura de que o Brasil dispõe – o agronegócio e a agricultura familiar – é capaz de garantir essa capacidade de consumo do Brasil.

Temos ainda um grande contingente de cidadãos extremamente pobres, e nós temos um programa, o Brasil sem Miséria, que tem por objetivo elevá-los à condição de classe média. Esse grande contingente de cidadãos pobres está, progressivamente, sendo libertos da exclusão. Eles querem e precisam de três refeições por dia, direito fundamental junto com educação, saúde e segurança.

Nós, de fato, somos um país preparado para atender as necessidades de um planeta ávido por comida boa, comida barata. O Brasil tem uma das agropecuárias mais eficientes do mundo, e se vamos ser a quinta economia do mundo no curto prazo, ou se vamos estar entre as primeiras potências do mundo, um dos fatores disso se deve ao fato de sermos uma potência alimentar e uma potência energética.

Por isso, eu quero dizer que a nossa agropecuária não chegou aqui porque usou só o nosso solo fértil, os nossos recursos naturais – como a água –, mas chegou aqui porque teve uma empresa como a Embrapa, que apostou na melhoria e na produtividade junto com os nossos agricultores. E graças a essa visão estratégica, o Brasil está na posição que hoje está. Todos – grandes, médios e pequenos produtores – construíram essa potência agrícola. Continuar, portanto, plantando, colhendo, criando gado, ovelhas, aves, porcos, enfim, continuar sendo uma potência alimentar: eis uma das melhores respostas à crise.

Senhoras e senhores,

Quero dizer que trabalharemos muito, em parceria, para que a próxima Expointer seja ainda mais bem-sucedida do que a atual. Estamos abertos para discutir o futuro desta grande exposição, que orgulha o Rio Grande e o Brasil.

Quero dizer que nós hoje, aqui, estamos celebrando esta parceria entre o governo federal e o estadual, entre os agricultores, para que a continuidade do crescimento do Rio Grande e do Brasil se tornem cada dia mais o crescimento de cada um dos brasileiros e das brasileiras.

Por 190 milhões de razões, este é um grande dia. Viva a Expointer! Viva o nosso Rio Grande! E viva o nosso Brasil!


Ouça a íntegra do discurso (30min50s) da Presidenta Dilma

 

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Assunto(s): Governo federal