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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante solenidade de posse da Diretoria e Conselho Fiscal eleitos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA - Brasília/DF

por Portal Planalto publicado 15/12/2014 21h40, última modificação 15/12/2014 21h42

Brasília-DF, 15 de dezembro de 2014

 

 

Eu queria, primeiro, saudar a senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, e que honra e orgulha as mulheres do nosso país pela sua capacidade de trabalho, pelas suas convicções firmes e pelo fato de ser uma lutadora incansável por um segmento que é muito importante para o nosso país, que é a agricultura e a pecuária brasileiras.

Queria cumprimentar o senador Renan Calheiros, presidente do Senado Federal. Compartilhar com o senador a aprovação da Lei dos Portos - o senador teve um papel decisivo quando da aprovação.

Queria cumprimentar os ministros de Estado aqui presentes: Paulo Passos, dos Transportes;  Garibaldi Alves, da Previdência; Aldo Rebelo, dos Esportes; Vinicius Lages, do Turismo; Luis Inácio Adams, da Advocacia Geral da União; César Borges da Secretaria de Portos.

Queria saudar o futuro ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, senador Armando Monteiro,

Cumprimentar o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal,

A ministra Nancy Andrighi, a Corregedora Nacional da Justiça,

O ministro Aroldo Cedraz, presidente do Tribunal de Contas da União. Por intermédio do ministro, cumprimento todos os ministros de Tribunais Superiores aqui presentes.

Queria cumprimentar também o governador Marcelo Miranda do Tocantins e a senhora Dulce Miranda.

Cumprimentar os senadores Eunicio Oliveira, Armando Monteiro Neto, que eu já cumprimentei, o Valdemir Moca e o senador Wellington Dias, governador eleito do  Piauí.

Cumprimentar também todos os senadores e deputados federais aqui presentes.

Queria cumprimentar os senhor José Eliton Figueiredo Junior, vice-governador de Goiás,

Cumprimentar os senhores Presidentes de Federações Estaduais de Agricultura.

Cumprimentar os senhores Diretores e conselheiros fiscais da CNA, hoje empossados.

Queria cumprimentar os senhores empresários, dirigentes de entidades de classe, lideranças aqui presentes, tanto do setor do agronegócio, como de todos os setores da economia brasileira.

Cumprimentar os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Senhoras e senhores,

Minha presença nessa cerimônia de posse é uma forma de homenagear as mulheres e os homens que fazem brotar do solo deste país as riquezas que nos tornaram uma potência mundial na agropecuária. É uma forma também de homenagear uma mulher que se distinguiu na direção da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, e que honra o Brasil. É um tributo à CNA que também representa os protagonistas do Brasil bem sucedidos do agronegócio. A agropecuária, sem sombra de dúvida, é um orgulho para o nosso país. Ela produz alimentos, produz proteína animal, produz cereais, enfim, produz aquilo que alimenta os povos de outras nações e, sobretudo, o povo brasileiro. Gera emprego, gera riqueza no Brasil. Estimula cadeias produtivas industriais de importância inquestionável para o nosso crescimento. O sucesso de nossa agropecuária é fácil de ser mensurado. Na safra de 2001/2002, nós produzimos 96,8 milhões de toneladas em 40,2 milhões de hectares. Na safra atual devemos ultrapassar os 200 milhões de toneladas em 58 milhões de hectares, mais que dobramos a produção, com o crescimento de 44% na área plantada.

Eu cito esses dados porque eles mostram que estamos oferecendo a melhor resposta possível a um dos desafios da humanidade: alimentar o mundo sem destruir o planeta. Por meio do aumento da produtividade, estamos mostrando que é possível produzir - vale dizer, plantar, colher, exportar e gerar riquezas - sem abrir mão da proteção e da preservação do meio ambiente. Devemos isso aos grandes, aos médios e aos pequenos produtores rurais brasileiros. Devemos isso aos nossos pesquisadores, aos nossos agrônomos, ao trabalho de instituições como a Embrapa, às empresas privadas que atuam na área, às nossas universidades, a todos aqueles que defendem a agropecuária em todas as esferas: no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.

A bandeira da produtividade e da preservação está nas mãos de todos. Por isso, eu digo que nós temos um imenso conjunto aqui representado: dos empresários do agronegócio, dos trabalhadores rurais, dos ambientalistas, de todos eles, sem exceção e sem considerar as diferenças políticas ou ideológicas. É também a bandeira de um governo que não pode discriminar quem gera alimentos e divisas para um Brasil comprometido com a segurança alimentar do seu povo. Digo, sem medo de errar, que um dos fatores de prosperidade do Brasil está aqui representado pelos produtores rurais da CNA e em todas as instituições que representam, também, a pequena agricultura familiar, os médios empreendedores do campo, nas diferentes áreas, os que lutam pela terra como meio de vida. A esses bravos em bem-sucedidos brasileiros e brasileiras de todas as áreas, do algodão, passando pela laranja, pelo café, enfim, por todos os produtos, venho oferecer a continuidade de uma parceria que, para meu governo, é fundamental, pois está na base do desenvolvimento do país, um desenvolvimento que queremos forte, inclusivo e sutentável.

Senhoras e senhores,

O apoio do meu governo ao produtor rural é um compromisso com o país. Na atual safra, por exemplo, garantimos aos produtores o maior e mais completo plano agrícola da história do Brasil. Maior e mais completo para aquele ano. Nós sempre somos capazes de fazer, a cada ano o maior e o mais completo plano agrícola. Neste são R$ 156 bilhões para o agronegócio, além dos R$ 24 bilhões destinados à agricultura familiar. Estes recursos chegam aos produtores com juros adequados e tão generosos quanto a nossa capacidade permite. Desde 2011, participo pessoalmente das reuniões em que minha equipe elabora, conclui e propõe os Planos Safra. Em todos os anos, a CNA foi ouvida. Suas sugestões foram, muitas delas, acatadas e seus pleitos sempre foram levados em consideração. Sempre buscamos atendê-los na  maior extensão possível. Meu governo zelou por isso, posso dizer tranquilamente, pela pujança do agronegócio. Buscamos garantir especial atenção a alguns elos da cadeia produtiva por serem prioritários ou porque, até então, não haviam recebido o apoio  suficiente do estado. Foi assim que demos importantes saltos na oferta de crédito ao investimento em máquinas e implementos. Aprimoramos o financiamento à pecuária de corte, ampliamos a oferta de assistência técnica em extensão rural. Participaram disso, especialmente, da oferta de assistência técnica e extensão rural e da criação da Anater, a CNA e as das demais representações do setor. Tenho a agradecer à senadora Kátia Abreu a primeira discussão a respeito da questão da assistência técnica.

Implantamos e fortalecemos um bem sucedido programa de fomento Agricultura de Baixo Carbono. Ampliamos uma política da qual tenho muito orgulho, que é o apoio ao médio produtor, que antes ficava bloqueado entre o pequeno e o grande, sem ter uma política específica pra ele. Não fugimos, nem nos omitimos na questão da transgênica e da sua aplicação responsável e correta. Conduzimos um diálogo intenso e franco a construção de consensos e entendimentos, e aqui a gente deve sempre agradecer ao então deputado federal Aldo Rebelo, pelo melhor Código Florestal possível.

Conseguimos, com isenção e respeito aos interesses legítimos em jogo, ainda que algumas vezes em posições diferentes, para não dizer antagônicas, atuar por um Brasil com menos violência no campo. Se nem tudo pôde ser resolvido, e é certo que nem tudo foi resolvido, e certas divergências são difíceis de superar, também é verdade que alcançamos muito mais do que este país conheceu antes de nós: um período prolongado de paz no campo, recordes de produção, de geração de renda e emprego, aumento da produtividade e muita inclusão social.

Além de preservar e consolidar o que já conquistamos, temos prioridades importantes a atender nesse segundo mandato que o povo brasileiro me delegou. Não faltarão condições, nem recursos adequados para continuarmos expandindo a produção. Vamos manter e fortalecer as políticas para setores específicos, como é o caso do financiamento dos médios produtores, o programa ABC, o financiamento à pecuária, as medida de apoio aos produtores de cana, de café e de laranja, para citar apenas algumas; vamos fortalecer os programas de inovação e modernização tecnológica do processo produtivo; vamos melhorar o seguro agrícola e buscar, de forma sistemática e determinada, sua universalização; vamos continuar apoiando a expansão de nossa capacidade de armazenagem; continuaremos investindo no redesenho do mapa da logística de escoamento da produção brasileira; continuaremos melhorando nossas rodovias, mas que afirmo a centralidade, no novo mandato, dos investimentos, tanto em ferrovias como em hidrovias; manteremos nossa determinação de implantar canais de escoamento mais eficientes e de menor custo na direção norte, dando ao Brasil uma logística de transportes, a partir do paralelo 16, compatível com o dinamismo da nossa produção agrícola; vamos dar continuidade aos investimentos na expansão da produção de fertilizantes no Brasil, algo que é tão importante, na medida em que se constitui em um dos fatores que mais oneram o custo da produção e queremos reduzir a dependência que hoje temos da importação desses importantes insumos.

Senhoras e senhores,

Quando estive aqui, em agosto, no encontro dos presidenciáveis, falei do meu orgulho especial de ter dialogado com o setor agropecuário. Hoje, Kátia Abreu, quero lhe dizer que nossa parceria está apenas começando. Nós temos quatro anos pela frente. Eu reafirmo o que disse naquela ocasião: as reivindicações do agronegócio serão sempre uma baliza para a construção das políticas de apoio ao setor. Quero continuar trabalhando com a CNA, quero fortalecer a nossa parceria. Assumo o compromisso de traduzir essa parceria em novas e maiores conquistas e realizações. Quero a CNA ao meu lado, preservada a sua autonomia e independência, da mesma forma que pretendo continuar trabalhando junto com os industriais e também com os trabalhadores rurais, igualmente respeitando a autonomia e a independência de suas entidades representativas.

No novo mandato que se inicia, o produtor rural não será  apenas ouvido ou consultado, proponho mais do que isso: quero o produtor rural tomando decisões junto comigo, participando do governo e atuando diretamente na definição de nossas políticas. Queria aqui dar os parabéns à minha amiga Kátia Abreu por todas as suas realizações passadas e tenho certeza - absoluta certeza - por todas as suas realizações futuras. Desejo à direção da Confederação Nacional da Agricultura um enorme sucesso. Desejo grandes conquistas para o agronegócio e para o produtor rural brasileiro. Tenho certeza de que vamos caminhar juntos e de que estaremos muito próximas nesses próximos quatro anos. Mais próximas do que nunca. Aproveito para desejar um ótimo Natal a todos vocês e a suas famílias e um 2015 com muitos recordes de produção e muita prosperidade.

Muito obrigada.

 

 

 Ouça a íntegra (15min46s) do discurso da Presidenta Dilma Rousseff

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