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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante reunião com o prefeito de Paris, Bertrand Delanoe

por Portal do Planalto publicado 12/12/2012 18h00, última modificação 04/07/2014 20h13

 

Paris-França, 12 de dezembro de 2012

 

É uma grande alegria ser recebida neste belíssimo edifício que testemunha momentos importantes da história da França, desta França que irradiou internacionalmente um poderoso ideário social e político, democrático e igualitário.

Estamos juntos, o governo francês, a prefeitura de Paris e nós, governo do Brasil e brasileiros, na disposição de resgatar, neste mundo incerto em que vivemos, os ideais humanistas. Essa disposição nos faz recusar políticas econômicas que desdenham o bem-estar social dos mais vulneráveis. Devemos sempre ter presente as aspirações daqueles que lutaram e lutam pela liberdade em diferentes contextos – econômicos, sociais, políticos, culturais ou religiosos.

Somos gratos a Paris porque esta cidade acolheu, com generosidade, muitos exilados do nosso país. Foi porto seguro nos momentos políticos mais difíceis da história brasileira e latino-americana. Paris ajudou-nos, assim, a superar aquele período sombrio de nossa história.

Um desses exilados foi Oscar Niemeyer, cuja morte entristeceu o Brasil há alguns dias. Oscar Niemeyer que deixou a sua marca, a marca de sua arquitetura impressa nos prédios, na vida e no espírito de Brasília.

Nos dias de hoje, nem no Brasil, nem na América do Sul, há espaço mais para o aviltamento impune da democracia e dos direitos humanos e também dos direitos sociais, como também não há espaço para políticas econômicas recessivas e socialmente excludentes.

Sei que representantes da numerosa comunidade brasileira na França nos honram hoje com sua presença. Por meio deles, desejo saudar muito carinhosamente todas as brasileiras e brasileiros residentes nesta cidade e neste país, seus filhos e familiares. Cerca de três milhões de compatriotas vivem no exterior. Temos trabalhado para garantir que possam exercer plenamente seus direitos nos países onde escolheram morar e, ao mesmo tempo, se reconheçam como parte importante do Brasil.

Caro Prefeito,

Seu trabalho à frente da Prefeitura de Paris desperta nossa sincera admiração. Vemos sua marca na implementação de projetos ousados e inovadores. A Prefeitura de Paris tem desenvolvido ações de cooperação com o Rio de Janeiro, sobretudo nas áreas de planejamento urbano e habitação social. Sei que, no passado, foi grande sua relação com São Paulo. Espero que agora essa ligação seja restabelecida em benefício de todos nós para construirmos uma cidade mais humana.

O Rio enfrenta o desafio de acolher os Jogos Olímpicos em 2016. Com o apoio do meu governo, está em curso um trabalho de preparação e adaptação da infraestrutura da cidade para esse evento histórico. Queremos nos beneficiar da experiência e da contribuição de Paris.

Por isso, nós queremos, em 2014, organizar a Copa do Mundo de Futebol de uma forma que contemple nossos ideais, nossa cultura e essa característica que o senhor mostrou para nós haver nos brasileiros: essa extrema alegria e essa enorme generosidade.

Aspiramos celebrar a década com outro evento global: a exposição universal, em São Paulo, em 2020. Estou segura que a nossa maior cidade, grande centro intelectual e artístico e nossa porta de entrada para negócios e investimentos está à altura do desafio. São Paulo é a maior encarnação da nossa diversidade cultural que o senhor mencionou. Mais de 70 culturas participaram da sua construção e nela vivem. São Paulo abriga uma coletividade francesa dinâmica e integrada à vida local, além, é claro, do papel desempenhado pelos brasileiros afrodescendentes e indígenas, e cidadãos vindos de todo o Brasil. São Paulo é exemplo de convivência pacífica e de integração entre povos que, em outros contextos, sequer dialogam, refiro-me ao respeito mútuo que predomina nas relações entre árabes e judeus, não só em São Paulo, mas em todo o país.

Por isso, São Paulo escolheu como tema de sua candidatura à Exposição 2020, “força da diversidade e harmonia para o crescimento”. Será importante contar com o apoio de Paris nessa empreitada também. Estamos na cidade que mais abrigou exposições universais. Suas marcas estão espalhadas ao longo do Sena: do Palácio de Chaillot ao Grand Palais, além do símbolo da cidade e do país, a Torre Eiffel, erguida para a exposição de 1889.

O Brasil procura superar seus desafios de desenvolvimento por meio da justiça social e do respeito ao meio ambiente. Para nós, país rico é país sem pobreza extrema, o que significa aprofundar os programas de inclusão social, que transformaram a sociedade e a economia nacional nos últimos dez anos. Retiramos mais de 28 milhões de brasileiros da pobreza absoluta e alçamos 40 milhões à classe média.

Pelo programa Ciência sem Fronteiras, enviaremos mais de cem mil estudantes e pesquisadores brasileiros ao exterior. Dez mil estudantes brasileiros poderão aproveitar, até 2014, a excelência do ensino e da pesquisa franceses graças à boa receptividade ao programa por parte das autoridades deste país.

Quero agradecer, muito especialmente, ao prefeito Delanoe pela gentileza de organizar este belo evento, que reflete a amizade entre o Brasil e a França.

Vinicius de Moraes, que adorava esta cidade, na qual serviu duas vezes como diplomata, dizia na canção “O samba da bênção” que a vida é a arte do encontro. Minha visita aqui celebra um encontro, sempre renovado e enriquecedor, entre brasileiros e franceses, entre brasileiros e Paris, entre o Brasil e Paris.

Celebremos, assim, nossa amizade. Muito obrigada.

 

Ouça a íntegra do discurso (08min09s) da Presidenta Dilma