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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante reunião com atletas e dirigentes de clubes de futebol - Palácio do Planalto

por Portal Planalto publicado 11/08/2015 19h24, última modificação 11/08/2015 19h25

Palácio do Planalto, 11 de agosto de 2015

 

 

Eu queria cumprimentar a todos aqui nesta reunião, que é uma reunião um tanto quanto informal,

E queria cumprimentar tanto o George Hilton, ministro do Esporte, como o ministro Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social. E, cumprimentando eles, eu cumprimento todos os integrantes do meu governo que participaram desse esforço, junto com os clubes, junto com o Bom Senso Futebol Clube, junto com os parlamentares, tanto da Câmara quanto do Senado,

Quero cumprimentar também o relator da Medida Provisória do Futebol, Otávio Leite, que deu uma grande contribuição,

Cumprimentar o Afonso Ramos, o Andrés Sanchez, a Gorete Pereira, Goulart, o Hélio Leite, Johnathan de Jesus, João Derly, José Rocha, Marcos Vicente, Marcelo Aro, Márcio Marinho, Orlando Silva, Rogério Marinho, Vicente Cândido e todos aqueles que eu não nominei, que não estão aqui, mas que participaram efetivamente da aprovação e da própria melhoria da Legislação,

Quero cumprimentar o Eduardo Carvalho Bandeira de Mello, presidente do Clube de Regatas do Flamengo. Ao cumprimentá-lo, cumprimento todos os dirigentes de clubes de futebol aqui presentes. E cumprimento também o Eduardo Mello pela atitude vanguardista que ele teve no que se refere a transformar o Flamengo em um clube profissionalizado, com transparência, grande capacidade de governança,

Cumprimento também o presidente do Bom Senso Futebol Clube, o Ricardo Borges. E ao cumprimentá-lo, quero cumprimentar todos os integrantes do Bom Senso que tiveram o bom senso de vir aqui discutir conosco e levantar uma série de questões que muito contribuíram para que a gente chegasse a essa elaboração,

Quero agradecer também ao Thiago Gasparino e dizer a ele que, de fato, nós ficamos bastante comovidos com o relato dele,

Cumprimentar o Walter de Mattos, editor do jornal O Lance, por meio de quem cumprimento todos os cronistas esportivos, que sempre foram muito ativos nessa questão de um início de uma reforma do nosso futebol,

Cumprimentar também os jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas aqui presentes.

Nós temos hoje uma legislação que, neste processo de elaboração, discussão, diálogo, debate, é produto de uma porção de mãos, de muitas cabeças e de muitos corações. Esta legislação, que foi sancionada por mim, ela vai permitir - e que, de fato, é como se fosse uma lei de responsabilidade fiscal do futebol -, ela vai permitir uma renegociação das dívidas. E isso vai trazer, eu tenho certeza, um grande alívio aos clubes de futebol e em alguns casos, inclusive, vai viabilizá-los.

Esse é o efeito, eu acho, de curto prazo, o efeito mais imediato da Legislação. Mas essa Legislação é também um ponto de partida, é um ponto de chegada. Um ponto de chegada em que todos os senhores trabalharam, se empenharam, e se apaixonaram, porque quando se fala de futebol a gente fala mais de coração, mais de sentimento, mas também tem que falar de razão.

Então, é um ponto de partida, eu acredito, para um processo de modernização que todos nós queremos, de modernização, de profissionalização, de melhoria de gestão. Em todos os setores da atividade humana isso é necessário, sempre é necessário que a gente tenha esses processos, que são processos que vão ser responsáveis, depois, por frutos que nós iremos colher. E eu tenho que certeza que nós iremos colher bastantes frutos dessa Legislação.

Nós apoiamos o saneamento financeiro dos clubes e vamos garantir condições adequadas para o parcelamento das dívidas. E, sobretudo, o que nós queremos é que essa renegociação resulte em um equilíbrio financeiro sustentável, ou seja, que tenha durabilidade e que seja viável. Nós esperamos também que todas as responsabilidades assumidas como contrapartidas sejam cumpridas. E nós certamente teremos de zelar por isso em nome do interesse público.

Muitos disseram, muitos não, alguns poucos disseram que essa Legislação era uma intervenção na organização do futebol. Eu não concordo com isso. Eu acho que essa legislação, ela simplesmente tenta resolver alguns problemas que nós aprendemos ao longo do tempo. Experiências anteriores mostraram que era necessário um programa de saneamento sério e, ao mesmo tempo, que fosse efetivo, porque de nada adianta se fazer um saneamento que não seja efetivo, ou seja, que não vai permitir que os clubes tenham condições de se sanear, de pagar suas dívidas. Nesse sentido eu acredito que nós vamos ter que tirar dessa lei três questões fundamentais: nós vamos ter que assegurar que essa lei permita melhores condições de governança, que permita mais transparência e que permita também responsabilidade fiscal. Que ela resulte em algo que seja muito bom para os clubes, muito bom para os atletas e muito bom para todos aqueles que são os responsáveis últimos por essa operação de saneamento, que é o povo que paga imposto.

Então, eu tenho certeza que os clubes brasileiros vão passar por uma grande modernização e vão se transformar em verdadeiras empresas futebolísticas. Eu falo empresas futebolísticas porque, além de olhar, obviamente, as suas condições financeiras, vão ter que olhar as condições dos atletas. E aí, uma das questões mais importantes para nós é a difusão de relações profissionais, respeitosas com os atletas. E eu vou dizer aqui uma coisa que eu disse quando enviei a MP para o Congresso: que nós não queríamos mais exportar jogadores, que nós queríamos exportar o espetáculo. Porque exportar o espetáculo é exportar agregação de valor, o conjunto da agregação de valor que nós todos sabemos que o futebol brasileiro é capaz e é competente para fazer. Em qualquer lugar que se vá, um dos assuntos levantados - eu que viajo e tenho contato com dirigentes estrangeiros -, um dos assuntos que sempre é colocado na pauta é a beleza, a beleza imensa do futebol brasileiro. Essa beleza que conquistou o mundo e que faz com que, sempre que entrar a equipe verde-amarela, você vai ter, não só os 203 milhões de brasileiros torcendo mas, no mundo, você terá também milhões e milhões de pessoas torcendo pelo nosso futebol.

Então, eu acho que o que está em jogo é que o jogo está começando. E agora o jogo é com os senhores. Nós esperamos que essa legislação, ela contribua, de fato, para que esse jogo seja jogado, e seja jogado com toda a competência que caracteriza o futebol desse país, nos seus diferentes clubes.

Eu estou vendo ali, e acho que isso é uma coisa muito importante. Os clubes dão, eu acho, um sentido ético também para a vida na sociedade. Eles mostram que no esporte você tem que se esforçar. Sem trabalho ninguém consegue nada, sem o suor do rosto ninguém consegue nada. Primeira grande contribuição que clubes e esporte e atletas podem dar. A segunda é que ninguém ganha sozinho, é preciso de equipe, é preciso que você tenha capacidade de construir uma equipe. E terceiro, que eu acho que também é algo fundamental, eu acho um sentido de honra e de respeito ao adversário que todo jogo de futebol, ele coloca na mesa quando, inclusive, tem aquela cena da troca de camisas entre dois clubes que acabaram de disputar renhidamente uma partida.

Então, trabalho, esse respeito pelos resultados, essa questão de jogar em equipe, tudo isso torna, também o fato de nós termos como paixão um esporte que é um esporte coletivo - uma grande, uma grande conquista para a nossa cultura característica.

Então, queria dizer a todos vocês, aos atletas que são a base fundamental de tudo isso que nós estamos falando e vivendo, aos clubes, quero dizer também a todos os senadores e aos deputados que ajudaram nesse processo. E homenageio a todos aqui, agradeço também a todos os integrantes do governo que participaram e que se dedicaram a isso. E em especial ao ministro Edinho Silva e ao ministro George Hilton do Esporte.

Então, muito obrigada e muito bom jogo para vocês. E espero que a gente cumpra tudo o prometido.

 

 Ouça a íntegra(11min36s) do discurso da Presidenta Dilma Rousseff