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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante jantar oferecido pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em homenagem aos chefes das delegações africanas

por Portal do Planalto publicado 21/06/2012 23h22, última modificação 04/07/2014 20h11
Para a presidenta, o Brasil, até então, só olhava para a Europa e para os Estados Unidos, e agora os nossos olhos e as nossas preocupações estão dirigidas para a população africana, para os países da África e os países da nossa América Latina

 

Rio de Janeiro-RJ, 21 de junho de 2012

 

Excelentíssimas e queridas senhoras e senhores chefes de Estado e de Governo e integrantes de delegações que prestigiam o Brasil e prestigiam esta Conferência das Nações Unidas,

Excelentíssimo senhor Boni Yayi, presidente da República do Benin e presidente da União Africana,

Meu querido presidente, líder, Luiz Inácio Lula da Silva,

Governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro,

Prefeito Eduardo Paes, da cidade do Rio de Janeiro,

Ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em nome de quem cumprimento todos os ministros aqui presentes,

Presidente do BNDES, Luciano Coutinho,

Presidente da Vale do Rio Doce, meu querido Murilo,

Senhoras e senhores aqui presentes,

 

Primeiro, eu queria agradecer imensamente a presença dos senhores aqui nesta cidade maravilhosa e agradecer também toda a participação que os senhores tiveram nesse processo em que essa Conferência consegue apresentar, a todos os povos do mundo, um documento sobre a Rio+20.

Esse encontro entre a África e o Brasil ao lado da Conferência mostra a importância que nós atribuímos às relações entre o Brasil e os países da África. E mostra a decisão do Brasil de estabelecer uma relação especial com a África. Vocês poderiam perguntar por que, no meio da Conferência, nós participamos de um jantar com delegações africanas e com delegações do Caribe. A primeira razão é que o Brasil tem uma população com a consciência da sua raiz africana. Quando perguntados, os brasileiros respondem e isso em um número expressivo de 50% de toda nossa população que têm a certeza de que têm raízes africanas, e isso é muito importante. Então, nós acreditamos que o Brasil tem a maior população africana depois da Nigéria. E a segunda razão, eu diria para vocês que é a decisão política tomada lá atrás, ainda no governo da presidente Lula, de que nós teríamos de mudar a nossa política externa.

Nós, que só olhávamos até então para a Europa e para os Estados Unidos, passamos a olhar e dirigir os nossos olhos e as nossas preocupações para a população africana, para os países da África e os países da nossa América Latina.

Esta é uma modificação que diz tudo a respeito do que é o nosso compromisso com os povos do mundo. Assim como nós temos compromisso com as populações que constituem a maioria do nosso país – as populações trabalhadoras –, queremos para os povos do mundo e para a África, em especial, o que queremos para o nosso país.

Por isso, eu apresento a terceira razão, por que nós estamos fazendo esta reunião. Nós queremos estabelecer com a África um processo de desenvolvimento com inclusão social e, por isso, colocamos tudo o que aprendemos, tudo o que conquistamos à disposição das lideranças africanas.

Primeiro, tudo que nós aprendemos para incluir as populações que mais precisam nos frutos do desenvolvimento. Aí está toda a tecnologia do Bolsa Família, porque é uma tecnologia. Tecnologia é saber fazer, é saber como fazer. Então, a tecnologia do Bolsa Família. A tecnologia da Embrapa. E eu queria dizer aos senhores que uma grande luta do presidente Lula, que eu assisti e acompanhei, e, sou testemunha, que lutou o tempo inteiro para que houvesse uma Embrapa, uma Embrapa que se dirigisse para a África, uma Embrapa que tivesse seu foco na questão de como desenvolver as melhores culturas, os melhores cultivares na África, eu tenho a oportunidade de tornar cada vez mais concreta criando, dentro da Embrapa, uma Embrapa africana, uma Embrapa voltada para a África.

Outro programa que eu gostaria de destacar está ligado à questão da saúde e à criação de vacinas. Nós nos dispomos, em parceria com terceiros países, a criar, nas regiões diferentes da África, processos de produção de vacinas e de princípios farmacológicos que garantam o combate e o tratamento das doenças com maior incidência, que vão da malária à Aids.

Com seus 800 milhões de habitantes, com seu rico e imenso território, com a sua riqueza natural, nós temos certeza que a África será um dos continentes que mais se desenvolverá ao longo do século XXI. E, por isso, estamos muito interessados em ter parcerias no sentido de criar infraestrutura: rodovias, energia, enfim, todas as estruturas necessárias para o crescimento econômico.

Nós temos melhorado as nossas relações, mas elas ainda são insuficientes.

E, além das relações bilaterais, o Brasil vai desenvolver com as diferentes organizações dos Estados africanos. Em julho, eu tenho a intenção de participar da Cúpula da União Africana, em Adis Abeba. E, em novembro, eu espero encontrá-los novamente em Malabo, para a Terceira Cúpula América, da relação América do Sul-África.

Finalmente, eu gostaria de dizer a vocês que essa é a mensagem que eu levarei todas as vezes que visitar o continente irmão da África, que é a seguinte: levar adiante um relacionamento absolutamente livre das práticas coloniais que infelicitaram o meu continente e o continente africano, e de todos os infernos coloniais que nós vivemos.

Apesar do cálice vazio, eu consegui um cheio. Convido a todos que brindemos o grande futuro da amizade entre a África e o Brasil.

Saúde!

 

Ouça a íntegra do discurso (20min25s) da Presidenta Dilma