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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante encontro com mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

por Portal do Planalto publicado 07/04/2011 19h11, última modificação 04/07/2014 20h05
O evento aconteceu no Salão Nobre do Palácio do Planalto

 

Palácio do Planalto, 07 de abril de 2011

 

Eu queria cumprimentar aqui as mulheres atingidas por barragem, em primeiro lugar,

Depois, eu queria cumprimentar as crianças que estão aqui porque as crianças também fazem parte desta manifestação, a cada uma e a cada um dos menininhos e das menininhas aqui presentes,

Queria também cumprimentar a Tereza Campello, nossa ministra do Desenvolvimento Social, e é importante que seja uma mulher ministra do Desenvolvimento Social na medida em que o nosso compromisso maior nesse processo do terceiro governo, que eu tenho a honra de representar, é a superação da pobreza em nosso país,

Então, eu cumprimento também o nosso companheiro Afonso Florence, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que é outro braço que nós temos também para fazer o combate e a superação da pobreza extrema em nosso país.

Cumprimento agora o coordenador do governo no que se refere a todos os movimento sociais, meu querido Gilberto Carvalho. O ministro Gilberto, como vocês sabem, ele é responsável por essa prática que nós temos que é a relação com os movimentos sociais, com as reivindicações diferenciadas da sociedade. E o fato dessa prática de diálogo que o Gilberto vai inaugurar com vocês, dando continuidade ao que nós fizemos no período anterior do governo do ex-presidente Lula, essa pauta, ela é muito importante porque faz parte de uma questão que é muito cara ao governo, que é essa permanente conversa, esse permanente diálogo. Nós achamos que o governo é governo e movimento social é movimento social, mas somos contra aqueles que consideram que um governo pode ficar surdo em relação às reivindicações.

Dentro da nossa política de fazer com que o nosso país cresça, mas não cresça só para alguns poucos, que cresça para todos, o Movimento dos Atingidos por Barragens, para nós, é um interlocutor. Agora, além do Movimento ser, é importante que sejam mulheres organizadas. Por que é importante que sejam mulheres organizadas? Porque, de uma forma ou de outra, dentro do Movimento as mulheres são aquelas pessoas que estão mais perto dos grandes problemas do nosso país.

E aí eu queria explicar por que eu cumprimentei as crianças. Porque o nosso país só vai ter futuro se as nossas crianças tiverem futuro. Então, as nossas crianças, dentro do quadro de reivindicações de vocês, eu tenho certeza de que um dos elementos essenciais são reivindicações relativas às crianças, tanto no que se refere a toda uma política de creches, como a toda a política de Educação que deve ser levada às zonas rurais.

Queria cumprimentar também a Márcia Camargo, representando aqui o Ministério de Minas e Energia. Nós somos um país que tem na energia hidrelétrica uma das suas riquezas. Agora, é também certo que não pode existir uma contradição entre o uso da energia hidrelétrica e o interesse das populações, tanto do ponto de vista social das condições de trabalho, mas, sobretudo, também das condições ambientais. Por isso, eu cumprimento também a Márcia Camargo, porque ela sempre esteve na liderança do processo de discussão com os movimentos sociais, a respeito dessas questões.

Queria cumprimentar os senhores parlamentares e as senhoras parlamentares aqui presentes, que sempre participaram desta luta.

E dizer para vocês que hoje é um dia muito triste para nós. É um dia triste para todos os brasileiros e brasileiras. Este é um país que sempre teve uma relação de grande carinho cultural pelas crianças. São inadmissíveis violências em geral, mas a violência contra a criança é algo que coloca todos nós brasileiros e brasileiras em uma situação de grande repúdio e em uma situação de grande sentimento. São essa duas sensações, o repúdio e a tristeza, que fizeram com que nós abríssemos essa conversa com vocês pedindo um minuto de silêncio pela morte das crianças na escola, lá no Rio de Janeiro, na escola de Realengo.

E eu tenho certeza que, apesar dessa tristeza, nós, hoje, aqui, podemos também ter um momento de alegria, porque acho que um país que tem uma democracia como a nossa... só pode ter uma democracia completa quando tiver uma relação correta com os movimentos sociais, escutando os movimentos, compreendendo as suas reivindicações e tomando providências. Eu quero dizer para vocês que todo ministério do meu governo vai estar atento às reivindicações de vocês. Não vou fazer a demagogia fácil de dizer que atenderemos tudo, mas vou fazer a promessa e o compromisso de que escutarei todas, e farei todo o possível para aproximar o atendimento dos 100%. Isso não significa a promessa fácil de que nós vamos resolver tudo, mas significa a certeza, para vocês, de que nós iremos nos empenhar para encarar as grandes demandas que emergem desse movimento, e, mais do que nunca, vamos estar aqui abertos a ter uma prática sistemática de diálogo, de conversa e atendimento de reivindicações.

Eu queria dizer que, de fato, água é vida; energia também é o princípio da vida. Mas que, de fato, aqui, quem gera a vida são as nossas mulheres. Por isso, eu cumprimento a cada uma, e digo que vocês terão aqui um governo aberto ao interesse de vocês.

Muito obrigada.

 

Ouça a integra do discurso (8min31s) da Presidenta Dilma.