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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de posse dos novos ministros de Estado

por Portal do Planalto publicado 16/03/2013 13h06, última modificação 04/07/2014 20h16

Palácio do Planalto, 16 de março de 2013

 

Bom dia a todos.

Eu queria cumprimentar o nosso vice-presidente da República, Michel Temer,

O presidente do Senado, Renan Calheiros,

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves,

Cumprimentar os senhores ministros empossados, Antônio Andrade, Manoel Dias, Wellington Moreira Franco.

Cumprimentar os senhores ministros que deram a sua contribuição e que hoje nos abandonam: meu querido ministro Mendes Ribeiro Filho; meu querido ministro Wagner Bittencourt; e meu querido ministro e também para mim é, de fato, como eu vou falar no meu discurso, um amigo. Brizola Neto.

Queria também cumprimentar os ministros aqui presentes, cumprimentando a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

Queria cumprimentar os ministros, aliás, queria cumprimentar os familiares dos ministros empossados,

Queria cumprimentar também os familiares dos ministros que nos deixam,

Cumprimentar o senador Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado,

Cumprimentar também o senador Romero Jucá,

Cumprimentar nosso querido vice-governador Pezão, do Rio de Janeiro,

Cumprimentar os deputados federais Eduardo Cunha, líder do PMDB na Câmara, Gabriel Guimarães, Luis Carlos Heinze, Marcos Rogério, Mário Heringer e Roberto de Lucena.

Cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

 

Eu queria dizer para vocês que o exercício do poder, eu acredito que em qualquer ente federado, União, estado e município, é uma fonte de aprendizado também. E eu, como ministra do presidente, nesses dez anos, do presidente Lula e agora, como, nos últimos dois anos, como presidenta da República, a gente aprende sobre o valor que é necessário para que se tenha firmeza nas decisões, e para que se tenha clareza das prioridades.

Governar, necessariamente, é escolher entre várias alternativas e, por isso, eu aprendi muito, ao longo desse período, sobre o valor da lealdade entre aqueles que desenvolvem com a gente a tarefa de governar, o valor simultâneo da paciência e da urgência, para cumprir prazos e metas e da sensatez na escolha dos caminhos.

Eu, e todos nós, quando chegamos no governo federal, aprendemos muito sobre a diversidade, compreender e respeitar a diversidade de um país continental. Você não governa uma região, você governa para todo o Brasil. E aprendi também que este é um país que é desigual, tanto regional como territorialmente e, por isso, as políticas geralmente têm de levar em conta esse fato. E, ao mesmo tempo, temos de fortalecer, nessa diversidade, as forças que sustentam um governo de coalizão.

Muitas vezes, algumas pessoas acreditam que a coalizão é algo, do ponto de vista político, incorreto. Eu queria fazer uma reflexão com os senhores: nós estamos assistindo, em alguns lugares do mundo, processos de deterioração da governabilidade, justamente pela incapacidade de construir coalizões estáveis. Nós vemos isso na Itália, esse país no qual eu me dirijo amanhã. Nós vemos isso também nos conflitos sobre a questão fiscal nos Estados Unidos. Então, a capacidade de estruturar coalizões, ela é crucial para um país, principalmente para um país com essa diversidade, com 26 estados e um Distrito Federal, com essa dimensão territorial.

Eu aprendi que numa coalizão você tem de valorizar as pessoas que contigo estão, esses parceiros da luta, que são companheiros que acompanham a gente numa jornada diuturna e que, portanto, têm de estar com a gente nos bons e nos maus momentos, e nós com eles.Eu posso afirmar, nesta solenidade, que eu acho que o Brasil avançou muito nesse caminho da compreensão da coalizão. Não acredito que seja possível este país ser dirigido sem essa visão de compartilhamento e de coalizão.

E eu agradeço ter tido pessoas que estão aqui nessa solenidade, que compartilharam esse processo comigo, e que agora se separam de nós, aqui do governo, mas não separam do projeto nem da trajetória de luta. São pessoas que deram o melhor de suas capacidades para fazer o governo funcionar bem. E, muitas vezes, abriram mão de interesses pessoais e até de interesses políticos em defesa dos direitos dos brasileiros e pela concretização de suas esperanças pela concretização de um projeto no qual acreditam de forma substantiva. Pessoas das quais eu recebi apoio, engajamento e lealdade. Eu me refiro a amigos antigos e amigos que eu fiz nessa caminhada: o Wagner Bittencourt, o Brizola Neto e o Mendes Ribeiro.

Eu agradeço a dedicação e o trabalho competente do Wagner Bittencourt, que assumiu pesadas responsabilidades num setor importantíssimo para o desenvolvimento do país e ele se saiu muito bem nessas suas atribuições. O Wagner vem do BNDES e volta para a vice-presidência do BNDES, local que ele tinha abandonado – cargo que ele tinha abandonado – para nos ajudar a estruturar a Secretaria de Aviação Civil. E eu quero aqui reconhecer de público que ele se conduziu com competência, com espírito público e com dedicação à frente da Secretaria de Aviação Civil. Ele nos ajudou e esse é um processo importante porque a Secretaria de Aviação Civil não existia, ela estava lá dentro do Ministério da Defesa. E enquanto esteve no Ministério da Defesa, a questão da aviação civil, na medida em que o país passava por uma transformação, nunca teve a atenção necessária. Esse foi um processo que nós iniciamos porque julgamos o seguinte: é um setor tão estratégico para o país que merece uma secretaria especial. Uma secretaria especial para qualificar os nossos aeroportos – é óbvio que é para a Copa e para as Olimpíadas, mas não é para a Copa e as Olimpíadas fundamentalmente, é pelo fato que milhões de brasileiros começaram a viajar, a ter acesso a passagens de avião. E não só a viajar para o Brasil inteiro, mas também para o exterior. É também pelo fato que de que esse é um país continental e que tem de ter aviação regional e, para isso, é necessária toda uma política específica, é necessário recuperar os nossos aeroportos. Nós temos mais de três mil aeroportos e escolhemos, junto com os governadores, recuperar em torno de 280 ou 290, eu não estou com o número claro agora. Mas, então, eu agradeço o Wagner porque ele nos ajudou num momento muito difícil, agora nós temos uma Secretaria estruturada, nosso processo está caminhando. Agradeço, então, a esse técnico do BNDES, a contribuição que ele deu.

Eu faço questão também de mostrar o meu carinho, o meu respeito e a minha gratidão pelo Brizola Neto, que foi um grande parceiro do meu governo, tanto durante a campanha eleitoral quanto, sobretudo, agora à frente do Ministério do Trabalho. Eu tenho certeza que, por ora, o Brizola Neto deixa o governo, mas eu continuo, e tenho certeza disso, contando com ele e posso afirmar que o Brizola Neto vai sempre contar comigo. Eu tenho muito orgulho de ter tido o Brizolinha no meu governo na medida das minhas relações ao longo da minha história pessoal e política com o PDT e, especificamente, com o Brizola.

Com o Mendes Ribeiro, a minha ligação, além de política, tem fortes bases afetivas. A sua colaboração comigo no governo só fez crescer o respeito que eu tenho por ele. Fruto da competência, da capacidade de articulação do Mendezinho. Fruto também do fato de que o Mendezinho é uma pessoa de uma grande lealdade política e pessoal. Ao Mendes eu vou dizer, com muito carinho: obrigada pelo seu trabalho. E, Mendes, resista às dificuldades, porque nós e o Brasil precisamos de você. Eu espero... Eu tenho te falado, Mendes, eu espero que você pare de andar pra baixo e pra cima. E espero, também, que você cuide da sua recuperação, porque eu quero, mais uma vez, contar contigo. Agora você, Mendes, tem o direito, mas, sobretudo, tem o dever de pensar na sua saúde porque nós todos precisamos de você. Para de andar pra baixo e pra cima.

Àqueles que agora assumem as novas funções, eu gostaria também de enfatizar as suas contribuições. Do Moreira Franco não é necessário falar, ele está no ministério e agora vai continuar aqui, agora em função diferente, na qual eu confio que ele vai confirmar sua eficiência. A enorme capacidade do Moreira e o discernimento também de se cercar de pessoas da mais alta qualidade. Essa é uma característica importante, porque o Moreira qualifica o seu ministério. Espero, também, que o Moreira não pense que era feliz e não sabia. Eu tenho certeza que ele vai desempenhar à frente da Secretaria de Aviação Civil a mesma competência que ele teve na Secretaria de Assuntos Estratégicos, que ele dirigiu o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e que ele qualificou o IPEA, inclusive colocando à frente do IPEA um técnico da qualidade do atual presidente.

Eu queria, também, dar as boas-vindas para o Antônio Eustáquio Andrade Ferreira, o Toninho Andrade, que assume o Ministro da Agricultura agora. E também ao Manoel Dias, meu querido companheiro Manoel Dias, que a gente chamava de Maneca.

O Toninho Andrade tem um grande trabalho pela frente. E, como ele é um homem público experimentado, que participou e ajudou, como líder, a administração do governador Itamar Franco, em Minas Gerais, e também, nos últimos anos, teve imensa correção à frente da Comissão de Agricultura e, agora, na de Tributos, eu tenho certeza que o Antônio Andrade estará à altura desse Ministério que tem, no Plano Safra, um grande desafio. Um Plano Safra que será, seguramente, bem maior do que foi esse último que chegou, se eu não me engano a R$ 101 bilhões. E também na articulação de toda uma política de incentivos para a pesquisa e a inovação na área agrícola, para a constituição de uma agência de assistência técnica e, também, para toda uma política de armazenagem no nosso país. Vejam vocês que o Antônio tem grandes desafios pela frente.

O Manoel Dias, nós fizemos uma conta, eu conheço há mais de 30 anos. E, por isso, eu sei da capacidade, da qualidade política e do efetivo comprometimento do Manoel com os destinos da nossa nação e de nosso povo. Sei também do decisivo comprometimento do Manoel Dias com as questões nacionais de nosso país, com uma visão de um país soberano, um país democrático e, sobretudo, do seu comprometimento com os direitos dos trabalhadores.

A partir de hoje, todos vocês se tornam responsáveis por setores de relevância estratégica para o meu governo. Chegam apoiados em histórias pessoais e biografias políticas da mais alta qualidade e tendo prestado serviços ao nosso país. Nós já iniciamos o processo, eu estou na metade do governo. E precisamos conduzir a bom termo esse processo que se pauta por transformar, cada vez mais, os ministérios do nosso país em ministérios profissionais e meritocráticos. Nós sabemos da importância da modernização dos grandes aeroportos, por meio de parcerias com a iniciativa privada. Nós vamos interiorizar os aeroportos. Nós temos grandes compromissos e profundos compromissos com a agricultura comercial do nosso país, com a agropecuária do nosso país, nós sabemos o quanto a agropecuária é fundamental e, por isso, precisa do apoio, precisa do incentivo e precisa de todas as linhas de financiamento que o governo é capaz de dar. Isso para garantir não só as nossas exportações mas também a produção e a qualidade da alimentação do nosso povo.

O nosso governo tem um pacto sólido com os trabalhadores. E, por isso, os trabalhadores brasileiros são a base da sustentação e principal motivação de um modelo de desenvolvimento com inclusão social, distribuição de renda, criação de postos de trabalho e de formalização do trabalho no Brasil. O Ministério do Trabalho cada vez mais tem de se modernizar para atender todos esses desafios.

Como vocês podem perceber, são grandes esses desafios que nós todos vamos enfrentar juntos, agora. Nós só podemos vencê-los juntos, nenhum ministro, num governo, ele é uma entidade isolada.

Eu desejo, portanto, a todos os ministros, conclamo a todos e aos novos ministros que entram, muito sucesso. E faço um convite a todos eles, é um convite ao trabalho, sempre um convite ao trabalho. E eu tenho certeza que os brasileiros e as brasileiras esperam muito de nós e, por isso, o convite ao trabalho. Nós temos responsabilidade e obrigação de continuar transformando o sonho de um Brasil mais justo e mais desenvolvido em realidade. É essa a nossa tarefa e a nossa missão.

Eu quero dizer a todos os ministros que saem: muito obrigada, e eu tenho certeza que vocês podem contar com o governo e o governo pode contar com vocês. E também aos ministros que entram, eu desejo, além de muito trabalho, muito boa sorte.

Ouça a íntegra do discurso (20min07s) da Presidenta Dilma.