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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de lançamento regional do programa Brasil sem Miséria no Nordeste

por Portal do Planalto publicado 25/07/2011 14h21, última modificação 04/07/2014 20h05
Diversas medidas adotadas pelo programa visam retirar 9,6 milhões de nordestinos da extrema pobreza

 

Arapiraca-AL, 25 de julho de 2011

 

Eu queria, primeiro, cumprimentar aqui todos os agricultores e as agricultoras,

Cumprimentar também os moradores de Arapiraca, que nos recebem com tanto carinho,

Cumprimentar também todos aqueles alagoanos que nos honram com a sua presença aqui,

Dirigir um cumprimento especial às mulheres, às prefeitas e às agricultoras aqui presentes,

Governador Teotônio Vilela, é um imenso prazer estar aqui, no estado de Alagoas, lançando o Brasil sem Miséria, e assumindo um compromisso com este novo Nordeste, dando continuidade à obra do presidente Lula, com o qual eu trabalhei e tive a honra de participar dos principais atos do seu governo,

Queria cumprimentar os nossos governadores aqui presentes: o governador Eduardo Campos; o governador Ricardo Coutinho, da Paraíba; o governador Wilson Martins, do Piauí; o governador Marcelo Déda, do Sergipe; e também o nosso vice-governador do Maranhão, Washington Oliveira,

Queria dirigir um cumprimento aos parlamentares aqui presentes, saudando o senador Benedito de Lira, a deputada Célia Rocha, os deputados Givaldo Carimbão, Joaquim Beltrão, Renan Filho e Rosinha Da Adefal,

Dirigir um agradecimento pela camiseta doada,

Ao prefeito Luciano Barbosa e, por intermédio dele, eu quero saudar os prefeitos e as prefeitas aqui presentes,

Abraçar a Josicleide Mendes da Silva, diretora da Associação das Produtoras de Broas e Produtos Alimentícios Derivados da Farinha,

Cumprimentar, mais uma vez, as senhoras e os senhores agricultores.

Hoje é um dia muito importante para nós. O Brasil passou um tempo muito longo de costas para o seu povo. Quando o presidente Lula chegou ao governo, em 2003, pela primeira vez a pauta prioritária do governo passou a ser os mais pobres. Passou a ser a seguinte pergunta: o que o governo pode fazer para a parte da população mais pobre do Brasil? E o que o governo podia fazer? O governo podia dar conta da imensa dívida que este país tinha com as populações mais pobres, dívida expressa na ausência e na falta de casas, na falta de luz elétrica, na falta de água.

Nós nos esforçamos muito. Os governadores que aqui estão participaram dessa luta e desse esforço. Nós conseguimos, nesse período, contando daquela época até hoje, tirar da pobreza e transformar em classe média uma “Argentina”, uma população da Argentina: 39,5 milhões de pessoas. Quando a gente pensa que é igual a tirar da pobreza e elevar à classe média uma “Argentina”, a gente percebe o tamanho do que foi feito.

Mas aí, eu fui eleita por vocês para continuar esse projeto do governo Lula. Eu fui eleita por vocês, com a confiança de vocês e com o meu compromisso de que o Brasil ia continuar dando importância, dando prioridade, atendendo, acolhendo, protegendo as pessoas mais pobres do país. E isso nós estamos fazendo com o programa Brasil sem Miséria.

Esse programa é um programa que mostra claramente como é que o Brasil mudou. Antes, quando se olhava para os mais pobres, se achava que a culpa da pobreza era deles. Agora nós sabemos que quando se dá uma oportunidade, por menor que seja, para a população mais pobre deste país, ela agarra com as duas mãos e transforma sua vida, cria oportunidade para si e para os seus filhos. Nós aprendemos que este país só vai ser um país grande quando nós eliminarmos a pobreza e a miséria.

Por isso nós estamos aqui hoje, porque nós temos um compromisso com a população ainda extremamente pobre. Essa população, ela pode mudar, ela pode. A primeira coisa que nós temos de afirmar é que ela pode sair da pobreza, ela pode. Como é que ela pode? Se organizar o governo federal, os governadores, os prefeitos e a população pobre deste país, nós sairemos da miséria e construiremos um Brasil maior.

Hoje, aqui, o que nós estamos fazendo é afirmar: nós somos capazes de, juntos, tirar 16 milhões de brasileiros da pobreza extrema. E aqui no Nordeste, vamos fazer isso olhando também para a população pobre da zona rural, do campo nordestino, do semiárido, e aí é muito importante a questão da água, sim. A água é algo que, no passado, utilizaram como instrumento de poder, como fonte de privilégio, que se distribuía quando se queria exercer o poder sobre as populações sem água, passando sede.

Durante muito tempo o Brasil voltou as costas para a população nordestina, que saiu das suas terras, saiu dos seus estados e desenhou o mapa brasileiro, ou indo para São Paulo, ou para as plantações do Acre, ou para a Transamazônica. Agora, não.

Aí eu queria, dentro do que falou o nosso governador Teotônio, homenagear uma nordestina que saiu lá da terra do Eduardo Campos, saiu lá de Pernambuco, carregando, como sempre acontece, uma porção de filhos pequenos: a dona Lindu, mãe do presidente Lula.

Vocês vejam como é que a história é interessante. Foi justamente esse brasileiro que saiu fugindo, fugindo da seca, fugindo da falta de horizonte, fugindo da falta de esperança, que construiu um processo no qual se criou o novo Nordeste, esse brasileiro, que é o presidente Lula. Nós todos sabemos que só uma pessoa que viveu a saga dos nordestinos, a saga da sede, a saga da fome, pode dar ao Nordeste a dimensão que ele deve ter, e eu tenho muita honra de continuar esse projeto.

Porque hoje, aqui, nós estamos assinando o compromisso do meu governo com a universalização da água, afirmando que a água é um direito de todos os nordestinos, seja sob a forma de cisternas, seja sob a forma de aguadas, de pequenas barragens ou através de projetos grandes, como a transposição do São Francisco. E toda essa imensa obra, que é o Canal do Sertão Alagoano, vai levar água de forma permanente e perene para toda a população nordestina matar sua sede, matar a sede da sua criação e utilizar essa água para o seu desenvolvimento.

Eu queria dizer para vocês que o Brasil Sem Miséria é o compromisso do meu governo com o desenvolvimento da população mais pobre deste país, na certeza de que o nosso país só será uma grande potência se todos os 190 milhões de brasileiros, em especial todos aqueles que integram a população nordestina mais pobre, forem capazes de ter acesso a seus direitos, ter acesso a sua casa própria, ter acesso a saneamento, à água e, sobretudo, seus filhos terem acesso à Educação.

No caminho, nesse imenso caminho que se abre para o Brasil, no caminho que nós queremos que seja trilhado com a superação da pobreza neste país, nós precisamos de muita Educação. Para quem? Para todos os filhos dos brasileiros e das brasileiras, porque, de fato, nós só construiremos um país mais igual se todas as crianças, se todos os jovens forem... tiverem direito a ter uma profissão, uma capacitação técnica, conseguirem um trabalho decente, conseguirem desenvolver a renda nas suas propriedades.

E aqui eu fico muito orgulhosa de estar em Arapiraca, porque se aqui é a terra dos empreendedores, é a terra do trabalho, é a terra que abre essa luta imemorial do povo nordestino pela sua sobrevivência, pois é aqui mesmo que nos orgulha lançar um plano como o Brasil sem Miséria.

Eu agradeço a todos vocês. Quero dizer que, através do Bolsa Família, da aposentadoria – que nós iremos atrás – da população mais pobre, porque ela tem seu direito, e esse direito tem de ser reconhecido. Conto com os governadores, conto com os prefeitos, mas, sobretudo, eu tenho certeza de que nós contamos com essa sociedade, esse povo forte – sofrido, mas com muita garra.

Um abraço a todos.

 

Ouça na íntegra o discurso (14min32s) da Presidenta Dilma.