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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de lançamento do Plano Safra Semiárido 2013/2014

por Portal do Planalto publicado 04/07/2013 17h22, última modificação 04/07/2014 20h17

 

Salvador-BA, 04 de julho de 2013

 

Boa tarde. Sei que todo mundo está com fome, mas eu não vou saudar vocês a partir da piada do nosso governador, eu vou chamar “meus conterrâneos”. Espero que essa saudação seja a saudação dos nossos conterrâneos, dos meus conterrâneos, de todos os brasileiros e de todos os baianos e as baianas.

Eu acabo de abraçar a Damaris. E abraço a Damaris com muita alegria, porque a documentação da trabalhadora rural, ao entregar para ela a carteira, eu estou entregando para ela o reconhecimento expresso num documento, que ela é uma cidadã do Brasil.

Nós somos um país diverso. Tem gente que tem acesso agora à carteira de identidade. Mas todos nós sabemos que é isso que nos une aqui hoje, que os desafios são muitos, mas se todos nós, juntos, nos empenharmos, nós conseguiremos superar todos os desafios.

E, iniciando, eu queria cumprimentar meu grande amigo, governador da Bahia, Jaques Wagner, e a Fátima Mendonça, que é, antes de tudo, uma mulher de coragem. Fatinha.

Cumprimentar os ministros que me acompanham e as ministras que me acompanham. Cumprimentar o ministro Pepe Vargas, esse gaúcho que falou aqui, hoje, para vocês, com a sua alma. Cumprimentar o Antônio Andrade, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O Pepe e o Antônio Andrade foram responsáveis pela coordenação desse Plano Safra do Semiárido, tanto da agricultura familiar quanto dos médios e dos grandes produtores.

Cumprimentar outro gaúcho, aliás, outro baiano, antes de cumprimentar uma gaúcha-mineira, que é o César Borges, dos Transportes.

Cumprimentar a Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O Fernando Bezerra, da Integração Nacional, também nosso companheiro de Pernambuco, a Helena Chagas, da Comunicação, e a Eleonora Menicucci, da Secretaria das Mulheres... de Política para as Mulheres.

Cumprimentar o nosso vice-governador da Bahia, Otto Alencar.

Cumprimentar o deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembleia.

Cumprimentar o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto.

Cumprimentar os governadores aqui presentes: Ricardo Coutinho, da Paraíba; Wilson Martins, do Piauí; Rosalba Ciarlini, do Rio Grande do Norte; Teotônio Vilela Filho, de Alagoas; José Albuquerque, governador em exercício do Ceará; Jackson Barreto de Lima, governador em exercício de Sergipe; Waldir Pires, ex-governador da Bahia; e cumprimentar também o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, que teve de se afastar porque tinha uma inauguração lá em Recife.

Cumprimentar os senadores aqui presentes: o senador Eunício Oliveira, que vai dar uma contribuição, uma parceria muito importante para o que eu vou anunciar aqui no que se refere às dívidas.

Cumprimentar o nosso senador José Pimentel, a senadora Lídice da Mata e o senador Walter Pinheiro.

Cumprimentar os deputados federais: o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Antonio Florence; o ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte; Daniel Almeida; Edson Pimenta; Geraldo Simões; José Nunes; José Rocha; Josias Gomes; Luiz Argôlo; Marcos Medrado; Nelson Pellegrino; Oziel Oliveira; Pedro Eugênio; Roberto Britto; Sérgio Brito; Waldenor Pereira; Valmir Assunção.

Queria cumprimentar a nossa querida prefeita, uma prefeita que deu uma palavra muito forte aqui hoje e ao cumprimentar a Maria Quitéria, prefeita de Cardeal da Silva e presidente da União dos Municípios da Bahia, eu queria cumprimentar a cada um das prefeitas e dos prefeitos aqui presentes, procedentes das regiões do semiárido brasileiro, e especialmente aqui, do semiárido da Bahia. Queria cumprimentar também a nossa querida, uma liderança muito importante do movimento dos trabalhadores da agricultura, queria cumprimentá-la, e ao cumprimentá-la dirigir um cumprimento a todas as entidades, cumprimentando a Elisângela Araújo, nossa querida Elisângela. Queria cumprimentar o vice-presidente da Articulação do Semiárido, Daasa, o Carlos Humberto Campos. Cumprimentar um grande parceiro, o presidente da Contag, Alberto Broch. Cumprimentar o Libanilson Braga de Oliveira, representante do Fórum Bahiano da Agricultura Familiar. Cumprimentar a Antônia Mendes de Matos, coordenadora do Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste. Cumprimentar os senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Todos nós escutamos nos últimos dias as manifestações e a voz da rua. Essas vozes, que soaram em todas as ruas do Brasil, elas devem nos orgulhar. Se nós compararmos as manifestações no Brasil com as manifestações nos outros países do mundo, nós vamos ver que nós somos diferentes. E por que somos diferentes? Porque quando nós vemos as manifestações quem ocorrem em alguns países do mundo, e que levaram o nome de Primavera Árabe, lá estava-se lutando contra ditaduras e por democracia. Nós não, nós temos democracia e por isso nós somos capazes de ouvir as vozes das ruas. Porque eu sou de uma época que havia uma imensa dificuldade de se expressar nas ruas deste país. De fato, o governador Jacques Wagner tem razão. Nós nascemos, a grande maioria dos que estão aqui hoje e que têm mais ou menos a minha idade – eu espero que sejam muito mais novos –, sabem do que eu estou falando: nós lutamos nas lutas pela redemocratização do nosso país e, por isso, sabemos que não é isso que está em questão no Brasil.

Também no nosso país não há divisões religiosas ou étnicas que levam as pessoas às ruas. Muito menos há o que ocorre hoje em países da Europa ou até nos Estados Unidos, o movimento na Espanha, dos indignados e a chamada Ocupação do Wall Street, que diz respeito, no caso da Europa, à perdas de direitos, perdas de emprego, perdas de salário, perdas de aposentadoria e redução real de salários. Nem somos responsáveis, como muitos daqueles em relação aos quais o Movimento de Ocupação de Wall Street se manifestava, nem somos responsáveis pela maior crise financeira internacional desde 1929, e que abalou o mundo durante o final da década passada, 2008/2009, que tem efeitos que se prolongam ainda hoje.

No Brasil era diferente. Aqui as ruas falaram por mais direitos, mais direitos. E, aqui, eu quero dizer para vocês que esta presidenta aqui ouviu claramente a voz das ruas, tanto porque essa voz é legítima, quanto porque nós temos uma democracia, e faz parte da democracia a luta por mais direitos, principalmente quando nós sabemos que nos últimos 10 anos, com o governo do presidente Lula e com o meu governo, nós ampliamos e olhamos para aquilo que é a coisa mais importante num compromisso político: aqueles que mais precisam, aqueles que menos têm. E, portanto, mesmo sendo presidenta de todos os brasileiros, dos que falam nas ruas e dos que não falam nas ruas, mesmo sendo presidenta de cada um dos brasileiros e das brasileiras, eu tenho de ouvir e de me preocupar e de pensar com aqueles que mais sofrem e menos têm.

Daí porque eu queria dizer que estou muito feliz de estar aqui, porque eu concordo com a Elisângela, preocupar com aqueles que menos têm, ou com as regiões que sempre tiveram menos, sempre tiveram problemas como é o caso do Nordeste, e em especial do semiárido nordestino, significa saber que não é necessário, não é necessária a indústria da seca. Não é necessária, e nem necessário, o sofrimento e aquela situação de quase miséria que por muitos e muitos anos a população dessa região passou. E por isso, ao saber disso, também não são necessárias nem aceitáveis migalhas de políticos.

Por isso que nós estamos aqui fazendo algo pela primeira vez numa região do Brasil, um Plano Safra para o Semiárido. Essa reivindicação do Plano Safra do Semiárido é o reconhecimento de duas questões: primeiro, que é possível conviver com a seca. E quando a gente fala conviver, nós estamos querendo dizer: a seca não pode virar uma catástrofe. Assim como o inverso, nos países desenvolvidos do norte do mundo, que vivem invernos extremos, não convivem com invernos extremos como catástrofe, nós não temos porque aqui no nosso país deixar de ver que a seca pode ser perfeitamente controlada e portanto nós podemos com ela conviver. Para isso é preciso a determinação, a vontade política e a ação conjunta. E aqui houve ação conjunta, houve ação conjunta nesse Plano Safra para o Semiárido. Houve ação conjunta com os governadores, todos os governadores e seus secretários de agricultura, que deram sugestões importantes para que a gente chegasse a esse ponto. Houve também a participação dos movimentos, de todos os movimentos, que deram também a sua contribuição e a sua sugestão e, sobretudo, sempre colocaram que essa pauta era possível, que essa pauta não só era possível, mas como nós tínhamos obrigação de fazê-lo.

Eu estou muito orgulhosa de estar aqui, apresentando esse Plano Safra do Semiárido. Nós olhamos e vimos que era possível e necessário ter uma ação emergencial para enfrentar essa que é uma das maiores secas nos últimos 50, em alguns casos nos últimos 100 anos. Essas ações emergenciais, elas são importantes, mas mais importante é a gente saber que é possível estruturar uma política de combate a questões que nunca foram enfrentadas, por exemplo, como mostrou aqui o nosso ministro Pepe Vargas: nós temos de ter um plano para a reservação de água, nós temos de ter um plano para a alimentação dos animais, nós temos de ter um plano para criar a agroindústria mais forte aqui, nós temos de ter um plano para adotar o que há de melhor na tecnologia e optar por isso, e não por algo que nós copiemos de outras regiões.

Se aqui nós somos capazes de plantar mandioca, palma forrageira, é aqui que nós vamos plantar palma forrageira, mandioca, e vamos assegurar um padrão de produção equivalente e à altura dessa região, necessário para essa região, para garantir para a sua população de produtores rurais, que não é uma população pequena, 1 milhão e 700 mil produtores, 1 milhão e 600 mil produtores, enfim, quase 2 milhões de produtores, são essenciais, eles e suas famílias, eles e todos aqueles daquelas cidades que convivem com eles, estão no centro desse Plano Safra do Semiárido.

Nós... eu não vou falar em número para vocês, eu vou falar de uma concepção, do que está em questão aqui neste Plano. Está em questão, primeiro, garantir crédito, crédito para quê? Para que os agricultores tenham recursos para investir naquilo que nós iremos garantir junto com os governadores, junto com os senhores prefeitos, e aí as retroescavadeiras, as motoniveladoras, os dois caminhões – o pipa e o caçamba – e a pá carregadeira têm uma função. Qual é a função? De dar apoio justamente para essa produção da agricultura no semiárido, da agricultura familiar, da agricultura do médio agricultor e do grande agricultor. Dar apoio em quê? No escoamento, mas também serve para levar os ônibus escolares para as escolas, serve para passar ambulâncias do Samu, serve para fazer o trânsito das pessoas através das grandes veias de irrigação deste país, que são estradas vicinais das prefeituras deste país.

Esse Plano Safra também tem uma ambição. Por isso falou primeiro o presidente da Embrapa. A Embrapa é uma questão do orgulho do Brasil. É a maior empresa de pesquisa agropecuária. E o que é que ela descobriu? Ela descobriu o seguinte, porque ela olhou para nós, ela não olhou para fora, ela aproveitou todo o conhecimento que tinha lá fora e olhou para nós. E o que é que ela viu? Ela viu que no Brasil era possível ter uma agricultura tropical altamente eficiente, e ela viu, aqui no semiárido, que é possível ter, sim, uma produção que garanta não só a dignidade através de uma renda digna, mas que ela pode, inclusive, ter desafios que podem transformar essa região numa região extremamente competitiva.

Por isso a Embrapa falou primeiro. Por isso a Embrapa veio aqui e disse: “Olha, nós sabemos o que é possível produzir, nós sabemos que não tem nenhum obstáculo intransponível no semiárido. Nós sabemos que tem culturas que podem ser desenvolvidas aqui. Nós sabemos que nós podemos fazer aqui uma grande região leiteira.” E é importante isso. Nós queremos alimentar as nossas crianças, nós queremos alimentar os nossos jovens. Nós precisamos de ter uma bacia leiteira sustentável e que as secas não abalem.

Eu sei que quando vem uma seca, mesmo com o nosso Plano Semiárido implantado, mesmo com todos os projetos estruturantes feitos lá no Ministério da Integração, nós sabemos que nós vamos precisar de ações emergenciais, mas elas serão pequenas, residuais. Elas serão aquelas necessárias para melhorar cada vez mais a convivência com a seca.

Por isso eu estou aqui hoje também para dizer pra vocês que eu sei perfeitamente que tudo isso que nós lançamos aqui, o PAA, a compra de alimentos, e aí eu faço também um apelo aos prefeitos – ajudem a gente a utilizar os 30% do Plano Nacional de Alimentação Escolar, ajudem a gente a dar demanda garantida, certa, para esses agricultores. Por tudo isso, eu sei que é necessário um tratamento diferenciado em relação aos efeitos da seca, aos efeitos da quebra de produção de agricultores aqui, eu sei que é necessário a gente garantir oferta de água estável, tanto com as cisternas como com as segundas cisternas, cisternas de produção, as barragens subterrâneas, as barraginhas, tudo isso.

Eu sei também, e é uma coisa importante, porque eu quero dizer pra vocês que esse é um compromisso nosso, a garantia de armazenagem aqui no Nordeste, porque existia armazéns no Brasil, mas eles foram desestruturados. Eu quero chegar nos finalmentes, eu quero falar sobre renegociação das dívidas agrícolas. Nós ouvimos as vozes das ruas, as vozes dos produtores e as vozes dos prefeitos. Não é só as vozes das ruas que uma presidência é obrigada a escutar, uma presidência tem de escutar num país as vozes, a todas as vozes de todos os brasileiros e as brasileiras. E meu governo tem escutado e ouvido com atenção as demandas dos produtores rurais da região. E quando ouvimos, reconhecemos que para retomar a produção e para dotar esses novos sistemas produtivos que estamos propondo é necessário que nós olhemos a situação dos endividamentos passados. Reconhecer isso é fundamental. E aí, eu estou aqui, encaminhando e aprovando para ser encaminhado numa parceria.

Queria pedir para os senhores, antes de eu apresentar, uma salva de palmas, aqui, para o senador Eunício. Por quê? O senador vai me ajudar a aprovar, através de uma emenda a uma medida provisória já existente, todas essas medidas de renegociação. E quais são elas? Medidas adicionais para a renegociação das dívidas dos agricultores afetados pela seca nessa região.

Primeira medida – pode passar. A primeira medida não é essa, a primeira medida, infelizmente, tiraram do meu quadro, mas eu sei de cor. A primeira medida é: estão suspensas as cobranças feitas... a suspensão das execuções das dívidas, dos seus prazos processuais e do seu prazo de prescrição, até dezembro de [20]14. Esta é a primeira medida: suspende essa ação que cobra as dívidas e torna os agricultores inadimplentes, e bloqueia a sua capacidade de tomar mais dívida.

Segunda medida – agora é aquela. Essa segunda medida mostra o seguinte: nós vamos descontar, para liquidar as operações de crédito rural, contratadas até 2006, nós vamos fazer desconto de recursos, tanto do FNE ou mistas. Primeiro, dívidas, valor original contratado, atualizado com os encargos, até R$ 35 mil, é igual ao que já foi dado para os agricultores familiares. Parcela até R$ 15 mil, com desconto para liquidação de 85%; parcela de R$ 15 a R$ 35 mil, 75%, e de R$ 35 mil a R$ 100 mil, 50%, há uma escadinha.

Segundo – pode passar – linha de crédito para recomposição de dívidas contratadas até 2006. Eleva o valor original, que era de R$ 100 mil, para R$ 200 mil, dá um prazo de pagamento de 10 anos, com 3 de carência, e uma taxa de juros de 3,5%. Pode passar.

Autorização para renegociação das operações de crédito rural que estavam inadimplentes em dezembro de 2011, contratadas a partir de 2007. Esses itens que eu acabo de mostrar para vocês, eles são um pleito dos produtores, que completa aquilo que nós já fizemos para os agricultores familiares, e nós vamos, por esse caminho, assegurar esses dois movimentos. Primeiro, que esses produtores – pequenos, médios e grandes – tenham condições de passar por esse momento difícil. Segundo, que eles tenham condições de entrar nesse caminho novo que nós propomos, que é o do Plano Safra do Semiárido, para todos os produtores.

O que é fato é que nós começamos aqui hoje a construir uma política permanente do Estado brasileiro para mudar, estruturalmente, a nossa capacidade de convivência com a seca. Nós estamos aqui hoje mostrando que essa capacidade de conviver com a seca, ela implica em estimular a produção agropecuária, de forma mais harmônica, com as condições aqui do semiárido.

Eu não vou, aqui, oferecer a nenhum brasileiro ou a nenhuma brasileira do semiárido a ilusão de que os resultados serão colhidos amanhã, mas eu vou garantir a vocês que eles virão e que nós temos o compromisso de fazer isso no menor prazo possível. Nós, quem? Nós, Presidência da República, governadores, prefeitos. Esse é o nosso compromisso, e também em tudo que o movimento social puder ajudar, é fundamental que ajudem, e nos ajudem a fazer com que isso vire realidade no prazo mais curto.

Do ponto de vista do governo federal, não vão faltar vontade política, crédito, e aí eu repito aquilo que o Pepe Vargas falou: se gastarem os R$ 7 bilhões terão mais. Eu sempre falo isso no Plano Safra da Agricultura Familiar, e nunca faltei com a minha palavra, nunca faltei com a minha palavra, e podem ter certeza que nunca faltarei. Portanto, aí tem um desafio: se gastarem mais, terão mais.

Eu queria, antes de encerrar, dar uma outra notícia para vocês, uma notícia que eu acho que é muito boa. A notícia é a seguinte: ontem nós reajustamos o preço mínimo do cacau e do sisal. Do cacau, a arroba foi para R$ 75, e do sisal foi para R$ 1,41 o quilo. Aproveito para anunciar isso aqui porque acredito que isso vai ser importante para os produtores desses dois produtos: cacau e sisal.

Eu quero dizer para vocês que nós, aqui, estamos dando um passo histórico, nesse auditório chamado Iemanjá – não é, Maria de Fátima? –, chamado Iemanjá, a Iemanjá que é mãe das águas e que é mãe também da fertilidade. E acredito que não vão faltar bons fluidos para nós todos, bons fluidos para as sementes de mudança que esse novo Plano Safra traz e para as grandes mudanças que o nosso país tem de fazer.

E aí eu falo simplesmente para vocês nos cinco pactos que eu propus aos governadores. Primeiro, um pacto pela estabilidade, contra a carestia e, portanto, um pacto pela responsabilidade fiscal de cada um de nós. Segundo, um pacto, escutando a vontade política neste país, das ruas, a vontade política das lideranças, um pacto por algo que nós sempre quisemos: a reforma política. Esse pacto pela reforma política é um pacto pela melhoria da representatividade e tem de ser um pacto pela participação popular. Por isso nós propusemos que ele fosse feito sob a forma de um plebiscito, que se consultasse a população do país sobre como ela queria a reforma política.

Como o Executivo federal não pode fazer essa consulta, porque pela Constituição quem faz essa consulta é o Parlamento – o Congresso: a Câmara e o Senado –, nós encaminhamos uma sugestão, pedindo ao Congresso Nacional, que convocasse plebiscito para ouvir sobre como é que as pessoas acham que devemos votar, para ouvir como as pessoas deste país acham que nós devemos financiar as campanhas políticas, para ouvir se as pessoas acham que deve ser ... o voto no Congresso deve ser um voto secreto ou não, para ouvir como é que as pessoas acham que os suplentes de senadores devem ser eleitos e como se fará as coligações.

Eu acredito muito na inteligência, na sagacidade, na esperteza do povo brasileiro. Eu acho que o povo brasileiro sempre mostrou, ao longo de toda a nossa história, que as suas escolhas sempre foram escolhas acertadas. Portanto, eu não sou daqueles que acreditam que o povo é incapaz de entender porque as perguntas são complicadas, não é verdade. O povo brasileiro tem aquela inteligência que nos foi dada porque, graças a Deus, nós somos feitos de várias correntes e de vários veios.

Eu falo aqui, num estado onde a contribuição africana do nosso país aparece de forma mais forte, mas ela passa por todo o Brasil, 50% do nosso povo declarou, no censo – mais de 50 – que era afrodescendente. Essa característica nossa, de sermos afrodescendentes, de termos a composição indígena, de termos a contribuição da colonização dos europeus, dos portugueses, de termos a participação dos asiáticos, este país que tem uma variedade étnica, ele é um país formado, também, por uma criatividade, por uma inteligência e por uma visão de mundo que é que deve faltar à representação política, daí a proposta de plebiscito.

Mas propus mais três questões. Uma, que é a destinação dos royalties do petróleo para a educação. Por que eu propus isso? Nós só seremos mais e melhores se nós tivermos educação de qualidade. Nós precisamos de dar escola de qualidade, creche, educação em tempo integral e alfabetização na idade certa, até os oito anos, pra todos os brasileiros com igualdade de oportunidade. Pra isso, pra isso tem uma ...

Obrigada gente, obrigada! Deixa eu acabar porque o pessoal aqui morre de fome, deixa eu acabar, eu to faltando pouquinho pra acabar. E é o seguinte gente, tem de ter também ensino técnico e acesso à universidade de qualidade. Mas tem uma coisa que é fundamental, os prefeitos sabem disso. Muitas vezes no Brasil a gente falou que o custeio era ruim e o investimento era bom. Ora, na educação custeio tem nome, chama professor. Professor nesse país, por que que tem de ter mais dinheiro dos royalties? Porque nós temos de pagar bem a professor, nós temos de transformar a profissão de professor nesse país numa das coisas que todo mundo vai querer e se esforçar para ser. Quem vai ser professor nesse país tem de ser os melhores. Por isso tem de gastar dinheiro com educação, não há milagre! Daí essa proposta dos royalties que nós viemos lutando e agradecemos que foi aprovada no
Congresso, foi aprovada.

A outra questão que é importante, principalmente nas grandes cidades brasileiras – tem cidade no Brasil, regiões metropolitanas com 20 milhões de habitantes em que uma pessoa leva de um bairro a outro, leva quase três horas pra ir, três horas pra voltar, dando seis horas, que sai de casa às quatro da manhã. Então as cidades brasileiras têm de ter uma reforma urbana que passa pela priorização do transporte coletivo de massa, que passa pela construção de metrô, que passa pela construção de VLT, enfim, que passa por um investimento pesado numa infraestrutura que se comparada mais de 30 anos, e que passa também por um programa de moradias. Hoje eu cheguei aqui, me deram uma reivindicação de quantidade de moradias do Minha Casa, Minha Vida ...

Obrigada, gente, obrigada, obrigada. Essa questão é uma questão séria. A gente sabe que foi no BNH, foi no BNH, não é? Eu falo BNH, muita gente aqui nem era nascida quando o BNH acabou. Só depois do BNH, nós fizemos um programa muito maior do que ele, que é o Minha Casa, Minha Vida, mas a questão urbana vai exigir de nós um grande investimento nessa área. Eu quero avisar os prefeitos que nós, a partir de agora, vamos ter uma política do Minha Casa, Minha Vida genérica para todas as prefeituras, inclusive para as pequenas, para as pequenas. Eu vou... Nós vamos anunciar isso na Marcha dos Prefeitos, por isso que eu não falo hoje.

E, por fim, essa questão dos médicos. A questão dos médicos é um grande esforço que também nós temos de fazer e conto com o apoio de vocês porque escutei bastante, tanto essa questão dos médicos como do custeio, já escutei também o custeio, escutei a questão dos médicos e, dentro das nossas possibilidades, vamos respondê-las. No caso dos médicos, o nosso programa Mais Médicos implica que a gente assuma, que o governo federal assuma o pagamento de salário, da alimentação e da residência do médico quando ele for transferido para a região.

Finalizando, eu queria dizer também para vocês que eu desejo que nós, juntos, sejamos capazes de estar à altura do desafio que nós temos pela frente, porque nós temos uma oportunidade, nós temos uma oportunidade de transformar, de forma acelerada, o nosso país. É agora que nós temos de fazer.

Por isso cada um de nós deve dar o melhor de si, e eu asseguro a vocês que eu não descansarei enquanto não puder atender a tudo aquilo que eu sei que é possível, e também fazer aquilo que, muitas vezes, inicialmente pode parecer impossível, mas que a gente tenta, força, tenta e força, e teima, e a gente consegue.

Um abraço.

 

Ouça a íntegra (43min49s) do discurso da Presidenta Dilma