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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de lançamento do Plano Brasil Medalhas 2016

por Portal do Planalto publicado 13/09/2012 18h08, última modificação 04/07/2014 20h12
O Plano prevê investimentos do governo federal em modalidades olímpicas e paralímpicas, visando a preparação dos atletas e equipes técnicas para os Jogos Rio 2016

 

Palácio do Planalto, 13 de setembro de 2012

 

Meus caros Daniel Dias e Fabiana Alvim, por meio de quem eu cumprimento todos os atletas brasileiros e equipe técnica.

Queria cumprimentar aqui os ministros e as ministras de Estado, cumprimentando a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

Queria cumprimentar também o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz,

O senador Aníbal Diniz,

O senhor Marcio Fortes, presidente da Autoridade Pública Olímpica,

Queria cumprimentar o Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro,

Também cumprimentar o senhor Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro,

Senhores presidentes de empresas estatais, parceiras do Plano Brasil Medalhas,

Senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas,

 

Esta cerimônia, ela é, em primeiro lugar, uma celebração das vitórias do Brasil nos Jogos Olímpicos e nos Jogos Paralímpicos de Londres. O Brasil deve comemorar seus bons resultados no esporte, também como comemora os bons resultados, quando a gente vê 40 milhões de brasileiros indo para a classe média. Conquistas a gente tem sempre de celebrar porque, como disse tanto o Daniel como a Fabiana, as conquistas, elas têm de nos impulsionar para ir além, para continuar avançado e buscando novas metas.

Por isso, eu quero, primeiro, reconhecer a imensa importância da atuação de todos os atletas, os paralímpicos e os atletas olímpicos que foram a Londres. Reconhecer, também, a atuação e a importância para o Brasil daqueles que subiram nos pódios. E também reconhecer que cada pessoa, cada brasileiro e cada brasileira, em relação ao desafio de vocês, vocês podem ter certeza que os corações bateram junto, a respiração se acelerou, e houve uma imensa sensação de vitória e de orgulho quando vocês ganharam as medalhas.

Essa sensação, em alguns momentos, ela é muito importante, porque, naquele momento, o que nós sentimos é que vocês conseguiram, e quando vocês conseguiram, uma parte é como se nós todos tivéssemos conseguido. É essa a magia do esporte, essa capacidade de nos unificar num mesmo... através da distância, num momento muito especial, em que todos nós fazemos aquilo que nos cabe, que é torcer. Mas vocês fazem aquilo que é mais importante: é nos dar a vitória. E é uma vitória que tem importância, seja ela a vitória da medalha de bronze, da medalha de prata e, obviamente, da medalha de ouro; seja também a vitória daqueles que faltou, às vezes, um segundo, que faltou um pouquinho mais, mas que a gente sabe que, da próxima vez, pode e vai ser diferente.

Por isso, hoje aqui nós estamos comemorando o desempenho, a alegria e o orgulho que vocês, nos Jogos Olímpicos e nos Jogos Paralímpicos de Londres, deram à população brasileira. É isso que nós viemos, primeiro, agradecer. De outra parte, é reconhecer que um novo ciclo olímpico que se inicia agora tem, em seu horizonte final, os Jogos Olímpicos e os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.

Como sede dos Jogos, é muito justo que as nossas ambições – a de vocês, e as nossas e a do povo brasileiro – sejam ainda maiores em termos de vitórias e de medalhas. Mas querer, esperar e ambicionar, ainda que sejam sentimentos e posturas absolutamente essenciais, não garantem, por si só, as conquistas. Nós temos de acrescentar o verbo fazer e, para isso, é óbvio que o esforço individual, a superação, toda a capacidade de cada um de vocês tem de receber também o suporte, o apoio do governo e do Estado brasileiro e da sociedade brasileira. Nós estamos aqui dizendo, portanto, que estamos conscientes que, para que a gente possa dar um passo, dar um salto e fazer um gol, nós precisamos de ter uma ação deliberada, sistemática e objetiva do governo.

Por isso, o desempenho do Brasil depende também do que nós formos capazes de construir de oportunidades para vocês, tanto nós, governo, como a sociedade e a iniciativa privada.

O Plano Brasil Medalhas vai aprimorar o que nós consideramos essencial: primeiro, o apoio ao atleta, diretamente ao atleta, e isso é obtido através do Bolsa Pódio e do Bolsa Treinador, entre outras coisas. Mas também é dando suporte de infraestrutura, de tecnologia, de respaldo, através de centros de treinamento, para aqueles que estão entre os 20 melhores atletas do mundo em suas modalidades. O nosso objetivo é, sem dúvida, obter, sim, vitórias, é, de fato, chegar ao maior número possível de medalhas.

Então, ao regulamentar o Bolsa Pódio, que é uma das modalidades do Bolsa Atleta, e ao garantir que haja uma equipe técnica dando suporte aos atletas, nas suas diferentes modalidades, nós estamos apostando que um conjunto integrado de medidas é necessário para a preparação de atletas de alta performance. Nós estamos conscientes que isso é necessário e que o Brasil tem de dar passos no sentido de transformar isso numa prática sistemática.

Nós também sabemos que depende da infraestrutura. Eu estive em Londres e vi as condições nas quais se colocava a equipe olímpica brasileira. Eu não visitei aquele centro esportivo de forma completa, mas eu tive uma noção dele, e percebo claramente que é fundamental que o nosso país tenha centros de treinamento de alta qualidade. Se nós vamos construir, reformar, ampliar ou modernizar, o certo é que nós vamos ofertar 22 centros de treinamento, nos quais vocês terão o suporte para treinar e levar à frente essa ambição que cada um de vocês tem dentro de si, e que é uma ambição bendita porque ela, de uma certa forma, é a síntese da ambição de 194 milhões de brasileiros, expressa em vocês.

Eu tenho certeza que este ato de hoje, que esse 1 bilhão faz parte do início de um processo que vai mobilizar o Brasil no sentido de dar absoluto suporte aos seus atletas de alto rendimento. Tenho certeza que, além das empresas públicas aqui presentes... Eu agradeço o Banco do Brasil, a Caixa, a Petrobras, a Eletrobrás, agradeço à Infraero, aos Correios, enfim, a todas as empresas, ao BNB, a todas as empresas estatais que estão neste programa, agradeço e acho que, para elas, é muito importante participar nestes programas. Tenho certeza que tem algumas empresas com um certo ciúme da Caixa, porque a Caixa, em alguns casos, saiu na frente. Vocês me desculpem essa constatação, mas eu tenho escutado algumas considerações a respeito. Então, eu considero que é muito provável que essa mobilização seja acompanhada também por uma mobilização da iniciativa privada.

Nós temos, e todos nós sabemos, uma boa estrutura nos esportes coletivos. E sempre que eu assisto os nossos esportes coletivos, eu fico me perguntando por que não é cada um dos integrantes que ganha uma medalha. Eu sei que essa regra do jogo, ela foi imposta há um tempo, e que é assim, mas eu considero que o Brasil tem de ter uma proposta de aumento de medalhas, apostando também nos esportes individuais. E é isso que também iremos fazer.

Gostaria de dizer para vocês que nós temos, o ministro Aldo, a ministra-chefe da Casa Civil e todos que participam, os ministros que participam dessa questão, que é lidar com a Olimpíada de [20]16 e assegurar que nós tenhamos as melhores condições possíveis e transformemos a Olimpíada de 2016 num momento especial deste país, em que nós iremos dar um salto e nos transformar numa potência esportiva, ou caminharmos em passos firmes para nos transformarmos.

Nós temos uma preocupação, que é nacionalizar essa Olimpíada. Nacionalizar essa Olimpíada é levá-la para o Nordeste, para o Norte, para Sul, para o Sudeste e para o Centro-Oeste. É também perceber que nós temos de cumprir um papel no sentido de afirmar a importância do esporte na formação da identidade desse país.

Nós somos um país que tem uma grande capacidade esportiva. Sem sombra de dúvida, somos reconhecidos em vários esportes, mas nós não temos ainda massificado esportes individuais. Daí porque eu queria dizer para vocês que além do Brasil Medalhas, nós estamos procurando um mecanismo similar à Olimpíada da Matemática, porque a Olimpíada da Matemática que passou, levou 18 milhões e 700 mil alunos a disputar a Olimpíada da Matemática. Por que que é que nós não podemos ter uma olimpíada do atletismo? Uma olimpíada de crianças e jovens que possam correr e saltar? Então, juntos, Ministério da Educação e Cultura, coordenado pelo Ministério dos Esportes, com a participação da Casa Civil e também com as Forças Armadas brasileiras e, eu tenho certeza, as empresas públicas, nós estamos organizando da mesma forma da Olimpíada da Matemática, nós estamos organizando também a nossa olimpíada nacional de atletismo para jovens, para as escolas, para todos os segmentos que vão poder florescer na próxima Olimpíada de 2016 e na de 2020 e assim sucessivamente.

Queria também dizer que nós sabemos que num país, para se exercer plenamente a cidadania, é importante que escolas, equipamentos urbanos acessíveis, equipamentos de esporte acessíveis são essenciais. Por isso, nós estamos todos envolvidos no sentido de assegurar que em cada lugar do nosso país nós tenhamos condição de manter os atletas que surgirem neles, tendo um treinamento adequado nesses lugares, garantindo condições de vida decente para esse atleta. A história que o ministro Aldo contou do Popó, que não tinha onde dormir e dormia na rodoviária é um exemplo que nós queremos riscar da nossa história.

Finalmente, eu queria dizer que eu vou homenagear, eu estava copiando alguns nomes que eu quero homenagear. Primeiro, um técnico que eu tive a oportunidade de falar com ele no telefone, quando nós ganhamos a medalha de ouro do vôlei feminino. Queria homenagear o José Roberto Guimarães. O Nuzman me garantiu que ele estava aí, heim? Então, onde é que ele está? Bom, é tem uma porção de gente que jura que viu.

Bom, além disso, eu queria homenagear a Letícia, porque a Letícia é técnica do vôlei de praia masculino.

Queria também homenagear o Ramon Pereira, do futebol de cinco dos jogos paralímpicos. Ah, o Ramon está aí.

Ao homenagear esses três técnicos, eu estou tentando homenagear um conceito, que é o conceito de equipe. Nós sabemos que nesse processo de vitória é fundamental a equipe. E o técnico tem um papel essencial. Daí porque eu homenageio.

Acrescento, também, à homenagem que todos já fizeram, uma homenagem especial – quer dizer, eu queria reiterar – que é a vitória do Alan contra o Pistorius. Não foi contra o Pistorius, mas é assim que nós vivemos. O Alan representa uma coisa muito importante que o Andrew falou, que é o fato de que ele provou não só que é fundamental respeitar a igualdade de oportunidade no início da competição e da vida, mas sobretudo o seguinte: mesmo em alguns momentos em que parece que os vencedores tradicionais ganharam, é possível derrotá-los e derrotar no bom sentindo, respeitando um grande atleta que é o Pistorius. E o tamanho da sua conquista também se deve ao tamanho do Pistorius. Parabéns Alan, em todos os nossos nomes.

 

Ouça a íntegra do discurso (18min57s) da Presidenta Dilma