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Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de lançamento da Rota do Revezamento da Tocha Olímpica Rio 2016 - Brasília/DF

por Maria Gleice publicado 03/07/2015 14h33, última modificação 03/07/2015 14h33

Brasília-DF, 03 de julho de 2015

 

Eu queria cumprimentar os prefeitos e as prefeitas que vão receber a tocha olímpica. Isso significará, sem dúvida, para a população desses municípios um acontecimento extremamente importante, tenho certeza,

Cumprimentar os governadores, o governador Luiz Fernando Pezão, do Rio de Janeiro, estado que vai sediar as Olimpíadas, o nosso Rodrigo Rollenberg, do Distrito Federal, e Wellington Dias, do Piauí,

Cumprimentar o Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Cumprimentar também os ministros de Estado, Jorge Hilton, do Esporte, Jaques Wagner, da Defesa, Ricardo Berzoini, das Comunicações, Henrique Eduardo Alves, do Turismo. Você, hein, Jaques...

Cumprimentar os senhores comandantes militares, general Eduardo Villas Bôas Exército, general José Carlos de Nardi, do Estado-Maior das Forças Armadas,

Cumprimentar o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. O Eduardo Paes hoje teve uma recaída modesta. Para mim ele disse que ele é o melhor prefeito da mais bonita cidade das galáxias. Entre todas as cidades das galáxias, ele é o prefeito da mais bonita,

Cumprimentar o Marcelo Pedroso, presidente-substituto da Autoridade Pública Olímpica.

Cumprimentar o Bernard, vice-campeão olímpico de vôlei, a quem a minha geração acompanhou estarrecida, com fôlego preso, e para quem nós todos torcemos, e membro do Comitê Olímpico Internacional,

Queria dirigir um cumprimento especial ao Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, e a todos atletas aqui que são e nos dão imenso orgulho pelas medalhas que conquistam e que têm um desempenho fantástico nas paralimpíadas,

Queria cumprimentar os representantes das empresas patrocinadoras da tocha olímpica. Da Nissan, Fraçois Dossa, da Coca-Cola, Xiemar Zarazua, do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco,

Queria cumprimentar dois fantásticos atletas, por meio de quem eu cumprimento todos os atletas que vão participar das nossas Olimpíadas,  a Isabel Swan e o Torben Grael,

Queria também cumprimentar a Beth Lula, diretora de marcas do Comitê Organizador Rio 2016,

Dirigir um cumprimento todo especial ao Gustavo Chelles, diretor do escritório de design Chelles & Hayashi, empresa que foi a vencedora da criação da tocha olímpica,

Queria cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas, os fotógrafos e os cinegrafistas.

 

Senhoras e senhores,

 

Eu venho de uma viagem em que um dos temas centrais da relação do Brasil com os Estados Unidos, nós reconhecemos como sendo a inovação, a ciência e a tecnologia, enfim, a ciência aplicada, a educação para gerar valor e para assegurar que, não só a gente mantenha as conquistas que tivemos pela política de inclusão social e distribuição de renda, mas também a necessidade de saltarmos para um novo patamar do nosso desenvolvimento econômico. Dentre todos os processos tecnológicos que a humanidade criou, dois se destacam. Um é o imenso poder, a imensa força, a imensa capacidade de desenvolvimento que, em qualquer atividade humana tem um processo chamado cooperação. E o outro foi a conquista do fogo. Aqui nós estamos hoje para comemorar esses dois processos. De um lado, nos Jogos, a cooperação para competir. Competir para assegurar esta relação absolutamente saudável entre nós, e o outro é o fogo.

O nosso querido Nuzman me disse que da única coisa que ele não reclamou - porque você sabe que uma pessoa que trabalha para fazer um evento do tamanho, do porte da Olimpíada, do desafio, o grupo de pessoas, são pessoas que cuidam muito mais dos problemas do que do que deu certo. Então, uma das características é reclamar. Então, ele me disse: ‘A única coisa que eu não reclamei até agora foi da tocha olímpica.’ O que é indicador da força dessa tocha olímpica. E aí, eu quero dizer para vocês, quando nós vemos a tocha dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, crescem para nós tanto a responsabilidade quanto a emoção, esses dois sentimentos. E está chegando o dia em que nós vamos ter a honra, o orgulho de ser o primeiro país da América do Sul a sediar o maior evento esportivo da terra.

A tocha olímpica, sem dúvida, é muito bonita, ela é verdadeiramente fantástica. Aquelas cores, o Nuzman estava me explicando, porque isso é um protótipo, elas mudam. As cores internas mudam. E também que a tocha se move. Então, eu digo, diante da tocha, com uma insistência que o Galileu disse diante da inquisição: “E pur si muove!” Ou seja, “E apesar de tudo se move!”. E eu considero, Nuzman, que você tem toda a razão.

O design da tocha, ele representa, eu acho, a força do que os Jogos Olímpicos representam no mundo desde a mais longínqua antiguidade. E mais, o tempo de Hera é o tempo da sabedoria. Então, os Jogos também têm que ter e exprimir essa sabedoria que caracterizou o fundamento da nossa civilização, que é toda a tradição grega.

Nós estamos agora a 399 dias da abertura dos Jogos Olímpicos. Em 5 de agosto de 2016, as pessoas do mundo inteiro vai olhar para nós, vão ver a chama olímpica, acender a pira que nós vamos montar no Maracanã, no Rio de Janeiro, citando novamente o prefeito Eduardo Paes, a mais bonita cidade da galáxia.

Nós estamos confiantes que nós vamos responder à altura o desafio que nós recebemos. Nós vamos fazer com grande competência, com hospitalidade, uma olimpíada histórica que vai assinalar uma página de paz, prosperidade e entendimento entre os povos do mundo. E também página muito importante na história do nosso povo.

Essa tocha olímpica vai circular pelo Brasil. Vai ser empunhada por representantes, homens e mulheres, jovens, crianças do nosso povo. Ela vai ser sentida em vários municípios, desde a distante Amazônia até, passando pelo Centro-Oeste, até São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, enfim, o Brasil de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Milhares de pessoas vão participar, milhões de pessoas vão assistir. Vai consolidar essa forma de revezamento, que vem dos Jogos, dessa capacidade de cooperar. Nós vamos fazer uma cooperação grandiosa, uma cooperação que vai permitir que cada um se sinta participante, partícipe desse processo.

Se 300 cidades integrarão o itinerário, outras tantas serão paradas. Conforme eu fui informada hoje, em torno de mais 200 cidades estarão no roteiro dessa tocha. Hoje, 82 cidades estarão sendo anunciadas e nelas vai haver o pernoite da tocha. Brasília, o centro do Brasil, será o ponto de partida desses mais de 28 mil km.

Nós estamos nos preparando com muita dedicação. E eu queria, aqui,  enfatizar duas coisas. Primeiro, a parceria entre os entes federados que têm levado essa Olimpíada a ser um dos mais bem organizados eventos deste país.

Queria cumprimentar, pela sua dedicação, o prefeito Eduardo Paes, pela sua capacidade de trabalho e  pelo fato de  ser uma das garantias que esteja  tudo nos conformes.

Queria cumprimentar o nosso governador Pezão. Apesar de que, eu e o Eduardo vimos fazendo um grande esforço para que ele compre uma bicicleta e pedale. O Nuzman forneceu para ele o uniforme completo. Então, cada vez mais, aliás, melhor dizendo, cada vez menos, ele tem, cada vez mais razão para praticar esporte e não integrar os 47% que o ministro Jorge Hilton levantou aqui.

Nós, tenho certeza, também contamos com essa questão central, que o Eduardo Paes destacou, que é a parceria público-privada. De fato, uma das características marcantes dessas Olimpíadas é a participação do setor privado, tanto no que se refere ao patrocínio, e aqui temos os três maiores patrocinadores, a Nissan, a Coca-Cola e o Bradesco, mas, sobretudo, na construção da infraestrutura dessa Olimpíada. Nós temos tido uma presença expressiva de investidores privados em PPPs, uma parceria de fato público-privada.

As obras estão em dia. Eu fui perguntar, bastante, no exterior sobre a questão de segurança das Olimpíadas. Fui perguntada, na entrevista coletiva que se deu na Casa Branca, e eu disse com a certeza da experiência que nós tivemos durante a Copa do Mundo e por toda a nossa parceria com o governo do Rio de Janeiro, com o governador Pezão em todas as nossas ações nos bairros e favelas do Rio de Janeiro. Mas, sobretudo, porque nós tivemos a capacidade de nos organizar de forma a articular as Forças Armadas, a Polícia Federal, de um lado; e de outro a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, com a Polícia Militar e com a Polícia Civil. Nós temos certeza que faremos uma Copa segura, uma Copa que vai garantir… Aliás, desculpa, uma Olimpíada. É que eu falei em Copa, e estou com a Copa na cabeça. Mas nós fizemos uma Copa segura. E aí, eu disse para eles até que se nós fomos capazes de garantir segurança em 12 cidades, nós somos capazes de garantir a segurança em uma cidade. E, eu tenho certeza também, porque nós temos hoje todo um processo, todo um aprendizado nos centros de comando e controle integrados. Nós integramos a nossa segurança.

Quero dizer que, então, todos aqueles que quiserem participar dessa Copa... dessa Olimpíada,  que venham aqui e que venham e participem com a certeza que serão muito bem recebidos e que nós teremos condições de dar o atendimento adequado.

Eu queria destacar a questão dos centros de treinamento, mas o ministro já falou sobre isso. Mas, queria agora destacar que no próximo mês vão ser realizados 45 eventos-teste das instalações destinadas às competições olímpicas. O que vai ser muito importante para nós, porque vamos fazer o pré-teste. Além disso, eu tenho certeza que o mundo inteiro, mesmo aqueles que não vierem, terão condições de acompanhar todas as modalidades esportivas, todos os eventos, e torcer. E seremos capazes de transmitir isto com alta qualidade.

Eu, finalmente, queria dizer para vocês, que uma Olimpíada ela será sempre um momento em dois níveis. No nível internacional será  o momento  de congraçamento no mundo que tem uma ordem multipolar. Será o momento de diminuir a fragmentação, de ampliar a unidade, de colocar todos os representantes das diferentes nações disputando de uma forma tranquila, de uma forma respeitosa, de uma forma em que se reconhece o esforço do atleta e a sua capacidade de superação. Para o Brasil, porque os Jogos têm uma característica no que se refere a maior qualidade dos atletas. Os atletas não se curvam diante de uma derrota. Os atletas, diante de uma derrota levantam e tentam uma, duas, três... quantas vezes forem necessárias. Por isso são atletas, ou seja, porque sabem que a capacidade do ser humano mais interessante é não desistir, é ser capaz de enfrentar e ser capaz de superar-se. É isso que caracteriza um bom atleta. E o brasileiro tem essa vocação, nós somos bons atletas. Bons atletas porque temos essa consciência. Agora, para ser mesmo um bom atleta, também tem que ter esse imenso, esse imenso esforço, essa imensa dedicação que é treinar, que é tentar, que é se motivar para não desistir, para conquistar. E isso é com muito esforço, com muito trabalho. Também acho que o Brasil tem essa característica, as pessoas se esforçam, elas correm atrás. Daí o porquê, eu tenho certeza que a Olimpíada é um momento simbólico também para nós. E nós vamos mostrar aquilo que tem de melhor no Brasil, aquilo que caracteriza esse país, somos um dos poucos países continentais do mundo que reduziu a desigualdade. Somos um país com uma economia diversificada. E somos um país que sabe e vai superar todas as suas dificuldades.

Muito obrigada.

 

 

Ouça a íntegra do discurso (19min18s) da Presidenta Dilma.